CORAGEM
O FUTURO
E exactamente porque o agora, é resultado de um futuro que foi inventado, que afinal, já não o queremos.
É que o futuro que se precisa é de um futuro criador, ou seja, de um futuro no sentido de uma evolução criadora.
Criar é cuidar de tudo e de todos que nos rodeiam.
E inventar é arranjar soluções que por vezes nos poderão afastar dessa perfeita capacidade do Homem viver humanamente.
ALICE VALENTE
A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO (Ensaio)
(...) E o que ainda nos faz estar aqui, é o cumprimento com o primeiro dos objectivos da vida, o ser a Ser, por seres que somos, de cuidado e de criação, todos aptos, mas mesmo todos aptos e capazes de conseguir, dentro de maiores ou menores limitações, a criar e a cuidar deste nosso planeta, a terra, como se tratasse do nosso próprio corpo. (...)
Criação Artística e os conceitos usurpados à Arte na Criação
Os apossados da arte a transformá-la em não-arte
JEAN-PIERRE DUPUY e a miséria da ECONOMIA
A FILOSOFIA SOCIAL E POLÍTICA
VERDADE
... Se negam, concedem ou opõem, não sabem que negam. concedem ou opõem e, portanto têm de ser considerados como autómatos, que carecem totalmente de espírito. (...)A verdade será sempre uma exigência de valor e essa pesquisa e procura da verdade diz respeito à reflexão filosófica, e assim Espinosa afirmar na Ética II, que a verdade revela-se por si própria e numa singular evidência:
Quem tem uma ideia verdadeira sabe simultaneamente que ela é verdadeira e não pode duvidar da verdade do seu conhecimento.
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente | traço (cor): Verde-oliva
A procura e o encontro
A PROCURA E O ENCONTRO
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A divisão compete por sobrevivência
Valores por acaso
É que o pensamento para ser desenvolvido não se reduz somente àquilo que se pensa em ideal ou modelo a ser comprovado cientificamente, todas estas matérias e as suas questões têm de ser colocadas, levantadas, discutidas e tidas em consideração por todas as áreas a que a elas dizem respeito, e tanto objectiva como subjectivamente.
E o perigo está, e que eu chamo aqui a atenção, é nessa ordeira e ameaçadora moralidade numa espécie de satisfação conclusiva que se tem gerado em redor de todas as ciências para com os processos do acaso, e que é o de não querer considerá-los e porque até sempre desconsiderados, e que no fundo são eles que efectivamente tiveram ou terão alguma coisa a dizer para com a mudança e em seus processos evolutivos, e exactamente porque assentes nas áreas da criação ou do pensamento artístico-filosófico e também do científico-filosófico. É que essa ansiedade, inquietação ou revolta que surge de algumas mentes que trabalham essas matérias, talvez possam estar impregnadas de uma ética que quanto a mim, jamais poderá estar separada da estética, enquanto potência ou capacidade excepcional que terá de quando em quando e inevitavelmente que surgir, para que se efective essa natural e salutar transformação da evolução do ser.
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A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
A divisão compete por sobrevivência
Existem dois tipos de pessoas. Chamem-lhes boas ou más, sensíveis ou insensíveis, de esquerda ou de direita, pobres ou ricas ... em pessoas essas que se confrontarão de quando em quando a se assistirem enquanto tal. E o meio de vida de cada uma dessas pessoas é-o pela sua condição.
Estes dois tipos de pessoas estão constantemente a se rebelarem umas contra as outras, porque:
A que é rica não quer ser pobre e a que é pobre quer ser rica.
A que é de direita não quer ser de esquerda e a que é de esquerda quer ser de direita.
A que é má quer ser tida de boa e a boa inevitavelmente terá de um dia ser má.
As sensíveis são ensinadas ou obrigadas a ser insensíveis e as insensíveis pensam e agem unicamente por regras morais.
E em percentagem manifesta para com a submissão ou a insubmissão, para com a bondade ou a crueldade, para com a potência ou a impotência, para com a justiça ou a injustiça... e em ambas as pessoas, 'vida e morte' afinal, é-lhes a sobeja igualdade.
É que viver basicamente para uma moral e sem ética nem estética, é sobreviver!
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Ética e moral
A CONDIÇÃO
O dinheiro e a crise ou a banca construtora da crise
Com algumas pequenas dicas, é esta a ideia que nos dá este vídeo de 11 minutos:
Para o bem e para o mal, as leis dos homens fazem-se e desfazem-se!
Sempre assim foi.
E agora pergunto: Até quando vamos permitir que estas leis continuem a construírem-nos para um qualquer mal ou infortúnio?
Não estamos a considerar estes e outros erros. É preciso ainda chegarmos mais longe com esta enormidade do que é o enganar a esganar todo e qualquer pessoa que se quer tida de um certo por certeiro 'cidadão' alvo.
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Desobediência à lei por ética
Olhar o céu por um lugar ao Sol
(...) Cada vez mais depressa. Nos últimos 60 anos, a população da Terra quase triplicou e mais de 2 mil milhões de pessoas foram viver para as cidades.
(…) Cada vez mais depressa. Em Xangai foram construídas 3 mil torres e arranha-céus em 20 anos e mais algumas centenas em construção. Actualmente mais de metade dos 7 mil milhões habitantes do mundo vivem em cidades. Nova Iorque a primeira megalópole do mundo, é um símbolo da exploração da energia que a Terra fornece à genialidade humana. A mão-de-obra de milhões de emigrantes, a energia do carvão, o poder desenfreado do petróleo. Da electricidade resultou a invenção dos elevadores, que por sua vez, permitiu a invenção dos arranha-céus. Nova Iorque ocupou o lugar da 16ª maior economia do mundo.
