Sobre_ ALI_SE
_
a árvore ao jardim

APRECIAR

...
Gosto muito da palavra «apreciar» e de algumas das palavras e em seu significado e que a ela estão associadas nos respectivos dicionários da nossa Língua Portuguesa. Apreciar, para além do que nos faz «fazer», é efectivamente para mim, das palavras mais bonitas, assim como das que se apresentam em sua significação e que são: admirar, contemplar, conhecer, valorizar, prezar, percepcionar e gostar.

Quando nos regozijamos com algo ou com alguém, é porque estamos a ater-nos a uma certa apreciação em mutualidade. Apreciação essa, que far-se-á sempre numa procura de algo em positividade, perante o objecto ou pessoa em questão. E ao apreciar-se o que nos rodeia, encontramos o que procuramos, embora e às vezes, isso só possa acontecer muito tardiamente, dependendo da atenção e cuidados que prestamos e em resultado da experiência, conhecimento ou entendimento que temos nesse preciso momento. E para mim apreciar é admirar, é dar valor. Apreciar é reflectir atentamente sem quaisquer processos de avaliação ou de julgamento. E quanto ao
julgar, medir, examinar, analisar ou ajuizar, e apesar de que estas palavras sejam também significados do que é «apreciar», considero que elas se desviam dessa atenção do que é a apreciação valorativa. E porque no «apreciar», o estar-se verdadeiramente associado a tudo aquilo que é tido como de, de certo ou de certeza.

Quero com isto dizer que o apreciar e em apreciação, antecede todas as normas perante aquilo que nos faz duvidar. É que quando duvidamos deixamos de estar nesse livre e natural método que existe em cada um de nós e no que é o apreciar e em apreciação. Sim, existe um método próprio pelo qual se rege o nosso Sentir e Pensar e que tem exactamente a ver com essa reflexão em apreciação do que mais nos toca ou tem mais significado para cada pessoa e que se vai desenvolvendo sempre em grande espontaneidade E quando perscrutamos atenciosamente essa apreciação, ela ir-se-á expandir a valorizar o que apreciamos e em sua reciprocidade. É um percurso ou movimento lindíssimo e que se vai elaborando numa estrutura muito própria a edificar o Ser.

E já todos ouvimos falar de certas pessoas, que gostam mais das obras de certos compositores do que outros e acontece que, elas próprias às vezes não entendem muito bem qual a razão dessas suas escolhas. E com certeza que também já todos ouvimos dizer, que para se gostar deste ou daquele compositor é preciso aprender-se a gostar. E aí é que eu discordo completamente, é certo, que embora, tudo possa ser uma questão de educação e aprendizagem, mas esse aprender não deveria de passar forçosamente a ter-se de gostar porque é considerado universalmente bom, e não lhe retirando o seu valor enquanto obra, dever-se-ia sim, estar-se mais em contacto ou tomar-se conhecimento da existência das boas e grandes obras, para depois desenvolver a entender essa tendencial propensão no devido apreciar em apreciação que existe em de cada um de nós.

Este aprender a gostar, mas por nós próprios, é fundamental. E dando ainda o exemplo da música, é que por vezes temos uma apreciação muito maior ou muito mais forte por este ou por aquele compositor e é isso que temos efectivamente, que ter em consideração, nesse mesmo entendimento com os valores da ética e da estética e porque intrínsecos de todo o Ser. Em que é preciso sim, ouvir-se, ler-se, ver-se ou fruir-se, em suma é preciso ter-se conhecimento das grandes obras tanto na música, como na literatura, pintura, poesia e entre outras formas de arte, a atermo-nos assim, a essa genuína forma do que é o apreciar e em apreciação para uma valorização e enriquecimento de tudo aquilo que nos diz exactamente respeito e nos faz conseguir Ser.

Prémio Dardos

...
Embora não sendo habitual, achei interessante aceder a esta corrente e em agradecimento ao Porfírio Silva do Machina Speculatrix, que me fez constar na sua lista. E no enunciado do Prémio Dardos, diz assim:

Se reconhecem os valores que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à Web.
Quem recebe o “Prémio Dardos” e o aceita deve seguir algumas regras:
1. - Exibir a distinta imagem;
2. - Linkar o blog pelo qual recebeu o prémio;
3. - Escolher quinze (15) outros blogues a entregar o Prémio Dardos.

E em conformidade nas muitas e distintas razões que me são imensamente aprazíveis, e sem necessidade de aqui as referir e também porque particularmente, tais nomeados lá saberão com toda a certeza, os motivos de qual a inerente preferência, segue assim, a lista (por ordem alfabética) dos meus (15) blogues premiados:
Anacruses
Ás vezes (des)organizo-me em palavras...

Blog do Miguel

Carpinteira

Diário da Fonte

Fenix ad aeternum

Fractura.net

Ideias S
oltas
Incomunidade

In Emotion

Machina Speculatrix

Memória Virtual

Nada a ver

Ponto cinza

Tendências Simplistas

A Obra viva de VAN GOGH

...

