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a árvore ao jardim

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AS VÍTIMAS

...
(Sobre VÍDEO no YouTube do violento confronto de professora que retira telemóvel à sua aluna rebelde.)

Aprender é preciso e ensinar também.
Mas só ensina bem, todo aquele que gosta de ensinar e que terá por sua vez, alunos para ensinar.
E tanto aprender a ensinar como ensinar para aprender, é efectivamente preciso aprender continuamente com todo o gosto e sensatez a saber como fazer para ensinar bem!
Em mestria, em exemplo e a ser exemplar, só aprende todo aquele que estiver no patamar humilde de saber que poderá aprender pelo respeito de quem sabe ensinar.

Ora todos sabemos que isso não está a acontecer!

A maior parte dos que estão a ensinar no nosso país e assim como os que estão a aprender no nosso país e por sua vez, os pais que criam os seus filhos e que os mandam para as escolas públicas do nosso país, é por obrigação e necessidade que o têm de fazer.


E aí estão as vítimas ou os vários de tipos de vítimas, todas juntas e que são:

  • Os pais que criam filhos e que os têm de mandar para estas escolas públicas
  • Os filhos que são obrigados pelos pais a terem de aprender nestas escolas
  • Os alunos que têm de respeitar as regras das escolas onde estão inseridos e os
  • Os professores que têm de ensinar nestas escolas porque não encontraram no mercado de trabalho outra ocupação profissional.

A vítima aqui que é vitima duas vezes, na mesma pessoa, é pois, o jovem ou adolescente e que é por sua vez, vítima enquanto filho e vítima enquanto aluno, num redobrado dever e num paralelismo de obediência tanto para com os seus pais, como para com os seus professores. E embora todos saibamos que estas crianças, jovens ou adolescentes, não são adultos, nem tem maturidade para tal e exactamente porque estão no seu normal processo de aprendizagem. Essa educação e o ensino, terá de ser administrada e assistida com todo o cuidado, atenção, protecção e respeito, tanto da parte de seus pais como de seus professores.

Mas isto também não está a acontecer!

Parece mas é, que se lhes está a exigir aquilo que eles são incapazes de corresponder e responder, e que é o de serem adultos muito jovens a serem tornados umas vítimas tanto necessárias e expiatórias como culpabilizantes. É errado colocar os que não têm capacidade de se proteger assim nesta forma discriminatória e de exclusão, logo, logo à priori!
Isto é errado, é mesmo, mesmo, muito errado! É um abuso de autoridade para quem não tem possibilidades de se defender.
Mas se é errado, o que há para fazer, não será com certeza, ninguém ou nenhum destes que estão nestas posições de vítimas, que poderão conseguir alguma vez resolver a alterar o que está mal. E porquê? Porque não lhes compete alterar, porque são as primeiras das vítimas, têm de se subjugar!

Há que salientar que não coloquei ou frisei aqui como vítimas, os professores-pais (ou os pais-professores) com filhos nessas mesmas escolas públicas, porque a maior desses mesmo professores-pais, procuram sempre colocar os seus filhos em escolas particulares, para que não lhes suceda essa agonizante exclusão (e porque também a praticam) que sabem de antemão, que seus filhos igualmente irão estar sujeitos. Embora paguem a um ensino particular com esse mesmo dinheiro que ganham como professores nessas escolas públicas com os tais alunos constantemente vitimados e predestinados a serem excluídos.

Vivemos pois num sem fim de atitudes, resultantes dos que precisam de vitimar quantas vítimas forem necessárias para que daí resulte os ganhadores e os vitoriosos em seus palcos de vidas autoritárias, que se arrogam a se tornarem por sua vez os salvadores destes mesmos vitimados!

E enquanto Educação, Cultura e Ensino, estes três cruciais grupos:

  • Pais
  • Filhos-alunos e
  • Professores

Isto é, a sociedade em geral, são afinal vítimas de quem?

Ora todos sabemos muito bem de quem são vítimas, os pais, os filhos-alunos e os professores! Diz-se que é do sistema ou das políticas, será???
Agora é preciso notar que os culpados nunca poderão ser as vítimas!
Os CULPADOS serão sempre todos aqueles que directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente, continuam a construir mais e mais vítimas! E quem são eles???
Os que ganham e se tornam vitoriosos por esta mesma vitimação.

Ou seja, os que têm grande responsabilidade neste país e em seus ministérios, ministros e secretários de estado, tanto da Educação como da Cultura. Sim são pois, o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura e em seus ministros, que terão de assumir responsabilidades, não só os actuais como os dos anteriores governos.

E depois ainda temos os formuladores das cientificidades educacionais em quantos psicólogos e psicologias institucionalizáveis, e que por ordens ministeriais estão inteiramente ao dispor e a dispor da Educação e em seu Ensino como se de um negócio se tratasse, continuando a matar qualquer possibilidade de se arranjarem resoluções, estando é sim com suas oportunistas, mesquinhas e mercantis ideias a fomentar mais e mais exclusão social.

Desengane-se todo aquele que pensa que conseguirá resolver algum problema social, pelo simples facto das vias do culpar no apontar de dedos, no culpabilizar, no inferiorizar, no excluir ou no tentar discriminar quem quer que seja.

