Nobre AMI em Viagens e GRITOS CONTRA A INDIFERENÇA
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A propósito deste novo livro de Fernando Nobre apresentado hoje em Lisboa, proponho recordar neste programa uma conversa tida com o médico aquando do lançamento do livro anterior, «Viagens contra a indiferença», Fernando Nobre para quem o mundo não tem fronteiras, quando se trata de ajudar o seu semelhante, independentemente das condições difíceis em que isso aconteça.
… Eu acho que enquanto os seres humanos não forem capazes de se auto analisarem e verem também comportamentos errados que eles aos seus povos e as suas culturas praticaram em relação aos outros durante décadas ou séculos vai ser difícil chegarmos ao diálogo, ao entendimento, à criação de pontes, porque precisamos é de pontes, de inclusão, não de políticas de exclusão, que vão necessariamente produzir mais terror. (…)
Está, está! Está e eu tenho dito e também está escrito no meu livro que se eles pensassem, nem que fosse só um minuto na morte, por semana ou até por mês, eles aperceber-se-iam que são ninharias, poeiras no universo, como todos nós. Felizmente ou infelizmente eu já vi morrer milhares de pessoas (…)
E nós sabemos e eu sei que quando eu morrer, naqueles minutos que vão anteceder a minha morte, os meus músculos vão relaxar antes do último suspiro e eu vou-me «borrar» todo, como toda a gente se «borra». E por isso, esses ditos poderosos, que pensam que são donos, enfim e senhores do mundo, vão-se aperceber naqueles dois, três minutos, se estiverem conscientes, se não estiverem já em coma profundo, que efectivamente eles não são coisíssima nenhuma…
(…) As pessoas pensam que são eternas. Não são eternas coisa nenhuma, vão morrer exactamente como todos os outros e ainda bem! Porque mal de nós seria se os ricos e poderosos pudessem comprar a imortalidade. Porque essa é a grande justiça! Por isso vamo-nos todos «borrar» dois, três minutos antes de morrer! Vamos todos urinar dois, três minutos antes de morrer!…
E vamos ser todos iguais! E por isso pensem por favor! Porque se pensarem só naquele momento que são ninharia, ah já é tarde! Eu penso que as coisas têm de ser feitas, não de forma tétrica. Eu não quero ser tétrico. Eu gosto de viver, de rir, de contar anedotas e de brincar com os meus filhos. Mas é bom que as pessoas pensem de vez em quando e exactamente a dimensão que nós temos. Para não andarem aí armados em parvos, pensando que isto lhes pertence, isto não lhes pertence! E para respeitarem os outros. Enquanto nós não virmos as crianças todas como podendo ser nossos filhos. Enquanto olharmos sempre os outros como seres menores, uma espécie de macacos que podem morrer aos milhões que não importa…
(…) Há que criar um novo paradigma de mentalidades, que passa sempre pelo mesmo, aqueles conceitos tão básicos… «não mates!», «não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!». Se chegarmos a isso e interiorizarmos isso, talvez poderemos ter um mundo onde teremos menos medo…
Levo em geral dois, três livros, tipo pessoal não levo nada, sou um homem muito aéreo, porque não levo nem rede mosquiteira, nem pomadas para pôr contra os mosquitos, nem enfim, nem muitas coisas, óculos escuros nem isso, nem aquilo, nem aqueloutro… (…) E depois contento-me com pouco, levo bolachas Maria, garrafa de água, isso temos de beber, não podemos viver sem água e depois pouco me importa o resto. Se tiver que dormir no chão, durmo no chão…(…) E costumo dizer, que espero que até ao fim da minha vida tenha um prato de sopa. Se alguém me pudesse garantir hoje, que estou aqui, que até ao fim da minha vida teria sempre um prato de sopa, um ao almoço e outro ao jantar, eu pessoalmente já vivia muito tranquilizado…
(…)
(*) Transcrição para texto de excertos da conversa áudio, por ALICE VALENTE.
Clique >>> aqui <<< para ouvir (os 14 minutos) em AUDIO
O inapto relatório para o Ensino da Educação Artística
Em Portugal o que é que o Curso de Psicologia e o Curso de Ciências da Educação existentes na Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da UNIVERSIDADE DE LISBOA têm a ver com o Ensino Artístico ou com a Educação Artística ???