Vincent van Gogh
(1853 – 1890)

(...)
A cor também foi fundamental para Van Gogh. Quando chegou a Paris, em 1885, encontrou o grupo impressionista, e o uso da cor foi de facto uma revelação para ele. Mas a personalidade de Van Gogh, simplesmente não lhe permitia a atitude objectiva dos artistas do grupo. Monet, por exemplo, que viveu na maior pobreza até aos cinquenta anos, jamais mostrou sua tristeza ou sua comoção pessoal. Quando nasceu seu primeiro filho, ele não tinha dinheiro sequer para comprar pão e leite para o recém-nascido e para a mulher. Ele escrevia cartas aos amigos, principalmente Degas, que lhe davam algum dinheiro (…). No entanto nada disso transparece nos seus quadros. Para Van Gogh, essa objectividade ou distanciamento entre as próprias emoções e a expressão era impossível.

Mesmo preservando o princípio da complementaridade, ele saiu do Impressionismo, transformando cada pequenina mancha em um traço, em uma pincelada rítmica, usando a complementaridade das cores como um elástico: um amarelo vai para um amarelo um pouco mais esverdeado, para um verde, para um laranja, até, no final surgir uma área onde tons azuis conseguem, digamos, fechar a complementar. Portanto, o teor dramático altamente tenso dos quadros, resulta não só da pincelada – que é como uma pincelada «stacatto», muitas vezes brusca, mas sempre rítmica – mas também do modo como as cores são usadas. Isso, que é tão interessante, os psicanalistas não percebem: Van Gogh usou cores quentes; tratou da produtividade da vida, jamais foi mórbido, ele tinha grandes problemas, a ponto de suicidar-se aos 37 anos; mas sua obra queria viver, não queria morrer.
(...)
FAYGA OSTROWER A GRANDEZA HUMANA – Editora Campus



O conjunto de imagens das Obras de Van Gogh que se seguem são do site do Museu Van Gogh em Amesterdão: www.vangoghmuseum.com/





Imagens das Obras de Van Gogh - Museu Van Gogh em Amesterdão: www.vangoghmuseum.com/

O Movimento da Criação em BERGSON

...
… o ser vivo é sobretudo um lugar de passagem e que o essencial da vida reside no movimento que a transmite.
(…)
… a vida é uma acção sempre crescente.
… Assim o acto pelo qual a vida se encaminha para a criação de uma nova forma e o acto pelo qual essa forma se desenha são dois movimentos diferentes e frequentemente antagonistas. O primeiro se prolonga no segundo, mas não pode prolongar-se nele sem se distrair de sua direcção, como aconteceria a um saltador que, para vencer o obstáculo, fosse obrigado a desviar os olhos deste último e olhar para si mesmo.
(...) … aquilo que devia ser um local de passagem tornou-se termo. Desse novo ponto de vista, o insucesso aparece como a regra, o sucesso como excepcional e sempre imperfeito.

HENRI BERGSON
A Evolução Criadora
Excertos do capítulo II

O corpo e o frio agressivo

...
Cada vez existem mais e mais regras que permitem a invasão da privacidade na ocupação do espaço do outro e dos outros. É preciso saber os segredos do outro, para o poder rebaixar ou aniquilar. Faz parte das regras da competitividade e da espionagem. É preciso fingir, para saber o fraco do outro, para o dominar, para o roubar, para o eliminar, para se ter o mais espaço possível, é a importância obrigatória a dar lugar ao protagonismo e vedetismo. E as regras sociais não fogem a esse estatuto da competitividade, igualmente transposta para a educação, para o ensino, para a família.
E como faz parte em todas estas coisas das cumplicidades, há que dar sucessão a toda esta mórbida e agressiva salvação primeiro e especialmente, para com todos os seus, no mostrar ou a ser-se bem sucedido a todo o custo, ou seja,

Haja muita paz com muita guerra,
Haja muito, muito ódio com o máximo de amor possível
E salve-se quem puder!

Que fazer?

Não é de todo possível ajustar qualquer sensibilização a estas ideias do vedetismo e do aparatoso em noções constrangedoras, castradoras e aniquiladoras nestes tais conhecimentos e em que cientificidades tão, mas tão inteligíveis do que é o político-económico na sua alta competitividade. Que até às Artes tal como à Filosofia já lhes foi roubado o nome, e relativamente às artes em seu ensino e com os seus curandeiros, parece que até estão todos, muito bem de saúde, nesta nova moda ou era de que vias das competitividades descobertas.
E como se diz que a vida é um jogo, tudo se baralha. E porque não se pensa, não se respeita. E o que é preciso ou só se quer, é pôr-se em prática logo, logo e muito sagazmente, o que se aprendeu nestas novas escolas, e até mesmo faculdades das fabriquetas do faz-de-conta, e faça-se então o máximo em muitas coisinhas copiosas. É que neste momento, muito do que se está a aprender e a ser posto em prática é errado e altamente pernicioso para a valorização do Ser a Ser-se humano.

Na qual alegria de viver
Abastecem-se de saltos altos unidos
E ao descer
Trapezistas tombam quais objectos
E na queda fluída horrorizas-te
Sobes o pano do teu corpo palco
E porque julgado protegido
Apresentas-te muito bem e o mais agasalhado possível a todos
A todos o que estão e que te olham
Porque todo o frio vindo de teus espectadores
Poder-te-á congelar



Post's relacionados em ALI_SE:

Competir ou HUMANIZAR

Clube Ministério Educação

AS VÍTIMAS

A inteligência e a «indústria cultural»

O perigoso "Psico-Ensino"

(...) Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.


