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a árvore ao jardim

Desobediência à lei por ética

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(…)
Teremos uma obrigação imperiosa de obedecer à lei?
(…)
Temos alguma obrigação moral de obedecer à lei quando a lei protege e sanciona coisas que achamos totalmente erradas? Uma resposta clara a esta questão foi dada pelo radical americano do século XIX, Henry Thoreau. No seu ensaio intitulado «Civil Disobedience» - talvez a primeira utilização desta expressão hoje familiar - escreveu:

Terá o cidadão de entregar a sua consciência ao legislador, nem que seja por um só momento ou no grau mínimo? Para que terá então todo o homem uma consciência? Penso que devemos ser em primeiro lugar homens e só depois súbditos. Não é desejável cultivar o respeito pela lei nem pelo direito. A única obrigação que tenho o direito de assumir é a de fazer sempre aquilo que penso ser justo.

O filósofo americano Robert Paul Wolff escreveu no mesmo sentido:
A marca definidora do estado é a autoridade, o direito de governar. A primeira obrigação do homem é a autonomia, a recusa em ser governado. Poderia parecer, então que não há solução para o conflito entre a autonomia do individuo e a suposta autoridade do estado. Enquanto o homem cumprir a sua obrigação de ser o autor das suas decisões, resistirá à pretensão do estado de ter autoridade sobre si.

Thoreau e Wolff resolvem o conflito entre o indivíduo e a sociedade em favor do indivíduo. Devemos agir pelos ditames da nossa consciência, por aquilo que autonomamente decidimos que devemos fazer, e não com a lei dita. Tudo o resto seria a negação da nossa capacidade de escolha ética.
(…)
É de supor que nem Thoreau nem Wolff desejavam sugerir que devemos seguir sempre a nossa consciência no sentido de "voz interior" (quando é provável que a "voz interior" resulte da educação de cada um, não constituindo uma fonte genuína de discernimento ético). Queriam dizer que devemos seguir o nosso juízo sobre o que devemos fazer; só assim as suas perspectivas se tornam plausíveis. Neste caso, o mais que se pode dizer das suas recomendações é que nos lembramos que as decisões que tomamos sobre obedecer ou não à lei são decisões éticas que a própria lei não pode resolver por nós. (…) Não devemos partir do princípio de que, se a lei proíbe esconder judeus dos nazis, é um mal fazê-lo. A lei e a ética são coisas distintas.
(...)
PETER SINGER - ÉTICA PRÁTICA - Editora Gradiva



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A obediência como o melhor aliado do MAL



Os apossados da arte a transformá-la em não-arte

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Ou a desvirtualização da Arte:

A partir das intituladas obras de Duchamp, começou a afirmar-se:
«em arte pode fazer-se não importa o quê; qualquer objecto é uma obra de arte»

Quer isto dizer, muito simplesmente que:
E tal como acontece em política, se se der condições para se ser o eleito enquanto presumível "artista" na fabricação de uma qualquer suposta obra ou em que feito de espectacular efeito, tudo é possível vir a acontecer para que alguém se torne o tal "artista" de eleição.

E como outro exemplo, temos: Bruce Nauman na sua de obra de 1965 com o título: «o verdadeiro artista ajuda o mundo a revelar verdades místicas».
E é sobre a questão colocada por Nauman, no que é que é ser-se artista, que se lhe apresentou no início da sua carreira, e talvez numa qualquer justificação enquanto fabricante de objectos não-utilitários, que se iniciou com este trabalho, que só a frase e na suposta obra tida de arte, se traduz imediatamente do que poderá ser uma não-arte. É que para o próprio autor, esta afirmação tida de obra é o próprio desvirtuar da obra em si, como uma piada ou gozo, a ser vista publicamente em forma de anúncio de rua, mas rotulada de obra de arte. É pois a gozação da arte em seu pleno esplendor, e podemos continuar por aí fora, com o que se tem feito nesse mesmo desvirtuar das artes, até aos nossos dias. Em que agora já só ficam os ricos nomes e em seus autores, e a lembrar o ridículo da coisa, porque as obras, essas de uma nova arte são transformadas em não-arte ou coisas guardadas em museus. E tal como o que diz respeito ao que é político e económico, já todo um público ou sociedade em geral, se habituou ou se tornou de certa forma, condescendente e compreensivo para o que se está a fazer com a arte e as artes, no serem dia após dia, completamente desvirtuadas ou transformadas em não-arte.

