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a árvore ao jardim

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Eles não merecem!

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Eles não merecem!

É interessante, hoje à conversa com uma pessoa amiga, foi a frase que me ficou e me levou a escrever de imediato as palavras que se seguem e porque «Eles não merecem!».
Por isso, após ter desligado o telefone, fiquei a pensar e a fazer o meu balanço, nas quais pessoas que afinal merecem ou não ser consideradas. E acontece, sim acontece-nos a todos, que se não o fizermos, ou seja se não considerarmos em primeiro lugar os que deverão de ser apreciados, apoiados e ajudados, e porque merecem mesmo, por vezes somos sufocados, assim sem mais nem menos e a torto e a direito, por esses mesmos que não merecem nenhuma atenção e muito menos consideração. E o melhor a fazer a todos esses que não merecem nada, é deixá-los ficar longe, bem longe, é deixá-los por aí à deriva em suas ridículas e ricas barcaças de agigantados e adornados tamanhos de quais institucionais e vergonhosas reais ganas de tudo tentarem abarcar pelo quantitativamente. Deixá-los pois, por aí afundarem-se em suas soberbas e pesadas arrogâncias, e até o melhor mesmo é deixá-los conspurcarem-se na própria «
merda» que se arregalam de expelir todos os dias fora de si e de seus círculos e até onde não devem, façam-no longe e não lhes dêem sequer a oportunidade de provocar quão mau cheiro em arredores de qual pretensão de se assentarem por tudo o que é sítio, a arrotar todo o tipo de nauseabundices. Deixá-los ficar mas é, bem fechadinhos em seus palácios de sete chaves, muito maneirinhos e em que inteligentes sorrisos matreiros de tudo querer segurar à tais pesadas e férreas biqueiras que por calçadas de um uso de tamanho maior que o preciso. Eles não merecem e por isso, deixá-los lá, bem longe, sem se conseguirem mexer por tão presos às suas mesquinhas e congeláveis carapaças bem acondicionadas, deixá-los fecharem-se em suas idas longínquas de uma não-volta. Talvez assim, se venham a tornar os apreendidos de uma qualquer muralha ou em que terror separatista que os traduzirá, resumindo-os à ignóbil e cabal distância tão precisa de jamais precisarem de sentido do ser-se calorífero em plena invernia.


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Poder escudado em guerras de estratégias sempre desumanas

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Porquê uma embaixada como a de Israel ainda no centro da cidade de Lisboa?

Vizinhos da Embaixada de Israel sentem-se "escudos humanos".


(…) Os mais condescendentes chamam-lhe "check-point". Os mais irados preferem usar expressões como "bunker" ou 'faixa de Gaza'. Na zona das avenidas novas, em Lisboa, ninguém fica indiferente à barreira de segurança instalada … em frente ao edifício da Embaixada de Israel. Duas cancelas automáticas e vários pilares antibombas, vigiados por agentes da PSP e da Mossad (a 'secreta' israelita), impedem a passagem de veículos numa das zonas mais movimentadas da cidade.
(…)
"Tal como os israelitas afirmaram em 1979, depois do atentado à embaixada, nós, os moradores, somos o seu escudo humano. Nada mudou. Já fomos evacuados de casa três vezes por ameaças de bomba"…
(…)
Para Jorge Bacelar Gouveia, professor de Direito Constitucional que preside à Comissão de Fiscalização das 'secretas', a embaixada deveria mudar de local, como fez a dos Estados Unidos...
(…)

… embaixada entre a população porque se houver um atentado morrem umas dezenas de portugueses e a opinião pública vira-se contra os muçulmanos.

…Se a Embaixada de Israel quer segurança, e porque dinheiro não lhe falta, que procure local apropriado que não colida com a segurança e a livre vida dos cidadãos. Instalar uma embaixada de risco em zona habitacional é como instalar uma pirotécnica na cave de um prédio!

Leia artigo na íntegra: Expresso - 11 Agosto 2008


Em guerra por que T(t)erra

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FERNANDO NOBRE em Grito e choro por Gaza e Israel:

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (terroristas) do movimento Hamas.

(...)
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o agressor, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os agredidos. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos heróis que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!

(...)
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!
É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são. (leia texto na íntegra)




TERRA nas mãos dos donos da FOME

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UM MANIFESTO EM DEZ PONTOS
Os alimentos transgénicos, ou plantas geneticamente modificadas, têm sido apresentados como solução para tudo: fome no mundo, alterações climáticas, agricultura química, doenças e subnutrição... Mas a verdade pode ser bem diferente, e as razões abaixo, entre outras, justificam a proibição pura e simples destes frutos da engenharia genética.


ler >>> doc_pdf_UM MANIFESTO EM DEZ PONTOS


Vídeo: TRANSGÉNICOS - A Manipulação dos Campos

>>>> + VÍDEOS com informação IMPORTANTE

O corpo e o frio agressivo

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Cada vez existem mais e mais regras que permitem a invasão da privacidade na ocupação do espaço do outro e dos outros. É preciso saber os segredos do outro, para o poder rebaixar ou aniquilar. Faz parte das regras da competitividade e da espionagem. É preciso fingir, para saber o fraco do outro, para o dominar, para o roubar, para o eliminar, para se ter o mais espaço possível, é a importância obrigatória a dar lugar ao protagonismo e vedetismo. E as regras sociais não fogem a esse estatuto da competitividade, igualmente transposta para a educação, para o ensino, para a família.
E como faz parte em todas estas coisas das cumplicidades, há que dar sucessão a toda esta mórbida e agressiva salvação primeiro e especialmente, para com todos os seus, no mostrar ou a ser-se bem sucedido a todo o custo, ou seja,

Haja muita paz com muita guerra,
Haja muito, muito ódio com o máximo de amor possível
E salve-se quem puder!

Que fazer?