Que T(t)erra


Sim, a Terra fala
A Terra ouve
A Terra diz
A Terra chora
A Terra grita
A Terra escuta
A Terra mexe
A Terra sente
A Terra és tu, eu e todos nós
E na Terra que não é nossa
Por que terras dos que a encurralam
Não me ouves
Não te oiço
Não me falas
Não te falo
Não te vejo
Não me vês
Não me sentes
Não te sinto
Na Terra que não é nossa
Não há sorrir nem pensar
Oh, terra da Terra que não é nossa
Em Terra de adormecidos da Terra que não dorme
Ainda que por feitos de toda esta terra
Da una e única Terra, esta a que nos compõe, gera, mancha, lava e chama


POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE

O Método e o Entendimento da Verdade em ESPINOSA

...


§ 35
… a certeza não é mais que a própria essência objectiva, isto é, o modo pelo qual sentimos a essência formal é a própria certeza. Donde se vê novamente que, para a certeza da verdade, nenhum outro sinal é necessário a não ser a posse da ideia verdadeira: como demonstrámos, para que saiba, não é necessário saber que sei. Do que, por outro lado, se vê que ninguém pode saber aquilo que seja a certeza suprema a não ser que tenha a ideia adequada ou a essência objectiva de uma coisa: evidentemente, porque a certeza e a essência objectiva são a mesma coisa.

§ 36
Logo, como a verdade não tem necessidade de nenhum sinal, mas basta ter as essências objectivas das coisas ou, o que é o mesmo, as ideias, para se tirar toda a dúvida, segue-se que não é verdadeiro o Método que procura o sinal da verdade depois da aquisição das ideias, mas que o verdadeiro Método é o caminho pelo qual a própria verdade ou essências objectivas das coisas ou ideias (significam o mesmo) devem ser procuradas na ordem devida.
§ 37
Por outro lado, o Método deve falar necessariamente do raciocínio ou da intelecção. Isto é, o Método não é o próprio raciocínio para compreender as causas das coisas, e muito menos compreender as causas das coisas, mas consiste em compreender o que é a ideia verdadeira, distinguindo-a das outras percepções, investigando a sua natureza para que conheçamos, por aí, o nosso poder de entender, e assim governemos a mente para que compreenda, por aquela norma, tudo o que pode ser compreendido, dando-lhe como auxílio certas regras e fazendo também com que a mente não seja fatigada com coisas inúteis.
(…)
§ 47
… temos de admitir que há homens completamente cegos de espírito, desde o nascimento ou por causa dos preconceitos, isto é, por quaisquer ocorrências exteriores. É que então nem consciência têm de si mesmos; se afirmam algo ou duvidam, não sabem se duvidam ou se afirmam. Dizem que não sabem nada; e isto mesmo, que não sabem nada, dizem que ignoram. E mesmo isto não o dizem absolutamente, pois têm medo de admitir que existem quando não sabem nada. Acrescento que devem então calar-se não suponham por acaso alguma coisa que exale um odor de verdade.
§ 48
Em suma, com eles não vale a pena falar de ciências porque, no que respeita ao uso da vida e da sociedade, a necessidade obriga-os a admitirem que existem, e a procurar os seus interesses, e a afirmarem e a negarem muitas coisas sob juramento. Se se lhes demonstra alguma coisa, não sabem se a argumentação prova ou é deficiente. Se negam, concedem ou opõem, não sabem que negam, concedem ou opõem e, portanto têm de ser considerados como autómatos, que carecem totalmente de espírito.
(...)
BENTO ESPINOSA, TRATADO SOBRE A REFORMA DO ENTENDIMENTO
Livros Horizonte - Lisboa -1971






O poder ter e o abandono

...


Afinal, que direitos tem o homem? O dever de poder ter para poder abandonar?
A pobreza nem sempre se vê, mas quando salta para a rua, dói, e dói particularmente para quem o dinheiro não é tudo.
E os indiferentes perante estas e outras dores em abandono, de quem se senta assim à espera neste desamparo, têm vindo a aumentar na mesma proporção da inversão das suas formas.
O medo de abandono no medo de não se ser apreciado, acarinhado ou protegido, embarca-se no desprezo por quem não tem no atracar-se a quem tem. Inseguranças e pavores que afinal existem, tanto em quem não tem poder ou posses, como em quem aparentemente tudo tem.
Eis, que a não se fazer nada, se por aqui e agora é assim, como será dentro dos próximos anos em que todos os afectos ou afectados se propagarão adentro da sua invertida proporção em quais misérias tornadas pobreza por tão inconfundivelmente igualitárias?