(…) O automóvel tornou-se o símbolo do conforto e do progresso. Se este modelo fosse seguido por todas as sociedades, o planeta não teria 900 milhões de veículos, mas sim 5.000 milhões. Cada vez mais depressa o mundo se desenvolve.
(…)
A maior parte dos bens de consumo viajam milhares de quilómetros desde o país produtor até ao país consumidor. Desde 1950 0 volume de comércio internacional aumentou 20 vezes. 90% do comércio são feitos por via marítima. São transportados 500 milhões de contentores todos os anos com destino aos maiores centros de consumo do mundo, como o Dubai. O Dubai é um dos maiores locais de construção do mundo, um país onde o impossível se torna possível, construir ilhas artificiais no mar, por exemplo. O Dubai tem poucos recursos naturais, mas com o dinheiro proveniente do petróleo pode importar milhões de toneladas de material e mão-de-obra de todo o mundo. Pode construir florestas de arranha-céus, cada uma mais alta que a anterior ou até uma estância de esqui no meio do deserto. Dubai não tem terra arável, mas pode importar comida. O Dubai não tem água mas pode desperdiçar uma quantidade imensa de energia para dessalinizar a água salgada e construir os arranha-céus mais altos do mundo. O Dubai tem quantidades intermináveis de luz solar, mas não tem painéis solares. É a cidade dos excessos onde os sonhos mais impensáveis se tornam realidade.
O Dubai é uma espécie do culminar ocidental com o seu totem de 800 metros à modernidade total que não pára de impressionar o mundo. Exagerado? Talvez!
O Dubai parece ter feito a sua escolha: é uma espécie de farol para todo o dinheiro do mundo. Nada parece mais distante da Natureza do que o Dubai, apesar de nada mais depender da Natureza do que o Dubai. A cidade apenas segue o modelo dos países ricos.
Ainda não percebemos que estamos a esgotar o que a Natureza nos oferece.
(…)
Perto de mil milhões de pessoas estão a morrer à fome.
Mais de 50% dos cereais comercializados em todo o Mundo são usados para alimentar animais ou para produzir bio-combustíveis. 40% da terra arável está degradada. Todos os anos 13 milhões de hectares de floresta desaparecem. Um em 4 mamíferos, uma em cada 8 aves, um em cada 3 anfíbios estão em extinção.
As espécies estão a morrer a um ritmo mil vezes superior ao que é natural.
¾ das zonas de pesca estão esgotados, reduzidos ou correm esse risco. A temperatura média dos últimos 15 anos foi a mais alta de que há registo. A calota de gelo perdeu 40% da sua espessura em 40 anos. Pode haver no mínimo duzentos milhões de refugiados devido ao clima em 2050. O preço das nossas acções é elevado. Outros pagam o preço sem terem o envolvimento activo.
Eu já vi campos de refugiados do tamanho de cidades estendendo-se pelo deserto. Quantos homens, mulheres e crianças, são deixados pelo caminho, amanhã? Será que temos sempre que construir muros para quebrar a cadeia da solidariedade humana, separar os povos e proteger a felicidade de uns da miséria dos outros?
É tarde demais para ser pessimista. Eu sei que basta um ser humano para derrubar todos os muros.
É tarde demais para ser pessimista.
Em todo o mundo 4 de 5 crianças frequentam a escola. Nunca a educação chegou a tantos seres humanos. Toda a gente do mais rico ao mais pobre pode dar o seu contributo.
O Lesoto, um dos países mais pobres do mundo, é proporcionalmente aquele que mais investe na educação do seu povo. O Qatar um dos países mais ricos do mundo, abriu as portas às melhores universidades. A cultura, a educação, a investigação são recursos inesgotáveis.
(…)
Os primeiros parques naturais foram criados há pouco mais de um século, abrangem mais de 13% dos continentes, dão origem a espaços onde a actividade humana está em sintonia com a preservação das espécies, solos e paisagens. Esta harmonia entre seres humanos e Natureza pode tornar-se a regra e deixar de ser a excepção. Nos Estados Unidos, Nova Iorque apercebeu-se do que a Natureza faz por nós. Estas florestas e lagos fornecem-nos toda a água potável que a cidade necessita.
Na Coreia do Sul as florestas foram devastadas pela guerra, graças a um programa de reflorestação nacional, estas voltaram a cobrir mais de 65% do país. Mais de 75% do papel são reciclados.
A Costa Rica teve de escolher entre a despesa com o exército e a conservação do seu território. Já não tem exército, prefere dedicar-se à educação, ao eco-turismo e à protecção da sua floresta primitiva.
O Gabão é um dos maiores produtores de madeira do mundo. Aplica o método do abate selectivo de árvores, não mais do que uma por cada hectar. As suas florestas são dos recursos económicos mais importantes do planeta, mas é-lhes dado tempo para se regenerarem.
Existem programas para garantir a gestão sustentável das florestas. Esses programas devem tornar-se obrigatórios. Para os consumidores e para os produtores isso é uma oportunidade que deve ser aproveitada. Quando o comércio é justo, quando tanto o comprador como o vendedor beneficia, todos podem prosperar e conseguir um rendimento decente.
Como pode haver justiça e igualdade, entre pessoas cujas únicas ferramentas são as mãos e aquelas que praticam agricultura com máquinas e subsídios do Estado? Sejamos responsáveis, consumidores. Temos de pensar naquilo que compramos. É tarde demais para ser pessimista. Eu vi, a agricultura à escala humana pode alimentar o planeta inteiro, se a produção de carne não tirar a comida da boca das pessoas.
Já conheci pescadores que cuidam daquilo que pescam e protegem as riquezas dos oceanos. Já vi, casas que produzem a sua própria energia. Há 5.000 pessoas a viver no primeiro bairro amigo do ambiente em Friburgo na Alemanha. Há outras cidades que fazem parte do mesmo projecto. Bombaim é a milésima cidade a juntar-se a ele.
