Nobre AMI em Viagens e GRITOS CONTRA A INDIFERENÇA

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(*) A 29 de Maio de 2007 na Rádio Antena 2, LUÍS CAETANO no seu programa «ÚLTIMA EDIÇÃO» à conversa com o FERNANDO NOBRE:
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Foi hoje à tarde apresentado em Lisboa um novo livro do médico Fernando Nobre, chama-se «GRITOS CONTRA A INDIFERENÇA» complementa o livro anterior, «VIAGENS CONTRA A INDIFERENÇA», livro também com a chancela da «Tema e Debates», uma obra onde Fernando Nobre reúne artigos publicados e textos de conferências dadas ao longo dos últimos 10 anos em seminários, escolas, institutos, fundações, universidades, em muitos grupos de reflexão que contemplam o mundo de hoje. Neste livro Fernando Nobre apresenta a sua visão do mundo, a sua revolta, a sua luta que é a sua actividade por um novo paradigma humano e de sociedade.
A propósito deste novo livro de Fernando Nobre apresentado hoje em Lisboa, proponho recordar neste programa uma conversa tida com o médico aquando do lançamento do livro anterior, «Viagens contra a indiferença», Fernando Nobre para quem o mundo não tem fronteiras, quando se trata de ajudar o seu semelhante, independentemente das condições difíceis em que isso aconteça.
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Vamos recordar essa conversa com FERNANDO NOBRE:
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… Eu acho que enquanto os seres humanos não forem capazes de se auto analisarem e verem também comportamentos errados que eles aos seus povos e as suas culturas praticaram em relação aos outros durante décadas ou séculos vai ser difícil chegarmos ao diálogo, ao entendimento, à criação de pontes, porque precisamos é de pontes, de inclusão, não de políticas de exclusão, que vão necessariamente produzir mais terror. (…)
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- A vida humana está sem valor para os ricos e poderosos deste mundo, Doutor Fernando Nobre?
Está, está! Está e eu tenho dito e também está escrito no meu livro que se eles pensassem, nem que fosse só um minuto na morte, por semana ou até por mês, eles aperceber-se-iam que são ninharias, poeiras no universo, como todos nós. Felizmente ou infelizmente eu já vi morrer milhares de pessoas (…)
E nós sabemos e eu sei que quando eu morrer, naqueles minutos que vão anteceder a minha morte, os meus músculos vão relaxar antes do último suspiro e eu vou-me «borrar» todo, como toda a gente se «borra». E por isso, esses ditos poderosos, que pensam que são donos, enfim e senhores do mundo, vão-se aperceber naqueles dois, três minutos, se estiverem conscientes, se não estiverem já em coma profundo, que efectivamente eles não são coisíssima nenhuma…
(…) As pessoas pensam que são eternas. Não são eternas coisa nenhuma,
vão morrer exactamente como todos os outros e ainda bem! Porque mal de nós seria se os ricos e poderosos pudessem comprar a imortalidade. Porque essa é a grande justiça!
Por isso vamo-nos todos «borrar» dois, três minutos antes de morrer! Vamos todos urinar dois, três minutos antes de morrer!…
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- E vamos ser todos iguais!
E vamos ser todos iguais! E por isso pensem por favor! Porque se pensarem só naquele momento que são ninharia, ah já é tarde! Eu penso que as coisas têm de ser feitas, não de forma tétrica. Eu não quero ser tétrico. Eu gosto de viver, de rir, de contar anedotas e de brincar com os meus filhos. Mas é bom que as pessoas pensem de vez em quando e exactamente a dimensão que nós temos. Para não andarem aí armados em parvos, pensando que isto lhes pertence, isto não lhes pertence! E para respeitarem os outros. Enquanto nós não virmos as crianças todas como podendo ser nossos filhos. Enquanto olharmos sempre os outros como seres menores, uma espécie de macacos que podem morrer aos milhões que não importa…
(…) Há que criar um novo paradigma de mentalidades, que passa sempre pelo mesmo, aqueles conceitos tão básicos… «
não mates!», «não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!». Se chegarmos a isso e interiorizarmos isso, talvez poderemos ter um mundo onde teremos menos medo…
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- É um homem desprendido dos bens materiais, o que é que leva consigo quando vai para uma missão, de livros, de mais pessoal?
Levo em geral dois, três livros, tipo pessoal não levo nada, sou um homem muito aéreo, porque não levo nem rede mosquiteira, nem pomadas para pôr contra os mosquitos, nem enfim, nem muitas coisas, óculos escuros nem isso, nem aquilo, nem aqueloutro… (…) E depois contento-me com pouco, levo bolachas Maria, garrafa de água, isso temos de beber, não podemos viver sem água e depois pouco me importa o resto. Se tiver que dormir no chão, durmo no chão…(…) E costumo dizer, que espero que até ao fim da minha vida tenha um prato de sopa. Se alguém me pudesse garantir hoje, que estou aqui, que até ao fim da minha vida teria sempre um prato de sopa, um ao almoço e outro ao jantar, eu pessoalmente já vivia muito tranquilizado
(…)


(*) Transcrição para texto de excertos da conversa áudio, por ALICE VALENTE.

Clique >>> aqui <<< para ouvir (os 14 minutos) em AUDIO
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2 comentários:

  1. Para ler,reler,ler,reler,ler...
    e pode ser que à milionésima vez se faça luz nestas nossas cabeçinhas tão ocupadas no extase superficial que nos injectam nas televisões e jornais.
    (bolas, esta foi forte)

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  2. Sem palavras...num mundo tão árido de bondade e compaixão pelos que nos rodeiam, estas palavras são como uma gota de agua no deserto. Tocam-me e sinto-me envergonhada pelas reclamações diarias, fúteis e sem sentido.
    É verdade que nem todos podemos ser médicos e ir por aí fora, mas podemos fazer alguma coisa pelos que nos são próximos. Existem tantas dificuldades mesmo à nossa frente, desempregados, doentes, pessoas que precisam de conforto moral.Podemos sempre fazer qualquer coisa mas primeiro precisamos de ter consciencia da nossa condição de iguais ...

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