Há 1 dia
a dor da vontade humana
Para além de dar continuidade ao tema do DESEJO e da VONTADE, igualmente este POST tem o propósito de responder às questões colocadas como comentário em >>> A VONTADE em Schopenhauer, e entre elas, realço aquela relativamente ao que penso da crítica que Schopenhauer fez sobre «O Fundamento da Moral» à forma imperativa da ética kantiana.
«(…) Os esforços para banir a DOR de nossas vidas não conseguem outro resultado senão o de fazê-la mudar de forma. Em sua origem tomam o aspecto da necessidade, cuidado, para atender as coisas materiais da vida, e quando, após um trabalho incessante e penoso, conseguimos afastar a horrível máscara da DOR neste determinado aspecto, adquire outros mil disfarces, segundo a idade e as circunstâncias: o instinto sexual, o amor apaixonado, a inveja, o rancor, os ciúmes, a ambição, a avareza, o temor, a enfermidade, etc.
Toma o aspecto triste e desolado do tédio, da sociedade, quando não encontra outro modo de se apresentar. E se com novas armas conseguimos afastá-la, novamente recuperará sua antiga máscara, e a dança recomeça.
(…) Tudo que defendemos, resiste-nos, tudo tem uma vontade hostil que é preciso vencer.
Toma o aspecto triste e desolado do tédio, da sociedade, quando não encontra outro modo de se apresentar. E se com novas armas conseguimos afastá-la, novamente recuperará sua antiga máscara, e a dança recomeça.
(…) Tudo que defendemos, resiste-nos, tudo tem uma vontade hostil que é preciso vencer.
(…) Em todas, as partes e ocasiões temos que travar combate com um adversário. (…)
Se o mundo é obra de um criador, as dores voltam-se contra ele dando lugar a cruéis sarcasmos; mas se é obra nossa, a acusação é contra o nosso ser e a nossa vontade. Isto nos faz pensar que viemos ao mundo já viciados, como os filhos de pais gastos pelos desregramentos, e que se a nossa existência é tão miserável, e tem por desfecho a morte, é porque assim merecemos, para expiar nossa culpa. Generalizando, nada é mais certo: a culpa do mundo é que causa os sofrimentos, e entendemos esta relação no sentido metafórico, e não no físico e empírico. Por isso, a história do pecado original reconcilia-me com o Antigo Testamento; para mim é a única verdade metafísica que o livro contém expressa em forma alegórica. A nada se assemelha tanto nosso destino como à consequência de uma falta, de um DESEJO culpado. (…)
(…) Do mesmo modo que o rio corre manso e sereno, enquanto não encontra obstáculos que se oponham à sua marcha, assim corre a vida do homem quando nada se lhe opõe à vontade. Vivemos inconscientes e desatentos: nossa atenção desperta no mesmo instante em que nossa vontade encontra um obstáculo e choca-se contra ele. (…)
É um absurdo acreditar o contrário; que o mal é negativo. Ele é positivo, porque se faz sentir. Toda a felicidade, todo o bem é negativo, e toda a satisfação também o é, porque suprime um DESEJO ou termina um pesar. Acrescentamos a isto que, em geral, nunca sentimos uma alegria maior que a que sonhávamos, e que a dor sempre a excede. (…)
(…) A felicidade está no futuro, ou no passado; o presente é uma pequena nuvem escura que o vento impele sobre a planície cheia de sol. Diante e atrás dela, tudo é luminoso; só a nuvem é que projecta uma sombra.
(…) O homem ameaçado por todos os lados pelos perigos que o rodeiam, usa de sua prudência sempre vigilante para poder escapar. Com passo inquieto, lançando em volta olhares angustiosos, segue o seu caminho em luta constante com os casos e com seus inúmeros inimigos. O homem não se sente seguro entre os da sua raça e nem nos mais longínquos desertos.
(…) A necessidade imperiosa do homem é assegurar a existência, e feito isto, já sabe o que fazer. Portanto, depois disso, o homem se esforça para aliviar o peso da vida, torná-la agradável e menos sensível: "matar o tempo", isto é, fugir ao aborrecimento.
(…) A miséria é sofrimento pungente do povo; o desgosto é para os favorecidos. Na vida civil, o domingo significa o tédio, e os seis dias, o desgosto.