Temos efectivamente um enorme problema em mãos:
Afinal se assim é nesta possibilidade de tornar em moda ou em eleição de uma nova arte em não-arte. Para que serve afinal o Ensinar ou uma Escola ou depois uma Faculdade de Artes? Para se conseguir efectivamente desvirtuar cada vez mais o próprio sentido da vida, pondo de lado esses mesmos valores da vida e em sua ética e estética, e que sempre fizeram parte das Artes e do que é Artístico?

E porque na animosidade categórica da arte para quem a desvirtua, a fazer arte dando-lhe uma dinâmica de não-arte, é uma forma bastante mercantilista ou freudiana de se ser artista.

Agora vejamos:
Ao se assistir ao que se vai dizendo por aí em palavras e mais palavras ou tanto palavreado de professores, especialistas ou artistas-congressistas, numa qualquer revelação desse novo fenómeno do que é a não-arte e em qual sua função efectiva, retomemos então a questão: que interessa ou o que se levou desse momentos presenciados? Quanto a mim e ao que me é dado assistir, nada de nada! Dá-nos mais a ideia, de que algo terá de surgir a desvelar essa fraude, senão para já, talvez só até todos se fartarem de tamanho logro, a ainda continuarmos mais uns tempos a presenciar esta ridicularidade de se fazer arte, tão demonstrativa quanto ilustrativa do que é esta nova moda e em seus designers tidos de artistas, a decorar salas, galerias e em quantos mais museus e por que afins.

E claro está, quem está ou irá beneficiar com tudo isto?
As novas e já tão generalizáveis e interessantes profissões que por aí reinam: arte-terapia, musico-terapia, cinema-terapia, pintura-terapia, drama-terapia, dança-terapia e por aí fora e depois também sei lá que tal: poesia-terapia e porque não também: escrita-terapia, enfim... e mais terapêuticas invencionices virão... de se ensinar arte através de uma qualquer curativa ou estimulante auto-ajuda, agora muito em moda e até muito presente para os que se fazem à vida, pelas vias do que é psicológico nas suas psicanalíticas e freudianas de tão desgarradas ideias e em quais ensinadores de uma nova escola do que virá a ser a futura Educação Artística. È uma piada, dá vontade de rir e num abanar a cabeça, pois...!

O que quererá então dizer tudo isto?
Que no futuro, seremos todos doentes e aprendizes a precisar de uma qualquer obrigatória terapia muito bem roubada às artes, mas note-se bem: já sem artes e sem artistas. Esses já deixaram de ser precisos há muito tempo. Agora só mesmo os tais "artistas" ou eleitos e em que eleição, fabricados aqui além e acolá, para ensinar essa tal arte, e em quais escolas de novos e oportunos professorados ou dos que se fizeram à quantidade negociável das decorativas e performativas ideias de uma não-arte!
E por aí, satisfeitos ou contentinhos, necessariamente contributivos para esta interessante era de consumismos estabilizadores do que é a psicológica via de se ser com tudo nos seus eixos devidos, dos eleitos e em seus eleitores.
E depois como será com os tais, mais que defraudados das muitas curandices e em que curadorias. Logo se verá!