E há que falar ainda da permissão e em prol de que tontos interesses publicitários e económicos, dos canais de televisão nas suas novelescas e séries televisivas cada vez mais rascas, de consumismos direccionados para jovens, elaboradas por pessoas isentas, tanto de valores éticos como estéticos e usando a tecnologia, em termos de que tudo resolve em prol de que progresso. Pretendem sim, vender, vender e não interessa a quem, é preciso é muitos e muitos e novos públicos para se escoarem produtos instalados, mesmo que esteja na base, a construção de miséria e de miseráveis a todos os níveis, tanto pobres como ricos, para alimentarem estas economias sem escrúpulos.

Sim, existem os que têm responsabilidade, poder e capacidade para a resolução destes problemas, mas ou por incapazes, embora teimosos pela ganância cega do serem bem sucedidos em que interesses económicos, políticos ou outros, ou ainda por falta de sensibilidade por tão distantes dos verdadeiros valores de uma cultura, tentam inverter os papéis e fechar os olhos, virar costas e culpar os outros, e o pior de tudo, que é o culpar as vítimas. Não vêm que isso é uma tontice e que irá dar mau resultado!?

E ultimamente, deu para perceber o quanto é notória essa brutal crueldade que impera em seus responsáveis de criarem mais e mais vítimas.
Como é que uma ministra da Educação e um chefe de Estado do nosso país com todos os que os rodeiam e que se vão tentando proteger com tantas malvadezas, fecham os olhos a um ajuntamento de 100 mil professores na rua?
E depois com toda a malvadez que lhes apraz, ainda culpam as vítimas!
Escusam esses senhores que pretendem tornar-se os vitoriosos deste país à custa descarada de tantas vítimas numa cabal construção de mais e mais exclusão social, o de querer enganar a baralhar tudo e todos, e de ainda por cima, tentarem arranjar culpados nas vítimas!
É que é impensável continuarem a agir assim, vão-se dar mal! Isso é desumano, muito desumano!

Era a mesma coisa que nas ideias hitlerianas ou no nazismo, culpar por existir todo aquele que nasceu judeu! É horrível, não é?
Pois! Foi uma grande monstruosidade de quem imperava e se habilitava a fomentar exclusão e mais exclusão, assim em tão grandes atrocidades.
Agora eu pergunto, é preciso alertar para essas monstruosidades? Eu pensei que já não era preciso, de que ninguém se esqueceu do quanto foi horrível e o quão desumanos foram aqueles conceitos e ideias da exclusão em atrocidades para com o ser humano.

Assim, para onde caminharemos ???



E termino com este excerto do meu post: «O perigoso Psico-Ensino»:

Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.


ALICE VALENTE


A Educação no «PÚBLICO» de hoje:
- Associação de Pais e os técnicos psicólogos...
(...) ... possibilidade das escolas poderem contratar técnicos para resolver problemas graves de indisciplina...
(...)... contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos...
- Aluna que agrediu professora em que processo...
(...) Até ao momento a professora não fez nenhuma participação formal fora da escola...
- Professores pedem mais autoridade para professores e a culpa é dos pais...

(...) ... medidas que reforcem a autoridade dos docentes e aumentem a responsabilização dos pais em casos de violência e indisciplina de alunos, responsabilizando directamente o Governo por estes problemas...

O perigoso "Psico- ENSINO"

