Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

O QUE FAZER

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Não sei quem virá
Para dizer quem fez tudo aquilo
Tudo aquilo que por errado

Por tão errado

Era certo

Era o credo da certeza dos incrédulos

E seguimos obrigados a deixarmo-nos ser

Ser dos seres do querer de todos os incrédulos

E esbracejando lutámos, lutámos, lutámos

Para quê

Para diante da cruz

Repetir palavra a palavra

Dizendo, dizendo, dizendo o que estás a fazer

É incerto na certeza de não sabermos

Onde estamos ao certo

De jamais o saber se prega em cruzes

De ladainhas que nos fazem

Não Fazer


E lá longe ouve-se um outro grito

Mais um

Mais que não me verão

Que não me dirão

Que aceitem mais regras

Das obras que não nos ditam






Sobre o «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura»

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à esquerda: nº37 – «o pensar» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | traço (cor): Laranja-Lima
à direita: nº 46 – «de que credo» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura»
| traço (cor): Laranja-Lima


Todo o meu trabalho da “IMAGEM” nos domínios da Poesia, da Pintura e da Fotografia, que estou a desenvolver e a realizar através de projectos autorais, deve-se à minha enorme preocupação com a importância do corpo, corpo que está presente em todos os meus projectos, mas existe um que iniciei no ano 2003 e que gostaria de vos dar a conhecer, é o CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura.
CORPOtraçoCORPO é a comunhão da exposição de imagens poéticas – CORPO vivo com as minhas imagens pictóricas – CORPO ficcionado.
A pintura
– é compreendida com 9 obras em díptico para cada uma das 9 cores, com o formato de 130x81cm e são apresentadas na verticalidade ou na horizontalidade,
A poesia
– surge na conceptual relação da importância da palavra com o pictórico, presente no título das obras e em que irá corresponder a cada obra em seu título, um poema com o mesmo título.
O traço deste projecto apresenta-se na poesia através da palavra e na pintura através da cor, em que representa o equilíbrio ou a harmonia, o que vem entre um e outro… o outro que pode ser o nosso próprio outro ou o outro propriamente dito, em conhecimento ou desconhecimento, depende de como o utilizamos no seu total sentir e pensar sem o aniquilar, numa atenção redobrada dos recursos e potencialidades que possui.
O nove presente no traço da cor e no traço da palavra, surge como o novo, o último dos números, representa assim o nascer, o cuidar beneficamente do ressurgir, em criatividade, o seguinte, o próximo, que virá em sua contemporaneidade, numa antevisão comprazer do que irá ser conhecido ética e esteticamente, no antes do todo em seu próprio desconhecimento…
Já expostas 6 das 9 cores: o vermelho, o castanho-terra, o águal-azul-céu (designação do azul-água e do azul-céu), duas cores conjuntas apresentados na horizontalidade e o laranja-lima (designação da cor da laranja e da cor do limão), duas cores igualmente conjuntas, mas apresentadas na verticalidade…
Seguir-se-lhe-á o verde-oliva, o verde e será a cor-de-pele, que encerrará o ciclo das 9 cores.
9 cores x 9 obras = CORPOtraçoCORPO = 81 obras com 81 poemas