E a aguardar pelo que virá:
Assim, aqui estamos nós a assistir com toda a naturalidade à manipulação, deturpação e uso das artes de forma a serem desvirtuadas por completo. Até quando?
E com o avalo do Ministério da Educação e em seus entendidos especialistas e em que já pouco faltou para se vir a prescindir do Ensino do que é Artístico. Ou seja está-se no bom caminho do negócio de se ensinar forçosamente a usar as artes (e depois também com a ajuda do Ministério da Cultura) de uma forma enviesada no nada de nada para se aprender, porque o que pretenderá vir a ser ensinado pelos seus apossadores ou nos que nada sabem da prática do que são as artes e do que é Artístico mas porque cursados de um nome para esse mesmo fim, a tornarem-se como tal os eleitos para um ensino de artes a fingir e do faz-de-conta.
É que estas vias enviesadas de se usar a Arte é afinal ficarmo-nos só pelo que é a sensibilização sem vivenciar ou praticar, é isso que se pretende? Parece-me que sim!
E por isso aí temos nós em Portugal o bom exemplo da actual estado da Dança. Aos que se formam em Dança: o andarem para aí todos a ensinar qualquer coisinha ou como se de um desporto se tratasse ou então através de uma corporalidade e em que terapêuticas e sagazes ideias de aniquilar por completo a Dança enquanto Arte. É ridículo o que está a acontecer em prol de se ganhar muito dinheirinho já já e agora e a deixar-se promiscuir as Artes e o que é Artístico.

Links relacionados:
Desvirtuar a Arte - um processo sem regresso?
A arte, a não-arte, os artistas e os especialistas


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o óbvio e a ARTE


Descontinuidades

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DESCONTINUIDADES

Às gargalhadas riem-se os tolos e por sorrisos reveste-se o silêncio. A surpresa deambula em sonhos de uma proclamada bem querença. O ontem já não está aqui e o que vem não se verá. E porque vem, será que se nos viu. Porventura. E aos desventrados pelos ágeis de desventuras, riscar-se-lhes-á seu termo. Enquanto isso pairam amedrontados aos que os suspirará de uma tardia antecipação. E ao reiterado conforto, linhas descontínuas replicam-se.

POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE ALVES

QUEM ALIMENTA O MUNDO

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Em "WE FEED THE WORLD" (Quem alimenta o mundo), o realizador austríaco Erwin Wagenhofer rastreia as origens dos alimentos que comemos. A sua viagem leva-o a França, Espanha, Roménia, Suíça, Brasil e de novo Áustria.
Conduz-nos ao longo do filme uma entrevista com Jean Ziegler, até há pouco Relator Especial das Nações Unidas sobre o Direito à Alimentação. Quem alimenta o mundo é um filme sobre alimentação e globalização, sobre pescadores e camponeses, motoristas de camiões de longo curso e administradores poderosos de empresas multinacionais, sobre o fluxo de mercadorias e o fluxo de dinheiro – um filme sobre a escassez no meio da abundância. Com as suas imagens que se não esquecerão, o filme ajuda a compreender como são produzidos os nossos alimentos e explica o que tem a ver connosco o drama da fome no mundo.
São entrevistados, para além de pescadores, agricultores, agrónomos, biólogos e o relator Jean Ziegler, também o director da Pioneer, o maior fornecedor de sementes do mundo, e ainda Peter Brabeck, presidente da Nestlé International, a maior empresa alimentar no mundo.
www.campoaberto.pt _______ http://stopogm.net/

"QUEM ALIMENTA O MUNDO" - Filme legendado em Português - Com a duração de 95 minutos:

A técnica da fabricação de lixo em grande escala

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A relação da realidade para com o equilíbrio da forma artística, enquanto pensamento e acção, deverá sempre mover-se de dentro para fora e porque em sua inversão existe o design, que se move técnica e insistentemente de fora para dentro, e porque pertença da repetição, da cópia e do igual a ser arquitectado em enormes quantidades a serem consumidas, jamais poderá ser considerado de arte.
O design, a arquitectura e as tecnologias, todos juntos e em sua imperiosa efectivação estão-se a tornar num dos maiores erros para com o que é humano. E tudo isto deve-se ao descontrole que essa mesma técnica está a provocar na construção de novas e alucinantes sociedades assentes em economias de uma globalidade super consumista, embora claro está que os seus fabricantes nos tentem ainda, fazer crer em seu contrário. O publicitário e abusivo fascínio de uma aparatosa sedução em que está inserido qualquer forma de design e pelas evidências ao que de monstruoso e desumano já está a provocar, ir-se-á tornar muito em breve, aos nossos olhos ou aos olhos de todos e sem excepção, como algo de completamente repelente.
Não existe absolutamente nenhum controlo (ambiental, político, económico ou ético) sobre a produção e a fabricação deste novo lixo das muitas e bonitinhas enormidades, tanto decorativas, ornamentais e até nos novos e agigantados biblots arquitectónicos, numa espécie de lixo que é feito em grande escala. Em escala essa que em si mesma, tornada lixo e que por sua vez em lixo esse que se faz, para ser deitado todos os dias para debaixo de um qualquer tapete e ainda em tapete esse que por sinal, está já a tornar-se assustadoramente montanhoso.