...
O Ministério da Educação tem vindo, conjuntamente com a Faculdade da Psicologia e Ciências da Educação, a assenhorear-se, a nível nacional de todo o Ensino e até do Ensino Artístico e igualmente, daquela que em breve irá ser posta em prática, a denominada Educação Artística. E a reforma que se fala, e que já está mais ou menos ditada, será no eliminar-se com tudo o que existe até agora, a arranjarem-se novas escolas ou no usar-se as escolinhas mais convenientes ou mais obedientes, para uma talvez, excelência de Escola Nacional Qualificada, com muitos e muitos diplomas à vista e com vistos de uma generalidade, que convém muito generalista. E é nestas novas oportunidades e em seus inteligentes oportunistas, que têm vindo há algum tempo, muito ordeira e legalmente, a arrasar com tudo o que lhes passa pelas mãos. É a construção de qual invencionice que diz respeito a um novo em novidade e que é alusivo ao consumismo, ou seja é uma espécie de nova fabricação ou invasão do se construir pelo novo num fascínio vestido de grande novidade por tão fútil, banal e generalista, com novos cursos e em novos nomes, novos e alegres ocupações patéticas, novos cursos de formação, de formatação e também novos curso de controle. E é neste feroz e desenfreado interesse de quem e em seus de ditos especialistas de tão incompetentes e inaptos para relatórios e afins, se prevêem nessas arregaladas vias e vidas de possuir poder e mais poder, para poderem assim e forçosamente serem respeitados nesta nova era da inspecção fiscalizadora, tão imposta quanto obrigatória num ensino tornado jogo ou guerra e, a cair nas garras das asfixiantes competitividades mercantilistas. Ensino por sua vez a reforçar-se e a acentuar-se cada vez mais no tal paradigma do que é a exclusão social, que todos falam, temem e de que igualmente todos dela tentam fugir. Paradigma este, que se continuarmos a permitir que assim seja e a virarmos costas ao papão-problema, instalar-se-á definitivamente e tornar-se-á de tal modo fatal que, irá tolher completamente qualquer possibilidade de se criarem formas de aprendizagem com todo o entendimento e que tenham a ver com o gosto e o prazer pela vida, em seus naturais e consequentes resultados de um qualquer saudoso e futuro feliz.
Mas afinal o que é que o Ministério da Educação anda a fazer com o Ensino?
Nesta louca onda de profissionalizações e em que diplomas e mais diplomas profissionalizantes, não estará mas é este Ministério a fomentar um tão generalizável quanto inqualificável ensino? Está assumir e a reforçar cada vez mais e até a institucionalizar este tipo de modelo ou paradigma da exclusão social, de forma crónica. E com toda a especialidade coloca na vanguarda os mais incompetentes e os que jamais poderão servir de exemplo para o que quer que seja, numa assoberbada tentativa de ocultar os bons exemplos a serem considerados.
Sim, mas afinal, como é que se prevêem profissionalizações e competências e tantas especialidades e afins, se o que se vê na movida e fomentação deste Ministério relativamente às tais vias profissionalizantes no que possa surgir deste novo Ensino e em seus agentes de agências profissionalizantes, são só pessoas e mais pessoas com possibilidades de trabalharem em escolas e mais escolas, em cursos e mais cursos, sempre num ciclo vicioso de só ser profissional à custa do ensinar-se e do teorizar-se à volta do Ensino e nada mais. A ter-se assim, como única possibilidade, o de simplesmente ser-se professor de qualquer coisa ou matéria ou depois em cursinhos de ocupação de tempos e gentes e alunos e professores à deriva, que ganham simplesmente no se governarem em desportivos passatempos, a dar-se aulas porque sim, porque é obrigatório aprender-se a tempo inteiro o que Ministério acha que é preciso para as presentes economias que lá se vão integrando e formatando no que o Mercado assim quer.
É ei-los por aí muito bem reunidos: professores para formar; professores para gerir; professores para explicar, professores científicos; professores de acompanhamento; professores psicanalíticos… Muitos, muitos professores… É a nova escravatura do Ensino dominada por ideias do competitivo no salve-se quem puder que o Ministério da Educação está a construir. Para que activos hajam muitos professores tão humilhados quanto obedientes e bem comprometidos, embora sem condições para trabalharem porque tão desinteressados, desmotivados e tristes, mas isso é irrelevante. Professores esses que irão adoecer e simplesmente, ir-se-ão tornar numa nova fonte de rendimento para os psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, cientistas e quantos mais que tratam, estes que em suas higiénicas bem vindas terapias, tornar-se-ão miraculosos e salvadores do mundo e dos professores também!
É a nova e vã escola da Competitividade e do Emprego para todos por Igual, da Cópia e da Repetição, do Igual e do nada de novo, na Nova Escola das Agências ou Máquinas da Incompreensão e Desmotivação na isenção generalizada de se pensar ou sentir. É a nova escola da excelente competitividade e em sua inerente e consequente exclusão social, a escola do paradigma do ensinar-se crianças, jovens e que mais de bairros e zonas pobres, em seus pais, irmãos, família e raça, que já todos sabem de antemão, que não têm qualquer direito ao sucesso!!!
Que insuportável via e vidas competitivas para uma construção de Escola profissionalizante, só para alguns nos que já sabem à priori, que vão ser bem sucedidos.
E muito, muito em breve existirão mais professores que alunos em tantas instalações, agências e agenciais formas de estar, de grandes e doentias debilidades, e em que todas as escolas e faculdades serão os novos hospitalários, que se poderão intitular de um novo «Psico-Ensino»
É que um Ensino e em que Educação, jamais poderá passar por conceitos de uma Psicologia que tenha como vertente principal, as ideias redutoras e limitativas da psicanálise tanto de Freud, de Lacan ou ainda de Melanie Klein, e porque cerceiam completamente qualquer possibilidade de se desenvolver um Pensamento saudável com toda a ética e estética.

E esta frase diz tudo, generalizar a oferta e pôr em contacto, ou seja fazer da música uma qualquer coisinha, como eu já referi em anteriores textos:
>>> A Educação Artística e o Espartilho Cientista :
(...) As artes não podem ser apresentadas nas Escolas, assim levianamente, por esta gente que tira cursos em faculdades para se verem nesta remediável agência de ministeriais empregos. Estes tipos de cursinhos e em que mezinhas, têm de ser proibidos enquanto antes! É que as crianças, só pelo nome nem se inscrevem, e se são obrigadas pelos seus pais para estarem ocupadinhas com qualquer coisinha que as entretenha e até de bonitinho, depois basta-lhes ir a uma primeira aula, que ficam logo vacinadas, para nunca mais repetirem a dose, é que aquilo é de arrepiar, é que é demasiadamente medíocre. E se aos encarregados de educação ligados às artes, lhes fosse permitido assistirem aquelas aulinhas e, até tivessem a possibilidade de as avaliar, dariam com certeza: nota zero!
E como é que a arte pode ser tida de terapia, é que se a arte é levada por estes caminhos remediados nas escolas, deixa imediatamente de cumprir os seus objectivos enquanto ARTE.
E desde quando a Arte e a Vida são remédios para o que quer que seja?
Não esqueçamos e não confundamos que a Arte e a Vida são a potência e a força vital de se Ser humano.(...)