Os governos da Nova Zelândia, Islândia, Áustria, Suécia e outros países, fizeram do desenvolvimento de fontes de energia renovável, a prioridade máxima. Eu sei que 80% da energia que consumimos vêm de fontes de energia fósseis. Todas as semanas, só na China, são construídas duas novas centrais eléctricas alimentadas a carvão. Mas também já vi na Dinamarca um protótipo de central alimentada a carvão que liberta o carbono para o solo em vez de o fazer para o ar. Será uma solução para o futuro? Ainda ninguém sabe!
Já vi, na Islândia uma central eléctrica alimentada pelo calor da terra, a energia geotérmica. Já vi uma cobra do mar a flutuar na rebentação para absorver a energia das ondas e produzir electricidade. Já vi, parques eólicos na costa da Dinamarca que produzem 20% da electricidade do país. Os Estados Unidos, a China, a Índia, a Espanha são os maiores investidores em energias renováveis. Já criaram mais de dois milhões e meio de empregos. Em que parte da Terra é que não existe vento?
Já vi extensões de deserto a torrar ao Sol. Tudo na Terra está interligado. E a Terra está ligada ao Sol, a sua fonte de energia original. Será que os seres humanos não conseguem imitar as plantas e captar a sua energia?
Numa hora o Sol fornece à Terra a mesma quantidade de energia que é consumida por toda a humanidade num ano. A energia solar será inesgotável.
Tudo o que temos de fazer é parar de furar a Terra e olhar para o céu.
Tudo o que temos de fazer é aprender a cultivar o Sol.
(...)
E a Terra rejeita
E sobre essa alimentar nova forma ou ordenação para a Vida e para a Terra dos que em suas cientificidades insistem no uso de tais sementes transgénicas (ou OGMs), e ainda a quererem justificar que tais produtos geneticamente modificados poderão salvar o mundo da fome, é a palavra de ordem mais errada e tóxica que as enganosas publicidades alguma vez construíram.
A Monsanto é o maior monopolizador de alimentos do mundo e com os seus transgénicos (ou OGMs, os tais de organismos geneticamente modificados), quis, vejam só, salvar o mundo da fome. Que interessante ideia ou melhor, que belo negócio esse. E dando o quê em troca a esse mesmo mundo, outras sementes em sementes não mais reproduzíveis na terra, senão fechadas e feitas em dispensas laboratoriais, por quem quer que assim seja, em sementes fabricadas por encomenda, regadas com veneno, empacotadas e tudo feito assim mesmo, à medida do consumo, do imposto freguês, e do artificial quanto baste, é isso.
O maior dos erros da ciência ou dos tais descobridores deste novo conhecer ou em quais conhecimentos, é querer controlar e fechar em si mesmo, tudo o que descobre e para isso, lá se vai estrumando com a tal ideia: "o segredo é a alma do negócio". É que este erro de segredar à fome de uma faminta ideia de querer guardar-se só para si o que é de todos, e ainda neste caso, modificando genética ou laboratorialmente sementes, e a não permitir por sua vez que a Terra continue a cuidar dessas matérias e em suas sementeiras, é algo que com toda a certeza, mais tarde ou mais cedo, por feito ou por efeito, não terá mais lugar nessa mesma Terra.
E por sinal, há um mês atrás, soube desta notícia:
Uma área de plantação de milho transgénico na África do Sul, equivalente a 80 mil campos de futebol, não produziu um grão sequer. De um total de mil produtores de milho geneticamente modificado, 280 tiveram prejuízos na colheita. Alguns chegaram a perder até 80% da produção.
(…) Marian Mayet, directora do Centro Africano para Biossegurança, em Joanesburgo (África do Sul), defendeu uma investigação do caso pelo governo sul-africano e a proibição imediata do milho transgénico naquele país.
E agora vejamos, esta informação que recebi ontem, via email da lista_ambio e grupo_ogm, com o título "a natureza contra-ataca":
Milhares e milhares de hectares de terra previamente cultivada com soja Roundup Ready da Monsanto estão a ser abandonadas pelos agricultores americanos.
Razão: Uma variedade de amaranto que se tornou super-resistente ao herbicida Roundup, tomou conta desses terrenos e tornou impossível cultivar neles o que quer que seja. O amaranto é uma planta alta e com raízes profundíssimas, que só pode ser eliminada com muito trabalho manual. A ironia maior é que o amaranto é igualmente das plantas mais nutritivas que existem - era um dos principais alimentos dos Incas - devido à sua profusa produção de grãos (sementes) altamente proteícos e às suas folhas riquíssimas em nutrientes. E não precisa de fertilizantes, pesticidas ou água (tal como o cânhamo).
Como gesto de paz a mãe natureza envia-nos uma "praga" que é um super-alimento para que deixemos de cultivar soja transgénica. Mas o que acontece? Em vez de se prestar atenção à mensagem, milhares de hectares cheios de alimento que não custou absolutamente nada a cultivar são abandonados em vez de aproveitados. De seguida ainda inventam um vírus transgénico qualquer, que destrua o amaranto. Afinal quem é que quer alimento gratuito que não dá dinheiro às agroquímicas?
E depois diz-se que precisamos de OGMs para alimentar os famintos. Haverá mentira mais descarada?
"The World According to Monsanto - Controlling Our Food"
"O Mundo segundo a Monsanto" Vídeo dividido em 12 partes e legendado em português. Assim, para visualizar todos os vídeos, quando terminar esta parte clique (no próprio vídeo em baixo) na imagem da parte que se lhe segue.