Após as séries de exposições, está previsto uma exposição final com todas as obras aquando do lançamento do livro com o mesmo nome do projecto contendo 81 poemas e ilustrados com as 81 obras e em que a cada obra em seu título irá corresponder um poema com o mesmo título.
(…)
O corpo define-se pela sua fisiologia, que o mantém vivo e activo, no entanto o corpo está dependente da anima e em seus desejos converte-se em ser com vida. A vida é feita de um corpo em seu todo no Sentir e no Pensar! No Sentir reagimos e actuamos corporalmente, mas no Pensar é que está a fórmula (ou traço) para nos distinguirmos dos animais.
Um corpo é efémero e de vida passageira, ainda assim, podendo-se projectar em outras realidades, uma vez que o que fica de nós ou do nosso corpo é tãosomente o resultado do pensamento.
É o corpo com o pensamento e a alma que define a representação da nossa existência sem qualquer oposição na incontestável interpretação do incorpóreo e que racionalmente não podemos reconhecer nem testemunhar.
E o Corpo sendo parte integrante da Natureza, essa Natureza com todas as suas forças que vão direccionando nossos corpos com toda a supremacia e beleza, deveríamos estar a viver beneficamente e em harmonia em nosso ambiente natural com todos os elementos dessa mesma Natureza. Mas não está a acontecer, porque nos foi ensinado precisamente o contrário, é que temos que dominar tudo o que nos rodeia, temos de dominar tudo o que mexe.
(…)
E aqui continuamos nós neste castigo, nesta culpa, nesta constante adversidade com a Natureza, a querer alterar essas mesmas forças da Natureza. Estamos é sim, a maltratar a nossa natureza de seres com Sentir e com Pensar, a alterar essa parte benéfica que existe em nós, a inutilizar a alma, a matar o Ser, a apagar a aura, estamos assim a assassinar-nos conscientemente…
(…)
O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar… Somos assim… seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma…
E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia…
O Homem é portanto, um ser de “comunicação”. E está sempre a descobrir novas formas de se comunicar. E a primeira comunicação é com ele próprio, com o seu silêncio, com a sua consciência, que não alimentada em consciência poderá com toda a má aprendizagem do que é “politicamente correcto”, do sucesso imediato, do que é fácil e passageiro, do superficial, numa satisfação imediata a enganar o corpo, a ficar limitado ao vazio, ao nada, a ficar na infelicidade, na solidão, na penumbra, na decadência…
(…)
E o que ainda nos faz estar aqui, é o cumprimento com o primeiro dos objectivos da vida, o ser a Ser, por seres que somos, de cuidado e de criação, todos aptos, mas mesmo todos aptos e capazes de conseguir, dentro de maiores ou menores limitações, a criar e a cuidar deste nosso planeta, a TERRA, como se tratasse do nosso próprio CORPO.
Para uns é uma questão de aprendizagem simples e para outros, para além de um contínuo processo de aperfeiçoamento e aprendizagem, será também o de transmitir essa mesma aprendizagem nas suas mais variadas formas, pelo Conhecimento em Saber.
E sabendo o que o Pensar de nossas consciências tem para dizer e Fazer… a não usar esse Pensar, é deixar de Pensar!
E deixar de Pensar é negligenciar o Corpo em consciência!
Excertos do Ensaio «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO

CORPOtraçoCORPO na AMIarte: Março a Abril 2008


Exclusão social

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A origem de toda a exclusão está no aceder
a ser-se solidário com os que impõem ideias solitárias.
*







O perigoso "Psico- ENSINO"

