Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

Capital



Capital

E as flores crescem fora de vasos
Saltaram-lhes o âmbito
Em muitas e muitas árvores soma-se a frescura
Debaixo e acima de raízes
E sentados por dias
Lá onde se perde o anel do propósito

E não se enleiam as raízes a asfixiarem outras raízes
Essas raízes que se fazem de indivisas raízes
Das que sobem abaixo à procura de alimento
E das que descem acima à procura de movimento
São as raízes da Terra que ecoam

Tanto, mas tanto que nos cansa a mente. Come-se do prato cansado. Come-se. Comemo-nos escoando o calor que nos cansa. Descemos à plateia dos muitos, muito pouco. E às vésperas do festim de bastidores, retira-se a cortina velada. E aos montes amontoam-se as idas dos que não mais virão. Inertes.


Não digas
Não digas nada
Nem digas quem és
Não é preciso saber-se o que o outro é
Não somos assim nem do outro nem do ser-se
Somo aquilo que não podemos ser
Somos muitas vezes o que somos
Sem saber quem somos

Somos ou fomos?
Nem somos nem fomos
Vamos por que vivos

E os batuques
Tocam-se
Como que de mãos dadas e à roda
Dançados e unidos
Ora para lá ora para cá
O movimento dá-se
E o dia estava indo
Como nós
Por alegria




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