Sobre a Cidade, o Pensamento e a Cidadania

...
Curiosamente encontrei na net este link sobre "CIDADE, PENSAMENTO, CIDADANIA", cujo texto faz referência ao meu ensaio Crenças e Poder - do Dever em não Devir, e pela extrema importância da questão a que o seu autor alude na respectiva comunicação que apresentou em Maio deste ano no Congresso Internacional de Filosofia e em que um dos objectivos desse mesmo congresso era o de promover a reflexão sobre a contribuição da filosofia na construção de uma sociedade que valorize o humano em todas as suas dimensões, não resisti a transcrever este excerto de LUÍS CARLOS BOA NOVA VALÉRIO:

(…) A propósito da alegria que falta nessa alma, como dizia Holanda, cada vez que pensamos em fundar nossos projectos mais importantes, é justamente a tristeza que nos transforma em críticos grandiloquentes da nação, da família, da escola, de nós mesmos. Críticos apassivados, porque distantes do labor da política, mergulhamos na saudade de uma pátria que nunca chega.
Como diria a artista plástica portuguesa Alice Valente Alves, em seu texto Crenças e poder – do dever em não devir, nós temos muita urgência em resolver nossos deveres, mas nenhuma pressa com os nossos devires. Os devires do corpo, do pensamento, da cidade, da cidadania, da formação, são transcursos sem normas, sem obediências, sem grandiloquências; não são caminhos para nos entreter, ou como diz Alice
Tal como depreendemos do clássico estudo da alma cidadã brasileira feito por Holanda, inclusive quando ele analisa com tanta profundidade a exacerbada cordialidade que habita o carácter do brasileiro (1983, p. 101 ss.), Alice, na citação acima, converge para os mesmos pontos de Holanda. Ela traduz as relações de dever com a crença e o entretenimento, e quando diz que o entretenimento “é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento”, isto se junta ao “desleixo” e a “saudade” e até mesmo a falta de alegria de que falavam Holanda e Bell. O pensamento que é uma cidade, que exerce uma cidadania sob os hábitos de uma formação de feitoria, que se obscurece na comodidade da sua cidadela, só contribui para uma ética da infelicidade ou do entretenimento fútil. Porque nos sentimos muitas vezes constrangidos quando ensinamos filosofia, justamente porque parece que apenas a estamos comentando, cabe perguntar sempre: que fazemos quando leccionamos filosofia? Estamos buscando devires ou apenas reiterando deveres?
Nossa cidade, pensamento, cidadania e formação necessitam de respostas a estas questões.

SABER a Aprender ou aprender a ...

...
Imitar é fazer qualquer coisa para estar bem igual aos outros.
Variável ou invariavelmente, a existência faz-se dos que não gostam de imitações assim como dos que querem muitas imitações. Será que o imitar é preciso ou necessário na mesma medida e proporção da não imitação?
Deixai pois, equilibrada ou desequilibradamente, acordados e em que concórdia, os que imitam e os que não imitam.
É verdade que é muito fácil imitar, para os que só sabem imitar.
E também é verdade que é muito fácil não imitar, para os que não sabem imitar.
E porque é verdade que os que só sabem imitar, é-lhes muito difícil não imitar.
E porque também é verdade que os que não sabem imitar, é-lhes muito difícil imitar.
[Composição: em sabem substitua-se, antes por aprenderam a]
Os caprichosos guerreiros das sucedâneas vias do que é inteligível, quando se descobrem numa qualquer imitação à possível formulação em formatados modelos de um domínio reinante, e por muito a temerem, não deixam mais espaço para a não imitação. É a lei de um usual e conhecido «conhecimento» reiterado por muitos e selváticos descobridores, achados em que conhecedores de quais conhecimentos dominantes, no faça-se a vontade obrigatoriamente!
E o que acontecerá no império do domínio com os que não sabem imitar ou com os que não gostam de imitar?
- Pela não imitação na obra da vida, sem mais lutas, competições ou escolásticas e em que entendimento, aprender-se-á naturalmente a saber o que é resistir!
E o que é a não imitação?
- A origem!

Post relacionado em ALI_SE:
(…)
É habitual dizer-se: - Tens de ter força de vontade! E desde muito criança que eu perguntava a mim mesma, mas como é que se tem força de vontade, se há pessoas que não gostam do que estão a fazer em suas vivências? E observava as pessoas que não conseguiam ter essa tal, de dita força de vontade e, não a tinham, precisamente porque não conseguiam ser elas mesmas, por tão hostilizadas ou porque com personalidades não combativas ou não agressivas e por sensíveis, a serem tidas de fracas, tinham sempre de se artificializar a serem obrigadas a imitar um qualquer modelo já existente e até seguirem rumos de vida de contra-natura em suas formas de ser e estar.
E todas estas dúvidas resultaram no seguinte, sim até poderemos ter essa tal de dita força de vontade, mas a valorizar para primeiro plano, o DESEJO e o DESEJAR. E o DESEJO o que é? Muito cedo comecei por entender que o Desejo era o Melhor ou a excelência do nosso interior (Pensar) e só conseguiríamos ter força de vontade se estivéssemos bem com essa tal interioridade ou esse TODO interior presente no DESEJO. Ao passo que tudo aquilo que nos era imposto pelos outros como obrigatório, a todos a níveis, para se viver em subsistência, social ou hierarquicamente, seria a tal de dita VONTADE. E essa Vontade, que os outros nos impunham poderia ser terrífica e poderia ser prejudicialmente perigosa, em que as pessoas tornavam-se tendencialmente más dependendo dos interesses e proveitos e muito raramente se tornariam boas, somente se houvesse uma contradição dessa Vontade a enaltecer o Desejo como prioridade. Os desejos ou o DESEJO são pois, tudo aquilo que de melhor existe dentro de nós ou seja, tudo aquilo de que somos feitos em VERDADE e se bem “alimentados” será então possível existir essa tal de dita Força de Vontade. E quando eu digo bem alimentados refiro-me ao ter-se a possibilidade de imaginar (sonhar), criar e cuidar, só presente no que é artístico e que por sua vez, se manifesta quer pela contemplação, concepção ou realização artísticas.
(…)

crucificados

...