- Absolutamente NADA !!!
Acerca do relatório final do estudo de avaliação do Ensino Artístico que foi encomendado pelo Ministério da Educação à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, apresento unicamente os links (sem currículo e sem publicações) do pouco que se sabe em seus autores na informação que está neste momento disponível no site da Faculdade:
Domingos Fernandes - link directo para a Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Jorge Ramos do Ó - link directo para Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
Mário Boto Ferreira - link directo para Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação
E quanto a estas Ciências da Educação em seu curso e, focalizando-nos no que se ensina e no que se aprende nele, poder-se-á atentar para as disciplinas que seguem:
1º ANO
1º Semestre
ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO I / HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO I/ PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO I / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL I / SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO I /TEORIA E DESENVOLVIMENTO CURRICULAR I
2º Semestre
AVALIAÇÃO I / ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO EM EDUCAÇÃO II / HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO II / PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO II / SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO II / TECNOLOGIAS EDUCATIVAS I
2º ANO
1º Semestre
AVALIAÇÃO II / OPÇÃO 1 / POLÍTICA DA EDUCAÇÃO / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL II / TECNOLOGIAS EDUCATIVAS II / TEORIA E DESENVOLVIMENTO CURRICULAR II
2º Semestre
ADMINISTRAÇÃO EDUCACIONAL / FORMAÇÃO DE ADULTOS / FORMAÇÃO DE PROFESSORES / METODOLOGIA DE PROJECTO / OPÇÃO 2 / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL III
3º ANO
1º Semestre
ECONOMIA DA EDUCAÇÃO / MODELOS DE FORMAÇÃO / OPÇÃO 3 / PSICOLOGIA SOCIAL APLICADA À EDUCAÇÃO / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL IV /TECNOLOGIAS EDUCATIVAS III
2º Semestre
EDUCAÇÃO COMPARADA / GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES EDUCATIVAS / OPÇÃO 4 / RELAÇÃO EDUCATIVA / SEMINÁRIO DE INTEGRAÇÃO PROFISSIONAL V / TEORIA DA EDUCAÇÃO
É neste somatório de matérias em disciplinas leccionadas que muito facilmente se poderá comprovar que afinal este curso nada tem a ver com o Ensino Artístico e muito menos com a Educação Artística.
Nem uma única disciplina que se debruce sobre temas da Filosofia, da Ética, da Estética, do Pensamento, das Artes, do Artístico, matérias tão cruciais quanto imprescindíveis para que a Educação se efective com o máximo de sucesso…
Portugal, com cursos como estes, constrói a antítese de toda e qualquer produção artístico-cultural, através destas manhosas formas de se arquitectar novos conceitos de inumeros parasitismos profissionais. E tudo se resume ao mero materialismo do ganho a ser possível destruir o que ainda existe em prol do negócio e do lucro insustentável nas tão recém-chegadas instituições em seus magnânimos doutos.
Criam-se assim profissões de inexperientes e desnecessárias aptidões a não saberem validar os verdadeiros conceitos do incentivo à dignidade e valorização do intelecto, num crescente automatismo de estares num atroz retrocesso ao decente, adequado e natural processo evolutivo do Ser.
E ainda sobre este Curso de Ciências da Educação em sua licenciatura, diz isto:
A educação e a formação são uma actividade crescente na vida social…
(…) A Licenciatura em Ciências da Educação não tem por finalidade habilitar para o exercício de funções docentes, mas sim, proporcionar uma formação de base para especialistas e técnicos superiores com capacidade para desenvolverem actividades de educação e formação.
(…) Esta formação teórica é articulada com uma progressiva integração dos estudantes em diferentes campos e experiências profissionais tendo em vista adquirir competências básicas para a sua inserção na vida activa
(…)… especialização, profissionalização e de investigação
(…)… coordenação, supervisão e chefia.
Nome de curso que se deveria de inscrever num português correcto em sua significância e não fugindo a essa mesma realidade, porque e afinal o Curso de Ciências de Educação nada mais é do que um Curso de Pedagogia da Educação!
E porque se usa este outro nome que lhe deram de Curso de Ciências da Educação? Afinal quais são as ciências da educação ???