Ética e moral
É que a ética não precisa de moral, enquanto que a moral inevitavelmente sempre precisou e continuará a precisar da ética. Isto é, a moral evolui regendo-se pelo que a ética (tão natural quanto humanamente) vai introduzindo de ético nessas mesmas leis morais. E a ética enquanto valor primordial da vida é a base de sustentação de todas as leis (morais) feitas pelos homens para vivermos em sociedade. Ainda de notar que Ética enquanto Valor estará sempre associado e lado a lado com o Valor Estética. E exactamente porque a Ética e a Estética são os Valores primordiais da vida ou da existência de se Ser. A Moral, essa terá sempre de sujeitar aos valores da Ética e da Estética através das suas leis de sociabilização. E por isso sempre e para melhor a Moral foi sendo alterada pelos Valores Éticos e Estéticos, valores estes que não precisam de leis exteriores para existir, precisamente porque existem em nós, interior ou intrinsecamente e sem qualquer tipo de regras a serem impostas obrigatoriamente através de leis. E porque ética e estética são a mais-valia ou virtude maior de seres que somos com Pensar e Sentir.
E sim estamos na maior crise de todas: a crise de valores!
É que a Moral até aqui foi tida como um valor que se colocou lado a lado com a Ética e com a Estética. E assim , esta crise poderá ser considerada como a maior de todas as crises. É que ainda por cima a Moral nesta nossa contemporaneidade quer ser tida como um Valor primeiro e obrigatório a ser cumprido com todas as suas leis através dos muitos e interessados fazedores dessas mesma leis, esses mesmo que até estão numa desenfreada tentativa de superiorizá-la à ética e estética. E claro está que isso jamais irá dar certo, nunca deu.
A desumanidade jamais poderá dominar sobre o VALOR DA VIDA e em seus Valores de Ética e Estética. É que enquanto existir vida humana e em seu pensamento, a ética e a estética tratarão do resto com toda a naturalidade.
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A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
ou ao que nos tem levado o rumo da «inteligência»
A Inteligência é um termo recente e até pertença do vocabulário da Psicologia aquando esta surgiu há 200 anos. Este termo «inteligência» é também recentemente usado na Filosofia e que veio, quanto a mim, de uma forma indesejável, substituir aos que os filósofos sempre designaram, ora por Entendimento, ora por Pensamento. E por tudo o que de permitido se tem vindo a tentar enfatizar e em quais descobertas associadas à Psicologia com os seus testes de QI's, que se nos apresentam estas científicas e afins psicologias como de tão oportunistas quanto de perigosas e até de completamente calamitosas.
Francis Galton (1822-1911) foi um dos primeiros cientistas a obcecar-se com a Eugenia e a tirar imediatamente proveito das teorias da Evolução das Espécies desenvolvidas pelo seu primo Charles Darwin (1809-1882).
Alfred Binet (1857-1911), pedagogo e psicólogo, foi o primeiro a inventar um teste para medir a inteligência quando procurava uma solução para ajudar os seus alunos a estudar. Testes estes que começaram a entrar em voga e a serem desenvolvidos por psicólogos norte-americanos.
A partir daí, os testes QI tornaram-se convenientemente ajustados à ideia de que a inteligência seria quantificável podendo através da eugenia, purificar a raça, que o psicólogo Charles Spearman (1863-1945) influenciado por Francis Galton, desenvolveu uma medida, o «factor g».
E para Cyril Burt Lodowic (1883-1971) a inteligência mede-se como se mede a altura de uma pessoa. Este psicólogo, apesar de nada se saber sobre a Inteligência e suas aptidões cognitivas e onde estariam alojadas no Cérebro, tentou tornar a inteligência tanto quantificável como hereditária e para conseguir tudo aquilo que pretendia, até falsificou dados de investigação.
Assim, nas duas primeiras décadas do séc. XX, de mãos dadas Eugenia e Psicologia estavam completamente infiltradas por todo o lado. E pelo imenso sucesso que estavam a ter nas respectivas experimentações maquiavélicas associadas à medicina e à psiquiatria, que pelo muito que interessavam por quem as ditava ou pretendia impor no controle das pessoas e das populações, que tantos especialistas, psicólogos, freudianos e em muitos homens mal-intencionados à mistura, o eugenismo pôs-se efectivamente em prática com o nazismo. E foi o que foi de tão monstruoso como todos nós sabemos. Ninguém jamais poderá esquecer!
E de vez em quando, lá voltam eles, estes inteligentes com as mesma ideias monstruosas, e embora disfarçados por aí e até feitos de muitas cientificidades, soltam-se em suas horrendas ideias. E mais recentemente, temos o caso do Charles Murray (1943) e Richard Herrnstein (1930-1994), em que no livro A Curva Normal, para estes autores os negros são menos inteligentes do que os brancos e lá vêm outra vez com a lenga-lenga da selecção natural, do darwinismo, da inteligência e de eugenismos à mistura, numa revelação de criminosos cientistas que se julgam os donos do Conhecimento e em qual inteligência tão estupidificante. Depois temos outros tantos perigosos do racismo e do eugenismo, todos eles psicólogos: Hans Eysenck (1916 1997); Arthur Jensen (1923); J. Philippe Rushton (1943)...
E para os que se consideram de «aptos» racionalmente e assim numa frieza de exclusão racionalista e social, tentarão optar por estas vias do que é desumano.
Mas depois, como é com a Evolução e a Consciência?
Tal é impensável, porque para já, a se usar as meras teorias de Darwin deixaria de funcionar enquanto evolução e em sua de tal selecção natural, para passar a ser, uma selecção anormal e porque imposta inteligente e intencionalmente por regras mecanicistas ou leis não-naturais.
Tenho por sinal presenciado, de alguma maneira através de conferências que vou assistindo, que alguns dos muitos intitulados de cientistas portugueses, se encaminham por essas vias da ausência de ética na ideia da tal selecção (natural) entre o «menos apto» e «o mais apto» numa competitiva «luta pela existência», princípio que DARWIN foi buscar ao ECONOMISTA Thomas Malthus (1766-1834) para o aplicar à Biologia. Embora de uma forma camuflada, mas tem vindo tendencialmente a revelar-se este tipo de insensibilidades e em suas científicas «verdadezinhas» perigosas.