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O Ministério da Educação tem vindo, conjuntamente com a Faculdade da Psicologia e Ciências da Educação, a assenhorear-se, a nível nacional de todo o Ensino e até do Ensino Artístico e igualmente, daquela que em breve irá ser posta em prática, a denominada Educação Artística. E a reforma que se fala, e que já está mais ou menos ditada, será no eliminar-se com tudo o que existe até agora, a arranjarem-se novas escolas ou no usar-se as escolinhas mais convenientes ou mais obedientes, para uma talvez, excelência de Escola Nacional Qualificada, com muitos e muitos diplomas à vista e com vistos de uma generalidade, que convém muito generalista. E é nestas novas oportunidades e em seus inteligentes oportunistas, que têm vindo há algum tempo, muito ordeira e legalmente, a arrasar com tudo o que lhes passa pelas mãos. É a construção de qual invencionice que diz respeito a um novo em novidade e que é alusivo ao consumismo, ou seja é uma espécie de nova fabricação ou invasão do se construir pelo novo num fascínio vestido de grande novidade por tão fútil, banal e generalista, com novos cursos e em novos nomes, novos e alegres ocupações patéticas, novos cursos de formação, de formatação e também novos curso de controle. E é neste feroz e desenfreado interesse de quem e em seus de ditos especialistas de tão incompetentes e inaptos para relatórios e afins, se prevêem nessas arregaladas vias e vidas de possuir poder e mais poder, para poderem assim e forçosamente serem respeitados nesta nova era da inspecção fiscalizadora, tão imposta quanto obrigatória num ensino tornado jogo ou guerra e, a cair nas garras das asfixiantes competitividades mercantilistas. Ensino por sua vez a reforçar-se e a acentuar-se cada vez mais no tal paradigma do que é a exclusão social, que todos falam, temem e de que igualmente todos dela tentam fugir. Paradigma este, que se continuarmos a permitir que assim seja e a virarmos costas ao papão-problema, instalar-se-á definitivamente e tornar-se-á de tal modo fatal que, irá tolher completamente qualquer possibilidade de se criarem formas de aprendizagem com todo o entendimento e que tenham a ver com o gosto e o prazer pela vida, em seus naturais e consequentes resultados de um qualquer saudoso e futuro feliz.
Mas afinal o que é que o Ministério da Educação anda a fazer com o Ensino?
Nesta louca onda de profissionalizações e em que diplomas e mais diplomas profissionalizantes, não estará mas é este Ministério a fomentar um tão generalizável quanto inqualificável ensino? Está assumir e a reforçar cada vez mais e até a institucionalizar este tipo de modelo ou paradigma da exclusão social, de forma crónica. E com toda a especialidade coloca na vanguarda os mais incompetentes e os que jamais poderão servir de exemplo para o que quer que seja, numa assoberbada tentativa de ocultar os bons exemplos a serem considerados.
Sim, mas afinal, como é que se prevêem profissionalizações e competências e tantas especialidades e afins, se o que se vê na movida e fomentação deste Ministério relativamente às tais vias profissionalizantes no que possa surgir deste novo Ensino e em seus agentes de agências profissionalizantes, são só pessoas e mais pessoas com possibilidades de trabalharem em escolas e mais escolas, em cursos e mais cursos, sempre num ciclo vicioso de só ser profissional à custa do ensinar-se e do teorizar-se à volta do Ensino e nada mais. A ter-se assim, como única possibilidade, o de simplesmente ser-se professor de qualquer coisa ou matéria ou depois em cursinhos de ocupação de tempos e gentes e alunos e professores à deriva, que ganham simplesmente no se governarem em desportivos passatempos, a dar-se aulas porque sim, porque é obrigatório aprender-se a tempo inteiro o que Ministério acha que é preciso para as presentes economias que lá se vão integrando e formatando no que o Mercado assim quer.
É ei-los por aí muito bem reunidos: professores para formar; professores para gerir; professores para explicar, professores científicos; professores de acompanhamento; professores psicanalíticos… Muitos, muitos professores… É a nova escravatura do Ensino dominada por ideias do competitivo no salve-se quem puder que o Ministério da Educação está a construir. Para que activos hajam muitos professores tão humilhados quanto obedientes e bem comprometidos, embora sem condições para trabalharem porque tão desinteressados, desmotivados e tristes, mas isso é irrelevante. Professores esses que irão adoecer e simplesmente, ir-se-ão tornar numa nova fonte de rendimento para os psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, cientistas e quantos mais que tratam, estes que em suas higiénicas bem vindas terapias, tornar-se-ão miraculosos e salvadores do mundo e dos professores também!
É a nova e vã escola da Competitividade e do Emprego para todos por Igual, da Cópia e da Repetição, do Igual e do nada de novo, na Nova Escola das Agências ou Máquinas da Incompreensão e Desmotivação na isenção generalizada de se pensar ou sentir. É a nova escola da excelente competitividade e em sua inerente e consequente exclusão social, a escola do paradigma do ensinar-se crianças, jovens e que mais de bairros e zonas pobres, em seus pais, irmãos, família e raça, que já todos sabem de antemão, que não têm qualquer direito ao sucesso!!!
Que insuportável via e vidas competitivas para uma construção de Escola profissionalizante, só para alguns nos que já sabem à priori, que vão ser bem sucedidos.
E muito, muito em breve existirão mais professores que alunos em tantas instalações, agências e agenciais formas de estar, de grandes e doentias debilidades, e em que todas as escolas e faculdades serão os novos hospitalários, que se poderão intitular de um novo «Psico-Ensino»
É que um Ensino e em que Educação, jamais poderá passar por conceitos de uma Psicologia que tenha como vertente principal, as ideias redutoras e limitativas da psicanálise tanto de Freud, de Lacan ou ainda de Melanie Klein, e porque cerceiam completamente qualquer possibilidade de se desenvolver um Pensamento saudável com toda a ética e estética.