E se de Ciências se trata, onde estão as de ditas principais Ciências que deveriam de estar associadas à EDUCAÇÃO que são elas a ÉTICA e a ESTÉTICA?
Desde quando a Educação se detém a qualquer antecipação de Ciência ou se auto intitula de Ciência em Ciências ?
É que através de um bom Ensino a ensinar-se bem em suas adequadas pedagogias poderá eventualmente surgir uma qualquer outra nova ciência, mas a situação inversa jamais se poderá verificar!
Falácias previamente institucionalizadas ou enganatórias conjecturas em estratégias comercializáveis do Ensino e da Escola?
O que dizer destas supostas modas em vaidades das tão desmesuradas e teorizáveis distracções ?
Afinal quais os objectivos ??? Ou simplesmente o quê… e para quê ???
E sobre o uso e no uso da nossa Língua Portuguesa pelo mundo fora, e comparativamente com o Ensino no Brasil que em vez de Curso de Ciências da Educação tem sim, vários cursos de pedagogia da educação existentes nas suas intituladas de “FACULDADE DE EDUCAÇÃO” e como exemplo, a FACULDADE DE EDUCAÇÃO da UNICAMP (Universidade Estadual de Campinas em São Paulo) para além do Curso de Pedagogia da Educação entre outros ainda oferece cursos de Licenciatura em Música, Dança, Educação Artística e Filosofia.
Será que teremos que aprender com o Brasil em seu Ensino e Educação ou simplesmente iremos piorar ???
A responsabilidade tem de ser assumida muito rapidamente antes que Portugal se veja prostrado numa estagnação deplorável e sem precedentes da História da sua CULTURA.
Links relacionados:
Vivaldi - Agitata da due venti
Ensino Artístico e Ciências da Educação
Novo ensino especializado da música (10)
O Ensino Artístico e o Eduquês
Cultura sem ARTES ?!
Para reflexão e análise deixo-vos com estes três links onde é notória a presença atrofiante de um total desconhecimento e numa qualquer já formatada ignorância e, até institucionalizada em certas aprendizagens postas tão alegremente em prática pelas tais recentes, arrogantes e instaladas categorias sociais da futilidade, impossibilitando assim, qualquer saudável comunicabilidade no ressurgimento de novos valores humanos numa sociedade que necessita de valorizar essas mesmas evolutivas, normais e inevitáveis transformações.
>>> Relatório final do estudo de avaliação do Ensino Artístico em Portugal - Fev.2007
>>> Democratizações da Arte
- Acredita que actualmente os pais ainda têm essa mentalidade?
Como historiador da educação posso dizer que acho que Portugal venceu com 150 anos de atraso educacional. (…) Nós vulgarizámos a aprendizagem. (…)
- Que opinião tem quanto ao ensino obrigatório da música no ensino regular não especializado?
(…) A chegada do ensino artístico como um conjunto de competências para o desenvolvimento da criança, designadamente do ensino pré-escolar, é protagonizada sobretudo pelas investigações dos psico-pedagogos. Temos aqui um paradoxo: Temos uma elite esclarecida que defende a cultura como um bem de distinção social.
>>> A Educação e a Música no divã
ler excerto no final do artigo…
(e porque foi assim que aprenderam, foge-lhes a boca para estas «verdadezinhas» psicanalíticas e numa tão descarada discriminação)
As Artes e a Música são um luxo e são supérfluas.
Pode-se sobreviver, rastejar sem elas.
Mas justamente, porque são um luxo, devem ser oferecidas aqueles a quem queremos oferecer «o melhor do Mundo»
Todos sabemos muito bem que as ARTES na sua concepção para com o desencadear da OBRA em seus Artistas, sempre foram secundarizadas, desprezadas e até condenadas e que posteriormente é a CULTURA, esse único campo proveitoso da genuína e verdadeira riqueza, que por sua vez em sua inerente espontaneidade se aproveita desse instituir de contrariedades da Força inegável da Criação Artística, numa natural e intuitiva constituição, não nos esquecendo ainda que sempre concebida à margem de qualquer Poder.
Actualmente com o aparecimento de novas mercantilistas ciências humanas, professores e profissionais-académicos das áreas da Psicologia (e afins tais como Psicologia da Educação e mais), num desconhecimento total e até numa atitude completamente absurda costumam rotular a associar às Artes, uma Cultura de elites!