Nem sempre na escola está a virtude de se aprender

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A aprendizagem faz-se fora da escola e hoje mais do que nunca!

Ir à escola e formarmo-nos como simples formatados, nem sempre diz respeito a todos aqueles que pretendem aprender com alguma liberdade. Sempre assim foi, mas agora e apesar da escola estar dotada de muitas e variadas ferramentas de aprendizagem, tanto técnicas como psicológicas, apresenta-se num outro paradigma, muito mais fatal, a de uma nova sociedade que se quer eleitamente modelar a todo custo e que se pretende formatada de algum jeito ou de um único jeito tão malicioso quanto traiçoeiro. Em jeito esse que por sinal não me diz respeito e por isso mesmo, a escola e em suas presentes e enganosas aprendizagens, e porque a enviesar e a falsear constantemente a verdade, também elas muito em breve entrarão em ruptura total, tal como já está a acontecer com as falsas políticas económicas e em seus vis mercados. É que aprender sentada numa secretária horas a fio a ouvir todos aqueles com quem se sabe que nada se aprende, simplesmente porque sim ou porque é preciso títulos e em que tipos de rotulagens tornadas desumanas, é deveras constrangedor e sobretudo para aquelas pessoas, que jamais se conseguirão ater a essas suas contrárias vias de se ser. E exactamente porque precisam de aprender procurando, a completar seus próprios processos, de vir efectivamente a encontrar nos valores fundamentais da vida ou com toda a ética e estética, outras formas de novas e possíveis aprendizagens com futuro.

Estudar, pesquisar e aprender sem escola é em prática mais que possível!

Basta começar por nos encontrarmos com os mestres ou com os génios, e em suas obras ou acções exemplares. E embora esses mestres exemplares nem sempre estejam disponíveis para o fazer presencialmente enquanto professores, mas estão-no decerto, em suas obras e trabalhos, tanto literários, artísticos, filosóficos ou humanitários. Assim ao darmo-nos ao trabalho de estar com eles o mais possível a dignificar e a dar continuidade às suas obras, enriqueceremos com toda a certeza.

Arte e ciência ou o papel da imaginação

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Há dois tipos de investigadores: uns para a ciência normal, outros para a ciência revolucionária. Nos períodos normais (no âmbito de um paradigma, digamos), são precisos investigadores que trabalham eficazmente para controlar todos os instrumentos técnicos e eles são «mestres artesãos». Hoje em dia, 95% dos investigadores da teoria das cordas são mestres artesãos. São sempre os melhores alunos de matemática e física, da licenciatura à tese de doutoramento, aqueles que são capazes de resolver os problemas matemáticos mais depressa e melhor do que os outros.
Mas nos períodos revolucionários são precisos visionários. Einstein foi um deles, tal como Neils Bohr. Kepler e Newton são exemplos raros de acumulação de ambas as qualidades. Os visionários decidem fazer ciência porque se colocam questões a que os seus manuais não respondem. Se não se tivessem tornado cientistas, poderiam ter sido pintores, escritores ou músicos. E, na verdade, há muitas semelhanças entre a criatividade artística e a criatividade científica.
Lembrarei apenas algumas famosas afirmações de Einstein.

«A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. Na imaginação cabe todo o mundo». Ou ainda:
«O Homem procura construir para si próprio uma imagem simplificada e inteligível do mundo; depois procura, até certo ponto, substituir o mundo da experiência por este seu cosmos, e assim superar o primeiro. É isto que fazem o pintor, o poeta, o filósofo especulativo e os cientistas naturais, cada um à sua maneira».

