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a árvore ao jardim

A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
ou ao que nos tem levado o rumo da «inteligência»

Este meu texto refere-se à perigosa CRISE que já nos assiste e em resposta à ideia, de que através de uma selecção humana ou eugenia, o ser humano à face da terra viveria racionalmente melhor.

A Inteligência é um termo recente e até pertença do vocabulário da Psicologia aquando esta surgiu há 200 anos. Este termo «inteligência» é também recentemente usado na Filosofia e que veio, quanto a mim, de uma forma indesejável, substituir aos que os filósofos sempre designaram, ora por Entendimento, ora por Pensamento. E por tudo o que de permitido se tem vindo a tentar enfatizar e em quais descobertas associadas à Psicologia com os seus testes de QI's, que se nos apresentam estas científicas e afins psicologias como de tão oportunistas quanto de perigosas e até de completamente calamitosas.

Francis Galton (1822-1911) foi um dos primeiros cientistas a obcecar-se com a Eugenia e a tirar imediatamente proveito das teorias da Evolução das Espécies desenvolvidas pelo seu primo Charles Darwin (1809-1882).

Alfred Binet (1857-1911), pedagogo e psicólogo, foi o primeiro a inventar um teste para medir a inteligência quando procurava uma solução para ajudar os seus alunos a estudar. Testes estes que começaram a entrar em voga e a serem desenvolvidos por psicólogos norte-americanos.

A partir daí, os testes QI tornaram-se convenientemente ajustados à ideia de que a inteligência seria quantificável podendo através da eugenia, purificar a raça, que o psicólogo Charles Spearman (1863-1945) influenciado por Francis Galton, desenvolveu uma medida, o «factor g».

E para Cyril Burt Lodowic (1883-1971) a inteligência mede-se como se mede a altura de uma pessoa. Este psicólogo, apesar de nada se saber sobre a Inteligência e suas aptidões cognitivas e onde estariam alojadas no Cérebro, tentou tornar a inteligência tanto quantificável como hereditária e para conseguir tudo aquilo que pretendia, até falsificou dados de investigação.

Assim, nas duas primeiras décadas do séc. XX, de mãos dadas Eugenia e Psicologia estavam completamente infiltradas por todo o lado. E pelo imenso sucesso que estavam a ter nas respectivas experimentações maquiavélicas associadas à medicina e à psiquiatria, que pelo muito que interessavam por quem as ditava ou pretendia impor no controle das pessoas e das populações, que tantos especialistas, psicólogos, freudianos e em muitos homens mal-intencionados à mistura, o eugenismo pôs-se efectivamente em prática com o nazismo. E foi o que foi de tão monstruoso como todos nós sabemos. Ninguém jamais poderá esquecer!

E de vez em quando, lá voltam eles, estes inteligentes com as mesma ideias monstruosas, e embora disfarçados por aí e até feitos de muitas cientificidades, soltam-se em suas horrendas ideias. E mais recentemente, temos o caso do Charles Murray (1943) e Richard Herrnstein (1930-1994), em que no livro A Curva Normal, para estes autores os negros são menos inteligentes do que os brancos e lá vêm outra vez com a lenga-lenga da selecção natural, do darwinismo, da inteligência e de eugenismos à mistura, numa revelação de criminosos cientistas que se julgam os donos do Conhecimento e em qual inteligência tão estupidificante. Depois temos outros tantos perigosos do racismo e do eugenismo, todos eles psicólogos: Hans Eysenck (1916 1997); Arthur Jensen (1923); J. Philippe Rushton (1943)...

E para os que se consideram de «aptos» racionalmente e assim numa frieza de exclusão racionalista e social, tentarão optar por estas vias do que é desumano.

Mas depois, como é com a Evolução e a Consciência?

Tal é impensável, porque para já, a se usar as meras teorias de Darwin deixaria de funcionar enquanto evolução e em sua de tal selecção natural, para passar a ser, uma selecção anormal e porque imposta inteligente e intencionalmente por regras mecanicistas ou leis não-naturais.

Tenho por sinal presenciado, de alguma maneira através de conferências que vou assistindo, que alguns dos muitos intitulados de cientistas portugueses, se encaminham por essas vias da ausência de ética na ideia da tal selecção (natural) entre o «menos apto» e «o mais apto» numa competitiva «luta pela existência», princípio que DARWIN foi buscar ao ECONOMISTA Thomas Malthus (1766-1834) para o aplicar à Biologia. Embora de uma forma camuflada, mas tem vindo tendencialmente a revelar-se este tipo de insensibilidades e em suas científicas «verdadezinhas» perigosas.
Quero com isto dizer, que esta especulação sempre se tentou fazer e agora até se está a tentar colocar-se às teorias de Darwin, quase como uma forma para justificar o que na realidade é completamente injustificável, aos que presenteados por uma Ignorância Estúpida e nos que ainda por cima se pensam inteligentes e em qual Inteligência.