Não é de todo possível ajustar qualquer sensibilização a estas ideias do vedetismo e do aparatoso em noções constrangedoras, castradoras e aniquiladoras nestes tais conhecimentos e em que cientificidades tão, mas tão inteligíveis do que é o político-económico na sua alta competitividade. Que até às Artes tal como à Filosofia já lhes foi roubado o nome, e relativamente às artes em seu ensino e com os seus curandeiros, parece que até estão todos, muito bem de saúde, nesta nova moda ou era de que vias das competitividades descobertas.
E como se diz que a vida é um jogo, tudo se baralha. E porque não se pensa, não se respeita. E o que é preciso ou só se quer, é pôr-se em prática logo, logo e muito sagazmente, o que se aprendeu nestas novas escolas, e até mesmo faculdades das fabriquetas do faz-de-conta, e faça-se então o máximo em muitas coisinhas copiosas. É que neste momento, muito do que se está a aprender e a ser posto em prática é errado e altamente pernicioso para a valorização do Ser a Ser-se humano.

Na qual alegria de viver
Abastecem-se de saltos altos unidos
E ao descer
Trapezistas tombam quais objectos
E na queda fluída horrorizas-te
Sobes o pano do teu corpo palco
E porque julgado protegido
Apresentas-te muito bem e o mais agasalhado possível a todos
A todos o que estão e que te olham
Porque todo o frio vindo de teus espectadores
Poder-te-á congelar



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AS VÍTIMAS

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O perigoso "Psico-Ensino"

(...) Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.


O Método e o Entendimento da Verdade em ESPINOSA

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§ 35
… a certeza não é mais que a própria essência objectiva, isto é, o modo pelo qual sentimos a essência formal é a própria certeza. Donde se vê novamente que, para a certeza da verdade, nenhum outro sinal é necessário a não ser a posse da ideia verdadeira: como demonstrámos, para que saiba, não é necessário saber que sei. Do que, por outro lado, se vê que ninguém pode saber aquilo que seja a certeza suprema a não ser que tenha a ideia adequada ou a essência objectiva de uma coisa: evidentemente, porque a certeza e a essência objectiva são a mesma coisa.

§ 36
Logo, como a verdade não tem necessidade de nenhum sinal, mas basta ter as essências objectivas das coisas ou, o que é o mesmo, as ideias, para se tirar toda a dúvida, segue-se que não é verdadeiro o Método que procura o sinal da verdade depois da aquisição das ideias, mas que o verdadeiro Método é o caminho pelo qual a própria verdade ou essências objectivas das coisas ou ideias (significam o mesmo) devem ser procuradas na ordem devida.
§ 37
Por outro lado, o Método deve falar necessariamente do raciocínio ou da intelecção. Isto é, o Método não é o próprio raciocínio para compreender as causas das coisas, e muito menos compreender as causas das coisas, mas consiste em compreender o que é a ideia verdadeira, distinguindo-a das outras percepções, investigando a sua natureza para que conheçamos, por aí, o nosso poder de entender, e assim governemos a mente para que compreenda, por aquela norma, tudo o que pode ser compreendido, dando-lhe como auxílio certas regras e fazendo também com que a mente não seja fatigada com coisas inúteis.
(…)
§ 47
… temos de admitir que há homens completamente cegos de espírito, desde o nascimento ou por causa dos preconceitos, isto é, por quaisquer ocorrências exteriores. É que então nem consciência têm de si mesmos; se afirmam algo ou duvidam, não sabem se duvidam ou se afirmam. Dizem que não sabem nada; e isto mesmo, que não sabem nada, dizem que ignoram. E mesmo isto não o dizem absolutamente, pois têm medo de admitir que existem quando não sabem nada. Acrescento que devem então calar-se não suponham por acaso alguma coisa que exale um odor de verdade.
§ 48
Em suma, com eles não vale a pena falar de ciências porque, no que respeita ao uso da vida e da sociedade, a necessidade obriga-os a admitirem que existem, e a procurar os seus interesses, e a afirmarem e a negarem muitas coisas sob juramento. Se se lhes demonstra alguma coisa, não sabem se a argumentação prova ou é deficiente. Se negam, concedem ou opõem, não sabem que negam, concedem ou opõem e, portanto têm de ser considerados como autómatos, que carecem totalmente de espírito.
(...)
BENTO ESPINOSA, TRATADO SOBRE A REFORMA DO ENTENDIMENTO
Livros Horizonte - Lisboa -1971






A Técnica e o Mundo sem Imagem

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- OCTÁVIO PAZ e a POESIA como a verdadeira vida -