JEAN-PIERRE LUMINET - A CIÊNCIA TERÁ LIMITES? - FCG - Gradiva


Vejo a descoberta do HAR1 como um acontecimento seminal na história da ciência, marcando o começo de uma nova compreensão da evolução e da natureza humana, como um grande passo ao encontro da realização do sonho descrito em 1929 por Desmond Bernal, um dos pioneiros da biologia molecular, no seu pequeno Livro «The World, the Flesh and the Devil: Na Enquiry into the Future of the Three Enemies of the Rational Soul» (O Mundo, a Carne e o Diabo: Um Inquérito ao Futuro dos Três Inimigos da Alma Racional). Bernal encarava a ciência como a nossa melhor ferramenta para derrotar os três inimigos. O primeiro inimigo é o Mundo, significando as cheias, as secas, a fome e as alterações climáticas. O segundo inimigo é a Carne, significando as doenças infecciosas e as enfermidades senis. O terceiro inimigo é o Diabo, significando as paixões negras e irracionais que conduzem seres, à parte isso racionais, para o conflito e a destruição. Sou optimista quanto ao futuro porque vejo o HAR1 como nova ferramenta que nos conduz a uma compreensão profunda da natureza e à derrota final do nosso último inimigo.
(Sobre o que é o HAR1: ) Há apenas um ano, foi feita uma descoberta seminal por David Haussler e a sua equipa da Universidade da Califórnia, Santa Cruz. Na minha opinião, esta descoberta é uma chave importante para o mistério da mente humana. Foi publicada na revista «Nature» em Setembro de 2006. Haussler e os seus colegas compararam os genomas de diferentes espécies: ratinho, rato, galinha, chimpanzé e humano. Encontraram um pequeno pedaço de ADN em todos estes genomas a que chamaram HAR1, abreviatura para para Região Humana Acelerada 1. Este fragmento parece estar estritamente conservado nos genomas de ratinho, rato, galinha e chimpanzé, o que significa que deve ter tido uma função essencial que se manteve inalterada durante cerca de trezentos milhões de anos, desde o último ancestral comum entre as aves e os mamíferos até hoje. Mas o mesmo fragmento aparece bastante modificado, com dezoito mutações, no genoma humano, o que significa que deve ter alterado a sua função nos últimos seis milhões de anos, desde o ancestral comum entre chimpanzés e humanos até aos humanos modernos.
De algum modo, aquele pequeno fragmento de ADN expressa uma diferença essencial entre os humanos e os outros mamíferos. Conhecemos outros dois factos significativos sobre o HAR1. Primeiro, não codifica uma proteína, mas codifica ARN. Isso significa que não é em si próprio um gene, mas uma espécie de organizador controlando a acção de muitos genes. Segundo, o ARN que codifica está activo no córtex do cérebro embrionário humano durante o segundo trimestre de gravidez, quando a arquitectura básica do córtex está em construção. É provável que a rápida evolução do HAR1 tenha alguma a ver com a rápida evolução do cérebro humano durante os últimos seis milhões de anos. E a rápida evolução do córtex provavelmente proporcionou a base para a emergência da mente humana.

FREEMAN DYSON - A CIÊNCIA TERÁ LIMITES? - FCG - Gradiva

Eles não merecem!

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Eles não merecem!