Quero com isto dizer, que esta especulação sempre se tentou fazer e agora até se está a tentar colocar-se às teorias de Darwin, quase como uma forma para justificar o que na realidade é completamente injustificável, aos que presenteados por uma Ignorância Estúpida e nos que ainda por cima se pensam inteligentes e em qual Inteligência.
Esta forma de inteligência que se quer atribuída ao Homem e em suas sociabilidades, não passa de uma mera inteligência estúpida ou inteligência esperta ou ainda nas muitas inteligências cordiais e simpáticas que se vão arrematando por aí, para além das muitas hipócritas e sabichonas máscaras de quais psicológicas ou psicanalíticas ideias que se querem impor como de obrigatoriamente respeitáveis.
Para mim a Evolução ou o evoluir é um processo natural de todo o Ser e que não passa só pela inteligência ou em que meras inteligências. É que a Inteligência mesmo que a queiram tornar de hereditária ela não é de maneira nenhuma a única forma associada à Evolução.
E para que a Evolução se dê ou se efective com toda a naturalidade terá de haver outras componentes do pensamento e que são: o Entendimento e a Intuição.
É que a Inteligência diz unicamente respeito à cómoda apropriação das soluções na dominação maquinal do espaço. Mas o Homem possui uma enorme capacidade e força psíquica que está para muito para além de toda a Inteligência, tal como o filósofo Henri Bergson (1859-1941) no seu livro A EVOLUÇÃO CRIADORA nos demonstra que essa «força da natureza» que existe em nós, é completamente livre, subtil e imponderável. E muito menos poderá ser de quantificável, e exactamente porque fora do âmbito de qualquer domínio mecanicista. É que essa «força da natureza» e em sua Evolução Criadora sempre esteve ao nosso dispor para um novo e futuro compreensível, mas em tudo o que é relativo ao Humanitário e em sua Natureza e no respeitante aperfeiçoamento da vida em Devir, numa evolução que é criadora, enquanto eleonomia ou vivificadora de um impulso inalterável e vital em si mesmo. E não como numa mera evolução Darwinista e em quais inteligentes e progressistas selecções à priori, a dar assim azo e espaço aos criminosos designers das monstruosidades humanas.
Inteligência e Intuição - Consciente e Inconsciente
Sobre a Cidade, o Pensamento e a Cidadania
Desobediência à lei por ética
A obediência como o melhor aliado do MAL
A CONDIÇÃO
A condição é pois, uma conduta de condição em condições nesta que é a condição de hoje, a de nos vermos unicamente a enriquecer pelas vias do empobrecimento. E criarmo-nos nesta condição obrigatória a enriquecer para um qualquer e inevitável empobrecimento, ainda por cima consciente, é deveras desumano.
Como tem sido alterado ou como alterar este ainda tão presente e desconcertante paradigma da condição, enquanto relacionamento entre as pessoas nas sociedades humanas?
É que a verdadeira riqueza é aquela que diz respeito à dignidade humana, e com ou sem escola, sempre se foi efectivando pela educação e em sua natural e devida transmissão, através das respectivas alterações que lá iam acontecendo e a fazer jus aos bons exemplos com toda a comoção e sentimento. Pois era esta a primeira das condições na condição natural evolutiva de ser: pelas vias do sentimento.
Entretanto nesta nossa nova era de usos economicistas e políticas de regras e leis e em seus mercados competitivos, a comoção posta de lado, tem vindo progressivamente a dar lugar a essa coisa, chamada de "razão", e nessa tal "razão" que convenientemente foi associada à tal "inteligência", em inteligência ou nome este, feito e refeito pelas modernas ciências do que é humano e em "razão" essa, que com ou sem inteligência está-se a tornar numa consciência, que afinal talvez seja mais que inconsciente, e precisamente por se pautar por completa isenção de sentimento ou comoção.
E sobre a "razão", Kant até tem ensinado ao mundo: os afectos e os sentimentos, que são o que ele designa de inclinações, não são tidos em consideração e até excluindo-os completamente da razão…
Eis-nos perante esta nova e paradigmática condição de desumanidade e em que condição de se ser. Condição esta, de uma condição que parece como a única a ter de ser praticada: a de se ser desumano com todas as estratégias ou nas muitíssimas formas inteligentes e que estão serviço dessa mesma obrigatória condição de se ser.
E sendo a condição um factor lógico e que diz respeito à condição das condições que lhe são inerentes ou adjacentes e em que qualidade ou qualificações de quais viabilidades práticas. E em condição esta e de um Homem este, que se tem querido desvincular da Terra e da esfera do que é doméstico, deixando para trás o trabalho, enquanto homem de "razão" que não se quer escravo de necessidades, e a querer pois entrar na polis ou na esfera do espaço publico ou político, enquanto Homem livre.
Mas afinal que Homem livre é este, que pretende a liberdade somente para si, mas a permitir que se continue com outras tantas vias de leis inviáveis de escravizar os outros?
Engano este, o do Homem e em qual liberdade ou em que condição humana esta, no querer-se com a "razão", numa qualquer "razão" que a posiciona à condição desumana, para no final de contas e afinal, vir a submeter-se a si mesmo, a tudo e a todos, à maior das escravidões de se ser.