CRUCIFICADOS:
OS QUE AGUARDAM DE BRAÇOS ABERTOS
POR ABRAÇOS QUE JAMAIS VIRÃO.
*

 ALICE  VALENTE    


A Técnica e o Mundo sem Imagem

...
- OCTÁVIO PAZ e a POESIA como a verdadeira vida -


(…) O crescimento do eu ameaça a linguagem em sua dupla função: como diálogo e como monólogo. O primeiro se fundamenta na pluralidade; o segundo na identidade. A contradição do diálogo consiste em que cada um fala consigo mesmo ao falar com os outros; a do monólogo em que nunca sou eu, mas outro, o que escuta o que digo a mim mesmo. A poesia sempre foi uma tentativa de resolver esta discórdia através de uma conversão de termos: o eu do diálogo no tu do monólogo. A poesia não diz: eu sou tu; diz: meu és tu. A imagem poética é a «outridade»*. O fenómeno moderno da incomunicação não depende tanto da pluralidade de sujeitos quanto do desaparecimento do tu como elemento constitutivo da consciência. Não falamos com os outros porque não podemos falar connosco mesmo. Mas a multiplicação cancerosa do eu não é origem e sim o resultado da perda da imagem do mundo. Ao sentir-se só no mundo, o homem antigo descobria o seu próprio eu e, assim, o dos outros. Hoje não estamos sós no mundo: não há mundo. Cada lugar é o mesmo lugar e nenhum está em todas as partes. A conversão do eu em tu – imagem que compreenda todas as imagens poéticas – não pode realizar-se sem que antes o mundo reapareça. A imaginação poética não é invenção mas descoberta da presença. Descobrir a imagem do mundo no que emerge como fragmento ou dispersão, perceber no uno o outro, será devolver à linguagem sua virtude metafórica: dar presença aos outros. A poesia: procura dos outros, descoberta da «outridade».
Se o mundo como imagem se desvanece, uma nova realidade cobre toda a terra. A técnica é uma realidade tão poderosamente real – visível, palpável, audível, ubíqua – que a verdadeira realidade deixou de ser natural ou sobrenatural: a indústria é a nossa paisagem, nosso céu e nosso inferno. Um templo maia, uma catedral medieval ou um palácio barroco era alguma coisa mais do que monumentos: pontos sensíveis do espaço e do tempo, observatórios privilegiados de onde o homem podia contemplar o mundo e o transmundo como um todo. Sua orientação correspondia a uma visão simbólica do universo; a forma e a disposição de suas partes abriam uma perspectiva plural, verdadeira encruzilhada de caminhos visuais: para cima e para baixo, na direcção dos quatro pontos cardeais. Ponto de vista total sobre a totalidade. Essas obras não só eram uma visão do mundo, como estavam feitas segundo a sua imagem: eram uma representação da figura do universo, sua cópia ou seu símbolo. A técnica se interpõe entre nós e o mundo, fecha toda perspectiva à nossa mirada: para além de suas geometrias de ferro, vidro ou alumínio não há rigorosamente nada, excepto o desconhecido, a região do informe ainda não transformada pelo homem.
A técnica não é nem uma imagem nem uma visão do mundo: não é uma imagem porque não tem por objecto representar ou reproduzir a realidade; não é uma visão porque não concebe o mundo como figura, e sim como algo mais ou menos maleável para a vontade humana. Para a técnica o mundo se apresenta como resistência, não como arquétipo: tem realidade, não figura. Essa realidade não se pode reduzir a nenhuma imagem e é, ao pé da letra, inimaginável. O saber antigo tinha por fim último a contemplação da realidade, fosse presença sensível ou forma ideal; o saber da técnica aspira substituir a realidade real por um universo de mecanismos. Os artefactos e utensílios do passado estavam no espaço; os mecanismos modernos alteram-no radicalmente. O espaço não só se povoa de máquinas que tendem para o automatismo ou que já são autómatos, como é um campo de forças, um entrelace entre de energias e relações – algo muito distinto dessa extensão, ou superfície mais ou menos estável das antigas cosmologias e filosofias. O tempo da técnica é por um lado ruptura dos ritmos cósmicos das velhas civilizações; e por outro, aceleração e, por fim, abolição do tempo cronométrico moderno. De ambos os modos é um tempo descontínuo e vertiginoso que ilude, senão a medida, a representação. Em suma a técnica se funda em uma negação do mundo como imagem. E haveria ainda que acrescentar: graças a essa negação, há técnica. Não é a técnica que nega a imagem do mundo; é o desaparecimento da imagem que torna possível a técnica.
(…) A perda do significado afecta às duas metades da esfera, a morte e a vida: a morte tem o sentido que se lhe dá nosso viver; e este tem como significado último ser vida diante da morte. A técnica nada nos pode dizer sobre tudo isto. Sua virtude filosófica consiste, por assim dizer, em sua ausência de filosofia…