É interessante, hoje à conversa com uma pessoa amiga, foi a frase que me ficou e me levou a escrever de imediato as palavras que se seguem e porque «Eles não merecem!».
Por isso, após ter desligado o telefone, fiquei a pensar e a fazer o meu balanço, nas quais pessoas que afinal merecem ou não ser consideradas. E acontece, sim acontece-nos a todos, que se não o fizermos, ou seja se não considerarmos em primeiro lugar os que deverão de ser apreciados, apoiados e ajudados, e porque merecem mesmo, por vezes somos sufocados, assim sem mais nem menos e a torto e a direito, por esses mesmos que não merecem nenhuma atenção e muito menos consideração. E o melhor a fazer a todos esses que não merecem nada, é deixá-los ficar longe, bem longe, é deixá-los por aí à deriva em suas ridículas e ricas barcaças de agigantados e adornados tamanhos de quais institucionais e vergonhosas reais ganas de tudo tentarem abarcar pelo quantitativamente. Deixá-los pois, por aí afundarem-se em suas soberbas e pesadas arrogâncias, e até o melhor mesmo é deixá-los conspurcarem-se na própria «
merda» que se arregalam de expelir todos os dias fora de si e de seus círculos e até onde não devem, façam-no longe e não lhes dêem sequer a oportunidade de provocar quão mau cheiro em arredores de qual pretensão de se assentarem por tudo o que é sítio, a arrotar todo o tipo de nauseabundices. Deixá-los ficar mas é, bem fechadinhos em seus palácios de sete chaves, muito maneirinhos e em que inteligentes sorrisos matreiros de tudo querer segurar à tais pesadas e férreas biqueiras que por calçadas de um uso de tamanho maior que o preciso. Eles não merecem e por isso, deixá-los lá, bem longe, sem se conseguirem mexer por tão presos às suas mesquinhas e congeláveis carapaças bem acondicionadas, deixá-los fecharem-se em suas idas longínquas de uma não-volta. Talvez assim, se venham a tornar os apreendidos de uma qualquer muralha ou em que terror separatista que os traduzirá, resumindo-os à ignóbil e cabal distância tão precisa de jamais precisarem de sentido do ser-se calorífero em plena invernia.


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A importância da bicicleta

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Gostaria de salientar a enorme importância de andar de bicicleta, mesmo com chuva, como é o caso do exemplo dado aqui nesta fotografia que tirei em passeio com meus filhos. Para as pequenas deslocações, andar de bicicleta, na cidade ou fora dela é o meio de transporte mais rápido e eficaz. Transporte não poluente, é fácil de manobrar e estacionar e a sua manutenção é muito económica. Quando a prática de andar de bicicleta se torna habitual é muito salutar e exactamente porque fortalece os músculos das pernas e também dos braços, cria boa postura na coluna e é a melhor maneira de retirar os tais pneus da barriga e cintura, e ainda porque faz aumentar a circulação sanguínea, torna mais claro o raciocínio. É efectivamente um transporte muito saudável, cómodo, silencioso e o que melhor interage com as pessoas e o meio ambiente.
Actualmente e porque não preciso, não tenho automóvel e para me deslocar na cidade de Lisboa, uso transportes que não a bicicleta para já, mas quando saio de Lisboa, tanto de férias como profissionalmente, procuro nas cidades ou lugares onde fico, sempre e o mais possível, o uso da bicicleta tanto para me deslocar de um lado para o outro como para passear.

E sobre as bicicletas e ciclovias em Lisboa:

Notícia Público: 3 Junho 2007
O que foi dito em Outubro 2008 como aprovado
Afinal uma aprovação não aprovada:
notíciaSapo: 18Nov2008 | notíciaRtp: 3Dez2008 | notíciaRtp: 10Dez2008 | notíciaPúblico: 22Jan2009

E sobre Portugal, o andar de bicicleta e a maior fábrica de bicicletas da Europa:
Artigo de João Branco no 5 dias
João Branco no programa “Nós por cá” da SIC

E ainda sobre o andar de bicicleta na cidade, deixo-vos com este simpático blogue:
http://bicicletanacidade.blogspot.com/



Em formativas «per si»

