AVISO Emails
Um muito, muito obrigada!
Alice Valente
castigo por FIM
Castigamo-nos saboreando o que é proibido
VALORES
Tudo o que é construído à margem dos VALORES Éticos e Estéticos,
entrará mais tarde ou mais cedo em decadência.
Ouvir o céu
Em Outubro de 1992 – no deserto de Mojave e num vale de Porto Rico – demos início ao que foi de longe o programa de busca mais promissor, mais intenso e mais completo de inteligência extraterrestre (o SETI). Pela primeira vez, a NASA organizou e pôs em prática o programa. Todo o céu seria examinado ao longo de um período de 10 anos com uma sensibilidade e uma gama de frequências sem precedentes. Se, num planeta de qualquer dos 400 000 milhões de outras estrelas que constituem a Galáxia da Via Láctea, alguém tivesse estado a enviar-nos uma mensagem rádio, talvez tivéssemos tido uma boa hipótese de a ouvir.
Precisamente um ano mais tarde, o congresso acabou com tudo isso. O SETI não era de importância primordial; o seu interesse era limitado; era demasiado caro. Mas todas as civilizações da história da humanidade dedicaram alguns dos seus recursos à investigação de questões profundas sobre o universo e é difícil pensar numa questão mais profunda do que saber se estamos ou não sozinhos. Mesmo que nunca decifrássemos os conteúdos da mensagem, a recepção de um sinal desses transformaria a nossa perspectiva do universo e de nós mesmos. E, se conseguíssemos compreender a mensagem de uma civilização tecnicamente avançada, talvez os benefícios práticos fossem sem precedentes. Longe de ter uma base de apoio estreita, o programa SETI, fortemente impulsionado pela comunidade científica, também está inserido na cultura popular. O fascínio com este empreendimento é vasto e duradouro, e por muito boas razões. E longe, de ser demasiado caro, o programa teria custado aproximadamente o mesmo que um helicóptero de ataque por ano.
Pergunto-me porque motivo esses membros do Congresso preocupados com preços não dedicaram maior atenção ao Departamento de Defesa – que, com o fim da União Soviética e da guerra fria, continua a gastar, quando todos os custos são avaliados, mais de 300 000 milhões de dólares por ano. (E noutros sectores do governo há muitos programas que equivalem à segurança social para os ricos). Talvez os nossos descendentes olhem para trás, para a nossa época, e pasmem connosco – na posse da tecnologia para detectar outros seres, mas de ouvidos fechados porque insistimos em gastar a riqueza nacional para nos proteger de um inimigo que já não existe.
(págs. 397 – 398)
CARL SAGAN, O MUNDO INFESTADO DE DEMÓNIOS – A
Festival TEMPS D'IMAGES - 10 a 15 Dezembro 2007
Quatro anos depois da sua primeira edição “o cinema à volta de cinco artes cinco artes à volta do cinema”, realizada em conjunto com a Cinemateca Portuguesa em 2003, o cinema regressa ao Temps d'Images para evocar as relações desta arte com as outras artes.
Em 2007 é sob o ângulo da coreografia que esta programação será abordada sem recorrer ao tipo de comédia musical, a fim de melhor dar a ver como a coreografia pode estar presente no cinema sem que seja necessário tratar-se de um filme de dança.
O que se procura mostrar é uma coreografia cinematográfica que joga com o movimento (ou a imobilidade) dos corpos, com os ritmos, as deslocações no espaço (quer se trate de um quarto, de uma cidade ou de grandes espaços abertos...), o seu abrandamento ou aceleração ou ainda a coreografia da própria câmara.
Serão apresentados neste contexto filmes de longa e de curta metragem, que se irão cruzar e dialogar com filmes experimentais de todas as épocas. Trata-se de uma programação esboço, em 13 sessões, que procura olhar o cinema pelo interior e abrir algumas pistas sobre o tema do cinema como coreografia.
Estarão presentes nas sessões para animar um diálogo entre todos os participantes e os espectadores, e também com realizadores e coreógrafos portugueses, Jean-
Esta programação é coordenada por Pierre-Marie Goulet e
Um catálogo que inclui textos inéditos de todos os participantes acompanha este Ciclo.