(…) O aborrecimento dá-nos a noção do tempo e a distracção nos faz esquecer.
Isto prova que a nossa EXISTÊNCIA é mais feliz quando menos a sentimos: de onde se deduz que seríamos mais felizes se nos livrássemos dela.
(…) Os optimistas quiseram adaptar o mundo ao seu sistema, e apresentá-lo à priori como o melhor dos mundos possíveis. O absurdo é evidente.(…) A sinceridade de certos homens não lhes permite a união ao coro dos optimistas, e com eles entoar a aleluia.»
ARTHUR SCHOPENHAUER , «A DOR»
*
Nestes
dois últimos parágrafos, Schopenhauer refere
a sua grande aversão aos que detém o poder optimista através da fé
e da esperança religiosa e ao fundamento da moral de KANT que diz
(no seu livro FUNDAMENTAÇÃO DA METAFÍSICA DOS COSTUMES):
«a fórmula
do imperativo
categórico e
o princípio da moralidade, assim, pois, vontade livre e vontade
submetida a leis morais são uma e a mesma coisa».Para
KANT dever antecede
toda a experiência, e por ele a razão determina a vontade à
priori. Então
quer isto dizer que estamos perante uma máxima que é erigida não
por gosto do homem, mas sim por dever estabelecida
pela vontade.E o que é vontade para
Kant? «A
vontade é uma faculdade de não escolher nada a não ser o que a
razão, independentemente da inclinação, conhece como praticamente
necessária, isto é, bom».
Cria
assim KANT uma autorização
da razão e
a sua fórmula é um imperativo.E
o que é a moralidade para
KANT? «A
moralidade é, pois a relação das acções com a autonomia da
vontade, isto é, com a possível legislação universal por meio das
máximas da mesma. A acção que possa estar de acordo com a
autonomia da vontade é permitida; a que não concorde com ela é
proibida». A
vontade subordina-se, então a uma legislação da qual ela própria
é obreira e ainda está relacionada com a ideia da dignidade humana.
O homem encontra-se assim dividido entre o mundo sensível e o mundo
inteligível, em que Kant dá especial realce ao verbo obrigar, com
o objectivo de se opor àqueles que querem colocar a felicidade como
princípio fundamental da moral.E nesta rejeição de qualquer ética
eudemonista situa-se a polémica da formalidade da moral
kantiana.
SCHOPENHAUER ao criticar a moral kantiana (no seu livro O FUNDAMENTO DA MORAL) declara que KANT comete um gravíssimo erro, quando afirma que a filosofia prática não tem de apresentar as razões daquilo que acontece, mas sim as leis do que deveria de acontecer.Para SCHOPENHAUER o único modo de conhecer a vontade como coisa-em-si é pelo próprio corpo.
E ao apropriar-se a lei moral à obrigação ou ao dever, do querer e do poder, levará inevitavelmente a que ninguém obedeça, de boa vontade, ao seu cânone, por este ser contrário às inclinações (sentimentos, afectos, emoções, DESEJOS) naturais do homem.
SCHOPENHAUER ao criticar a moral kantiana (no seu livro O FUNDAMENTO DA MORAL) declara que KANT comete um gravíssimo erro, quando afirma que a filosofia prática não tem de apresentar as razões daquilo que acontece, mas sim as leis do que deveria de acontecer.Para SCHOPENHAUER o único modo de conhecer a vontade como coisa-em-si é pelo próprio corpo.
E ao apropriar-se a lei moral à obrigação ou ao dever, do querer e do poder, levará inevitavelmente a que ninguém obedeça, de boa vontade, ao seu cânone, por este ser contrário às inclinações (sentimentos, afectos, emoções, DESEJOS) naturais do homem.