Isto acontece ou porque desconhecem, esquecem ou não entendem que a CULTURA subsiste daquilo que é resultante a longo prazo de um POVO que em suas manifestações artísticas criaram e favoreceram o enaltecimento do SER como a primeira e vital necessidade comunicacional no vislumbre à viabilização natural de novos valores éticos e estéticos.
Links relacionados:
Ensino Artístico - reacções
Novo ensino especializado da música (8)
Boas referências
ANTI-ÉDIPO ... [02] - o desejo e a vontade
E nestes dois excertos do ANTI-ÉDIPO que se seguem (respectivamente da pg. 33 e da pag. 375) dá para exemplificar em como a psicanálise recorre ao Desejo tentando confundi-lo, a torná-lo exteriorizante e até a promiscuí-lo. É que o DESEJO (no singular) nunca é desejo de algo que falta, somente se lhe alterarmos o significado e o associarmos à Vontade (no colectivo) exteriorizante e objectiva, por poder em obstinada posse de objectos e coisas, tão usado no consumismo esquizofrénico e deprimente das actuais sociedades:
E exactamente porque o DESEJO nem sempre necessita da Vontade, mas a Vontade essa sim, é que necessita de Desejo, para que exista a Vontade (em Boa-Vontade) para um Bem-Comum a todos.
A Escola, o Ensino e a Educação terão de se reger de outros moldes e é por isso que eu sou uma grande crítica da Psicologia e da forma como ela segue o seu caminho, e sobretudo critico a psicanálise, apoiando-me assim naqueles que a reprovam e que têm obra nesse sentido. Porque quando leio Melanie Klein, Lacan ou Freud são leituras pouco edificantes do ser. É como que tenhamos de ser obrigados a ter de nos sentirmos a mais à face da Terra. E se eu não penso o Desejo maquinal pelo papá-mamã dessa forma tão escabrosamente esquizofrénica de todos nos estarmos para aí sempre a olharmo-nos uns aos outros como deficientes e a ver onde estão os tais defeitozinhos a nos superiorizarmos uns aos outros pela falta, ou as insuficiências e carências lamechas, para ora virem dar pancadinhas nas costas ora virarem costas e entrar-se numa outra retórica, então quererá dizer que nada tenho a ver com as teorias de Freud e sinto-as absurdas e perigosas por tão indesejáveis. O que a Psicanálise faz é a desqualificação das potenciais capacidades de se pensar livremente. É uma dependência ou submissão a ideias ou conceitos opressivos de se SER.
E ainda sobre o DESEJO deixo-vos com a Proposição LX, de BENTO ESPINOSA do seu Livro ÉTICA : O DESEJO que nasce da alegria ou da tristeza que se refere a uma só ou algumas partes do Corpo e não a todas, não tem em conta a utilidade do Homem Todo.
Muito há para fazer nestas áreas das Humanidades e que considero essenciais para que não acertem passo com o que com elas próprias já não se acertam e com o que até sabem que está comprovadamente errado!
É uma questão de tempo! E aqui estamos todos nós para que essa comunicação exista, e quem sabe, até possa surgir uma outra palavra em antónimo à psicanálise e que possa dignificar o Ser, sem as tão habituais e assomadas fabricações de se pensar a não-Ser.