Mas a ideia ou conceito, ou talvez estratégia (termo da Economia, da oferta ou do Mercado) do Ministério da Educação em suas agências, especialistas e especialidades é exactamente essa, a de caluniar e desacreditar por completo o que existe do ensino artístico e em seus, ainda credíveis professores, e no que melhor ainda temos na aprendizagem das artes. E vá de retirar-lhes alunos indirectamente ou senão, a direccioná-los teimosa e tardiamente numa única saída, a de integrá-los em que regras ou como se o talento, pudesse alguma vez, manifestar-se em que hora, idade para se tornar justificável enquanto exequível prova para que provas dadas. E de seguida vem o apontar de dedos aos tais professores excluídos ou postos de fora por não terem mais alunos e em seus conservatórios, e os agentes da inqualificável agência saberão como fazer, a depois usá-los como bem entenderem nas suas novas escolas do «Psico-Ensino». Isto é típico dos incompetentes e desta nova era das gentes das ciências educacionais e em seus cientistas psico-freudianos. Efectuada toda e qualquer exclusão, essa gente de alto gabarito por tão gabados e babados, tornam-se então e ainda, os grandes salvadores de toda esta carneirada de professores que lhes vão obedecendo forçosa e cegamente, fruto de tanta distracção e daquela necessidade de subserviência, e em que sobrevivência não dita porque ditada e livre por tantos consumistas.
E a titular da pasta da Educação tentará continuar com a sensata malvadez que lhe aprouver em seu estar confortável, das ditas modas do psico-políticamente correcto no seu novo «Psico-Ensino»: simplificar complicando; mostrando excelência na incompetência; nomeando responsáveis perfeitamente irresponsáveis; apresentando quais superioridades de exemplos a seguir, com os piores dos piores exemplos de todos; revelando que a qualidade do que quer pôr em prática é completamente inqualificável e impraticável… E a demonstrar assim e por aí, que tudo o que diz é uma verdadeira mentira e que, o que pretende que seja tornado em verdade verdadinha, não passará de uma grande mentira!
Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.
*
LER em ALI_SE:
>>> 2007_05_28 - O inapto relatório para o Ensino da EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

>>> 2007_10_13 - Para que é que serve a Educação Artística


>>> 2007_11_01 - Dito na Conferência Nacional de Educação Artística
(…) no dia 29 de Outubro na sala Suggia da Casa da Música na 2ª Sessão, assisti ao ser desmascarado mais depressa do que eu estava à espera, o tal presidente e responsável do Relatório do Ensino para a Educação Artística em Portugal, Dr. Domingos Fernandes. E que envergonhado perante toda a plateia, assumiu peremptoriamente a sua total incapacidade e incompetência, após as violentas palavras de indignação de Rui Vieira Néry… (…)


*


LER em IDEIAS SOLTAS:
>>> 2008_02_08 - Carta Aberta à Agência Nacional para a Qualificação

>>> 2008_02_12 -Resposta ao Prof. Dr. Domingos Fernandes

Ensino Artístico Vocacional? Não existe em Portugal. O que existe é um Sistema de Ensino Artístico Especializado de qualidade, financiado publicamente e aberto a quem o pretender frequentar. (…) O Ministério da Educação pagou centenas de milhares de euros numa Conferência Nacional de Educação Artística sem que da organização fizesse parte qualquer especialista de Ensino Artístico; nem como convidado. (…)
(...) O outro documento é da própria Agência Nacional para a Qualificação onde, logo na página 2, lemos estupefactos:
«(…) substituir a actual responsabilidade das famílias na orientação da procura pela responsabilidade do Estado na garantia e universalização do acesso ao estudo da música e da dança.»
Leram bem? O Estado substituir-se às famílias? O que é isto? Nunca os pais deram procuração ao Estado para os substituir na obrigação de educar os filhos! (...)

Petição à EDUCAÇÃO

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PETIÇÃO: Defesa do Ensino Artístico em Portugal
... a pretensão do Ministério da Educação de alterar o Sistema Educativo Português, no que à Educação Artística diz respeito, nomeadamente ao Ensino Artístico Especializado, pelo facto de se basearem no relatório final de Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, que carece, por falta de rigor metodológico, de validada científica, seja por não englobar, na equipa que o elaborou nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamento junto das cerca de 100 Escolas de Ensino Especializado de música, dança e teatro, públicas e privadas, reconhecidas e financiadas pelo próprio Ministério da Educação.
> > > Petição - DEFESA DO ENSINO ARTÍSTICO EM PORTUGAL do Ideias Soltas de Carlos Araújo Alves:
Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação - música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.

Destaque:


LER em ali_se:

“O inapto relatório para o Ensino da EDUCAÇÃO ARTÍSTICA”

“Cultura sem ARTES ?!”

A EDUCAÇÃO em Nietzsche

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Excertos retirados do texto de Elenilton Neukamp com o título AS CRÍTICAS DO PROFESSOR NIETZSCHE À EDUCAÇÃO DE SEU TEMPO no site de filosofia de Miguel Duclós: www.consciencia.org :