CINEMATECA PORTUGUESA
- MUSEU DO CINEMA -
Rua Barata Salgueiro, 39 1269-059 Lisboa
Transportes: Metro
Bus: 2, 9, 36, 44, 45, 90, 91, 732, 746
Informação diária sobre a programação: Tel. 21 359 62 66
Horário da bilheteira: De Segunda a Sábado, 14:30 - 15:30 e 18:00 - 22:00
PARAGEM
Vamos ser a não fazer nada do que sabemos fazer
É assim que interessamos
É assim paciência
Sim, vamos simplesmente imitar os que não fazem
E fazer que fazemos
A deixar que a morte se antecipe nessa ordeira e fatal vida
Deixemos pois que se faça vivas a essa vida morta logo à nascença
Bebe um só trago dessa água que sabes que te irá contaminar
E verás como te sentirás da tua embriaguez
Toma mais
E deixa-te com todos os remédios que te aconselham a estar nesta vida
Deixa-te levar por aí por toda essa subtracção que te colhe os sentidos
E ensaia-te experimentando todos os dias a remar nesse contrário
E ao longo de um pouco do muito do teu tempo
Verás como te sentes
Que cansativa e rasteira vida
Doem-te as costas e sentes o quanto se está parado
E simplesmente fazem porque fazem
Ou porque têm de fazer porque é assim e paciência
No porque há ainda muito para contaminar no depois curar a lucrar
Ah, esses também estão bem mal
Sim, esses que se afogam de contentes
Os do ora-sim-ora-não ou os tais de vencidos ou vencedores dessas lides
Neste pouco sentido do muito, que não se pode fazer, porque é assim paciência
Valham-nos pois os deuses, que se alegram desta podridão de tão grande pobreza
Deitado à beira daquela estrada
Circundado
E que por sinal jamais te pisarás
ANTI-ÉDIPO ... [04] - a abjecta relação
(...) Deve-se falar de castração no mesmo sentido em que se fala de «edipianização», e de que ela é a conclusão: a castração designa a operação por meio da qual a PSICANÁLISE castra o inconsciente, injecta a castração no inconsciente.
(...)
GILLES DELEUZE e FÉLIX GUATTARI
ANTI-ÉDIPO – CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA
Assírio & Alvim, 2004
pgs. 63 e 67
ANTI-ÉDIPO ... [03] - o homicídio cultural
(…)… se é verdade que a análise nem sempre começa por ser edipiana, excepto para nós, não virá no entanto, a sê-lo numa certa medida? E em que medida? È verdade que ela se torna, em parte, edipiana, sob o efeito de colonização. O colonizador, por exemplo, abole a chefatura (assim como muitas outras coisas, a chefatura é apenas o começo…) ou utiliza-a para os seus próprios fins. O colonizador diz: o teu pai é apenas teu pai, nada mais, assim como o teu avô materno não tens nada que os tomar por chefes… faz as tuas triangulações no teu canto, mete a tua casa entre as da linha paterna e as da linha materna… a tua família é apenas a tua família e nada mais, a reprodução social não passa por lá embora seja precisa para fornecer um material que será submetido ao novo regime de reprodução… Então sim, esboça-se um quadro edipiano para os selvagens espoliados: Édipo de bairro de lata. Vimos, pois, que os colonizados são um exemplo típico de resistência ao Édipo: aqui com efeito, a estrutura edipiana não chega a fechar-se, e os seus termos continuam colados, em luta ou em cumplicidade, aos agentes da reprodução social opressiva (o Branco, o missionário, o cobrador de impostos, o exportador de bens, o homem notável da aldeia que se tornou agente da administração, os velhos que maldizem o Branco, os jovens em luta política, etc.). É tão verdade dizer que o colonizado resiste à edipianização como dizer que a edipianização procura fechar-se sobre ele. A edipianização é sempre um resultado da colonização, é preciso acrescentá-la a todos os processos referidos por JAULIN na Paix blanche. «O estado de colonizado pode conduzir a uma redução da humanização do universo, de tal modo que todas as soluções procuradas o sejam à medida do indivíduo ou da família restrita, o que tem por consequência uma anarquia ou desordem extremas ao nível do colectivo: anarquia de que os indivíduos serão sempre as vítimas, excepto aqueles que são beneficiados por um tal sistema, neste caso os colonizadores, que nesse mesmo tempo em que o colonizado reduzirá o universo, procurarão estendê-lo» (25). O Édipo é uma espécie de eutanásia do ETNOCÍDIO. Quanto mais a reprodução social escapa em natureza e extensão aos membros do grupo, mais se rebate sobre eles ou os rebate sobre uma reprodução familiar restrita e neurotizada cujo agente é o Édipo.