Toda
a acção da verdadeira vontade do sujeito é ao mesmo tempo, e
necessariamente, um movimento de seu corpo com todos os seus
elementos sensíveis. Assim, toda a acção repentina da vontade é
ao mesmo tempo acto fenomenal do corpo e toda a influência exercida
sobre o corpo (com desejos), por sua vez, irá sempre predominar
sobre a vontade. O conhecimento racional é viciado pela vontade, ou
seja a racionalidade é uma forma de conhecimento subserviente.
por tudo

POR TUDO
Enfim
Retirados à frente caminhando
Abrem-se as portas de par em par
Fechadas por ti o fizeram
POR nada acharem
O quão difícil é descobrir
Vendo não por comprar
Vendo por já vendido
Ver de vender ou vender TUDO que visto
Não haverá mais vendas
Do que não se deseja ver
Igual sonho do dia que não dorme
Fechados
Fecharemos o templo glorioso
Ritmo compassado em ciclo do círculo
Que nos fechará
A ver de deixados
Findem-se as dores.
Enfim
Retirados à frente caminhando
Abrem-se as portas de par em par
Fechadas por ti o fizeram
POR nada acharem
O quão difícil é descobrir
Vendo não por comprar
Vendo por já vendido
Ver de vender ou vender TUDO que visto
Não haverá mais vendas
Do que não se deseja ver
Igual sonho do dia que não dorme
Fechados
Fecharemos o templo glorioso
Ritmo compassado em ciclo do círculo
Que nos fechará
A ver de deixados
Findem-se as dores.
CULTURA na União Europeia
CULTURA – 3º lugar no PIB português
A Cultura é um sector em pleno crescimento segundo o relatório de um estudo da União Europeia...
Jornal Público, 16 Novembro 2006
A Cultura é um sector em pleno crescimento segundo o relatório de um estudo da União Europeia...Entrevista com PHILIPPE KERN
Philippe Kern, director da KEA Public Affairs Consultancy, respondeu por telefone a algumas perguntas.
PUBLICO (Joana Gorjão Henriques) – O que mais o surpreendeu neste estudo?
PHILIPPE KERN – Foi a importância económica do sector cultural em relação a outros. É importante constatar que, na implementação de políticas europeias, a União Europeia (EU) não se deu conta deste sector. A inovação está na agenda da EU e numa óptica da componente tecnológica. O que mostramos é que a EU deve reflectir sobre a importância da criação, porque é um ponto em que é competitiva a nível mundial.
Quais são os pontos fortes dos países ricos e dos países pobres?
Não fizemos uma comparação desse género. O mercado europeu é fragmentado por razões linguísticas e as pequenas e médias empresas têm lugar tanto em países grandes, como em pequenos. A vantagem dos grandes países é terem uma grande população e empresas muito importantes. Mas mesmo num país pequeno a importância económica do sector cultural é, às vezes, tão grande como nos outros.
Quais foram as principais conclusões sobre Portugal?
Portugal beneficia de uma característica linguística interessante – é um país pequeno, mas a sua língua fala-se no Brasil e em África. E isso é uma oportunidade de exportação e troca que não existe noutros países pequenos. Mas infelizmente há poucas informações sobre trocas comerciais.
Que papel é que os Estados-membros da EU devem ter em relação ao investimento neste sector?
Já há países que dão importância a este sector: o reino Unido, os Países Baixos, a Finlândia, a Suécia, a França. Constatámos que têm uma vontade política de apoiar estas indústrias por razões competitivas.
E há uma relação entre a riqueza dos países e esse investimento?
Se tivessem estatísticas, todos os países investiriam neste sector. O interesse pelo sector tem a ver com a tomada de consciência e esta tomada de consciência é um movimento recente, tem mais ou menos cinco anos. Porque esta é uma questão de vontade política. Espero que este estudo contribua para olhar de maneira diferente para este sector.
Qual é o papel dos financiamentos estatais?
O apoio estatal é importante por razões sociais. O sector público intervém sem saber qual é o retorno do investimento. E há um retorno, não é dinheiro perdido. Damos como exemplo o Museu Guggenheim de Bilbau: a cidade estava em declínio económico e salvou-se por causa do museu.
Philippe Kern, director da KEA Public Affairs Consultancy, respondeu por telefone a algumas perguntas.
PUBLICO (Joana Gorjão Henriques) – O que mais o surpreendeu neste estudo?
PHILIPPE KERN – Foi a importância económica do sector cultural em relação a outros. É importante constatar que, na implementação de políticas europeias, a União Europeia (EU) não se deu conta deste sector. A inovação está na agenda da EU e numa óptica da componente tecnológica. O que mostramos é que a EU deve reflectir sobre a importância da criação, porque é um ponto em que é competitiva a nível mundial.