(…) O crescimento do eu ameaça a linguagem em sua dupla função: como diálogo e como monólogo. O primeiro se fundamenta na pluralidade; o segundo na identidade. A contradição do diálogo consiste em que cada um fala consigo mesmo ao falar com os outros; a do monólogo em que nunca sou eu, mas outro, o que escuta o que digo a mim mesmo. A poesia sempre foi uma tentativa de resolver esta discórdia através de uma conversão de termos: o eu do diálogo no tu do monólogo. A poesia não diz: eu sou tu; diz: meu és tu. A imagem poética é a «outridade»*. O fenómeno moderno da incomunicação não depende tanto da pluralidade de sujeitos quanto do desaparecimento do tu como elemento constitutivo da consciência. Não falamos com os outros porque não podemos falar connosco mesmo. Mas a multiplicação cancerosa do eu não é origem e sim o resultado da perda da imagem do mundo. Ao sentir-se só no mundo, o homem antigo descobria o seu próprio eu e, assim, o dos outros. Hoje não estamos sós no mundo: não há mundo. Cada lugar é o mesmo lugar e nenhum está em todas as partes. A conversão do eu em tu – imagem que compreenda todas as imagens poéticas – não pode realizar-se sem que antes o mundo reapareça. A imaginação poética não é invenção mas descoberta da presença. Descobrir a imagem do mundo no que emerge como fragmento ou dispersão, perceber no uno o outro, será devolver à linguagem sua virtude metafórica: dar presença aos outros. A poesia: procura dos outros, descoberta da «outridade».
Se o mundo como imagem se desvanece, uma nova realidade cobre toda a terra. A técnica é uma realidade tão poderosamente real – visível, palpável, audível, ubíqua – que a verdadeira realidade deixou de ser natural ou sobrenatural: a indústria é a nossa paisagem, nosso céu e nosso inferno. Um templo maia, uma catedral medieval ou um palácio barroco era alguma coisa mais do que monumentos: pontos sensíveis do espaço e do tempo, observatórios privilegiados de onde o homem podia contemplar o mundo e o transmundo como um todo. Sua orientação correspondia a uma visão simbólica do universo; a forma e a disposição de suas partes abriam uma perspectiva plural, verdadeira encruzilhada de caminhos visuais: para cima e para baixo, na direcção dos quatro pontos cardeais. Ponto de vista total sobre a totalidade. Essas obras não só eram uma visão do mundo, como estavam feitas segundo a sua imagem: eram uma representação da figura do universo, sua cópia ou seu símbolo. A técnica se interpõe entre nós e o mundo, fecha toda perspectiva à nossa mirada: para além de suas geometrias de ferro, vidro ou alumínio não há rigorosamente nada, excepto o desconhecido, a região do informe ainda não transformada pelo homem.
A técnica não é nem uma imagem nem uma visão do mundo: não é uma imagem porque não tem por objecto representar ou reproduzir a realidade; não é uma visão porque não concebe o mundo como figura, e sim como algo mais ou menos maleável para a vontade humana. Para a técnica o mundo se apresenta como resistência, não como arquétipo: tem realidade, não figura. Essa realidade não se pode reduzir a nenhuma imagem e é, ao pé da letra, inimaginável. O saber antigo tinha por fim último a contemplação da realidade, fosse presença sensível ou forma ideal; o saber da técnica aspira substituir a realidade real por um universo de mecanismos. Os artefactos e utensílios do passado estavam no espaço; os mecanismos modernos alteram-no radicalmente. O espaço não só se povoa de máquinas que tendem para o automatismo ou que já são autómatos, como é um campo de forças, um entrelace entre de energias e relações – algo muito distinto dessa extensão, ou superfície mais ou menos estável das antigas cosmologias e filosofias. O tempo da técnica é por um lado ruptura dos ritmos cósmicos das velhas civilizações; e por outro, aceleração e, por fim, abolição do tempo cronométrico moderno. De ambos os modos é um tempo descontínuo e vertiginoso que ilude, senão a medida, a representação. Em suma a técnica se funda em uma negação do mundo como imagem. E haveria ainda que acrescentar: graças a essa negação, há técnica. Não é a técnica que nega a imagem do mundo; é o desaparecimento da imagem que torna possível a técnica.
(…) A perda do significado afecta às duas metades da esfera, a morte e a vida: a morte tem o sentido que se lhe dá nosso viver; e este tem como significado último ser vida diante da morte. A técnica nada nos pode dizer sobre tudo isto. Sua virtude filosófica consiste, por assim dizer, em sua ausência de filosofia…

(…) A experiência da «outridade» abrange as duas notas extremas de um ritmo de separação e reunião, presente em todas as manifestações do ser, desde as físicas até às biológicas. No homem este ritmo se exprime como queda, sentir-se só em um mundo estranho, e como reunião, em acordo com a totalidade. Todos os homens, sem excepção, entreviram por um instante a experiência da separação e da reunião. No dia em que verdadeiramente… caímos no sem-fim de nós mesmos e o tempo abriu as suas entranhas e nos contemplamos com um rosto que se desvanece e uma palavra que se anula; na tarde em que vimos aquela árvore no meio do campo e adivinhamos, embora já não o recordemos mais, o que diziam as folhas, as vibrações dos céus, a reverberação do muro branco golpeado pela última luz; numa manhã estendidos na relva, ouvindo a vida secreta das plantas; ou de noite, diante das águas entre os altos rochedos. Sós ou acompanhados vimos o Ser e o Ser nos viu. É a «outra vida»? É a verdadeira vida, a vida de todos os dias. Sobre a outra que nos prometem as religiões, nada podemos dizer com certeza. Parece excessiva vaidade ou empolgamento com o nosso próprio eu pensar em sobrevivência; reduzir toda a existência ao modelo humano e terrestre revela certa falta de imaginação ante as possibilidades do ser. Deve haver outras formas de ser e talvez morrer seja apenas um trânsito. Duvido que esse trânsito possa ser sinónimo de salvação, ou perdição pessoal. Em qualquer caso, aspiro ao ser, ao ser que transforma, não à salvação do eu. Não me preocupa a «outra vida» além, mas só aqui. A experiência da «outridade», é aqui mesmo, a «outra vida». A poesia não se propõe consolar o homem da morte, mas fazer com que ele vislumbre que a vida e a morte são inseparáveis: são a totalidade. Recuperar a vida concreta significa reunir a parelha vida-morte, reconquistar um no outro, o tu no eu, e assim descobrir a figura do mundo na dispersão de seus fragmentos.

(…) O homem não vê o mundo: pensa-o. Hoje a situação transformou-se de novo: voltamos a ouvir, embora não possamos vê-lo…
(…) Se o homem é transcendência, ir mais além de si mesmo, o poema é o signo mais puro desse contínuo transcender-se, desse permanente imaginar-se. O homem é imagem porque se transcende. Talvez consciência histórica e necessidade de transcender a história não sejam mais do que os nomes que agora damos a este antigo e perpétuo desgarramento do ser, sempre separado de si. O homem quer identificar-se com suas criações, reunir-se consigo mesmo e com os seus semelhantes: ser o mundo sem cessar de ser ele mesmo. Nossa poesia é consciência da separação e tentativa de reunir o que foi separado. No poema, o ser e o desejo de ser pactuam por um instante, como o fruto e os lábios. Poesia, momentânea reconciliação: ontem, hoje, amanhã; aqui e ali; tu, eu, ele, nós. Tudo está presente: será presença.

