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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

O progresso e a evolução

O progresso anda sempre lado a lado com a evolução, embora de quando em quando, haja um avanço ou recuo do progresso em relação à evolução, e vice-versa. E não confundir progresso com evolução. Progresso e evolução não são sinóminos.
O progresso refere-se sempre à objectividade da acção social exteriorizante e a evolução diz respeito à subjectividade da acção cultural interiorizante do indivíduo. Ou seja, no ser, enquanto o progresso se define pelo resultado prático de uma materialidade que é relativa à linearidade lógica e racional das suas necessidades, a evolução age ou dá-se pelos actos éticos e estéticos que se posicionam no outro lado do necessário e que é subjectivo e imaterial.
Assim, o progresso faz sempre com que a vida se torne numa esperança e ambição, mas por medo. E sendo a evolução em si mesmo, um processo natural e inerente ao indivíduo, concede-lhe uma transformação por um futuro, mas sem medo.
E por vezes, quando o progresso com suas leis e tecnicidades avança em demasia relativamente à evolução, acaba por resvalar no horror e desesperança dos indivíduos. E aí as leis da natureza ou da evolução, inevitavelmente irão surgir para que o equilíbrio se dê. 

Evolução diz respeito à ética, à estética, à consciência, ao entendimento, ao devir.

Progresso diz respeito aos conhecimentos, às tecnicidades, às regras e moralidades  obrigatórias, ao dever. 

De notar que, quando aqui me refiro à evolução, não me atenho ao modelo da «Teoria da Evolução» de Charles Darwin, e que apesar de toda a ciência e em seus cientistas serem adeptos com a tal selecção de que os mais fortes poderem abater os mais fracos como uma noção principal do que é a evolução dos seres, é demasiado conservadora, progressista e aniquiladora, para o que é afinal, a verdadeira Evolução do Ser. E por isso, sempre que me refiro à evolução, atenho-me à «Evolução Criadora» de Bergson e que assenta num tempo que é baseado no entendimento da consciência interior, e que acaba por ser a evolução ou transformação que urge tão necessária para que a humanização aconteça e possa ser uma presente e constante na realidade da vida das pessoas. E porque, é sempre com a evolução (e não com o progresso), que se dá a felicidade ou o verdadeiro desejo de viver.







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