Esta forma de inteligência que se quer atribuída ao Homem e em suas sociabilidades, não passa de uma mera inteligência estúpida ou inteligência esperta ou ainda nas muitas inteligências cordiais e simpáticas que se vão arrematando por aí, para além das muitas hipócritas e sabichonas máscaras de quais psicológicas ou psicanalíticas ideias que se querem impor como de obrigatoriamente respeitáveis.


Para mim a Evolução ou o evoluir é um processo natural de todo o Ser e que não passa só pela inteligência ou em que meras inteligências. É que a Inteligência mesmo que a queiram tornar de hereditária ela não é de maneira nenhuma a única forma associada à Evolução.
E para que a Evolução se dê ou se efective com toda a naturalidade terá de haver outras componentes do pensamento e que são: o Entendimento e a Intuição.
É que a Inteligência diz unicamente respeito à cómoda apropriação das soluções na dominação maquinal do espaço. Mas o Homem possui uma enorme capacidade e força psíquica que está para muito para além de toda a Inteligência, tal como o filósofo Henri Bergson (1859-1941) no seu livro A EVOLUÇÃO CRIADORA nos demonstra que essa «força da natureza» que existe em nós, é completamente livre, subtil e imponderável. E muito menos poderá ser de quantificável, e exactamente porque fora do âmbito de qualquer domínio mecanicista. É que essa «força da natureza» e em sua Evolução Criadora sempre esteve ao nosso dispor para um novo e futuro compreensível, mas em tudo o que é relativo ao Humanitário e em sua Natureza e no respeitante aperfeiçoamento da vida em Devir, numa evolução que é criadora, enquanto eleonomia ou vivificadora de um impulso inalterável e vital em si mesmo. E não como numa mera evolução Darwinista e em quais inteligentes e progressistas selecções à priori, a dar assim azo e espaço aos criminosos designers das monstruosidades humanas.
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Enquanto prática e costume, a condição é originária de um mando sem desmando, daquilo que se reveste como lógico para com todo aquele que obriga ao que é obrigado.
A condição é pois, uma conduta de condição em condições nesta que é a condição de hoje, a de nos vermos unicamente a enriquecer pelas vias do empobrecimento. E criarmo-nos nesta condição obrigatória a enriquecer para um qualquer e inevitável empobrecimento, ainda por cima consciente, é deveras desumano.

Como tem sido alterado ou como alterar este ainda tão presente e desconcertante paradigma da condição, enquanto relacionamento entre as pessoas nas sociedades humanas?

É que a verdadeira riqueza é aquela que diz respeito à dignidade humana, e com ou sem escola, sempre se foi efectivando pela educação e em sua natural e devida transmissão, através das respectivas alterações que lá iam acontecendo e a fazer jus aos bons exemplos com toda a comoção e sentimento. Pois era esta a primeira das condições na condição natural evolutiva de ser: pelas vias do sentimento.

Entretanto nesta nossa nova era de usos economicistas e políticas de regras e leis e em seus mercados competitivos, a comoção posta de lado, tem vindo progressivamente a dar lugar a essa coisa, chamada de "razão", e nessa tal "razão" que convenientemente foi associada à tal "inteligência", em inteligência ou nome este, feito e refeito pelas modernas ciências do que é humano e em "razão" essa, que com ou sem inteligência está-se a tornar numa consciência, que afinal talvez seja mais que inconsciente, e precisamente por se pautar por completa isenção de sentimento ou comoção.

E sobre a "razão", Kant até tem ensinado ao mundo: os afectos e os sentimentos, que são o que ele designa de inclinações, não são tidos em consideração e até excluindo-os completamente da razão…

Eis-nos perante esta nova e paradigmática condição de desumanidade e em que condição de se ser. Condição esta, de uma condição que parece como a única a ter de ser praticada: a de se ser desumano com todas as estratégias ou nas muitíssimas formas inteligentes e que estão serviço dessa mesma obrigatória condição de se ser.
E sendo a condição um factor lógico e que diz respeito à condição das condições que lhe são inerentes ou adjacentes e em que qualidade ou qualificações de quais viabilidades práticas. E em condição esta e de um Homem este, que se tem querido desvincular da Terra e da esfera do que é doméstico, deixando para trás o trabalho, enquanto homem de "razão" que não se quer escravo de necessidades, e a querer pois entrar na polis ou na esfera do espaço publico ou político, enquanto Homem livre.

Mas afinal que Homem livre é este, que pretende a liberdade somente para si, mas a permitir que se continue com outras tantas vias de leis inviáveis de escravizar os outros?

Engano este, o do Homem e em qual liberdade ou em que condição humana esta, no querer-se com a "razão", numa qualquer "razão" que a posiciona à condição desumana, para no final de contas e afinal, vir a submeter-se a si mesmo, a tudo e a todos, à maior das escravidões de se ser.
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