E esta frase diz tudo, generalizar a oferta e pôr em contacto, ou seja fazer da música uma qualquer coisinha, como eu já referi em anteriores textos:
>>> A Educação Artística e o Espartilho Cientista :
(...) As artes não podem ser apresentadas nas Escolas, assim levianamente, por esta gente que tira cursos em faculdades para se verem nesta remediável agência de ministeriais empregos. Estes tipos de cursinhos e em que mezinhas, têm de ser proibidos enquanto antes! É que as crianças, só pelo nome nem se inscrevem, e se são obrigadas pelos seus pais para estarem ocupadinhas com qualquer coisinha que as entretenha e até de bonitinho, depois basta-lhes ir a uma primeira aula, que ficam logo vacinadas, para nunca mais repetirem a dose, é que aquilo é de arrepiar, é que é demasiadamente medíocre. E se aos encarregados de educação ligados às artes, lhes fosse permitido assistirem aquelas aulinhas e, até tivessem a possibilidade de as avaliar, dariam com certeza: nota zero!
E como é que a arte pode ser tida de terapia, é que se a arte é levada por estes caminhos remediados nas escolas, deixa imediatamente de cumprir os seus objectivos enquanto ARTE.
E desde quando a Arte e a Vida são remédios para o que quer que seja?
Não esqueçamos e não confundamos que a Arte e a Vida são a potência e a força vital de se Ser humano.(...)


Mas a ideia ou conceito, ou talvez estratégia (termo da Economia, da oferta ou do Mercado) do Ministério da Educação em suas agências, especialistas e especialidades é exactamente essa, a de caluniar e desacreditar por completo o que existe do ensino artístico e em seus, ainda credíveis professores, e no que melhor ainda temos na aprendizagem das artes. E vá de retirar-lhes alunos indirectamente ou senão, a direccioná-los teimosa e tardiamente numa única saída, a de integrá-los em que regras ou como se o talento, pudesse alguma vez, manifestar-se em que hora, idade para se tornar justificável enquanto exequível prova para que provas dadas. E de seguida vem o apontar de dedos aos tais professores excluídos ou postos de fora por não terem mais alunos e em seus conservatórios, e os agentes da inqualificável agência saberão como fazer, a depois usá-los como bem entenderem nas suas novas escolas do «Psico-Ensino». Isto é típico dos incompetentes e desta nova era das gentes das ciências educacionais e em seus cientistas psico-freudianos. Efectuada toda e qualquer exclusão, essa gente de alto gabarito por tão gabados e babados, tornam-se então e ainda, os grandes salvadores de toda esta carneirada de professores que lhes vão obedecendo forçosa e cegamente, fruto de tanta distracção e daquela necessidade de subserviência, e em que sobrevivência não dita porque ditada e livre por tantos consumistas.
E a titular da pasta da Educação tentará continuar com a sensata malvadez que lhe aprouver em seu estar confortável, das ditas modas do psico-políticamente correcto no seu novo «Psico-Ensino»: simplificar complicando; mostrando excelência na incompetência; nomeando responsáveis perfeitamente irresponsáveis; apresentando quais superioridades de exemplos a seguir, com os piores dos piores exemplos de todos; revelando que a qualidade do que quer pôr em prática é completamente inqualificável e impraticável… E a demonstrar assim e por aí, que tudo o que diz é uma verdadeira mentira e que, o que pretende que seja tornado em verdade verdadinha, não passará de uma grande mentira!
Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.
*
LER em ALI_SE:
>>> 2007_05_28 - O inapto relatório para o Ensino da EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

>>> 2007_10_13 - Para que é que serve a Educação Artística


>>> 2007_11_01 - Dito na Conferência Nacional de Educação Artística
(…) no dia 29 de Outubro na sala Suggia da Casa da Música na 2ª Sessão, assisti ao ser desmascarado mais depressa do que eu estava à espera, o tal presidente e responsável do Relatório do Ensino para a Educação Artística em Portugal, Dr. Domingos Fernandes. E que envergonhado perante toda a plateia, assumiu peremptoriamente a sua total incapacidade e incompetência, após as violentas palavras de indignação de Rui Vieira Néry… (…)


*


LER em IDEIAS SOLTAS:
>>> 2008_02_08 - Carta Aberta à Agência Nacional para a Qualificação

>>> 2008_02_12 -Resposta ao Prof. Dr. Domingos Fernandes

Ensino Artístico Vocacional? Não existe em Portugal. O que existe é um Sistema de Ensino Artístico Especializado de qualidade, financiado publicamente e aberto a quem o pretender frequentar. (…) O Ministério da Educação pagou centenas de milhares de euros numa Conferência Nacional de Educação Artística sem que da organização fizesse parte qualquer especialista de Ensino Artístico; nem como convidado. (…)
(...) O outro documento é da própria Agência Nacional para a Qualificação onde, logo na página 2, lemos estupefactos:
«(…) substituir a actual responsabilidade das famílias na orientação da procura pela responsabilidade do Estado na garantia e universalização do acesso ao estudo da música e da dança.»
Leram bem? O Estado substituir-se às famílias? O que é isto? Nunca os pais deram procuração ao Estado para os substituir na obrigação de educar os filhos! (...)