(…) A experiência da «outridade» abrange as duas notas extremas de um ritmo de separação e reunião, presente em todas as manifestações do ser, desde as físicas até às biológicas. No homem este ritmo se exprime como queda, sentir-se só em um mundo estranho, e como reunião, em acordo com a totalidade. Todos os homens, sem excepção, entreviram por um instante a experiência da separação e da reunião. No dia em que verdadeiramente… caímos no sem-fim de nós mesmos e o tempo abriu as suas entranhas e nos contemplamos com um rosto que se desvanece e uma palavra que se anula; na tarde em que vimos aquela árvore no meio do campo e adivinhamos, embora já não o recordemos mais, o que diziam as folhas, as vibrações dos céus, a reverberação do muro branco golpeado pela última luz; numa manhã estendidos na relva, ouvindo a vida secreta das plantas; ou de noite, diante das águas entre os altos rochedos. Sós ou acompanhados vimos o Ser e o Ser nos viu. É a «outra vida»? É a verdadeira vida, a vida de todos os dias. Sobre a outra que nos prometem as religiões, nada podemos dizer com certeza. Parece excessiva vaidade ou empolgamento com o nosso próprio eu pensar em sobrevivência; reduzir toda a existência ao modelo humano e terrestre revela certa falta de imaginação ante as possibilidades do ser. Deve haver outras formas de ser e talvez morrer seja apenas um trânsito. Duvido que esse trânsito possa ser sinónimo de salvação, ou perdição pessoal. Em qualquer caso, aspiro ao ser, ao ser que transforma, não à salvação do eu. Não me preocupa a «outra vida» além, mas só aqui. A experiência da «outridade», é aqui mesmo, a «outra vida». A poesia não se propõe consolar o homem da morte, mas fazer com que ele vislumbre que a vida e a morte são inseparáveis: são a totalidade. Recuperar a vida concreta significa reunir a parelha vida-morte, reconquistar um no outro, o tu no eu, e assim descobrir a figura do mundo na dispersão de seus fragmentos.

(…) O homem não vê o mundo: pensa-o. Hoje a situação transformou-se de novo: voltamos a ouvir, embora não possamos vê-lo…
(…) Se o homem é transcendência, ir mais além de si mesmo, o poema é o signo mais puro desse contínuo transcender-se, desse permanente imaginar-se. O homem é imagem porque se transcende. Talvez consciência histórica e necessidade de transcender a história não sejam mais do que os nomes que agora damos a este antigo e perpétuo desgarramento do ser, sempre separado de si. O homem quer identificar-se com suas criações, reunir-se consigo mesmo e com os seus semelhantes: ser o mundo sem cessar de ser ele mesmo. Nossa poesia é consciência da separação e tentativa de reunir o que foi separado. No poema, o ser e o desejo de ser pactuam por um instante, como o fruto e os lábios. Poesia, momentânea reconciliação: ontem, hoje, amanhã; aqui e ali; tu, eu, ele, nós. Tudo está presente: será presença.

(*) O autor usa o termo otredad, um neologismo. A tradução para outridade é também um analogismo

Post relacionado em ALI_SE:


CORRIDA


Ao longo de pés pesados
E de mãos escorrendo falhas
Entre dedos marcados apuradamente
Todo o corpo suga a corrida
Vertendo a água sumarenta de um grito
E fechados pensares somatizam-se
E onde se avistam praias
Pés agarrar-se-ão em areias que se movem
Para teu entre sem fim


E já porém e por tudo
Diz-se que os fracos e em que fraquezas
Quererão todos sorver
Não me vistam por aí
Beiras e telhados
Em paredes despidas
De cobertos de um tijolo formado
Em sumos sem frutas
De sabores artificiais


Tudo em si
Terminará por fim


E as fraquezas em ideias de se ser fraco
Não existem
Na fraqueza que não te fortalecerá nesse fraco alimento
Ilude por se ser quem é
A agarrar em aprisionáveis façanhas
Acções comiseras, porém vistas em que pequenez
Das ferroadas de míseros bicos reconstruídos
Não viremos e veremos quem saiba abraçar
Tão pródigos azares ou estares


Sorriam, sorriam sempre, sempre
Mas não digam porque sorriem
Ou porque esses sorrisos
Vos deslindem quais prantos
Não digam
E em tudo que se perderá
Tudo se desvanecerá
Águas pantanosas insufláveis
Na lentidão de diques que explodirão
Em podridão esgotável


Não me vejam por agora
Em paladares de um melhor outrora
A música sublima-se
E os sorrisos abrem-se sem mais
E venham os mantos rígidos do calor sonhado
Venham as alegrias paradas
Construam-se mais e mais diques
Sem prestes paragens
Porque sempre parado está teu servo pensar
Que te abomina por não se libertar
Enfrenta teu corpo sábio
Tua dose de Força que te clica
Que te atormenta
Vem e diz o que sabes
O que sentes e o que te fará feliz