(…) Porque é preciso que a família apareça sob duas formas: uma, em que ela é evidentemente culpada, mas apenas no modo como a criança a vive, intensa e interiormente, e que se confunde com a sua própria culpabilidade; a outra, em que ela continua a ser uma instância de responsabilidade, face à qual se é – enquanto criança – culpado, e em relação ao qual nos tornamos – já adultos – responsáveis (o Édipo como doença e como saúde, a família como factor de alienação e como agente de desalienação – ainda que o seja apenas pelo modo como é constituído no transfert). Foi o que Foucault mostrou em páginas tão belas: o familiarismo inerente à psicanálise não destruiu a psiquiatria clássica – antes a consagra, a conclui. Depois do louco da terra e do louco do déspota, o louco da família; o que a psiquiatria do séc. XIX pretende organizar no asilo - «a imperativa ficção da família», a razão-pai e o louco-menor, os pais cuja única doença é a sua própria infância – tudo isto acaba fora do asilo, na psicanálise e no gabinete do analista.
(25) - Robert Jaulin, La paix blanche, introduction a l’etnocide, Ed. Du Seuil, 1970, p.309. Jaulin analisa a situação dos índios que os capuchinhos «convencem» a trocar a sua casa colectiva por casas «pessoais» (pp.391-400). Na casa colectiva o apartamento familiar e a intimidade pessoal baseiam-se numa relação com o vizinho definido como aliado, de modo que as relações interfamiliares eram coextensivas ao campo social. Mas, pelo contrário, na nova situação, produz-se «uma fermentação abusiva dos elementos do casal sobre si próprios» e sobre os filhos, de modo que a família restrita fecha-se num microcosmos expressivo em que cada um dos membros reflecte a sua própria linhagem enquanto se torna cada vez mais estranho às transformações sociais e produtivas. Porque o Édipo não é só um processo ideológico, mas é também o resultado da destruição do meio-ambiente, do habitat, etc.
GILLES DELEUZE e FÉLIX GUATTARI
ANTI-ÉDIPO – CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA
Assírio & Alvim, 2004
pgs. 174, 175, 282 e 283
Dito na Conferência Nacional de Educação Artística
Espero que todos estes discursos em seus textos e comunicações estejam em breve on-line para consulta de todos e para que saibamos quem é quem, a acarretar com as responsabilidades para além do que tenha de ser anulado imediatamente a não ser posto em prática e para que estas práticas não se voltem a repetir.
Não esqueçamos que a verdadeira Cultura e a verdadeira Educação são pois do domínio público…
E não esqueçamos também que para formar e desenvolver capacidades e talentos é preciso que os professores sejam talentosos!
E no dia do encerramento felizmente que foi convidado alguém ligado às Artes, o maestro
"Para que é que serve a EDUCAÇÃO ARTÍSTICA" - comunicação
“Para que é que serve a EDUCAÇÃO ARTÍSTICA” - ALICE VALENTE ALVES
na
Comunicação programada para:
Painel 3: Educação Artística, Educação Estética
Dia 29/10/2007 - Segunda-feira - 17h30
Casa da Música - PORTO
29 - 30 - 31 Outubro 2007
Para que é que serve a EDUCAÇÃO ARTÍSTICA
“Para que é que serve a EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - comunicação”
ELOS
A ARTE no tradicional do FOLCLORE e do ARTESANATO
A inteligência e a "indústria cultural"
(...) Depois, os inteligentes disseram que o fascismo era impossível no Ocidente.
Os inteligentes sempre facilitaram as coisas para os bárbaros, porque são tão estúpidos. São os juízos bem informados e perspicazes, os prognósticos baseados na estatística e na experiência, as declarações começando com as palavras: "Afinal de contas, disso eu entendo", são os statement conclusivos e sólidos que são falsos.