Quais são os pontos fortes dos países ricos e dos países pobres?
Não fizemos uma comparação desse género. O mercado europeu é fragmentado por razões linguísticas e as pequenas e médias empresas têm lugar tanto em países grandes, como em pequenos. A vantagem dos grandes países é terem uma grande população e empresas muito importantes. Mas mesmo num país pequeno a importância económica do sector cultural é, às vezes, tão grande como nos outros.
Quais foram as principais conclusões sobre Portugal?
Portugal beneficia de uma característica linguística interessante – é um país pequeno, mas a sua língua fala-se no Brasil e em África. E isso é uma oportunidade de exportação e troca que não existe noutros países pequenos. Mas infelizmente há poucas informações sobre trocas comerciais.
Que papel é que os Estados-membros da EU devem ter em relação ao investimento neste sector?
Já há países que dão importância a este sector: o reino Unido, os Países Baixos, a Finlândia, a Suécia, a França. Constatámos que têm uma vontade política de apoiar estas indústrias por razões competitivas.
E há uma relação entre a riqueza dos países e esse investimento?
Se tivessem estatísticas, todos os países investiriam neste sector. O interesse pelo sector tem a ver com a tomada de consciência e esta tomada de consciência é um movimento recente, tem mais ou menos cinco anos. Porque esta é uma questão de vontade política. Espero que este estudo contribua para olhar de maneira diferente para este sector.
Qual é o papel dos financiamentos estatais?
O apoio estatal é importante por razões sociais. O sector público intervém sem saber qual é o retorno do investimento. E há um retorno, não é dinheiro perdido. Damos como exemplo o Museu Guggenheim de Bilbau: a cidade estava em declínio económico e salvou-se por causa do museu.
*
Sendo a Criatividade e a Imaginação os chavões da Educação.
É na Arte que está para além da técnica com as manifestações da perfeição do artístico como a parte mais importante daquilo que somos e na salutar compreensão do entendimento do mundo em sua Natureza.
Sendo a Criatividade e a Imaginação os chavões da Educação.
É na Arte que está para além da técnica com as manifestações da perfeição do artístico como a parte mais importante daquilo que somos e na salutar compreensão do entendimento do mundo em sua Natureza.
E PORQUE SEM CULTURA NÃO EXISTE EDUCAÇÃO.
É ainda através da Cultura que poderá tornar-se sustentável a inovação e o desenvolvimento.
É ainda através da Cultura que poderá tornar-se sustentável a inovação e o desenvolvimento.
a contornar
|
A VONTADE em Schopenhauer
.
No sistema de Schopenhauer, a vontade é a raiz metafísica do mundo e da conduta humana; ao mesmo tempo, a fonte de todos os sofrimentos. Sua filosofia é, assim, profundamente pessimista, pois a vontade é concebida como algo sem nenhuma meta ou finalidade, UM QUERER IRRACIONAL E INCONSCIENTE. Sendo um mal inerente à existência do homem, ela gera a dor, necessária e inevitavelmente, aquilo que se conhece como felicidade seria apenas a interrupção temporária de um processo de infelicidade e somente a lembrança de um sofrimento passado criaria a ilusão de um bem presente. Para Schopenhauer, o prazer é momento fugaz de ausência de dor e não existe satisfação durável. Todo prazer é ponto de partida de novas aspirações, sempre obstadas e sempre em luta por sua realização: “Viver é sofrer”.
Mas, apesar de todo seu profundo pessimismo, a filosofia de Schopenhauer aponta algumas vias para a suspensão da dor. Num primeiro momento, o caminho para a supressão da dor encontra-se na contemplação artística. A contemplação desinteressada das ideias seria um acto de intuição artística e permitiria a contemplação da vontade em si mesma, o que, por sua vez, conduziria ao domínio da própria vontade.
Na ARTE, a relação entre a vontade e a representação inverte-se, a inteligência passa a uma posição superior e assiste à história de sua própria vontade; em outros termos, A INTELIGÊNCIA DEIXA DE SER ACTRIZ PARA SER ESPECTADORA. A actividade artística revelaria as ideias eternas através de diversos graus, passando sucessivamente pela arquitectura, escultura, pintura, poesia lírica, poesia trágica, e, finalmente, pela música. Em Schopenhauer, pela primeira vez na história da filosofia, a música ocupa o primeiro lugar entre todas as artes. Liberta de toda referência específica aos diversos objectos da vontade, a música poderia exprimir a Vontade em sua essência geral e indiferenciada, constituindo um meio capaz de propor a libertação do homem, em face dos diferentes aspectos assumidos pela vontade.