(*) O autor usa o termo otredad, um neologismo. A tradução para outridade é também um analogismo

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O artista e a dignidade humana

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Estes excertos que se seguem são dirigidos aos que por aí andam cómoda e pateticamente vendados, em tanta cegueira que lhes foi incutida, e coitados até se sentem bem assim, e claro está, que não compreendem, e jamais entenderão, que uma linha de pensamento onde felizmente, muitas pessoas até estão inseridas, é só e unicamente uma questão de lucidez e de dignidade humana, e não terá de passar e neste meu caso não passa mesmo, aos que incomodados assim queiram ou tentem apelidar por que ideologias vigentes.
«(…) deveres obrigados a serem cumpridos a todo o custo geram mitos, entretenimentos, distracções e passatempos e tentam apanhar os desprevenidos e até os prevenidos a confundir tudo e todos com mentiras, falácias e sempre numa omissão para com a verdade. O entretenimento faz esquecer a forma genuína de se pensar direccionada a um bem comum a todos. O entretenimento não provoca prazer, mas sim gozo, é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento no menor esforço possível. O entretenimento vem do colectivo para o singular, é uma apreciação em frases feitas do colectivo dirigida ao singular, fazendo por imergir o singular numa moda disponível a ser usada como sugestiva e conveniente pelo poder que comanda o colectivo. E o resultado de um pensamento singular e genuíno dirigido a um bem comum e ou ao colectivo, será efectivamente Cultura. O entretenimento estará inteiramente ligado ao dever, e é o que fica do que não foi possível criar, é a repetição feita para um povo obrigado à igualitária forma de se acomodar como subjugado. Mas é o povo com os seus artistas que fazem Cultura e não o entretenimento dos geradores de poderes e mitos que farão os artistas, a Arte, o Devir! A Cultura é pois o porvir do Devir. O artista existe e jamais desaparecerá enquanto existirem sociedades e sociabilidades. O artista existe porque existe um povo. Um povo que carrega o peso de seus mandatários. E na mesma igualdade, ambos, povo e artista, que advêm desse somatório de resistências ao intolerável, à fome, à miséria, ao sofrimento, à opressão e na condição do Ser em desejos de Ser­-se humano.

E a não ser possível um povo gerir os seus afectos e a sua forma de se manifestar artisticamente é um povo sem futuro, é um povo ou uma sociedade suicida. E o suicídio em suicidas é a morte anunciada e vindoura do colectivo sem singulares. (…) Existe uma realidade para os excluídos da face da Terra pelo Homem que instituiu tão monstruosas regras em crenças e poder do dever em não devir, que o suicídio será em breve a maior prova de coragem do ser, que não se suporta mais nestas condições de escravatura cativa. Essa compreensão para os de ditos fracos e ou excluídos em toda a extensão do humanitário por não aceitarem compactuar com tanto mal, infortúnio e dor, tornar-se-á em nossa contemporaneidade, o ponto mais forte da dita coragem da dignidade humana em não-ser.

(…) Sendo o devir sempre uma obrigação contrária ao dever, não se rege, nem se deixa comandar por leis impostas pelo Homem, o Devir é o catalisador da motivação existencial e é orientado por leis interiores bem definidas corporalmente. Quando digo corporalmente, tal como fez Bento Espinosa, englobo o corpo não o dissociando da alma e do pensamento em sua Natureza de Ser. O devir diz sempre e unicamente respeito à projecção do pensamento numa saudade em futuro, ou seja, o Devir é sempre um devir­ artístico-filosófico. (...)»
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QUERO LÁ SABER

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- Estado mental do mundo:

[Os que estão bem no quero lá saber para os que estão mal] – os privilegiados
[Os que estão mal no quero lá saber para os que estão bem] – os obrigados

O quero lá saber é uma forma ou modelo de relacionamento social, subjectivamente institucionalizado na nossa contemporaneidade. Todas as pessoas estão-se marimbando umas para as outras. Ignora-se e é-se ignorado, em prol de que inteligente ignorância, a ignorar-se o que não podemos nem deveríamos de ignorar. Mas eis que esta, é já a fórmula mais taxativamente delegada pelos exemplares responsáveis no deixa andar, deixa acontecer, deixa estragar… não faz mal! Num QUERO LÁ SABER e depois logo se verá!

E existem responsáveis por tudo isto
E existem instituições
E existem estados
E existem governos
E existem políticas
E economias
E seitas
E empresas…

Mas o que é que estão a fazer estes grupos dos que fazem e fabricam este mesmo estar do QUERO LÁ SABER ? ? ?
-
Institucionalizaram esse mesmo quero lá saber ! ! !

E todo este quero lá saber, generalizou-se por completo numa caricata generosidade dos privilegiados aos obrigados.
E nestas formas de mandar e de ordenar em estilos de dizer, escrever ou falar, e depois de viver, oiça e analise o que por aí se vai afirmando, publicamente:
O político;
O professor;
O economista;
O empresário;
O jornalista…

E embora de uma afeita cordialidade, é de uma enorme crueldade este QUERO LÁ SABER, tomado como um novo modo de estar, de mandar e de fazer, levado a um derradeiro e obrigatório quero lá saber.

É a nova e psicológica moda do quero lá saber, eu estou mais ou menos, eu sobrevivo, ah e depois há quem esteja pior que eu, e vá de se viver neste quero lá saber.

Se ao político, ao professor, ao economista, ao religioso, ao empresário, ao jornalista, ao mercador, ou a todo aquele que ganha, que delega ou que compra sem mais preocupações e ainda que tenha muito ou pouco dinheiro para conseguir viver nesta atroz sobrevivência, e a estragar ou não, no muito ou pouco de deitar ao lixo o que é a carência de muitos outros. E se a todos estes, um dia e num só e único dia, lhes faltar o pão e a comida para a boca, quero ver se continuarão a usar esta forma de se alimentarem numa relação com o mundo e com as pessoas neste doentio estado de um QUERO LÁ SABER.