E aos velozes gloriosos que esperam que tudo seja breve
E bem divertido em suas fugazes volúpias
E tudo seja formatado num conclusivo esmagamento
Não veremos mais em que transparências
Da opacidade desse pensar anacrónico
Em que por sombriamente retidos
Bem ou mal ir-se-ão ofuscar em sua própria dissipação

POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE

Ordem Poética

Photobucket


A ordem Poética eleva-se SEMPRE
No aconchego do silêncio em desassossego

E a fazer
Ou por fazer
Escreverei dizendo
Escreverei assegurando
Que as excepções sempre existiram  
para que a regra não impere

Sempre assim foi
E assim será para todo o SEMPRE


POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE


Photobucket

POBRE por não ter ou PODRE por ter

...
A sociedade está doente. 
Existe um cheiro a podre, um cheiro a podre por todo o lado. 
Não um podre de quem não tem e porque o pouco ou nada nunca apodrece, mas um podre de quem tem muito, um podre de rico, um podre do muito acumulado numa só mão. 
São podres os que não se consideram pobres porque têm muito dinheiro, são podres os que usam o dinheiro na permissão de mais e mais pobreza. 
Os pobres não se pavoneiam na rua passeando, os pobres recolhem-se, escondem-se e não incomodam, esses não se vêem, e por isso parece que não existem pobres. 
Eu tenho vergonha de existirem pessoas podres de ricas.

E depois ainda existem os que embora ainda não podres, estão já cheios de pus, numa exagerada ambição de se tornarem igualmente uns podres de ricos. E acabou de se sentar aqui mesmo à minha frente um exemplo ou um espécime dessas. Embora ainda não podre de rico, é mais um (porque sim) que escreve e ganha a dizer mal dos outros, nas suas crónicas e livros, mas depois a sua ávida aspiração é a de viver unicamente como um podre de rico
É mais um que pensa que ser-se respeitado é ser-se podre de rico
Uns ricos pobres, esses que se ambicionam em suas vidas, virem um dia a ser, uns podres de ricos
E por isso o mundo cheira tão mal.
Escreve e pensa o que quiseres, mas não deixarás de ser um estragado e apodrecido, quando tuas atitudes se revelam demonstradoras de um pobre de espírito a te ambicionares um podre de rico
E estou-me a sentir mal com este cheiro, vou-me já embora!


O artista e a dignidade humana

...
Estes excertos que se seguem são dirigidos aos que por aí andam cómoda e pateticamente vendados, em tanta cegueira que lhes foi incutida, e coitados até se sentem bem assim, e claro está, que não compreendem, e jamais entenderão, que uma linha de pensamento onde felizmente, muitas pessoas até estão inseridas, é só e unicamente uma questão de lucidez e de dignidade humana, e não terá de passar e neste meu caso não passa mesmo, aos que incomodados assim queiram ou tentem apelidar por que ideologias vigentes.
«(…) deveres obrigados a serem cumpridos a todo o custo geram mitos, entretenimentos, distracções e passatempos e tentam apanhar os desprevenidos e até os prevenidos a confundir tudo e todos com mentiras, falácias e sempre numa omissão para com a verdade. O entretenimento faz esquecer a forma genuína de se pensar direccionada a um bem comum a todos. O entretenimento não provoca prazer, mas sim gozo, é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento no menor esforço possível. O entretenimento vem do colectivo para o singular, é uma apreciação em frases feitas do colectivo dirigida ao singular, fazendo por imergir o singular numa moda disponível a ser usada como sugestiva e conveniente pelo poder que comanda o colectivo. E o resultado de um pensamento singular e genuíno dirigido a um bem comum e ou ao colectivo, será efectivamente Cultura. O entretenimento estará inteiramente ligado ao dever, e é o que fica do que não foi possível criar, é a repetição feita para um povo obrigado à igualitária forma de se acomodar como subjugado. Mas é o povo com os seus artistas que fazem Cultura e não o entretenimento dos geradores de poderes e mitos que farão os artistas, a Arte, o Devir! A Cultura é pois o porvir do Devir. O artista existe e jamais desaparecerá enquanto existirem sociedades e sociabilidades. O artista existe porque existe um povo. Um povo que carrega o peso de seus mandatários. E na mesma igualdade, ambos, povo e artista, que advêm desse somatório de resistências ao intolerável, à fome, à miséria, ao sofrimento, à opressão e na condição do Ser em desejos de Ser­-se humano.

E a não ser possível um povo gerir os seus afectos e a sua forma de se manifestar artisticamente é um povo sem futuro, é um povo ou uma sociedade suicida. E o suicídio em suicidas é a morte anunciada e vindoura do colectivo sem singulares. (…) Existe uma realidade para os excluídos da face da Terra pelo Homem que instituiu tão monstruosas regras em crenças e poder do dever em não devir, que o suicídio será em breve a maior prova de coragem do ser, que não se suporta mais nestas condições de escravatura cativa. Essa compreensão para os de ditos fracos e ou excluídos em toda a extensão do humanitário por não aceitarem compactuar com tanto mal, infortúnio e dor, tornar-se-á em nossa contemporaneidade, o ponto mais forte da dita coragem da dignidade humana em não-ser.