ANTI-ÉDIPO ... [01] - o desejo doente
Freud fez a descoberta mais profunda: a da essência subjectiva do desejo, a Líbido. (…) – só podia pensar que a essência da vida era uma forma voltada contra si própria, que a essência da vida tinha a forma da própria morte. (…) É o Édipo, terra pantanosa que exala um profundo cheiro a podridão e morte, e é a castração a piedosa ferida ascética, o significante, que faz desta morte um conservatório da vida edipiana. O desejo em si mesmo é, não desejo de amar, mas força de amar, virtude que dá e que produz, que maquina (como é que aquele que vive podia ainda desejar a vida? como é que se pode chamar DESEJO a isso?). (…) A espera de melhores dias? É preciso – mas quem é que fala assim? que abjecção? – que se torne desejo de ser amado e, pior ainda, desejo choramingas de ser amado, desejo que renasce da sua própria frustração: não, o papá-mamã não me amou que chegasse… O desejo doente deita-se em cima do divã, pântano artificial, terrazinha, mãezinha. «Repare: você não pode andar, vacila, já não se sabe servir das pernas… e a única causa disso é o desejo de ser amado, um desejo sentimental e choramingas que tira toda a firmeza aos seus joelhos»(48). (…)
«Estenda-se no divã, em cima do confortável sofá que o analista lhe oferece, e tente mas é pensar noutra coisa… Se perceber que o analista é um ser humano como você, com as mesmas chatices, os mesmos defeitos, as mesmas ambições, os mesmos fracos e tudo, que não é depositário de uma sabedoria universal (=código) mas um vagabundo como você (desterritorializado), talvez deixe de vomitar essa água de esgoto, por muito bem que lhe soe aos ouvidos: talvez então você se consiga endireitar nas duas patas e se ponha a cantar com a voz de Deus (numen) lhe deu. Sai-lhe sempre caro confessar-se, esconder-se, lamuriar-se, lamentar-se. Cantar é grátis. E não apenas grátis – enriquecem-se os outros (em vez de os infectar). O mundo dos fantasmas é aquele que nunca acabamos de conquistar. É um mundo do passado, não do futuro. Caminhar agarrado ao passado é arrastar as grilhetas de forçado… Não há ninguém entre nós que não seja culpado pelo menos de um crime: o crime enorme de não viver plenamente a vida» (49).
Você não nasceu Édipo, fez mas foi crescer o Édipo em si; e pensa que se há-de livrar dele com o fantasma, com a castração, que também são coisas que você fez crescer no Édipo, ou seja em si – horrível círculo. Merda para todo esse teatro mortífero, no imaginário ou simbólico. (…) E exigimos o direito de uma ligeireza e de uma incompetência radicais, o direito de entrar no consultório do analista e dizer que lá cheira mal. Cheira a morte e a euzinho.
(…)
(48) D.H.Lawrence, La Verge D’Aaron, p.99
(49) Henry Miller, Sexus (o que está entre parêntesis é dos autores). Remetemos para os exercícios de psicanálise cómica no Sexus
ANTI-ÉDIPO – CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA
Assírio & Alvim, 2004
pgs. 348, 349 e 350
QUE HÁ
Mas mesmo assim procura-se! Procura-se o «outro», os «outros», as «coisas» e o «novo» numa qualquer procura favorável da novidade feita do produto de um culminar cúmplice em bisbilhotices.
Mas para que é que procuramos, se sabemos que já nada nos é permitido fazer pelo outro, pelos outros, para além do que já está feito, que é o de vê-los numa graça de desgraças!
E se os que procuram ter muito pouco para além do que é o muito para todos os que nada têm, procura-se ainda consumir o «novo» de uma moda psicologicamente doentia de nada se ter, a ter ainda de tirar daqueles outros todos, mas também e até o pouco daqueles muitos outros que nada têm, a quedarem-se posterior e rapidamente no inevitavel vazio em «tudo ter» do «nada se TER».
E a viagem prossegue freneticamente, continuando-se a procurar e a clicar por aí, a pensar e a engendrar, respectivamente no pensar-pensar e (ou) no não-se-pensar!
Em suma, procura-se mostrar que se é, para lucrar e ganhar um pouco mais, mais e mais e, a ficar-se no exteriorizante e falsificado aspecto do que é a originalidade.
O Ser Humano, sem mais falsas aparências e que por não visto no inconscientemente escondido, afinal o que de melhor poderá existir para ser dado como exemplo na OBRA e em sua obreira continuidade é o NOVO, o que fica é sempre o NOVO, novo que será o resultado de uma dolorosa e sofrida consciência, porque nos faz FAZER em AFECTO pelo Pensar e Sentir e que é, por sua vez, a RAZÃO ou a potência que impulsiona essa mesma inconsciência de se SER.
expõe-se
Crenças e poder - do dever em não devir
Palavras-chave: Arte; Filosofia; Valores.