OS ERROS DO JORNALISMO

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O Jornalismo vendeu-se à publicidade

Sempre achei dispensável as publicidades forçosas de produtos que não abonam ao bem estar de uma sociedade em geral. E cada vez existem mais produtos que nada interessam serem transaccionados e consumidos. E porque serão esses mesmos, que acabam por ser os mais publicitados?
É que os jornais ou as empresas jornalísticas e em seus profissionais que por fascinados com a negociável imagem manipulável de produtos e coisas, venderam-se completamente à publicidade e em seu mortífero deslumbramento.
E eis ao que já estamos a assistir, os jornais ou as empresas e em seus profissionais jornalísticos desviaram-se definitivamente dessa primeira das suas funções, o de dar a notícia em primeira mão e em prol de uma verdade e de um bem humanitário ou comunitário e a transformaram-se numa qualquer inversa situação. Em que neste momento, os jornais foram já convertidos à oferta da notícia enquanto notícia, por uma qualquer publicidade que os garanta vivos num novo tipo de subserviência e sobrevivência do insustentável. E ao que se assiste, é a publicidade que usa os jornais e a notícia, em que o jornal em si, deixou de dar notícia como a sua mais-valia, a dar-se em primeira lugar à publicidade e a colocar o fundamento da notícia para um segundo e subalterno plano, deixando assim ater a notícia ao que a publicidade lhe possa dar num mísero valor.
E já todos os jornais, revistas, editoras, etc… estão por aí assim, a subalternizarem-se a algo ou à publicidade que não os tem favorecido em nada e porque jamais os poderá vir a favorecer.
Agora pergunto eu, como é possível estar-se a assistir a toneladas de papel deixados ao lixo todos os dias, em inúmeros jornais grátis que estão a ser entregues às entradas dos metropolitanos das cidades? São ridículas as pessoas que com toda a desenvoltura, pegam nesses jornais grátis, os lêem com toda a altivez a tentarem mostrar que estão a aprender alguma coisinha e ao terminarem a sua viagem é de seguida deitado ao lixo. É impressionante como isto pode ser permitido!
É que essas notícias são igualmente fabricadas da mesma forma que o são as suas publicidades.
Claro está que esta forma um tanto ou quanto anormal de se comunicarmos entre culturas, através da notícia e do jornalismo, teria inevitavelmente de surgir em outras novas formas de nos vermos com a notícia a ser dada com toda a verdade, e por isso o ressurgimento de blogues e da blogosfera numa nova forma de se dar a notícia e em sua divulgação com toda a seriedade que merece.
É que divulgar não é o mesmo que publicitar.
Divulgar é dar a conhecer algo que foi feito, que está a ser feito ou que irá ser feito e publicitar é o forçar essa divulgação a alterar-lhe o seu verdadeiro sentido através de estratégias, marketings e em suas agências publicitárias, a tentar favorecer uns no desfavorecimento de outros tantos, é pois e em suma, este um dos grandes males das leis do mercado.
Tenho ainda a dizer que a publicidade aí está e também na net, e a tentar agarrar-se com unhas e dentes à blogosfera, aos blogues, e aos vícios jornalísticos de certos blogues de jornalistas, de se verem com muitas vendas e em suas audiências, a pensarem que a vida, se faz numa inaudível concentração de carneiradas obedientes às leis vigentes e a vendermo-nos por um tudo e nada, a tudo e a todos, o mais possível.
A blogosfera para além das muitas formas de comunicação e dos seus intervenientes e em sua divulgação tem vindo a dar espaço a que livremente por aqui se circule sem imposições de nos termos de vender forçosamente àquilo com que não nos identificamos. E é precisamente nesse estar, onde muitos de nós nos situamos e que por aqui nos vamos encontrando.
Eu por exemplo jamais daria a possibilidade de estar a permitir que se publicitasse neste meu espaço, coisas e produtos que serão de algum ruído tanto para mim como para todos aqueles que me possam visitar.
E por isso considero que a net, a blogosfera e os blogues, em toda essa interacção e comunicação, têm vindo a dar a possibilidade de sermos mais autênticos e cada vez mais interventivos, e que só assim numa participação e intervenção activa de cada um de nós, poderão surgir novas soluções para os graves problemas da nossa actualidade.

Blogues, BLOGOSFERA e Jornalismo

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Sobre programa «aqui e agora» da SIC do dia 29 Maio e que acabei por ver hoje na net (aqui).

LEGISLAR-SE contra quem diz mal em prol duns quantos malandrões que bem estão.

É isso mesmo! Legislar-se, legislar-se em leis e mais leis em defesa de uns quantos que bem estão, a fazerem a folha aos que mal estão. É assim a forma de se fazer mais e pobreza e em que legalista exclusão social…
É pois sobre a net, a blogosfera, os blogues, que se quer legislar, que se quer fazer calar, e tudo se inventa e tudo se diz pelos media, ou pelo que bem estão. E os programas em canais televisivos quando toca à blogosfera, só se diz barbaridades e a tendência é de difamar e caluniar, isto está-se a tornar grave!
Programas televisivos maus, muito ruins mesmo, que nada acrescentam, ao que de bem, a blogosfera tem feito em prol da verdade, da notícia verdadeira e da cultura.
E os que temem a blogosfera, são os que estão numa posição contrária, nessa posição contrária de quem nada tem feito em prol dos que mal estão, muito simplesmente ignoram os que estão mal e que é uma sociedade e um país em geral, a tratarem mal essa mesma sociedade e numa arrogância que mete dó.
E depois estão à espera de quê ? Que sejam bem tratados pela blogosfera, porque são arrogantes e prepotentes e têm poder e as leis do seu lado e por isso, querem ser respeitados com esse poderzinho? A blogosfera ou o povo, ou a sociedade em geral, ou os que pensam e têm alguma lucidez, querem lá saber dessas vaidades de «gente» cordialmente mentirosa!
E o mais simples para os que bem protegidos estão, é refugiarem-se em leis e mais leis, e é toca de legislar ainda mais, mais e mais, a acabar com a blogosfera ou com tudo e com todos os que lhes possam fazer afronta e pôr só, só a escrever por aí e na blogosfera também, os tais profissionais jornalísticos, tão desinteressantes e porque quase todos comprados e vendidos ao poder e às empresas e em que legalidade(s), é fácil, simples, barato e tão sem objectivos humanitários e porque jornalistas estes, tão distantes estão de um saber e em sua cultura!
Considero que a maior parte da blogosfera está a ser regida por um valor ético e porque surge naturalmente da parte de quem escreve, essa ética. E uma ética que não está a precisar de leis. E porque a verdadeira ética ou os valores éticos, nunca precisaram de leis, fazem parte da essência de se ser humano, agora os valores morais, esses sub-repticiamente tentam confundir a verdade e sempre precisaram e precisarão de leis.
Agora que queiram vir calar quem escreve, jornalistas ou não, e a quem diz a verdade e até sem ganhar dinheiro com isso, e que até está a fazer um bem social e humanitário, papel esse que deveriam ser todos os jornalistas a fazê-lo, é de lamentar!
Todos sabemos que os jornalistas e os media acabam por estar envergonhados por a maior parte, não estar a cumprir o seu papel de agentes e profissionais a bem e em prol de uma cultura humanitária. Simplesmente entraram numa moda de olharem para seus umbigos a quererem ser isto, e mais isto e mais aquilo em livros e mais escritos para serem famosos à custa de uma profissão que acabam por não a conseguirem dignificar e até levianamente estão mas é a denegri-la.
Mas o mal continua e se os que pensam que assim podem continuar, jornalistas, jornais, empresas e media, a excluir mais, mais e mais, talvez se enganem, é que esse bem para uns, poderá ou até já é tão próximo da distância que se lhes quer dar aos que mal têm feito, a tornar-se assim num mal em si, e a tocar tão rápido quanto se pensa, aos jornalistas e media que pensam que bem estão.
A LER:
>>> A blogosfera segundo a SIC
>>> A televisão e os jornais …
>>>
Os perigos da televisão
>>> Blogue | O Drama! O Horror!...