A vontade em Kant
O artista e a dignidade humana
O corpo e o frio agressivo
JEAN-PIERRE DUPUY e a conformativa ECONOMIA
Sobreiros: riqueza, beleza e ecossistema
IMPORTANTÍSSIMO: Documentário da BBC na defesa da cortiça portuguesa e preservação de ecossistema único no mundo
Excertos do documentário (em transcrição para texto):
A região do Alentejo no Sul de Portugal, estende-se de Lisboa a Ocidente até aos montes da fronteira espanhola a Oriente. São cerca de 26 mil quilómetros quadrados, o tamanho do País de Gales. E é a região do cultivo de cortiça mais importante do mundo. Estas zonas arborizadas, de sobreiros perenes e dos seus parentes próximos, as azinheiras, são conhecidas em Portugal como montados. Embora o montado seja muito bom para a vida animal, não é um terreno em estado selvagem, mas ecossistema natural de zonas arborizadas e pastos, harmoniosamente adaptado a uma agricultura sustentável ao longo de mais de 1000 anos. Os terrenos por baixo das árvores servem normalmente de pasto, embora onde haja terra de melhor qualidade, os proprietários cultivem normalmente citrinos, vinhas e oliveiras. Isso deu origem a um mosaico rico de habitat tão benéfico paraa vida selvagem como para os agricultores.
(...) Francisco Garrett é um agricultor cuja família gere uma vasta área de floresta de forma tradicional há muitas gerações. Além de possuir um conhecimento profundo do seu próprio sobral, Francisco defende apaixonadamente, a sobrevivência do montado português e da sua espectacular vida selvagem. (...)
Embora os gregos e romanos antigos soubessem o valor da cortiça, só começou a ser extraída para fins comerciais em Portugal há cerca de 300 anos. A extracção ainda é feita por grupos de homens com machados e está por inventar um método mecânico viável que execute a tarefa mais eficazmente.
- O importante é saber a força que é preciso aplicar, para não danificar a camada viva da casca. Estes machados são fabricados a nível local, em várias povoações e há machados maiores e mais pequenos. São muito úteis e característicos de Portugal.
O descortiçamento só se faz no meio do Verão quando a casca descola do tecido vivo mais facilmente.
- Os cheiros da cortiça acabada de extrair são fantásticos.
O saber necessário para colher a cortiça é muitas vezes transmitido de pai para filho.
- É preciso saber bem o que se faz para subir às árvores e trabalhar com um machado no ar.
- Um aspecto muito importante é ser sustentável, porque a cada 9 anos extrai-se a cortiça e a árvore não morre. Quanto mais se extrai melhor é a cortiça.
Que árvore extraordinária. Os sobreiros são as únicas árvores das quais é possível extrair um pedaço inteiro de casca assim sem as matar.
Uma árvore deste tamanho produz casca suficiente para 4000 rolhas. E esta tiragem dá emprego a pelo menos 60 mil trabalhadores portugueses.
Cada árvore é marcada com um número para assinalar o ano da tiragem. A marca permanecerá visível, já que a casca engrossa de dentro para fora, lembrando aos proprietários que a próxima tiragem deverá ser em 2016.
(...)
Se houver sobreiros e azinheiras a crescer lado a lado, as «águias calçadas» preferem sempre o sobreiro à azinheira para nidificar. Talvez a casca rugosa segure melhor os galhos. (...) Chamam-se águias calçadas por causa da quantidade de plumagem nas patas. Ambos os adultos constroem o ninho forrando muitas vezes com folhas de sobreiro. Os ninhos bem sucedidos são reutilizados no futuro e embora ponham normalmente dois ovos, só uma cria costuma emplumar, porque o fratricídio é habitual. O macho cuidadoso, captura inúmeras aves e pequenos mamíferos no intervalo da actividade da tiragem.
Durante o mês de Agosto, a tiragem anual de cortiça chega ao fim e actividade no montado abranda gradualmente com a aproximação do Outono,
No fim de Outubro os sobreiros descortiçados ficam de um vermelho intenso, à medida que a casca torna a crescer.
Os sobreiros fornecem agora outra colheita abundante e as grandes bolotas têm valor nutritivo especialmente para os porcos.
- Uma das espécies mais importantes do universo do montado e do sobreiro é o porco preto alentejano. É a partir da sua carne que é fabricado o presunto.
As bolotas dão ao presunto um sabor único a noz e os porcos devoram-nas de Novembro até Fevereiro.
- A carne deste porco é muito apreciada e é uma das fontes de rendimento anuais do montado, porque só se obtém cortiça a cada 9 anos.
Em prados intactos, as marcas de passagem à superfície revelam um mamífero mais pequeno e discreto à caça de bolotas, é um rato que só existe em Espanha e Portugal e prefere o sobral. Irá regressar à dieta habitual de erva quando já não houver bolotas.
O Inverno não ser muito frio nesta zona de Portugal, os sobreiros não crescem de Novembro em diante. O Inverno proporciona a Francisco mais tempo para dar aos seus milhares de sobreiros a atenção de que precisam para se manterem saudáveis e continuarem a produzir casca e bolotas de alta qualidade.
- Estas árvores já foram podadas várias vezes. Quando se começa a podá-las é preciso continuar. É como quando um homem interfere na natureza, depois de começar, tem de continuar a fazê-lo para dar equilíbrio à árvore. Convém que tenha tanta área de folhagem como de raiz, consoante a idade da árvore. A poda é essencial nas árvores jovens, para que tenham uma casca direita, pelo menos com dois, três metros de altura, sem ramos e dêem boa cortiça para as rolhas.
Quando chega o fim do ano, a casca de cortiça dos sobrais circundantes enche quase por completo os armazéns. Este produto natural e sustentável serve agora de sustento para os que trabalham nas fábricas.
O Inverno, também traz ao montado, visitantes do exterior ... Migram todos os anos da Escandinávia para tirar proveito da abundância de bolotas. Os seus chamamentos são uns dos sons mais evocativos do Inverno no montado.