A Ética de Schopenhauer não está presa à noção de "dever", rejeitando assim todas as formas imperativas e coercivas assentes em quaisquer doutrinas ou mandamentos, apoiando-se antes na noção de que a contemplação da VERDADE é o caminho de acesso ao BEM. E tal como Bento Espinosa, do ponto de vista teológico, elimina Deus e substitui-o pela VONTADE superior da NATUREZA.
post relacionado >>> a dor da vontade humana
Imagina-se o INCONSCIENTE
.
O conhecimento constrói-se através dos elementos constituintes das figurações mentais, inscritos em forma de IMAGENS, que se vão manifestando activa e adequadamente numa metódica desconstrução para dar origem a outras novas IMAGENS que por sua vez, vão-se reproduzindo autónoma e criativamente pela «comunicação» escrita, verbal, gestual, musical e (ou) plástica e em interacção num contínuo e ímpar processo de reconstrução com as respectivas representações.
A existência de figurações mentais flúem saudavelmente com a realidade. E é na falta ou na impossibilidade de se transmitirem todos os significados dessas figurações que a prostração e o padecimento se instalarão.Todo este processo natural e automático da mente se insere no trabalho do desenvolvimento do inconsciente, que sempre fez parte do ser humano e que não carece de mediadores ou vãs intromissões para frutificar-se.
A existência de figurações mentais flúem saudavelmente com a realidade. E é na falta ou na impossibilidade de se transmitirem todos os significados dessas figurações que a prostração e o padecimento se instalarão.Todo este processo natural e automático da mente se insere no trabalho do desenvolvimento do inconsciente, que sempre fez parte do ser humano e que não carece de mediadores ou vãs intromissões para frutificar-se.
Tendo a psicanálise como objectivo a cura do inconsciente, pergunto até que ponto ela não estará a interferir demasiado e até tão negativamente ao ponto de «castrar» a «matar» por completo todo este processo tão natural do desenvolvimento das capacidades criativas inscritas no inconsciente.
Estas áreas da mente em que a lucidez, a criatividade, o pensamento, a ética e a estética são as decisivas virtudes para que a investigação se dê numa procura a permitir que aconteçam as alterações sócio-culturais que tendem inevitável e naturalmente para um Bem-comum a toda a Humanidade.
É que métodos ou modelos deixados instituir e tidos como científicos e que se instalam para impor uma qualquer ordem-social através de devotas terapias caprichosas é algo de perverso e desumano. Deixemo-nos então ficar pela ordem-natural das «coisas» em que precisamente tudo aquilo que é destrutivo em si mesmo, inevitável e NATURALMENTE acabará por se auto-aniquilar.
Estas áreas da mente em que a lucidez, a criatividade, o pensamento, a ética e a estética são as decisivas virtudes para que a investigação se dê numa procura a permitir que aconteçam as alterações sócio-culturais que tendem inevitável e naturalmente para um Bem-comum a toda a Humanidade.
É que métodos ou modelos deixados instituir e tidos como científicos e que se instalam para impor uma qualquer ordem-social através de devotas terapias caprichosas é algo de perverso e desumano. Deixemo-nos então ficar pela ordem-natural das «coisas» em que precisamente tudo aquilo que é destrutivo em si mesmo, inevitável e NATURALMENTE acabará por se auto-aniquilar.