FHI - Falha Humana Intencional

...
A ambição materialista provoca o descontrole e o stress, e que estes, por sua vez, instigam a uma inveterada e intencional falha humana.
E porque é habitual assistirmos a uma inabilidade cada vez mais proliferante.
Inabilidade essa, fruto da incompetência que se tem generalizado e que até se tem ensinado como exemplo a ser seguido. Incompetência essa que por sua vez, se poderá intitular de Falha Humana Intencional, isto é, por obrigação a se ter de cumprir algo que está estipulado, numa qualquer moralidade e em que convenientes e manipuladoras leis instituídas, mostra-se que se cumpre para aguentar o peloiro, e porque até se diz que falhar é humano, vá então, de falhar-se propositadamente. Ou seja, não se está a cumprir com esse primeiro dos deveres enquanto seres que somos, dotados de uma ética e com a capacidade de continuarmos a trabalhar para uma mútua dignificação. Assim, a trabalhar-se ou a fingir que se trabalha para aquecer convenientemente o lugar e em que inúmeros lugares, está-se pois e efectivamente, a assistir a um abandalhar das instituições e em suas funções vitais. Quero com isto dizer que essa mesma incompetência, se tem difundido com uma naturalidade tal, em gente e mais gente cretina que reinam por aí, a contribuírem descarada e intencionalmente para o crescimento de mais e mais pobreza.
E nesta aspiração ou cobiça por um lugar no aquecer de lugares que se multiplicam por aí aos montes, irá inevitavelmente redundar numa crise que se anunciará para breve, e a vergonha chegará, e bater-lhes-á à porta, a transformar-se assim, no maior e no mais miserável dos desastres sociais.


AS VÍTIMAS

...
(Sobre VÍDEO no YouTube do violento confronto de professora que retira telemóvel à sua aluna rebelde.)

Aprender é preciso e ensinar também.
Mas só ensina bem, todo aquele que gosta de ensinar e que terá por sua vez, alunos para ensinar.
E tanto aprender a ensinar como ensinar para aprender, é efectivamente preciso aprender continuamente com todo o gosto e sensatez a saber como fazer para ensinar bem!
Em mestria, em exemplo e a ser exemplar, só aprende todo aquele que estiver no patamar humilde de saber que poderá aprender pelo respeito de quem sabe ensinar.

Ora todos sabemos que isso não está a acontecer!

A maior parte dos que estão a ensinar no nosso país e assim como os que estão a aprender no nosso país e por sua vez, os pais que criam os seus filhos e que os mandam para as escolas públicas do nosso país, é por obrigação e necessidade que o têm de fazer.


E aí estão as vítimas ou os vários de tipos de vítimas, todas juntas e que são:

  • Os pais que criam filhos e que os têm de mandar para estas escolas públicas
  • Os filhos que são obrigados pelos pais a terem de aprender nestas escolas
  • Os alunos que têm de respeitar as regras das escolas onde estão inseridos e os
  • Os professores que têm de ensinar nestas escolas porque não encontraram no mercado de trabalho outra ocupação profissional.

A vítima aqui que é vitima duas vezes, na mesma pessoa, é pois, o jovem ou adolescente e que é por sua vez, vítima enquanto filho e vítima enquanto aluno, num redobrado dever e num paralelismo de obediência tanto para com os seus pais, como para com os seus professores. E embora todos saibamos que estas crianças, jovens ou adolescentes, não são adultos, nem tem maturidade para tal e exactamente porque estão no seu normal processo de aprendizagem. Essa educação e o ensino, terá de ser administrada e assistida com todo o cuidado, atenção, protecção e respeito, tanto da parte de seus pais como de seus professores.

Mas isto também não está a acontecer!

Parece mas é, que se lhes está a exigir aquilo que eles são incapazes de corresponder e responder, e que é o de serem adultos muito jovens a serem tornados umas vítimas tanto necessárias e expiatórias como culpabilizantes. É errado colocar os que não têm capacidade de se proteger assim nesta forma discriminatória e de exclusão, logo, logo à priori!
Isto é errado, é mesmo, mesmo, muito errado! É um abuso de autoridade para quem não tem possibilidades de se defender.
Mas se é errado, o que há para fazer, não será com certeza, ninguém ou nenhum destes que estão nestas posições de vítimas, que poderão conseguir alguma vez resolver a alterar o que está mal. E porquê? Porque não lhes compete alterar, porque são as primeiras das vítimas, têm de se subjugar!