(...)
Nietzsche …, que foi professor (entre 1869 e 1879) e teve contacto directo com a realidade educacional de sua época, o que permitiu que fizesse críticas agudas ao ensino dos estabelecimentos alemães. Suas “Considerações Intempestivas” ou “Extemporâneas” [São elas: David Strauss, o devoto e o escritor (1873), Da utilidade e desvantagem da história para a vida (1874), Schopenhauer como educador (1874) e Richard Wagner em Bayreuth (1876)] desferem um ataque profundo à educação de seu tempo e indirectamente ao projecto pedagógico da modernidade como um todo. Estas obras fazem parte do que os comentadores costumam chamar de “primeiro Nietzsche” ou “o primeiro período” de três que corresponderiam a toda sua produção. Nelas o filósofo critica a educação ministrada nas instituições de ensino de seu tempo, acusando-as de apequenarem o homem ao formá-lo apenas para servir aos interesses do Estado, da ciência e do mercado. Nietzsche aponta uma tendência para a potencialização de elementos comuns (e medíocres) dos indivíduos, nivelando-os para sua melhor utilidade ao invés de despertá-los em suas singularidades como seres humanos. Esta tendência de uniformização exacerba a importância da memorização como a forma mais importante para se educar, em detrimento da acção e da criação.
(…)
A Alemanha, do século XVI ao XVIII era dividida em centenas de Estados independentes e autónomos, que não davam a liberdade necessária para o crescimento de uma intelectualidade. Seus pensadores, então, foram para outros lugares, fora das fronteiras destes Estados em disputa, onde forjaram um pensamento cosmopolita, preocupado sobretudo com os rumos da cultura e alheios aos acontecimentos políticos. A derrota militar sofrida pela Prússia em 1806 para as tropas de Napoleão, ajuda a criar a consciência de que é necessário unir a nação. A forma que o Estado encontra para unificar a nação é através do processo educativo, tornando a escolarização compulsória; educar todo povo torna-se o ideal. Por isso, era obrigatória a formação inicial de três anos nas escolas preparatórias, ou “escolas populares”, que depois davam acesso ao ginásio que durava nove anos.
Na conferência
“Sobre o futuro dos nossos estabelecimentos de ensino” (1872) Nietzsche aborda as instituições de ensino e a educação de seu tempo, (…) . Em sua análise, duas tendências mostravam-se nefastas para os rumos das instituições pedagógias: a tendência de ampliação cada vez maior da cultura, e a tendência à redução da cultura através da especialização. Tanto uma quanto a outra tendência eram completamente equivocadas e carregavam pressupostos e “métodos antinaturais de educação”.
A tendência à ampliação é a tentativa de universalização da cultura, de sua extensão a grupos cada vez maiores. Para Nietzsche, esta é uma visão utilitária da cultura pois está dominada por critérios quantitativos:
procura-se estender a educação à maior quantidade de pessoas possível, pois o mercado necessita delas.
Além desta necessidade de formar produtores para o mundo do trabalho, baseada numa lógica económica e não com o intuito de elevação cultural, Nietzsche ainda vislumbra outros interesses nesta tendência à extensão máxima da cultura. Um deles seria o medo da opressão religiosa do passado, fazendo aumentar uma busca de elementos culturais contrários à religião por parte de toda a sociedade. Outro elemento importante é o interesse do Estado que, consciente de seu poder, investe na formação de seus funcionários e de seus exércitos para melhor capacitar-se na luta contra outros Estados.
A outra tendência, de redução da cultura, não tem a mesma força que a anterior mas é tão nefasta quanto aquela. Esta tendência prega a divisão do trabalho nas ciências e a especialização do erudito em determinada área;
especialização que “conduz à superficialização do espírito, ao entorpecimento do impulso crítico, emancipatório e criador”
(GIACÓIA, 2005, p. 68).

(...) Tanto uma quanto outra tendência vão formando um determinado público medíocre, distante da verdadeira cultura, que terá no jornal seu ponto de confluência. O jornalista, “o senhor do momento”, acaba substituindo os verdadeiros mestres da cultura e é no jornal que os chamados eruditos (especialistas) irão divulgar seus pretensos saberes para o público. Estão colocados todos os ingredientes para a formação de uma “pseudocultura”, que Nietzsche irá chamar de “barbárie cultivada”.

(…) Mas como poderiam os professores realizar esta grandiosa tarefa, se eles próprios não haviam sido “iniciados” em uma cultura nobre e superior?

(…) O Estado moderno percebe que se financiar a produção e a difusão da cultura, pode utilizá-la para seus fins. A cultura passa a ser considerada útil apenas se serve aos interesses do Estado, diferentemente do que se passava na Grécia antiga quando o Estado era o “companheiro de viagem” da cultura. (…) Muitos anos depois, no período derradeiro de seus escritos, Nietzsche dirá em seu Crepúsculo dos Idolos:
“O que as “escolas superiores” alemãs sabem fazer de fato é um adestramento brutal para tornar utilizável, explorável ao serviço do Estado uma legião de jovens com uma perda de tempo tão mínima quanto possível. “Educação superior” e legião – aí está uma contradição primordial” (NIETZSCHE, 2005, p. 61).
O adestramento realizado pelas instituições de seu tempo, para Nietzsche, nada tem a ver com a verdadeira cultura. O que cada indivíduo necessita aprender para sua própria sobrevivência é importante, e as experiências que levam-no a tais aprendizados são realmente necessárias. Nietzsche não nega a necessidade de uma educação para a sobrevivência, representada nas escolas técnicas. O que enfatiza é que não há cultura sem o desligamento do “mundo das necessidades”, e que um homem que está ligado à esta luta individual pela vida não pode simplesmente dispor de tempo para alcançar a verdadeira cultura. Uma educação que se propõe como finalidade formar alguém para ocupar um cargo de funcionário ou ganhar dinheiro não pode ser chamada de educação para a cultura, mas apenas uma indicação do caminho que o indivíduo deverá percorrer para manter-se vivo (NIETZSCHE, 2004, p. 104). Trata-se de uma educação que visa a domesticação, a criação de pessoas medíocres e úteis aos ditames de seu tempo. Nietzsche contrapõe a esta domesticação um “adestramento seletivo” que leve o jovem a tornar-se senhor de seus instintos: "o produto deste adestramento não é um indivíduo fabricado em série, adaptado às condições de seu meio... mas um ser autônomo, forte, capaz de crescer a partir do acúmulo de forças deixadas pelas gerações passadas, capaz de mandar em si mesmo...alguém que se atreve a ser ele mesmo” (DIAS, 2003, p. 86).