Interiormente
Por não presos dentro lá fora
Horas de um tempo presente futuramente
Abraçamos os sons gritantes do alívio das palavras que nos fogem
Apanhados na hora que nos desliga do preciso momento percebemos
Se não nos fizermos do nada que somos feitos nada se faz
Horas de um tempo presente futuramente
Abraçamos os sons gritantes do alívio das palavras que nos fogem
Apanhados na hora que nos desliga do preciso momento percebemos
Se não nos fizermos do nada que somos feitos nada se faz
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE
a razão intuitiva
(…) a respeito, de “emoção afirmativa”, de “sentimento do sim”, que faria aquiescer à realidade em seu todo. Há, na vida algo a que nos agarramos e que, apesar das vicissitudes, a torna preferível ao “néant”, ao nada, do qual o sentimento do não seria a expressão. Pode-se, aqui fazer referência a um belíssimo texto de JULIEN CRACG: «Por que a literatura respira mal», no qual ele faz uma distinção entre aqueles que, como Claudel, escrevem a partir de um “sim absoluto, eufórico, frente a tudo que advém, aqueles que têm uma formidável apetite por aquiescência”, para os quais escolher está fora de questão, para os quais tudo é bom, eventualmente até o mal, e aqueles que, como SARTRE, a partir de um “não inscrito na afectividade profunda”, a partir de um “não em parte visceral”. (...)... para observar que foi, antes, uma literatura e um pensamento do «não» que triunfou durante a modernidade.
(…)
… e agora que a Filosofia da História, naquilo que ela tem de linear e seguro, está saturada, pode-se imaginar que a “regressão” seja a expressão de uma energia que não tem mais futuro. Ela é semelhante a um refluxo que empurra as águas de volta para a desembocadura.
Num pequeno texto de grande finura, FERNANDO PESSOA imagina ou recria um diálogo fictício entre duas pessoas em um salão de chá. Ele conclui dizendo que mais que o “de um romancista, meu trabalho é o de um historiador. Eu reconstruo contemplando”. Pode ser que tal atenção não convenha ao cientista. Nem por isso ela deixa de traduzir a força da vida imaginativa, que não cria a partir de nada mas contenta-se em fazer sobressair a lógica interna de um fenómeno. Continuando com Fernando Pessoa em O LIVRO DO DESASSOSSEGO: “Há metáforas que são mais reais do que a gente que anda na rua. Há imagens nos recantos de livros que vivem mais nitidamente que muito homem e muita mulher”.
Por mais paradoxal que isso possa parecer há um poder da palavra que corresponde à potência das imagens. Num momento em que domina a sensibilidade estética, um e outro entram em sinergia; é precisamente o que funda a metáfora. (…)
(…)
… e agora que a Filosofia da História, naquilo que ela tem de linear e seguro, está saturada, pode-se imaginar que a “regressão” seja a expressão de uma energia que não tem mais futuro. Ela é semelhante a um refluxo que empurra as águas de volta para a desembocadura.
Num pequeno texto de grande finura, FERNANDO PESSOA imagina ou recria um diálogo fictício entre duas pessoas em um salão de chá. Ele conclui dizendo que mais que o “de um romancista, meu trabalho é o de um historiador. Eu reconstruo contemplando”. Pode ser que tal atenção não convenha ao cientista. Nem por isso ela deixa de traduzir a força da vida imaginativa, que não cria a partir de nada mas contenta-se em fazer sobressair a lógica interna de um fenómeno. Continuando com Fernando Pessoa em O LIVRO DO DESASSOSSEGO: “Há metáforas que são mais reais do que a gente que anda na rua. Há imagens nos recantos de livros que vivem mais nitidamente que muito homem e muita mulher”.
Por mais paradoxal que isso possa parecer há um poder da palavra que corresponde à potência das imagens. Num momento em que domina a sensibilidade estética, um e outro entram em sinergia; é precisamente o que funda a metáfora. (…)
SER-SE empacotado
O que é e o que se entende por «SUSTENTABILIDADE» turisticamente falando?
- Em primeiro lugar e como prioridades, estão sempre as dimensões do Económico e do Social.
- Em segundo e porque o mercado é exigente, há então que fabricar produtos turísticos de alta qualidade para se GANHAR competitividade.
- E só depois em terceiro lugar é que vem o Ambiente e a Conservação da Natureza e a terem de ser compatíveis com o tal desenvolvimento do Económico e do Social.
- E por último, até poderia constar mas NÃO, NUNCA se FALA ou se aborda as dimensões do Cultural e do Científico-Humanitário.
Mas que insustentável este caminho de uma «sustentabilidade» turisticamente imposta. O TURISMO em sua dita de sustentabilidade entrou numa selvática competição com a Natureza e o Humano… numa desumanização sem precedentes.