Há que salientar que não coloquei ou frisei aqui como vítimas, os professores-pais (ou os pais-professores) com filhos nessas mesmas escolas públicas, porque a maior desses mesmo professores-pais, procuram sempre colocar os seus filhos em escolas particulares, para que não lhes suceda essa agonizante exclusão (e porque também a praticam) que sabem de antemão, que seus filhos igualmente irão estar sujeitos. Embora paguem a um ensino particular com esse mesmo dinheiro que ganham como professores nessas escolas públicas com os tais alunos constantemente vitimados e predestinados a serem excluídos.

Vivemos pois num sem fim de atitudes, resultantes dos que precisam de vitimar quantas vítimas forem necessárias para que daí resulte os ganhadores e os vitoriosos em seus palcos de vidas autoritárias, que se arrogam a se tornarem por sua vez os salvadores destes mesmos vitimados!

E enquanto Educação, Cultura e Ensino, estes três cruciais grupos:

  • Pais
  • Filhos-alunos e
  • Professores

Isto é, a sociedade em geral, são afinal vítimas de quem?

Ora todos sabemos muito bem de quem são vítimas, os pais, os filhos-alunos e os professores! Diz-se que é do sistema ou das políticas, será???
Agora é preciso notar que os culpados nunca poderão ser as vítimas!
Os CULPADOS serão sempre todos aqueles que directa ou indirectamente, consciente ou inconscientemente, continuam a construir mais e mais vítimas! E quem são eles???
Os que ganham e se tornam vitoriosos por esta mesma vitimação.

Ou seja, os que têm grande responsabilidade neste país e em seus ministérios, ministros e secretários de estado, tanto da Educação como da Cultura. Sim são pois, o Ministério da Educação e o Ministério da Cultura e em seus ministros, que terão de assumir responsabilidades, não só os actuais como os dos anteriores governos.

E depois ainda temos os formuladores das cientificidades educacionais em quantos psicólogos e psicologias institucionalizáveis, e que por ordens ministeriais estão inteiramente ao dispor e a dispor da Educação e em seu Ensino como se de um negócio se tratasse, continuando a matar qualquer possibilidade de se arranjarem resoluções, estando é sim com suas oportunistas, mesquinhas e mercantis ideias a fomentar mais e mais exclusão social.

Desengane-se todo aquele que pensa que conseguirá resolver algum problema social, pelo simples facto das vias do culpar no apontar de dedos, no culpabilizar, no inferiorizar, no excluir ou no tentar discriminar quem quer que seja.

E há que falar ainda da permissão e em prol de que tontos interesses publicitários e económicos, dos canais de televisão nas suas novelescas e séries televisivas cada vez mais rascas, de consumismos direccionados para jovens, elaboradas por pessoas isentas, tanto de valores éticos como estéticos e usando a tecnologia, em termos de que tudo resolve em prol de que progresso. Pretendem sim, vender, vender e não interessa a quem, é preciso é muitos e muitos e novos públicos para se escoarem produtos instalados, mesmo que esteja na base, a construção de miséria e de miseráveis a todos os níveis, tanto pobres como ricos, para alimentarem estas economias sem escrúpulos.

Sim, existem os que têm responsabilidade, poder e capacidade para a resolução destes problemas, mas ou por incapazes, embora teimosos pela ganância cega do serem bem sucedidos em que interesses económicos, políticos ou outros, ou ainda por falta de sensibilidade por tão distantes dos verdadeiros valores de uma cultura, tentam inverter os papéis e fechar os olhos, virar costas e culpar os outros, e o pior de tudo, que é o culpar as vítimas. Não vêm que isso é uma tontice e que irá dar mau resultado!?

E ultimamente, deu para perceber o quanto é notória essa brutal crueldade que impera em seus responsáveis de criarem mais e mais vítimas.
Como é que uma ministra da Educação e um chefe de Estado do nosso país com todos os que os rodeiam e que se vão tentando proteger com tantas malvadezas, fecham os olhos a um ajuntamento de 100 mil professores na rua?
E depois com toda a malvadez que lhes apraz, ainda culpam as vítimas!
Escusam esses senhores que pretendem tornar-se os vitoriosos deste país à custa descarada de tantas vítimas numa cabal construção de mais e mais exclusão social, o de querer enganar a baralhar tudo e todos, e de ainda por cima, tentarem arranjar culpados nas vítimas!
É que é impensável continuarem a agir assim, vão-se dar mal! Isso é desumano, muito desumano!

Era a mesma coisa que nas ideias hitlerianas ou no nazismo, culpar por existir todo aquele que nasceu judeu! É horrível, não é?
Pois! Foi uma grande monstruosidade de quem imperava e se habilitava a fomentar exclusão e mais exclusão, assim em tão grandes atrocidades.
Agora eu pergunto, é preciso alertar para essas monstruosidades? Eu pensei que já não era preciso, de que ninguém se esqueceu do quanto foi horrível e o quão desumanos foram aqueles conceitos e ideias da exclusão em atrocidades para com o ser humano.

Assim, para onde caminharemos ???



E termino com este excerto do meu post: «O perigoso Psico-Ensino»:

Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.


ALICE VALENTE


A Educação no «PÚBLICO» de hoje:
- Associação de Pais e os técnicos psicólogos...
(...) ... possibilidade das escolas poderem contratar técnicos para resolver problemas graves de indisciplina...
(...)... contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos...
- Aluna que agrediu professora em que processo...
(...) Até ao momento a professora não fez nenhuma participação formal fora da escola...
- Professores pedem mais autoridade para professores e a culpa é dos pais...

(...) ... medidas que reforcem a autoridade dos docentes e aumentem a responsabilização dos pais em casos de violência e indisciplina de alunos, responsabilizando directamente o Governo por estes problemas...

Exclusão social

...





A origem de toda a exclusão está no aceder
a ser-se solidário com os que impõem ideias solitárias.
*







VALORES

...

Tudo o que é construído à margem dos VALORES Éticos e Estéticos,
entrará mais tarde ou mais cedo em decadência.