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Sendo o destino de Inverno de quase trinta outras espécies migratórias do norte da Europa, o montado português está a tornar-se cada vez mais importante. (…)
Contudo só nos últimos 20 anos a grande diversidade de vida vegetal e animal tem sido estudada a fundo. Tiago Marques e Ana Rainho são especialistas em morcegos. As grutas e antigas minas são tradicionalmente usadas pelos morcegos no Alentejo para hibernar durante o Inverno. Ana e Tiago estão a estudar as populações antes que os morcegos dispersem para procriar. São morcegos-ratos gigantes. Apenas uma das 26 espécies que se encontram nesta região de Portugal (…)
- Esta espécie chama-se morcego-de-peluche, apesar do tamanho reduzido do corpo, têm asas grandes e esguias. Para as manterem dobradas, dobram a extremidade da asa… Eles dobram as asas.
As asas compridas são perfeitas para voos rápidos entre os sobreiros em busca de insectos e graças há pouca utilização de pesticidas, não faltam insectos no montado, tanto para os morcegos como para as aves como o pica-pau malhado pequeno.
No início de Março, aves como as poupas (…)
Contrariamente ao que acontece em boa parte da Europa, quase não há descargas de químicos nas terras em redor. Por isso as chuvas primaveris, enchem os ribeiros e lagos de água limpa…
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- Há um provérbio português que diz: vinhas das minhas, olivais de meus pais, montados dos meus antepassados. Isso demonstra o tempo que leva a estabelecer um montado.
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– Uma característica especial do medronheiro é o facto das suas folhas serem a fonte de alimento de uma lagarta muito específica, a da borboleta do medronheiro. Só se alimentam destas folhas, por isso, ao manter estas plantas, ajudamos a natureza.
Ao compreender a vida selvagem e ao gerir o montado de uma forma amiga do ambiente, Francisco ajuda à sobrevivência da cada vez mais rara borboleta do medronheiro.
- Ao caminhar por aqui, o que faço aos fins-de-semana, uma das coisas que encontrei foi o ninho de um noitibó. São muito abundantes aqui e muito difíceis de encontrar, porque se confundem com a paisagem.
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A cegonha preta. As áreas arborizadas mais remotas para produção de cortiça perto da fronteira espanhola constituem um porto de abrigo europeu vital para estas aves impressionantes e enigmáticas. Estamos agora em Maio e este macho acabado de regressar de África procura uma fêmea para acasalar. Ela está mais abaixo em busca de um potencial local de nidificação nos sobreiros. Por isso ele tem de atrair à atenção dela. Fá-lo voando em círculos com as longas patas compridas apontadas na direcção dela. Mas o clímax dá-se quando ergue a cabeça para produzir um chamamento especial. Se ficar impressionada a fêmea juntar-se-á a ele num ballet aéreo gracioso que se tivermos a sorte de testemunhar, é das visões mais belas do montado. As cegonhas pretas são extremamente raras e agora fortemente protegidas em Portugal. Como preferem nidificar em sobreiros maduros, simbolizam a relação próxima entre a conservação da Natureza e uma indústria de cortiça saudável e bem sucedida.
O futuro do montado e da sua vida selvagem é ditado em boa parte pela economia. Os produtores de cortiça têm de conseguir de vender a tiragem às fábricas por um bom preço. Com a concorrência cerrada da parte de tipos alternativos de vedantes. Os fabricantes modernizaram e apuraram os seus métodos de produção para evitar acusações de que a cortiça pode por vezes estragar o vinho. Hoje em dia as pranchas de cortiça são mergulhadas duas vezes em tanques selados com água a ferver. O que mata o bolor e as bactérias e torna a cortiça mais flexível. Nas fábricas impecavelmente limpas dos dias de hoje, as rolhas são analisadas individualmente para evitar imperfeições. São esterilizadas, polidas e agrupadas em categorias e são escrupulosamente analisadas pelos laboratórios da empresa nas amostras de cada lote …
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Até animais muito tímidos vivem confortavelmente aqui, especialmente nas zonas mais remotas e pouco povoadas. Este pastor pode caminhar vinte quilómetros sem se cruzar com alguém nem ver outros animais a pastar. Excepto talvez uns veados especiais. Podem parecer veados vulgares, mas são uma subespécie diferente que se encontra apenas em Portugal e em Espanha. Enquanto pastam a cena é tranquila , até mesmo idílica. No entanto quando os veados sentem sede, o seu comportamento muda radicalmente… Uma raposa local… Um lince ibérico é com certeza capaz de matar um cria de veado ou até um adulto ferido ou fraco. Dois destes felinos impressionantes foram recentemente encontrados na região do Alentejo. E os biólogos conservacionistas anseiam desesperadamente que este casal procrie com sucesso…
(…) Enquanto os abutres percorrem os céus estão sempre atentos.
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- A principal razão para eu plantar Lupinus (tremoços) no montado é o facto de achar que não pode haver solo despido no montado. As Lupinus são um legume, fixam o nitrogénio no solo e também cobrem o solo no Inverno, evitando a erosão. Podem servir de pasto quando estão secas, às ovelhas ou gado bovino. É muito bom para o solo debaixo do sobreiro.
Plantas assim também ajudam a reter a humidade e a manter as raízes das árvores mais frescas durante o pino do Verão quando as temperaturas podem atingir os 40 graus centígrados ou mais. As Lupinus são flores importadas e não atraem as abelhas como as flores autóctones, por exemplo a lavanda. Com tanta riqueza de flores… (…)
Os abelharucos não são as únicas criaturas da região que apreciam abelhas, o sardão também as apanha…
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Estes belos lagartos em vias de desaparecer prosperam no montado português. São a maior espécie da Europa, chegando a atingir um metro de comprimento. E conseguem comer pequenos roedores. No entanto apesar do tamanho não estão livres de perigo. Durante o mês de Junho uma cegonha preta com crias para alimentar não hesitaria em tentar apanhar um…
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– Vivemos da cortiça, por isso quando chega a altura de a extrair e de a enviar para a fábrica, isso significa que a conseguimos fazer crescer e que não houve percalços durante esses 9 anos e nos 40 anos anteriores. Isso é um feito. É uma recompensa e é o que nos dá alento.