A DANÇA enquanto ARTE

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A dança não é uma arte do efémero, a dança não é um movimento de descanso ou relaxamento, a dança projecta-se numa persistência de constantes gestos tão energéticos quanto duradoiros que se perpetuam insistentemente. E é no gesto presente que se inscreve esse movimento antecipado e permanente da projecção num tempo que lhe irá dar por sua vez, essa mesma força de auto-afirmação.
A dança surge e ressurge de uma presença que lhe é espectral. É que a dança enquanto arte é sempre mais qualquer coisa do que aquilo que os bailarinos fazem. Ao admirarmos uma dança naquilo que ela nos fascina e engrandece, não é adquirido naquilo que nos é dado observar fisicamente através de uma corrida, um salto, um gesticular ou um caminhar às voltas num palco ou numa sala. Isto é, se se conduzir ou encaminhar a dança para movimentos de uma qualquer motricidade humana, deixa imediatamente de ser considerada arte e perde-se assim a sua força, energia e intenção artística.
Se os que à dança se atém numa pretensa correspondência de repetitivas gesticulações sem a elevarem ao expoente máximo do que lhe é inerente enquanto vital força criativa, transformam-na naquilo que ela não é e que é pois, pertença da ginástica, uma mera actividade desportiva.



2 0 0 7 _ 1 4 F E V E R E I R O : Vira-se a DANÇA

Petição à EDUCAÇÃO

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PETIÇÃO: Defesa do Ensino Artístico em Portugal
... a pretensão do Ministério da Educação de alterar o Sistema Educativo Português, no que à Educação Artística diz respeito, nomeadamente ao Ensino Artístico Especializado, pelo facto de se basearem no relatório final de Estudo de Avaliação do Ensino Artístico, que carece, por falta de rigor metodológico, de validada científica, seja por não englobar, na equipa que o elaborou nenhum artista ou professor de qualquer arte, nem ter realizado o trabalho de campo que se exigia como fundamento junto das cerca de 100 Escolas de Ensino Especializado de música, dança e teatro, públicas e privadas, reconhecidas e financiadas pelo próprio Ministério da Educação.
> > > Petição - DEFESA DO ENSINO ARTÍSTICO EM PORTUGAL do Ideias Soltas de Carlos Araújo Alves:
Peço que se impliquem, todos em uníssono, no combate contra a destruição da Educação Artística de qualidade em Portugal pelo Ministério da Educação - música, dança e teatro. Se cada um de nós conseguir ver que afinal é disso que se trata e não do encerramento do Conservatório Nacional, poderá ser que ainda vamos a tempo.

Destaque:


LER em ali_se:

“O inapto relatório para o Ensino da EDUCAÇÃO ARTÍSTICA”

“Cultura sem ARTES ?!”

AVISO Emails

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Perdi todos os emails que me foram enviados de 22 a 25 Janeiro 2008, devido a um problema no meu Outlook durante esse período e que felizmente, neste momento já está resolvido. Assim e se for o caso, a quem leia este aviso e a ser ainda possível, recuperar alguns deles (profissionais e pessoais…), peço-vos encarecidamente que mos façam chegar novamente, reencaminhando-os para esse mesmo endereço: alicevalente@sapo.pt
Um muito, muito obrigada!
Alice Valente


castigo por FIM

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Castigamo-nos saboreando o que é proibido

Castigamo-nos fumando e bebendo na dose do excesso
Castigamo-nos
Castigamo-nos na legalidade da vida
Castigamo-nos porque o prazer vende-se ao gozo
Castigamo-nos pelas coerentes regras da denúncia
Castigamo-nos na aprendizagem de não-ser
Castigamo-nos pelas leis da obediência enviesada
Castigamo-nos contraditos
Castigamo-nos por um dia se igualar a uma vida inteira
Castigamo-nos quando o frio se instala num dia de Sol
Castigamo-nos porque o arrepio faz-te rasgar tua pele interior
Castigamo-nos sem dó nem piedade
Castigamo-nos porque precisam de nós assim a consumir

FUMAR MATA - NÃO À DROGA - FIM À EXPLORAÇÃO...