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E preparemo-nos para as glórias inglórias de não sermos. Preparemo-nos para retirar a sujidade das unhas antes de se sujarem. Façam-no de dia e não de noite o alimento do descanso.
E prestes a se saberem virtuosos atirem-se pela corrente do desprezo. Vão ao fundo das aprendizagens sem mestres e vejam-se em todos os espelhos. Que virão? Reis e rainhas, coroados de um ouro metalizado que os derreterá frente a frente de um outrora. E porque agora é já agora!
Não se desdigam somente por agora. Desdigam-se sempre quando por vivos e aprendizes nada vos foi ensinado por bem dito. E no outrora de agora obrigados a serem, passem à palavra da ironia.
E diante de um futuro que vos improvisou, batam a qualquer porta antes de entrar, e quando a porta se abrir de par em par, não entrem, espreitem e depois de vos ser oferecido qualquer taça redentora do brinde, desviem-se de tais cursos. E mesmo antes de o dia findar, ajoelhem-se diante do pecado não cometido.
E após, corram para as mãos do sonho que não terminará mais.
A loucura não acaba aqui e por nós aprende-se, quando não somos por bem vindos na manhã daquele dia. E não aceites os remédios que te obrigam a estar bem de um dormir falseado. Escarra sempre a todos essas coisas naqueles que te quererão salvar. Foge deles. Olha-os bem de cima da ignorância de não saberem mais o que te poderão ensinar. A faculdade desses é a azáfama de se verem livres de ti.
E passeia pela tua avenida. Descalça-te na praia e corre frente ao espraiar das ondas. Eleva-te nos céus e cobre-te das nuvens soalheiras que te aconchegam. Brilha com o sol e não esperes mais por esses, por todos esses que não te saberão ver e descobrir.
Abre a janela da casa em teu interior e avista a única paisagem luminosa de todas as tuas estações. E acima de ti cobrir-te-á o sono que te agasalha por aí todos os dias da tua mesma e ainda por morrer, noite com vida.

POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE

Crenças, Religiões e Poderes

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CRENÇAS, RELIGIÕES E PODERES
Dos Indivíduos às Sociabilidades
Obra colectiva, multivocal, diversificada, é resultante da 11ª mesa-redonda de Primavera realizada na Faculdade de Letras do Porto em 22 e 23 de Março de 2007. Nela, autores de formações e actividades muito diferenciadas procuram pensar as relações entre as crenças, as religiões e os poderes... três âmbitos evidentemente vastíssimos, abertos a uma multiplicidade de interpretações e perspectivas, sobre os quais cada um apresenta um contributo resultante da sua investigação e reflexão. É essa variedade que faz a riqueza desta obra, onde participam também investigadores estrangeiros, e na qual foi dada aos intervenientes a liberdade de optarem por um tema de sua eleição. Este livro prolonga o prazer daqueles dois dias de exposições e debates livres, e procura estendê-lo a todos os leitores. Cada texto constitui uma espécie de "aperitivo" para, consoante o interesse de cada um, o desenvolvimento de questões que vão da filosofia à história, da sociologia à arqueologia, da religião à educação (entre outros campos), mas que interessarão também genericamente no que em todos eles se anuncia de perspectivas sugestivas em torno de questões tão "quentes" e actuais como são as dos poderes, por vezes tão subtis e difusos, e das variadas formas da crença, tanto as formalizadas e públicas como as que residem na intimidade de cada um de nós. Um diálogo tanto quanto possível aberto, que visa criar uma "ecologia" de um saber que não pretende ser académico e sistemático, mas rigoroso e aberto à inquietação.


CONVITE 29JAN2009-18h30-PORTO doc_pdf

As Edições Afrontamento, Porto, promovem a APRESENTAÇÃO pública do LIVRO:
"Crenças, Religiões e Poderes", no dia 29 Janeiro 2009, às 18h30
na Livraria Leitura /Books & Living, do Centro Comercial Cidade do PORTO
(junto ao Mercado do Bom Sucesso, a 5 minutos da Faculdade de Letras da UP)

A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Paulo Tunhas, filósofo, da Universidade Fernando Pessoa e da Faculdade de Letras do Porto.

Estarão presentes também, além dos editores e dos coordenadores da obra (Prof. Doutor Vítor Oliveira Jorge e Prof. Doutor José Maria Costa Macedo, da FLUP), os autores.

A sessão é aberta a todos os interessados.

Neste livro sou autora do texto com o título: «Crenças e poder - do dever em não devir»




Poder escudado em guerras de estratégias sempre desumanas

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Porquê uma embaixada como a de Israel ainda no centro da cidade de Lisboa?

Vizinhos da Embaixada de Israel sentem-se "escudos humanos".