(…)
Os grandes génios do passado também não tiveram estabelecimentos de ensino, instituições poderosas que contribuíssem com sua formação, por isso tornaram-se grandes apesar de suas épocas e não em decorrência da suposta grandiosidade delas. Assim também como os grandes mestres, segundo Nietzsche, quem estivesse disposto a lutar pela verdadeira cultura, deveria preparar-se para a resistência de seus contemporâneos; a
“resistência do mundo estúpido”, nas palavras de Goethe.
Se a educação de seu tempo esforçava-se em formar uma quantidade cada vez maior de funcionários para o Estado, pessoas comuns, consumidores de uma cultura medíocre, onde buscar uma verdadeira formação? Quem seriam os mestres e guias que mostrariam o caminho que levaria à “verdadeira cultura alemã”? Nietzsche encontra no filósofo Arthur Schopenhauer a imagem de figura modelar, um exemplo raro de pensador que havia mantido a coerência entre vida e obra, pois “o exemplo deve ser dado pela vida real e não unicamente pelos livros” (NIETZSCHE, 2004, p. 150).

(…) Os mestres ou guias são modelos a serem criativamente imitados, não no sentido de repetição de seus actos mas como “pretextos para a experimentação de si” (LAROSSA, 2002, p. 77). A educação moderna, para Nietzsche, havia substituído os verdadeiros educadores que seriam os “modelos ilustres” por “uma abstração inumana” que é a ciência (NIETZSCHE, 2004, p.145). As universidades haviam feito do ensino da ciência algo desligado da própria vida, tornando os eruditos mais preocupados com a ciência do que com a humanidade, esquecendo que sua verdadeira tarefa é “educar um homem para fazer dele um homem” (ibidem, p. 144).

(…) No entanto, são raras as pessoas que conseguem chegar a este saber; para a maioria a cultura não existe para promover o “nascimento do homem verdadeiro” e sim para satisfazer o interesse de determinados grupos. Neste sentido, Nietzsche aponta os “egoísmos” que impedem o acontecer de uma verdadeira cultura.

(…)
O egoísmo dos negociantes é centrado no uso da cultura para a obtenção de lucros: “quanto mais houver conhecimento e cultura, mais haverá necessidades, portanto, também mais produção, lucro e felicidade...” (ibidem, p. 185). Desde esta perspectiva a cultura seria a produção de uma certa inteligência comum, mediana, que formasse “o maior número possível de homens correntes, no sentido que se fala de moeda corrente”, homens dispostos a ganhar dinheiro. A cultura estaria voltada para a produção de necessidades para o consumo; deve ser rápida, para formar o mais rápido possível homens que produzem e consomem, pois no consumo está centralizada a busca da felicidade: “não se atribui ao homem senão justamente o que é preciso de cultura no interesse do lucro geral e do comércio mundial” (ibidem, p. 186).
Outro egoísmo é o do Estado, que incentiva a difusão da cultura para o maior número possível de pessoas unicamente para servir-se delas em suas instituições e usá-las como joguetes. Ele utiliza a imagem de um moinho, em que poderosas correntes de água são desviadas para fazê-lo girar. O Estado é quem constrói os diques para utilizar toda esta energia que do contrário poderia ser perigosa para sua sobrevivência.
O terceiro egoísmo é o de uma arte que poderia chamar-se “cosmética”. Através de uma espécie de arte o que se tenta é embelezar o homem moderno, ornando-o, tornando sua aparência mais atraente com a intenção de esconder seu vazio interior: “Com os detalhes exteriores, a palavra, o gesto, com a decoração, o fausto e as boas maneiras, trata-se de obrigar o espectador a uma falsa conclusão quanto ao conteúdo...” (ibidem, p. 187). Os alemães haviam se tornado, dentro desta cultura de “gentilezas com que se enfeita a vida”, como que “um material mole e disforme” pronto para qualquer manipulação (ibidem, p. 189). Esta tendência a uma cultura preocupada apenas com as belas formas teria suas origens na pressa da vida moderna, onde os homens haviam se tornado os escravos atormentados pelos três “M”: o momento, as maneiras de pensar e os modos de agir. (…) Ser culto daqui por diante significa: não se permitir observar até que ponto se é miserável e mau, feroz na ambição, insaciável na acumulação, egoísta e desavergonhado na fruição. (NIETZSCHE, 2004, p. 189-190)
Nietzsche lamenta a “superestimação do momento”, a busca pelo sucesso e pelo lucro que vêm unir-se à mediocridade da cultura alemã da época, voltada para a cópia de modelos importados e sem vida ou originalidade. A estes três poderes, três egoísmos que incentivam este tipo de cultura, Nietzsche alia o egoísmo da ciência, que “é útil apenas a si mesma, tanto quanto é nociva a seus servidores”. Diante das grandes questões humanas a ciência silencia, e faz uso da cultura apenas para o seu progresso enquanto actividade, perdida em abstracções esquece dos problemas da existência. A especialização e esta ausência de reflexão distancia suas investigações e resultados da realidade, tornando-se extremamente perigosa: “o que há de ser, em geral, a ciência, se não tem tempo para a civilização? Respondei-nos, pelo menos aqui: de onde, para onde, para que toda a ciência, se não for para levar à civilização? Ora, talvez então à barbárie! E nessa direcção vemos já a comunidade erudita pavorosamente avançada...” (…) As instituições aparentemente promotoras da cultura, no fundo nada sabem dos propósitos de uma verdadeira cultura e agem apenas segundo seus interesses. O Estado “somente a promove para promover a si mesmo”, os negociantes ao exigirem instrução e educação querem “sempre em última análise o lucro” e “aqueles que têm necessidade de formas...a única coisa clara...é que eles dizem sim a si mesmos, quando afirmam a cultura”. Os eruditos impedem com sua acção o surgimento do génio, pois a cultura para eles é apenas utilitária e os grandes homens seriam uma ameaça à sua mesquinhez.