E porque estamos em altura de férias e do turisticamente falando. Viaja-se para
terras e terras de países não desejáveis para ficar, só mesmo para passar um tempo, de um «passa tempo», por uma semana talvez, depende do capital que se tenha e aí ficar-se-á num tempo de poupança a experimentar um qualquer luxo arrebatador, a ajudar assim os fabricantes das obras baratas em seus grandiosos complexos, com pena de mais e mais não se ter, a ter pena dos que não têm este tipo de poder... E de malas aviadas, bem aviadas, vai-se e vem-se numa igualdade que mete dó, de nada se aprender, basta só o chegar e dizer que se foi e se repetiu igualmente o que já se repetiu numa qualquer outra viagem de anos anteriores… num dito que todos tão bem sabemos que não irá vencer a tal competitividade, assim neste jeito de consumir uma Terra em terras das raízes que não se regam…
E porque estamos em altura de férias e do turisticamente falando. Viaja-se para
terras e terras de países não desejáveis para ficar, só mesmo para passar um tempo, de um «passa tempo», por uma semana talvez, depende do capital que se tenha e aí ficar-se-á num tempo de poupança a experimentar um qualquer luxo arrebatador, a ajudar assim os fabricantes das obras baratas em seus grandiosos complexos, com pena de mais e mais não se ter, a ter pena dos que não têm este tipo de poder... E de malas aviadas, bem aviadas, vai-se e vem-se numa igualdade que mete dó, de nada se aprender, basta só o chegar e dizer que se foi e se repetiu igualmente o que já se repetiu numa qualquer outra viagem de anos anteriores… num dito que todos tão bem sabemos que não irá vencer a tal competitividade, assim neste jeito de consumir uma Terra em terras das raízes que não se regam…
E já todos tão «mal alimentados» quando se cansarão destes pacotes pré-concebidos de um amontoado de fabricações para um qualquer vazio que não os felicitará ao FUTURO por tão insustentável?... No «planear o território» a se riscarem todas as terras numa feroz «nova era das descobertas» neste global turismo de formatados similares pacotes das sempre e mesmas receitas gastronómicas nas mesmas decorativas ambiências arquitectónicas, construídos assim para mutilar tudo o que é crescer.
«mal alimentados» pressupõe somente o comer, o dormir e a satisfação das necessidades do homem enquanto ser primário: O SOCIAL.
E existem depois os outros «alimentos» tornados igualmente necessários por nos darem a vital e verdadeira elevação ao enriquecimento e engrandecimento do Ser, precisamente por seres que somos dotados de pensamento, sentimento e afectos, «alimentos» esses que estão intrinsecamente associados às variadíssimas manifestações da arte e do artístico em suas manifestas obras e que são: Literatura (poesia, prosa…); Música; Artes Plásticas (Pintura, Fotografia, Desenho, Escultura, Gravura…), Dramaturgia, Cinema; Artes Cénicas (Teatro, Dança, Ópera, Circo); Arquitectura; Artes Visuais (Ilustração, Design, Decoração, Arte Digital…); Banda Desenhada; Artes Performativas; etc…
E «bem alimentados» pressupõe sempre múltiplos e benéficos contributos com a CULTURA e o CIENTÍFICO-HUMANITÁRIO na autenticidade da verdadeira sustentabilidade e preservação tão natural como inerente do SER em sua NATUREZA.
ALICE VALENTE ALVES
nuvem em MOVIMENTO TOTAL de José Gil
(…) Sob o nosso olhar os seus contornos actuais dão lugar a outros sem que nos apercebamos disso, ou sem que possamos seguir o processo de transformação. O mesmo se passa com os movimentos interiores: a nuvem incha, novos volumes nascem no interior dos já visíveis, depois outros surgem ainda no meio dos recém-chegados. A extraordinária potência da nuvem liga-se ao facto de mostrar o movimento das formas sem revelar o seu processo; o facto de apresentar mutações discretas num desenvolvimento contínuo inapreensível. É o que acontece aos gestos do bailarino que recortam segmentos quase-discretos numa sucessão
ininterrupta de movimento subterrâneo.
