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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

Pensamento, comparação e mecanicismo

A evolução acontece naturalmente e por não ter qualquer propósito em que se possa fundamentar, que toda a ciência procura mexer e remexer apresentando novas possibilidades de mais e mais conceitos que por sua vez, irão sempre sendo mal interpretados e até usados indevidamente. Em que igualmente a par disso e que é onde a filosofia e as artes se posicionam, todo e qualquer pensamento continuará a existir e a ressurgir, numa reformulação e em suas respectivas formas de se libertar desses mesmos modelos rígidos de encaixe ou encaixotamento asfixiante a que é dotado progressivamente.

E porque todo o automatismo imposto é sempre limitador da capacidade criativa e porque também a evolução natural não tem qualquer propósito, que lá nos vamos ajustando nessa encruzilhada de má-vida com a utilização indevida e despropositada de vários pensamentos.
Este desmesurado interesse sem qualquer sentido em que nos encontramos e que se tem tentado dimensionar a justificar os mecanismos conciliatórios da comparação através da demasia fabricável, do mesmo para o mesmo e a ser consumível tão rápida quanto imediatamente e ainda a dar os devidos e quantificáveis lucros a quem assim quer que seja, estão-nos a arremessar para outros ideais que nos irão livrar, enquanto antes, desse mesmo pacto negocial de conceitos completamente desinteressantes e exactamente porque fechados e redutores em si mesmo de todo um pensamento que se quer devidamente liberto para que possamos existir enquanto seres dignos e virtuosos.

E para além do contar histórias e do saber a história ou as histórias espectacularmente sensacionais do outro, dos outros, deste, daquele ou do mundo, nas mais variadas formas do que é o inqualificável comparativismo associativo, existe uma outra comunicação que não é de todo negociável com esses mesmos modelos que nos tentam colar à ideia de mais e mais do mesmo e do sempre muito e repetitivo e em seu igualitário tornado escravizante.

E o desafio aí está para quem goste de pensar e a usar devidamente esse mesmo pensamento, através do que as tecnologias nos estão ou poderão vir a oferecer e em suas muitas e novas disponibilidades de reformulação de todo um pensamento não quantificável mas agora talvez de mais qualificável. É certo que neste momento ainda não se sabe muito bem o que fazer com esse enorme potencial tecnológico, habituados que se estava e em suas vivências sociais, das interesseiras e lamechas historiazinhas ou vidinhas e em seus culturais registos consumíveis, do mais ou mais menos ou do está-se bem e em seus confortáveis comparativismos postos em prática.

O pensamento e a comunicação através destas novas tecnologias e na imensidão de possibilidades que nos tem sido apresentadas, está pois, prestes a uma total reviravolta ou até numa viragem de 180º. E porque de pensamento se trata, todos os conceitos e modelos usados até aqui irão ser questionados e a terem inevitavelmente de ser alterados, mas agora de uma forma muito mais interventiva e participativa e isso poderá acontecer mais depressa do que imaginamos. E que vai desde o questionar as práticas e respectivos conceitos de "dinheiro", de "trabalho" e para além de muitas outras questões que já estão na mesa, tais como: "mercado"; "democracia" e o "económico-político", que por estarem na ordem do dia ou em cima da mesa a toda a hora das nossas prioritárias preocupações terão de ser resolvidas com a máxima urgência, e isto porque foram estas máquinas organizacionais que ao ser humano, avassaladores estragos já provocaram, a demonstrarem assim, o não ser mais possível dar-se-lhes qualquer aval e que pelos tão gravosos erros igualmente cometidos, muito menos ou alguma vez poderão continuar, a servir de modelo ou de exemplo a ser seguido.

E a esse nível do que será o pensamento e em sua comunicação num futuro muito próximo, uns mais atrasados, reaccionários ou retrógrados do que outros, todos lá terão de chegar, a pensarem por si mesmos com toda a liberdade e a ajustarem-se harmoniosamente ao que é melhor para com o que é humanitário e em seu meio ambiente. E todo aquele que persiste e insiste que nos haveremos de continuar a reger pelas vias do mesmo e do igual como tem sido praticado até aqui, numa qualquer tentativa de se querer ainda continuar a justificar o que é injustificável ou ainda numa tolerância para o que é completamente intolerável ou num qualquer copioso e autoritário mecanicismo, desengane-se porque poderá vir a ser vergonhosa e descaradamente superado em si e até por si mesmo.



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