(...)

Elenilton Neukamp, AS CRÍTICAS DO PROFESSOR NIETZSCHE À EDUCAÇÃO DE SEU TEMPO


Ler o texto na íntegra >>> aqui <<<

O inapto relatório para o Ensino da Educação Artística

Em Portugal o que é que o Curso de Psicologia e o Curso de Ciências da Educação existentes na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UNIVERSIDADE DE LISBOA têm a ver com o Ensino Artístico ou com a Educação Artística ???

- Absolutamente NADA !!!

Acerca do
relatório final do estudo de avaliação do Ensino Artístico que foi encomendado pelo Ministério da Educação à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, apresento unicamente os links (sem currículo e sem publicações) do pouco que se sabe em seus autores na informação que está neste momento disponível no site da Faculdade:
Domingos Fernandes -
link directo para a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Jorge Ramos do Ó -
link directo para Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Mário Boto Ferreira -
link directo para Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação

E quanto a estas
Ciências da Educação em seu curso e, focalizando-nos no que se ensina e no que se aprende nele, poder-se-á atentar para as disciplinas que seguem:

1º ANO

1º Semestre
ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO I / HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO I/ PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO I / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL I / SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO I /TEORIA E DESENVOLVIMENTO CURRICULAR I
2º Semestre
AVALIAÇÃO I / ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO II / HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO II / PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II / SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO II / TECNOLOGIAS EDUCATIVAS I

2º ANO

1º Semestre
AVALIAÇÃO II / OPÇÃO 1 / POLÍTICA DA EDUCAÇÃO / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL II / TECNOLOGIAS EDUCATIVAS II / TEORIA E DESENVOLVIMENTO CURRICULAR II
2º Semestre
ADMINISTRAÇÃO EDUCACIONAL / FORMAÇÃO DE ADULTOS / FORMAÇÃO DE PROFESSORES / METODOLOGIA DE PROJECTO / OPÇÃO 2 / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL III

3º ANO

1º Semestre
ECONOMIA DA EDUCAÇÃO / MODELOS DE FORMAÇÃO / OPÇÃO 3 / PSICOLOGIA SOCIAL APLICADA À EDUCAÇÃO / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL IV /TECNOLOGIAS EDUCATIVAS III
2º Semestre
EDUCAÇÃO COMPARADA / GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES EDUCATIVAS / OPÇÃO 4 / RELAÇÃO EDUCATIVA / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL V / TEORIA DA EDUCAÇÃO


É neste somatório de matérias em disciplinas leccionadas que muito facilmente se poderá comprovar que afinal este curso nada tem a ver com o Ensino Artístico e muito menos com a Educação Artística.
Nem uma única disciplina que se debruce sobre temas da Filosofia, da Ética, da Estética, do Pensamento, das Artes, do Artístico, matérias tão cruciais quanto imprescindíveis para que a Educação se efective com o máximo de sucesso…
Portugal, com cursos como estes, constrói a antítese de toda e qualquer produção artístico-cultural, através destas manhosas formas de se arquitectar novos conceitos de inumeros parasitismos profissionais. E tudo se resume ao mero materialismo do ganho a ser possível destruir o que ainda existe em prol do negócio e do lucro insustentável nas tão recém-chegadas instituições em seus magnânimos doutos.
Criam-se assim profissões de inexperientes e desnecessárias aptidões a não saberem validar os verdadeiros conceitos do incentivo à dignidade e valorização do intelecto, num crescente automatismo de estares num atroz retrocesso ao decente, adequado e natural processo evolutivo do Ser.

E ainda sobre este
Curso de Ciências da Educação em sua licenciatura, diz isto:
A educação e a formação são uma actividade crescente na vida social…
(…) A Licenciatura em Ciências da Educação não tem por finalidade habilitar para o exercício de funções docentes, mas sim, proporcionar uma formação de base para especialistas e técnicos superiores com capacidade para desenvolverem actividades de educação e formação.
(…) Esta formação teórica é articulada com uma progressiva integração dos estudantes em diferentes campos e experiências profissionais tendo em vista adquirir competências básicas para a sua inserção na vida activa
(…)… especialização, profissionalização e de investigação
(…)… coordenação, supervisão e chefia.