23 Março 2007 – sexta-feira – 9h00 às 20h00
Jean Baudrillard
De seguida, deixo-vos com alguns excertos de um outro livro seu, «AS ESTRATÉGIAS FATAIS»:
A Psicanálise é a consciência infeliz do signo, ela transforma todo o sinal em sintoma, todo o acto em lapso, todo o discurso em significação escondida, toda a representação em alucinação do desejo. Inacreditável estrabismo…
(…) Deus, o nosso Deus racional e racionalista, é, evidentemente, impotente para regularizar o curso das coisas. Sendo a sua razão de ser, caucionar e abençoar alguns encadeamentos causais que lhe permitirão formular sobre o mundo um juízo final, dissipar em alguns pontos o nevoeiro que impede a sua percepção luminosa do caos, para que possa surgir uma distinção mínima entre o Bem e o Mal – vindo do Diabo, a todo o momento perturbar estas combinações laboriosas, e vindo a sedução perturbar continuamente esta distinção do Bem e do Mal – não é de espantar que esse Deus esteja morto, deixando atrás de si um mundo perfeitamente livre e aleatório e a uma divindade cega, chamado Acaso, o cuidado de regular as coisas.
(…) À utopia do Juízo Final, complementar da do baptismo original, opõe-se a vertigem da simulação, a exaltação luciferina da excentricidade da origem e do fim.
É por isso que os deuses só podem viver e esconder-se no inumano, nos objectos e nos animais, na esfera do silêncio e do embrutecimento objectivo, e não na esfera do homem, que é a da linguagem e do embrutecimento subjectivo. O Deus-Homem é um absurdo. Um Deus que rejeita a máscara irónica do inumano, que deixa a metáfora animal, a metamorfose objectiva onde encarnava, em silêncio, o princípio do Mal, para oferecer a si mesmo uma alma e um rosto, reveste-se ao mesmo tempo, da psicologia hipócrita do inumano.
É preciso ser respeitoso para com o inumano. Assim fazem certas culturas, a que se chamou fatalistas, para as condenar, sem outras formalidades: porque elas encontraram os seus guias do lado do inumano, do lado do astro ou do deus animal, das constelações ou da divindade sem imagem. Partido grandioso este, o da divindade sem imagem. Nada de mais grandioso oposto à nossa iconolatria moderna e técnica.
(…) Quando falo do objecto e das suas estratégias fatais, falo dos homens e das suas estratégias inumanas. O ser humano pode, por exemplo, buscar nas férias um aborrecimento mais profundo do que o de todos os dias – um aborrecimento redobrado, porque feito de todos os elementos da felicidade e da distracção. O ponto importante é o da predestinação das férias para o aborrecimento, o pressentimento amargo e triunfal de não lhe podermos escapar. Como poderemos pensar que as pessoas vão renegar a sua vida quotidiana, procurando-lhe uma alternativa? Vão, pelo contrário, fazer dela um destino: redobrá-la nas aparências do contrário, fechar-se nela até ao êxtase, confirmar-lhe a monotonia com uma monotonia maior. A sobrebanalidade é o equivalente da fatalidade.
Se não compreendemos isto, não compreendemos nada do embrutecimento colectivo, uma vez que ele é um acto grandioso de ultrapassagem. Não estou a brincar: as pessoas não procuram divertir-se: procuram uma distracção fatal.
(…) Se a moralidade das coisas está no sacrossanto valor de uso, então viva a imoralidade do átomo e das armas que faz com que, mesmo sem eles, sejam submetidos ao prazo último e cínico do espectáculo! Viva a secreta regra do jogo que faz com que todas as coisas obedeçam à sua lei simbólica! O que nos há-de salvar, não é nem o princípio imoral do espectáculo, mas o princípio irónico do Mal.
(…) Nada nos pode assegurar uma fatalidade, e ainda menos uma estratégia. Aliás, a conjunção dos dois termos é paradoxal: como poderia haver fatalidade, se há estratégia? Mas justamente: o enigma é aquilo que há de fatalidade no âmago de toda a estratégia, é aquilo que transparece de estratégia fatal no âmago das estratégias mais banais, é o objecto cuja fatalidade seria a estratégia – alguma coisa como a regra de um outro jogo. No fundo o objecto ri-se das leis com as quais os mascaramos; ele quer figurar nos cálculos como variável sarcástica e deixar que as equações se verifiquem, mas a regra do jogo, as condições com as quais ele aceita jogar, ninguém as conhece, e elas podem mudar de uma só vez.