Fim às escolas dos repetidores... Fim aos católicos ameaçadores... Fim aos falsos que se tornam benditos mentirosos... FIM às leis da CULPA assentes no "político ou psicologicamente correcto"... FIM aos que se protegem em palácios servidos por escravos... FIM a tudo o que é errado e aceite como certo legalmente... FIM aos professores e a todos aqueles que precisam do dinheiro que ganham para comer a humilhar todos os desprotegidos e sem posses... FIM à utilidade inútil e FIM à inutilidade útil... POR FIM, fim às indústrias, fábricas, escolas, economias e sistemas da exclusão humana!...

Tudo porque um dia irei morrer e tu também!

VALORES

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Tudo o que é construído à margem dos VALORES Éticos e Estéticos,
entrará mais tarde ou mais cedo em decadência.

Ouvir o céu

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Em Outubro de 1992 – no deserto de Mojave e num vale de Porto Rico – demos início ao que foi de longe o programa de busca mais promissor, mais intenso e mais completo de inteligência extraterrestre (o SETI). Pela primeira vez, a NASA organizou e pôs em prática o programa. Todo o céu seria examinado ao longo de um período de 10 anos com uma sensibilidade e uma gama de frequências sem precedentes. Se, num planeta de qualquer dos 400 000 milhões de outras estrelas que constituem a Galáxia da Via Láctea, alguém tivesse estado a enviar-nos uma mensagem rádio, talvez tivéssemos tido uma boa hipótese de a ouvir.

Precisamente um ano mais tarde, o congresso acabou com tudo isso. O SETI não era de importância primordial; o seu interesse era limitado; era demasiado caro. Mas todas as civilizações da história da humanidade dedicaram alguns dos seus recursos à investigação de questões profundas sobre o universo e é difícil pensar numa questão mais profunda do que saber se estamos ou não sozinhos. Mesmo que nunca decifrássemos os conteúdos da mensagem, a recepção de um sinal desses transformaria a nossa perspectiva do universo e de nós mesmos. E, se conseguíssemos compreender a mensagem de uma civilização tecnicamente avançada, talvez os benefícios práticos fossem sem precedentes. Longe de ter uma base de apoio estreita, o programa SETI, fortemente impulsionado pela comunidade científica, também está inserido na cultura popular. O fascínio com este empreendimento é vasto e duradouro, e por muito boas razões. E longe, de ser demasiado caro, o programa teria custado aproximadamente o mesmo que um helicóptero de ataque por ano.

Pergunto-me porque motivo esses membros do Congresso preocupados com preços não dedicaram maior atenção ao Departamento de Defesa – que, com o fim da União Soviética e da guerra fria, continua a gastar, quando todos os custos são avaliados, mais de 300 000 milhões de dólares por ano. (E noutros sectores do governo há muitos programas que equivalem à segurança social para os ricos). Talvez os nossos descendentes olhem para trás, para a nossa época, e pasmem connosco – na posse da tecnologia para detectar outros seres, mas de ouvidos fechados porque insistimos em gastar a riqueza nacional para nos proteger de um inimigo que já não existe.

(págs. 397 – 398)

CARL SAGAN, O MUNDO INFESTADO DE DEMÓNIOS – A Ciência como Uma Luz na Escuridão (1995) - GRADIVA

Festival TEMPS D'IMAGES - 10 a 15 Dezembro 2007

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Quatro anos depois da sua primeira edição “o cinema à volta de cinco artes cinco artes à volta do cinema”, realizada em conjunto com a Cinemateca Portuguesa em 2003, o cinema regressa ao Temps d'Images para evocar as relações desta arte com as outras artes.

Em 2007 é sob o ângulo da coreografia que esta programação será abordada sem recorrer ao tipo de comédia musical, a fim de melhor dar a ver como a coreografia pode estar presente no cinema sem que seja necessário tratar-se de um filme de dança.

O que se procura mostrar é uma coreografia cinematográfica que joga com o movimento (ou a imobilidade) dos corpos, com os ritmos, as deslocações no espaço (quer se trate de um quarto, de uma cidade ou de grandes espaços abertos...), o seu abrandamento ou aceleração ou ainda a coreografia da própria câmara.

Serão apresentados neste contexto filmes de longa e de curta metragem, que se irão cruzar e dialogar com filmes experimentais de todas as épocas. Trata-se de uma programação esboço, em 13 sessões, que procura olhar o cinema pelo interior e abrir algumas pistas sobre o tema do cinema como coreografia.