Hitler era contra o espírito e anti-humano. Mas há um espírito que é também anti-humano: sua marca é a superioridade bem informada.
(...) A transformação da inteligência em estupidez é um aspecto tendencial da evolução histórica.
(...) O facto então de que, de repente, os inteligentes são os estúpidos prova para a razão que ela é a irrazão.
(...) a quantidade da diversão organizada converte-se na qualidade da crueldade organizada.
(...) A diversão favorece a resignação, que nela quer se esquecer.
(...) A indústria cultural está corrompida, mas não como uma Babilónia do pecado, e sim como catedral do divertimento de alto nível. (…) A fusão actual da cultura e do entretenimento não se realiza apenas como depravação da cultura, mas igualmente como espiritualização forçada da diversão. (…) Ela se compõe dos valores com os quais, em perfeito paralelismo com a vida, novamente se investem, no espectáculo, o rapaz maravilhoso, o engenheiro, a jovem dinâmica, a falta de escrúpulos disfarçada de carácter, o interesse desportivo e, finalmente, os automóveis e cigarros, mesmo quando o entretenimento não é posto na conta da publicidade de seu produtor imediato, mas na conta do sistema como um todo. (…) A inferioridade, forma subjectivamente limitada da verdade, foi sempre mais submissa aos senhores externos do que ela desconfiava. A indústria cultural transforma-a numa mentira patente. A única impressão que ela ainda produz é a de uma lenga-lenga que as pessoas toleram nos best-sellers religiosos, nos filmes psicológicos e nos women’s serials, como um ingrediente ao mesmo tempo penoso e agradável, para que possam dominar com maior segurança na vida real seus próprios impulsos humanos.
(…) Divertir significa sempre: não ter de pensar nisso, esquecer o sofrimento até mesmo onde ele é mostrado. (…) Mesmo quando o público se rebela contra a indústria cultural, essa rebelião é o resultado lógico do desamparo para o qual ela própria o educou.
(…) A indústria cultural realizou maldosamente o homem como ser genérico. Cada um é tão-somente aquilo mediante o que pode substituir todos os outros: ele é fungível, um mero exemplar. Ele próprio, enquanto indivíduo, é o absolutamente substituível, o puro nada, e é isso mesmo que ele vem a perceber quando perde com o tempo a semelhança. É assim que se modifica a estrutura interna da religião do sucesso, à qual, aliás, as pessoas permanecem tão rigidamente agarradas.
(…) Quanto menos promessas a indústria cultural tem a fazer, quanto menos ela consegue dar uma explicação da vida como algo dotado de sentido, mais vazia torna-se necessariamente a ideologia que ela difunde.
(…) A ideologia fica cindida entre a fotografia de uma vida estupidamente monótona e a mentira nua e crua sobre o seu sentido, que não chega a ser proferida, é verdade, mas apenas sugerida, e inculcada nas pessoas.
(…) Ao serem reproduzidas, as situações desesperadas que estão sempre a desgastar os espectadores em seu dia-a-dia tornam-se, não se sabe como, a promessa de que é possível continuar a viver. Basta se dar conta de sua própria nulidade, subscrever a derrota – e já estamos integrados. A sociedade é uma sociedade de desesperados e, por isso mesmo a presa dos bandidos.»
Ah, a doença, mas a doença é o maior bem da sociedade!... Quanto mais doenças houver, tanto melhor, há pois que pesquisar de forma freudiana, frenética e esquizofrenicamente até se inventar malefícios em tudo, tudo… em tudo e em todos, sem excepção! Para que assim possam ocorrer mais e mais profissões, profissões piedosas, psicologicamente úteis e interessantes, de bons, fáceis e serenos empregos, em seus grandes e benditos salvadores, na sempre tão cómoda, hábil e astuta forma de imputar responsabilidades aos outros por existirem e nascerem tão doentinhos e ainda lhes virem bater à porta!... (…)


![[uma imagem nunca está só]](https://imagemns.files.wordpress.com/2015/12/imagem_ns1_151227_img_4488.jpg)