(…) Sendo o devir sempre uma obrigação contrária ao dever, não se rege, nem se deixa comandar por leis impostas pelo Homem, o Devir é o catalisador da motivação existencial e é orientado por leis interiores bem definidas corporalmente. Quando digo corporalmente, tal como fez Bento Espinosa, englobo o corpo não o dissociando da alma e do pensamento em sua Natureza de Ser. O devir diz sempre e unicamente respeito à projecção do pensamento numa saudade em futuro, ou seja, o Devir é sempre um devir­ artístico-filosófico. (...)»
Post relacionado em ALI_SE:

Clube Ministério Educação

...
Clube Ministério Educação e a «oferta» de escolas a empresas


O Governo e o Ministério da Educação, comportam-se como um grande Grupo Económico que ao descobrir a pólvora através das enormes potencialidades do Ensino com seus professores e alunos como a massa mais facilmente a ser impulsionada ao consumo. E assim este clube ministerial descaradamente, oferece, comercializa e utiliza as escolas deste país, para servir empresas como se de um seu negócio se tratasse.
Há uns meses através ouvi uma notícia que dizia, que as profissões mais bem sucedidas num futuro próximo, seriam as do ensino e as da saúde. Compreende-se, a obrigação e a sua salvação. E relativamente ao ensino, com estas 30 novas academias anunciadas ontem pela ministra da Educação, o maior dos fraudes para com o Ensino e a Educação aí está: o Ministério da Educação gastar 400 milhões de euros para empresas (Apple, Cisco, Linux, Microsoft, Oracle e Sun), irem para as escolas, formar e formatar alunos.



E no espaço de um mês de uma certificação Duplex (com Cisco):
Uma formação que passa por alargar as Networking Academias Cisco por todo o país, prevendo um aumento das actuais 150 para 400 até 2011.


«Vamos formar essas academias em várias áreas de actividade da nossa sociedade. Em ONGs, em Centros de Novas Oportunidades, em Escolas, em prisões, em todas as áreas onde podermos levar esses conhecimentos, nós teremos o maior gosto em colaborar com a Cisco, para levar os conhecimentos Cisco, e as competências Cisco a mais portugueses», explica José Sócrates, Primeiro-Ministro.


As Academias serão instaladas em Universidades, Politécnicos e outras escolas e vão dar uma dupla certificação.


«Significa a possibilidade de um jovem ou mesmo um adulto que frequente estes cursos e os conclua com êxito pode vir a obter um diploma que certifica as suas competências escolarmente e profissionalmente. O chamado Diploma de Dupla Certificação. Hoje, as certificações profissionais organizam-se dentro deste Catálogo Nacional de Profissões e a inclusão destes cursos neste catálogo significa que os jovens que os frequente ou os adultos vão poder dispor de um diploma, que é um diploma de reconhecimento formal escolar e profissional», refere Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação…..

Maria de Lurdes Rodrigues passa agora para uma certificação Triplex ao afirmar:
(…) grandes empresas que apostam nas escolas, como pólos ou centros de formação, e pode acontecer, que possam ter possibilidade de estágio nestas grandes empresas, mas sobretudo haverá uma oportunidade de estágio e de trabalho para jovens com esta formação certificada por estas empresas.
(…) Ficam com uma espécie de tripla certificação, porque terão a certificação de nível secundário, a formação profissional do nível secundário… e terão um triplo certificado e que é o certificado reconhecido por estas empresas (por estas indústrias). [ouvir mais]


Vaidades e interesses, políticas e um modelo Triple Helix como relação entre governo, academias (escolas ou universidades) e empresas (com indústrias das ciências no que é tecnológico).
Está implícito para quem quiser entender, que não será necessário aos jovens, esforçarem-se, estudarem para aprender ou terem grandes resultados, porque os talentos fabricam-se em conformidade por quem muito bem os quer e os poderá vir a usar:
(…) O que podem as empresas fazer para identificar as suas potenciais «estrelas» ou colaboradores de elevado desempenho? Podem começar por atirar fora os testes de QI e outros semelhantes para “medir” o intelecto.
(…) O Hay Group possui uma das mais extensas bases de dados do mundo sobre competências e comportamentos de liderança.
O Hay Group trabalha com muitas das organizações, públicas e privadas, que lideram o sector da Educação. Estamos orgulhosos do nosso expertise neste sector.


E hoje, dia 1 de Julho, realiza-se em Lisboa, o Forúm Hay Group 2008, no VIP Grand Lisboa Hotel & Spa, um evento para comunicar e apresentar as boas práticas das empresas consideradas as Mais Admiradas de 2008.
O Dr. Nuno Brito, Director Corporativo de Gestão Estratégica de Relações Humanas da EDP será o orador convidado, que falará sobre a Gestão de Talento à Escala Global.
Basta assim, ordeira e globalmente, aceitar ou estar no Hay Group (Portugal incluído) a satisfazer as directrizes de Bilderberg‘s portugueses do Clube ou Bildeberg Group.

ALICE VALENTE

Post's relacionados em ALI_SE:
O perigoso «Psico-ENSINO»
Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Páginas