Estarão presentes nas sessões para animar um diálogo entre todos os participantes e os espectadores, e também com realizadores e coreógrafos portugueses, Jean-André Fieschi (realizador, crítico de cinema), Cyril Neyrat, Hervé Aubron, Stéphane Delorme, Cyril Beghin (críticos nos Cahiers du Cinéma, Vertígo etc.), Ricardo Matos Cabo (programador de cinema),

Esta programação é coordenada por Pierre-Marie Goulet e Teresa Garcia em conjunto com João Bénard da Costa e a Cinemateca Portuguesa, com a colaboração de Cyril Neyrat, Ricardo Matos Cabo e Stefani de Loppinot.

Um catálogo que inclui textos inéditos de todos os participantes acompanha este Ciclo.

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CINEMATECA PORTUGUESA

- MUSEU DO CINEMA -

Rua Barata Salgueiro, 39 1269-059 Lisboa
Transportes: Metro: Marquês de Pombal, Avenida
Bus: 2, 9, 36, 44, 45, 90, 91, 732, 746
Informação diária sobre a programação: Tel. 21 359 62 66
Horário da bilheteira: De Segunda a Sábado, 14:30 - 15:30 e 18:00 - 22:0
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PARAGEM

Vamos todos aprender no ensinar a não fazer
Vamos ser a não fazer nada do que sabemos fazer
É assim que interessamos
É assim paciência
Sim, vamos simplesmente imitar os que não fazem
E fazer que fazemos
A deixar que a morte se antecipe nessa ordeira e fatal vida
Deixemos pois que se faça vivas a essa vida morta logo à nascença


Bebe um só trago dessa água que sabes que te irá contaminar
E verás como te sentirás da tua embriaguez
Toma mais
E deixa-te com todos os remédios que te aconselham a estar nesta vida
Deixa-te levar por aí por toda essa subtracção que te colhe os sentidos
E ensaia-te experimentando todos os dias a remar nesse contrário
E ao longo de um pouco do muito do teu tempo
Verás como te sentes
Que cansativa e rasteira vida
Doem-te as costas e sentes o quanto se está parado
E os outros, os que fazem que fazem que estão fazendo
E simplesmente fazem porque fazem
Ou porque têm de fazer porque é assim e paciência
No porque há ainda muito para contaminar no depois curar a lucrar
Ah, esses também estão bem mal
Sim, esses que se afogam de contentes
Os do ora-sim-ora-não ou os tais de vencidos ou vencedores dessas lides
São estas resumidas e iguais vidas todas mal paradas
Neste pouco sentido do muito, que não se pode fazer, porque é assim paciência
Valham-nos pois os deuses, que se alegram desta podridão de tão grande pobreza

E calhar-nos-á talvez um dia um canteiro
Deitado à beira daquela estrada
Circundado por quatro caiados muros e um portão de que entrada
E que por sinal jamais te pisarás

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE ALVES


2 0 0 6 _ 0 3 D E Z E M B R O : por tudo

ANTI-ÉDIPO ... [04] - a abjecta relação

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(...) Deve-se falar de castração no mesmo sentido em que se fala de «edipianização», e de que ela é a conclusão: a castração designa a operação por meio da qual a PSICANÁLISE castra o inconsciente, injecta a castração no inconsciente.


(...) Desde o princípio que a relação psicanalítica segue o modelo da relação contratual da medicina burguesa tradicional: a falsa exclusão de terceiros, o papel hipócrita do dinheiro – a que a psicanálise trouxe novas e burlescas justificações -, a pretensa limitação no tempo que se contradiz a si mesma reproduzindo uma dívida sem fim, alimentando um inesgotável transfert, suscitando sempre novos «conflitos». Causa-nos uma certa admiração dizer-se que uma análise terminada é, por isso mesmo, uma análise falhada, mesmo que essa afirmação seja acompanhada por um fino sorriso de analista. Espantamo-nos ao ouvir um experimentado analista dizer com toda a leviandade que um dos seus «doentes» ainda sonha ser convidado para lanchar ou tomar um aperitivo em sua casa, após vários anos de análise, como se isso não fosse um sinal de dependência abjecta a que o analista reduz os seus pacientes. Como é que a cura consegue provocar esse abjecto desejo de ser amado…?

(...)