Como é isto possível? O movimento de transformação das nuvens constitui uma alteração que implica um deslocamento, de tal modo que percebemos as modificações e o deslocamento numa continuidade paradoxal que não deixa ver o seu dinamismo interno. É que a alteração irrompe a partir de um fundo invisível. A alteração é nascimento: cada forma prolonga e substitui a que a precede. Engendra-se um movimento contínuo do qual captamos apenas a sucessão abstracta e a diferença das formas.
O movimento das nuvens altera-as por surgimento e aparição, como se uma figura, um contorno, uma linha, uma crista viessem completar o que resta do desaparecimento dos traços anteriores – como se uma figura invisível virtual se actualizasse no prolongamento das que olhávamos e já lá não estão. Estranho devir das formas cujo movimento se apreende sem se apreender a sua lógica – como se cada forma surgisse do caos e viesse todavia enquadrar-se no nexo próprio da nuvem.
À maneira do movimento cinematográfico a propósito do qual GILLES DELEUZE mostrou como a «imagem-movimento» primava sobre o movimento das imagens individuais (*), a alteração das nuvens na dança, impondo-lhes uma transformação que se dá no mesmo lugar ao mesmo tempo que arrasta o seu deslocamento de sentido, situa o devir no centro do próprio movimento dançado. Porque a nuvem de sentido é o movimento do sentido.
O gesto dançado não constrói nem uma significação nem uma força pura que transmitiria um sentido fora de toda a forma.
Mas a nuvem de sentido, irrompe dos gestos vindos do interior (…)
(…)
Num belo livro consagrado à história da nuvem, HUBERT DAMISCH observa que a nuvem desempenha na pintura funções muitas vezes de acordo com as suas propriedades físicas: entre a terra e o céu, não contradizendo a gravidade, mas gozando de uma espécie de ausência de peso, vocacionada para um movimento de elevação(…)
ininterrupta de movimento subterrâneo.Como é isto possível? O movimento de transformação das nuvens constitui uma alteração que implica um deslocamento, de tal modo que percebemos as modificações e o deslocamento numa continuidade paradoxal que não deixa ver o seu dinamismo interno. É que a alteração irrompe a partir de um fundo invisível. A alteração é nascimento: cada forma prolonga e substitui a que a precede. Engendra-se um movimento contínuo do qual captamos apenas a sucessão abstracta e a diferença das formas.
O movimento das nuvens altera-as por surgimento e aparição, como se uma figura, um contorno, uma linha, uma crista viessem completar o que resta do desaparecimento dos traços anteriores – como se uma figura invisível virtual se actualizasse no prolongamento das que olhávamos e já lá não estão. Estranho devir das formas cujo movimento se apreende sem se apreender a sua lógica – como se cada forma surgisse do caos e viesse todavia enquadrar-se no nexo próprio da nuvem.
À maneira do movimento cinematográfico a propósito do qual GILLES DELEUZE mostrou como a «imagem-movimento» primava sobre o movimento das imagens individuais (*), a alteração das nuvens na dança, impondo-lhes uma transformação que se dá no mesmo lugar ao mesmo tempo que arrasta o seu deslocamento de sentido, situa o devir no centro do próprio movimento dançado. Porque a nuvem de sentido é o movimento do sentido.
(*) Cf. GILLES DELEUZE, L’Image-mouvement, (…) «No entanto, os contemporâneos podiam ser sensíveis a uma evolução que transportava as artes, mudava o estatuto do movimento, até na própria pintura (…)»(…)
O gesto dançado não constrói nem uma significação nem uma força pura que transmitiria um sentido fora de toda a forma.
Mas a nuvem de sentido, irrompe dos gestos vindos do interior (…)
(…)
Num belo livro consagrado à história da nuvem, HUBERT DAMISCH observa que a nuvem desempenha na pintura funções muitas vezes de acordo com as suas propriedades físicas: entre a terra e o céu, não contradizendo a gravidade, mas gozando de uma espécie de ausência de peso, vocacionada para um movimento de elevação(…)
JOSÉ GIL MOVIMENTO TOTAL. O corpo e a dança - Relógio D’Água Editores, 2001
Subscrever:
Mensagens (Atom)









![[uma imagem nunca está só]](https://imagemns.files.wordpress.com/2015/12/imagem_ns1_151227_img_4488.jpg)