Competir ou HUMANIZAR

...
Os processos da criatividade, da criação e de tudo aquilo que é manifestamente artístico são processos edificantes do ser no seu todo, compreendendo na personalidade e carácter do ser em si mesmo, para além do que é aparentemente inteligível, também todas as outras insignificantes formas diferenciadas e tidas como secundárias e até de limitativas, e que equitativa e equilibradamente se regem ou auto-regulam na procura do outro e dos outros sempre numa qualquer prioritária dádiva.
Criar é a mais perfeita das comunicações. Por isso a poesia, se relevar como uma das mais íntegras e ajustadas formas de revelação do que é o sensível no sensível, pelo carisma e vitalidade do que é a oferta em sua plena e primordial beleza, e isto por se ocasionar com toda a espontaneidade em si e por si mesma, sem mais delongas esperas.
Ao criar, cavamos e escavamos a alicerçar o que há de mais elevado do nosso existir e a termos a certeza que esse confronto será tão fértil quanto proveitoso em todas as suas predefinições.
Daí se tornar tão importante, para o artista ou para qualquer pessoa sensível, saber do trabalho e do fazer dos outros pela criatividade em afectividade, não no sentido de uma hostil e antagónica competitividade, mas no sentido de um crescimento e enriquecimento interior. Porque só nos conseguimos realizar com a realização dos outros, quando todo e qualquer ser se apresentar liberto e desprovido dessas mesmas rivalidades em agressivas e competitivas conflitualidades.
Há que ter em atenção a tomar nota, que preço igual a valor jamais poderá fazer parte dos valores humanos.
Querer substituir os valores humanos no âmbito de preços é a via mais atrozmente descabida do humanizar.
É que o valor da dignidade, do educar, do cuidar e do conhecimento pela maturidade não têm preço.
Esses valores do valor em preços viabilizam-se pela competição na invasão e ocupação do espaço do outro, dos outros através da mentira e do jogo em grandes manhas estratégicas, a copiar, a tirar, a roubar e por final a matar com todas as inerentes e expressas legalidades.
Os VALORES, os verdadeiros valores construídos com toda a consciência são em suma e inegavelmente, os que erigidos pela via do que é sensível e (ou) inerente à criatividade.
Por isso a CULTURA de um indivíduo, de uma família, de um povo, de um país ou do mundo, tornar-se a
exclusiva ou única verdadeira riqueza fundamentada, resultado ou fruto de uma realização em autenticidade por conseguir ser-se humano.

Em continuidade do >>> APREÇAR a vida



JEAN-PIERRE DUPUY e a conformativa ECONOMIA

...
(…)
Não é de moralização que o mundo dos negócios mais precisa; é da clara compreensão de que ao «pagar», o político assina a prazo, a sentença de morte. 
(…) Se, ao menos se pudesse manter a economia no devido lugar! Porém tem uma tendência irresistível para tudo invadir. Para fazerem compreender bem a lei da oferta e da procura, dois professores da Universidade da Virgínia, Gordon Tullock e Richard McKenzie, incitaram nos anos setenta, os alunos a praticar a prostituição. 

(…) … Que ninguém se apresse a gritar que isto é um escândalo. Em matéria de ética, a moral é má conselheira… Se uma troca recíproca satisfizer ambas as partes e se, por outro lado, ninguém sofrer com ela, quem pode criticá-la? A lei? Sabe-se que a lei pode ser injusta e que não é imutável. Engraxo-te as botas, prestas-me um serviço ao fazer com que obtenha um contrato. A justiça conformada aqui com a justiça das trocas, é automaticamente assegurada pelo consentimento das partes. 

(…) … O mercado cria laços em que a afectividade não tem lugar…

(…) … Para qualquer pensamento crítico. O mercado é a antitradição por excelência (…)


(…) Mais ainda do que nas obras precedentes, O Hayek de “The Fatal Conceit” está consciente da relação de ódio e de amor misturados que os homens têm pela ordem extensa do mercado – a que chama a maioria das vezes, a «civilização». O que pôs o homem na via da civilização, escreve, «não foi nem a sua razão nem uma “bondade natural” inata […], foi apenas a amarga necessidade de se submeter a regras de que não gosta, a fim de resistir a grupos rivais que já tinham começado a expandir-se por terem encontrado antes essas regras». Pela sua própria abstracção, o mercado quer uma disciplina exigente, uma moral compulsiva. A civilização é um «fardo» e os homens não vêem facilmente, os benefícios que ela dá. 

(…) … O indivíduo auto-suficiente e independente que a teoria económica postula não se pode sujeitar à influência dos semelhantes. E, contudo Hayek atribui à imitação um papel central. Não é o único evidentemente: Smith, tal como vimos, e Keynes, tal como iremos ver, fazem a mesma coisa. A companhia não é de desprezar: são os melhores economistas de todos os tempos que se encontram juntos neste ponto.

(…) … O problema, evidentemente, é que Hayek dificilmente pode afirmar que o mercado passou no teste com êxito, visto que toda a sua obra se apresenta como uma crítica radical, e temos a vontade de escrever, «racional» da civilização moderna, culpada de se ter deixado seduzir pelas sereias do construtivismo.


(…) … No estudo da especulação financeira, Keynes vê bem, tal como Hayek, o papel fundamental da imitação. Numa situação de incerteza radical, tal como a que prevalece num mercado financeiro em crise, a única conduta racional é imitar os outros.

(…) O erro «fatal» do racionalismo construtivista é pensar que a razão, consciente e voluntária, pode governar a vida mental e psíquica. Verdadeiro é o contrário: tal como tudo o que faz a vida do espírito, a razão é ela mesma governada pelos esquemas abstractos que a compõem. A razão, o mundo das nossas ideias em geral, apenas «se verifica» no mundo do espírito, para recordar a uma noção chave da filosofia do espírito (“supervenience”). Que presunção imaginar que poderia “reconstruí-lo” à vontade ou mesmo substituir-se-lhe! O espírito é irremediavelmente opaco a si mesmo, não pode pôr-se no exterior de si mesmo para se contemplar no seu todo e fazer a teoria do seu próprio funcionamento.
(…)

JEAN-PIERRE DUPUY, «Ética e Filosofia da Acção», Pensamento e Filosofia, 2001

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