GILLES DELEUZE e FÉLIX GUATTARI
ANTI-ÉDIPO – CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA
Assírio & Alvim, 2004

pgs. 63 e 67


ANTI-ÉDIPO ... [03] - o homicídio cultural

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(…)… se é verdade que a análise nem sempre começa por ser edipiana, excepto para nós, não virá no entanto, a sê-lo numa certa medida? E em que medida? È verdade que ela se torna, em parte, edipiana, sob o efeito de colonização. O colonizador, por exemplo, abole a chefatura (assim como muitas outras coisas, a chefatura é apenas o começo…) ou utiliza-a para os seus próprios fins. O colonizador diz: o teu pai é apenas teu pai, nada mais, assim como o teu avô materno não tens nada que os tomar por chefes… faz as tuas triangulações no teu canto, mete a tua casa entre as da linha paterna e as da linha materna… a tua família é apenas a tua família e nada mais, a reprodução social não passa por lá embora seja precisa para fornecer um material que será submetido ao novo regime de reprodução… Então sim, esboça-se um quadro edipiano para os selvagens espoliados: Édipo de bairro de lata. Vimos, pois, que os colonizados são um exemplo típico de resistência ao Édipo: aqui com efeito, a estrutura edipiana não chega a fechar-se, e os seus termos continuam colados, em luta ou em cumplicidade, aos agentes da reprodução social opressiva (o Branco, o missionário, o cobrador de impostos, o exportador de bens, o homem notável da aldeia que se tornou agente da administração, os velhos que maldizem o Branco, os jovens em luta política, etc.). É tão verdade dizer que o colonizado resiste à edipianização como dizer que a edipianização procura fechar-se sobre ele. A edipianização é sempre um resultado da colonização, é preciso acrescentá-la a todos os processos referidos por JAULIN na Paix blanche. «O estado de colonizado pode conduzir a uma redução da humanização do universo, de tal modo que todas as soluções procuradas o sejam à medida do indivíduo ou da família restrita, o que tem por consequência uma anarquia ou desordem extremas ao nível do colectivo: anarquia de que os indivíduos serão sempre as vítimas, excepto aqueles que são beneficiados por um tal sistema, neste caso os colonizadores, que nesse mesmo tempo em que o colonizado reduzirá o universo, procurarão estendê-lo» (25). O Édipo é uma espécie de eutanásia do ETNOCÍDIO. Quanto mais a reprodução social escapa em natureza e extensão aos membros do grupo, mais se rebate sobre eles ou os rebate sobre uma reprodução familiar restrita e neurotizada cujo agente é o Édipo.

(…) Porque é preciso que a família apareça sob duas formas: uma, em que ela é evidentemente culpada, mas apenas no modo como a criança a vive, intensa e interiormente, e que se confunde com a sua própria culpabilidade; a outra, em que ela continua a ser uma instância de responsabilidade, face à qual se é – enquanto criança – culpado, e em relação ao qual nos tornamos – já adultos – responsáveis (o Édipo como doença e como saúde, a família como factor de alienação e como agente de desalienação – ainda que o seja apenas pelo modo como é constituído no transfert). Foi o que Foucault mostrou em páginas tão belas: o familiarismo inerente à psicanálise não destruiu a psiquiatria clássica – antes a consagra, a conclui. Depois do louco da terra e do louco do déspota, o louco da família; o que a psiquiatria do séc. XIX pretende organizar no asilo - «a imperativa ficção da família», a razão-pai e o louco-menor, os pais cuja única doença é a sua própria infância – tudo isto acaba fora do asilo, na psicanálise e no gabinete do analista.

(…)

(25) - Robert Jaulin, La paix blanche, introduction a l’etnocide, Ed. Du Seuil, 1970, p.309. Jaulin analisa a situação dos índios que os capuchinhos «convencem» a trocar a sua casa colectiva por casas «pessoais» (pp.391-400). Na casa colectiva o apartamento familiar e a intimidade pessoal baseiam-se numa relação com o vizinho definido como aliado, de modo que as relações interfamiliares eram coextensivas ao campo social. Mas, pelo contrário, na nova situação, produz-se «uma fermentação abusiva dos elementos do casal sobre si próprios» e sobre os filhos, de modo que a família restrita fecha-se num microcosmos expressivo em que cada um dos membros reflecte a sua própria linhagem enquanto se torna cada vez mais estranho às transformações sociais e produtivas. Porque o Édipo não é só um processo ideológico, mas é também o resultado da destruição do meio-ambiente, do habitat, etc.


GILLES DELEUZE e FÉLIX GUATTARI
ANTI-ÉDIPO – CAPITALISMO E ESQUIZOFRENIA
Assírio & Alvim, 2004

pgs. 174, 175, 282 e 283


ANTI-ÉDIPO … [01] - o desejo doente

ANTI-ÉDIPO … [02] - o desejo e a vontade

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