Ninguém sabe o que é uma estratégia. Não há suficientes meios no mundo para podermos dispor dos fins. E, portanto, ninguém é capaz de articular um processo final. O próprio Deus é obrigado a falsificar. O que é interessante, é que aquilo que transparece de um processo lógico inexorável através do qual o objecto se prende ao próprio jogo que queremos que ele jogue, e dobra, de alguma forma, a parada, vai mais longe do que os constrangimentos estratégicos que lhe impomos, instaurando assim uma estratégia que não tem finalidades próprias – uma estratégia “brincalhona” que faz fracassar a do sujeito, uma estratégia fatal no sentido de que o sujeito sucumbe aí à ultrapassagem dos seus próprios objectivos.
Somos cúmplices deste excesso de finalidade que há no objecto.
(…)
APREÇAR a vida
...PREÇO do DINHEIRO: ______________________ARTE não tem PREÇO:
Competir ____________________________ Humanizar
Concorrência ________________________ Valorização
Lixo ou luxo ________________________ Preservar
Abandonar ___________________________ Cuidar
Amor ou ódio ________________________ Felicidade
Indiferença _________________________ Sensibilidade
Guerra ou paz _______________________ Harmonia
Destruir ____________________________ Criar
Ignorar _____________________________ Pensar
Jogar _______________________________ Compor
Cumplicidade ________________________ Ajudar
Vontade _____________________________ Desejo
Querer ______________________________ Gostar
Poder ou gozo _______________________ Prazer
Dever _______________________________ Devir
Voluptuosidade ______________________ Virtude
Sofrimento __________________________ Dor
Depressão ___________________________ Tristeza
Stress ______________________________ Empenho e esforço
Disciplinar _________________________ Educar
Instruir ____________________________ Ensinar a aprender
Doutrinar ___________________________ Descobrir
Estéril _____________________________ Fecundo
Efémero _____________________________ Etéreo
Separação ___________________________ União
Negligência _________________________ Atenção e cuidado
Impotência __________________________ CrescerRazão cínica e arbítrios ________________ Razão/Verdade
Proibição, limitação e opressão ____________ Salvação/Libertação
Inteligência:cordial,emocional e mais________ Entendimento
Conhecimentos _______________________ Conhecimento
Sustentável(turismo,economias e políticas) ____ Ética e Estética
Mortal ______________________________ Eterno
...*Formulei e preparei cuidadosamente esta minha lista das palavras em dualidades e duplicidades de equilíbrios contraditos ao que nos apraz nestes dois diferentes lados do apreçar vidas e em cujos títulos, aqui irei continuar a desenvolver. E como reflexão, olhados de um e de outro lado da mesma linha, são estas as questões do meu desassossego pela enorme e crescente desproporção que nos têm assistido. Assim e de igual modo são estas mesmas temáticas que estão presentes no meu trabalho no âmbito da CRIAÇÃO ARTÍSTICA, nos projectos da IMAGEM (Poesia e Pintura, Poesia e Desenho, Poesia e Fotografia) e que se encontram on-line no E-Cultura (portal de divulgação cultural do Centro Nacional de Cultura).
Muito em breve irei também utilizar este meu blogue para a complementação dessas mesmas informações.
E porque, a ARTE assim como a VIDA, não têm preço!
Vira-se a DANÇA
Incessantemente confiantes / Ocultam-se as chamas / Haveremos de nos calar para sempre / Ainda vivos como mortos à nascença / Torturando por igual em demissão / Ou a submissão realça a tradição mortífera / De bem em todo o mal nascidos / De quando em quando vivos / A matar para todo o sempre…
sombra acesa
Tão distante
Tão distante
Aproximas-te
Naquele espaço de águas
Próximas são as partidas
E aquela terra
Da música em sons
Esperando pelos dias
Pelos muitos dias distantes
Pianos rasgam crepúsculos
Azuis e verdes
Dentro e fora de casas
Tempos de agora antigamente
Procurados à estrada de terra
Daquela terra
A terra ida
Pensas no grito que te arranhou
E soam todas as tuas vozes
Esperando pela ida sem regresso
Comer
Comer ao sabor de um desejo
De não querer mais
E ao sair da gruta
Chega-te o alimento indisponível
De um aconchego
Da ave que poisa
E se eleva em céus livres
Sombras afiadas
De uma noite iluminada.





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