Nome de curso que se deveria de inscrever num português correcto em sua significância e não fugindo a essa mesma realidade, porque e afinal o Curso de Ciências de Educação nada mais é do que um Curso de Pedagogia da Educação!
E porque se usa este outro nome que lhe deram de Curso de Ciências da Educação? Afinal quais são as ciências da educação ???
E se de Ciências se trata, onde estão as de ditas principais Ciências que deveriam de estar associadas à EDUCAÇÃO que são elas a ÉTICA e a ESTÉTICA?
Desde quando a Educação se detém a qualquer antecipação de Ciência ou se auto intitula de Ciência em Ciências ?
É que através de um bom Ensino a ensinar-se bem em suas adequadas pedagogias poderá eventualmente surgir uma qualquer outra nova ciência, mas a situação inversa jamais se poderá verificar!
Falácias previamente institucionalizadas ou enganatórias conjecturas em estratégias comercializáveis do Ensino e da Escola?
O que dizer destas supostas modas em vaidades das tão desmesuradas e teorizáveis distracções ?
Afinal quais os objectivos ??? Ou simplesmente o quê… e para quê ???

E sobre o uso e no uso da nossa Língua Portuguesa pelo mundo fora, e comparativamente com o Ensino no Brasil que em vez de Curso de Ciências da Educação tem sim, vários cursos de pedagogia da educação existentes nas suas intituladas de “FACULDADE DE EDUCAÇÃO” e como exemplo, a
FACULDADE DE EDUCAÇÃO da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas em São Paulo) para além do Curso de Pedagogia da Educação entre outros ainda oferece cursos de Licenciatura em Música, Dança, Educação Artística e Filosofia.
Será que teremos que aprender com o Brasil em seu Ensino e Educação ou simplesmente iremos piorar ???
A responsabilidade tem de ser assumida muito rapidamente antes que Portugal se veja prostrado numa estagnação deplorável e sem precedentes da História da sua CULTURA.

ALICE VALENTE

Links relacionados:
Vivaldi - Agitata da due venti
Ensino Artístico e Ciências da Educação
Novo ensino especializado da música (10)
O Ensino Artístico e o Eduquês

______

NOTA do dia 26 Outubro 2008 - ATENÇÃO: E pela gravidade da situação em que está a Educação no nosso país, este post tem sido imensamente visitado e hoje lamentavelmente, detectei que os imensos links que direccionei e em sua informação, foram simplesmente eliminados do respectivo site da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação.

Cultura sem ARTES ?!

...

Para reflexão e análise deixo-vos com estes três links onde é notória a presença atrofiante de um total desconhecimento e numa qualquer já formatada ignorância e, até institucionalizada em certas aprendizagens postas tão alegremente em prática pelas tais recentes, arrogantes e instaladas categorias sociais da futilidade, impossibilitando assim, qualquer saudável comunicabilidade no ressurgimento de novos valores humanos numa sociedade que necessita de valorizar essas mesmas evolutivas, normais e inevitáveis transformações.

>>> Relatório final do estudo de avaliação do Ensino Artístico em Portugal - Fev.2007

>>> Democratizações da Arte
- Acredita que actualmente os pais ainda têm essa mentalidade?
Como historiador da educação posso dizer que acho que Portugal venceu com 150 anos de atraso educacional. (…) Nós vulgarizámos a aprendizagem. (…)
- Que opinião tem quanto ao ensino obrigatório da música no ensino regular não especializado?
(…) A chegada do ensino artístico como um conjunto de competências para o desenvolvimento da criança, designadamente do ensino pré-escolar, é protagonizada sobretudo pelas investigações dos psico-pedagogos. Temos aqui um paradoxo: Temos uma elite esclarecida que defende a cultura como um bem de distinção social.

>>> A Educação e a Música no divã
ler excerto no final do artigo…
(e porque foi assim que aprenderam, foge-lhes a boca para estas «verdadezinhas» psicanalíticas e numa tão descarada discriminação)
As Artes e a Música são um luxo e são supérfluas.
Pode-se sobreviver, rastejar sem elas.
Mas justamente, porque são um luxo, devem ser oferecidas aqueles a quem queremos oferecer «o melhor do Mundo»


Todos sabemos muito bem que as ARTES na sua concepção para com o desencadear da OBRA em seus Artistas, sempre foram secundarizadas, desprezadas e até condenadas e que posteriormente é a CULTURA, esse único campo proveitoso da genuína e verdadeira riqueza, que por sua vez em sua inerente espontaneidade se aproveita desse instituir de contrariedades da Força inegável da Criação Artística, numa natural e intuitiva constituição, não nos esquecendo ainda que sempre concebida à margem de qualquer Poder.

Actualmente com o aparecimento de novas mercantilistas ciências humanas, professores e profissionais-académicos das áreas da Psicologia (e afins tais como Psicologia da Educação e mais), num desconhecimento total e até numa atitude completamente absurda costumam rotular a associar às Artes, uma Cultura de elites!
Isto acontece ou porque desconhecem, esquecem ou não entendem que a CULTURA subsiste daquilo que é resultante a longo prazo de um POVO que em suas manifestações artísticas criaram e favoreceram o enaltecimento do SER como a primeira e vital necessidade comunicacional no vislumbre à viabilização natural de novos valores éticos e estéticos.

ALICE VALENTE

Links relacionados:
Ensino Artístico - reacções
Novo ensino especializado da música (8)
Boas referências

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