A maior parte desta pilha de cortiça de alta qualidade será transformada em rolhas essenciais para a economia do montado. Ainda por cima os sobreiros absorverão milhões de toneladas de dióxido de carbono da atmosfera todos os anos. Milhares de milhões de rolhas de cortiça de alta qualidade continuam a ser usadas em todo o mundo. Trata-se de um produto biodegradável de baixo consumo de energia que preenche todos os requisitos ambientais. E no entanto está em risco de ser substituído por rolhas sintéticas e tampas de roscas de metal.
Será que o futuro da floresta de cortiça e da sua vida selvagem depende de nós consumidores? Se assim for, o que podemos fazer?
- Uma coisa que devemos fazer é quando vamos ao supermercado e escolhemos um vinho, tentar saber se a rolha da garrafa é de cortiça e cortiça verdadeira. Se for, tenho a certeza de que contribuirá para a sustentabilidade de uma região mediterrânica vasta onde há um grande número de espécies.
O futuro de tanta riqueza natural parece depender de escolhas aparentemente triviais.
- É claro que temos escolha. Podemos escolher preservar um habitat único na região do Mediterrâneo ou não, podemos escolher um produto que é amigo da natureza ou não.
Desobediência à lei por ética
Teremos uma obrigação imperiosa de obedecer à lei?
(…)
Temos alguma obrigação moral de obedecer à lei quando a lei protege e sanciona coisas que achamos totalmente erradas? Uma resposta clara a esta questão foi dada pelo radical americano do século XIX, Henry Thoreau. No seu ensaio intitulado «Civil Disobedience» - talvez a primeira utilização desta expressão hoje familiar - escreveu:
Terá o cidadão de entregar a sua consciência ao legislador, nem que seja por um só momento ou no grau mínimo? Para que terá então todo o homem uma consciência? Penso que devemos ser em primeiro lugar homens e só depois súbditos. Não é desejável cultivar o respeito pela lei nem pelo direito. A única obrigação que tenho o direito de assumir é a de fazer sempre aquilo que penso ser justo.
O filósofo americano Robert Paul Wolff escreveu no mesmo sentido:
A marca definidora do estado é a autoridade, o direito de governar. A primeira obrigação do homem é a autonomia, a recusa em ser governado. Poderia parecer, então que não há solução para o conflito entre a autonomia do individuo e a suposta autoridade do estado. Enquanto o homem cumprir a sua obrigação de ser o autor das suas decisões, resistirá à pretensão do estado de ter autoridade sobre si.
Thoreau e Wolff resolvem o conflito entre o indivíduo e a sociedade em favor do indivíduo. Devemos agir pelos ditames da nossa consciência, por aquilo que autonomamente decidimos que devemos fazer, e não com a lei dita. Tudo o resto seria a negação da nossa capacidade de escolha ética.
(…)
É de supor que nem Thoreau nem Wolff desejavam sugerir que devemos seguir sempre a nossa consciência no sentido de "voz interior" (quando é provável que a "voz interior" resulte da educação de cada um, não constituindo uma fonte genuína de discernimento ético). Queriam dizer que devemos seguir o nosso juízo sobre o que devemos fazer; só assim as suas perspectivas se tornam plausíveis. Neste caso, o mais que se pode dizer das suas recomendações é que nos lembramos que as decisões que tomamos sobre obedecer ou não à lei são decisões éticas que a própria lei não pode resolver por nós. (…) Não devemos partir do princípio de que, se a lei proíbe esconder judeus dos nazis, é um mal fazê-lo. A lei e a ética são coisas distintas.
(...)
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A obediência como o melhor aliado do MAL
Nem sempre na escola está a virtude de se aprender
Ir à escola e formarmo-nos como simples formatados, nem sempre diz respeito a todos aqueles que pretendem aprender com alguma liberdade. Sempre assim foi, mas agora e apesar da escola estar dotada de muitas e variadas ferramentas de aprendizagem, tanto técnicas como psicológicas, apresenta-se num outro paradigma, muito mais fatal, a de uma nova sociedade que se quer eleitamente modelar a todo custo e que se pretende formatada de algum jeito ou de um único jeito tão malicioso quanto traiçoeiro. Em jeito esse que por sinal não me diz respeito e por isso mesmo, a escola e em suas presentes e enganosas aprendizagens, e porque a enviesar e a falsear constantemente a verdade, também elas muito em breve entrarão em ruptura total, tal como já está a acontecer com as falsas políticas económicas e em seus vis mercados. É que aprender sentada numa secretária horas a fio a ouvir todos aqueles com quem se sabe que nada se aprende, simplesmente porque sim ou porque é preciso títulos e em que tipos de rotulagens tornadas desumanas, é deveras constrangedor e sobretudo para aquelas pessoas, que jamais se conseguirão ater a essas suas contrárias vias de se ser. E exactamente porque precisam de aprender procurando, a completar seus próprios processos, de vir efectivamente a encontrar nos valores fundamentais da vida ou com toda a ética e estética, outras formas de novas e possíveis aprendizagens com futuro.
Estudar, pesquisar e aprender sem escola é em prática mais que possível!
Basta começar por nos encontrarmos com os mestres ou com os génios, e em suas obras ou acções exemplares. E embora esses mestres exemplares nem sempre estejam disponíveis para o fazer presencialmente enquanto professores, mas estão-no decerto, em suas obras e trabalhos, tanto literários, artísticos, filosóficos ou humanitários. Assim ao darmo-nos ao trabalho de estar com eles o mais possível a dignificar e a dar continuidade às suas obras, enriqueceremos com toda a certeza.

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