(…) Os mais condescendentes chamam-lhe "check-point". Os mais irados preferem usar expressões como "bunker" ou 'faixa de Gaza'. Na zona das avenidas novas, em Lisboa, ninguém fica indiferente à barreira de segurança instalada … em frente ao edifício da Embaixada de Israel. Duas cancelas automáticas e vários pilares antibombas, vigiados por agentes da PSP e da Mossad (a 'secreta' israelita), impedem a passagem de veículos numa das zonas mais movimentadas da cidade.
(…)
"Tal como os israelitas afirmaram em 1979, depois do atentado à embaixada, nós, os moradores, somos o seu escudo humano. Nada mudou. Já fomos evacuados de casa três vezes por ameaças de bomba"…
(…)
Para Jorge Bacelar Gouveia, professor de Direito Constitucional que preside à Comissão de Fiscalização das 'secretas', a embaixada deveria mudar de local, como fez a dos Estados Unidos...
(…)

… embaixada entre a população porque se houver um atentado morrem umas dezenas de portugueses e a opinião pública vira-se contra os muçulmanos.

…Se a Embaixada de Israel quer segurança, e porque dinheiro não lhe falta, que procure local apropriado que não colida com a segurança e a livre vida dos cidadãos. Instalar uma embaixada de risco em zona habitacional é como instalar uma pirotécnica na cave de um prédio!

Leia artigo na íntegra: Expresso - 11 Agosto 2008


Em guerra por que T(t)erra

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FERNANDO NOBRE em Grito e choro por Gaza e Israel:

Há momentos em que a nossa consciência nos impede, perante acontecimentos trágicos, de ficarmos silenciosos porque ao não reagirmos estamos a ser cúmplices dos mesmos por concordância, omissão ou cobardia.
O que está a acontecer entre Gaza e Israel é um desses momentos. É intolerável, é inaceitável e é execrável a chacina que o governo de Israel e as suas poderosíssimas forças armadas estão a executar em Gaza a pretexto do lançamento de roquetes por parte dos resistentes (terroristas) do movimento Hamas.

(...)
- Foi o governo de Israel que, ao mergulhar no desespero e no ódio milhões de palestinianos (privados de água, luz, alimentos, trabalho, segurança, dignidade e esperança ), os pôs do lado do Hamas, movimento que ele incentivou, para não dizer criou, com o intuito de enfraquecer na altura o movimento FATAH de Yasser Arafat. Como inúmeras vezes na História, o feitiço virou-se contra o feiticeiro, como também aconteceu recentemente no Afeganistão.
- Estamos a um combate de David (os palestinianos com os seus roquetes, armas ligeiras e fundas com pedras...) contra Golias (os israelitas com os seus mísseis teleguiados, aviões, tanques e se necessário...a arma atómica!).
- Estranha guerra esta em que o agressor, os palestinianos, têm 100 vezes mais baixas em mortos e feridos do que os agredidos. Nunca antes visto nos anais militares!
- Hoje Gaza, com metade a um terço da superfície do Algarve e um milhão e meio de habitantes, é uma enorme prisão. Honra seja feita aos heróis que bombardeiam com meios ultra-sofisticados uma prisão praticamente desarmada (onde estão os aviões e tanques palestinianos?) e sem fuga possível, à semelhança do que faziam os nazis com os judeus fechados no Gueto de Varsóvia!

(...)
Vergonha para todos aqueles que, entre nós, se calam por cobardia ou por omissão. Acuso-os de não assistência a um povo em perigo! Não tenham medo: os espíritos livres são eternos!
É chegado o tempo dos Seres Humanos de Boa Vontade de Israel e da Palestina fazerem calar os seus falcões, se sentarem à mesa e, com equidade, encontrarem uma solução. Ela existe! Mais tarde ou mais cedo terá que ser implementada ou vamos todos direito ao Caos: já estivemos bem mais longe do período das Trevas e do Apocalipse.
É chegado o tempo de dizer BASTA! Este é o meu grito por Gaza e por Israel (conheço ambos): quero, exijo vê-los viver como irmãos que são. (leia texto na íntegra)




a 2009

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Com desejos de um Feliz 2009

TERRA nas mãos dos donos da FOME

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UM MANIFESTO EM DEZ PONTOS
Os alimentos transgénicos, ou plantas geneticamente modificadas, têm sido apresentados como solução para tudo: fome no mundo, alterações climáticas, agricultura química, doenças e subnutrição... Mas a verdade pode ser bem diferente, e as razões abaixo, entre outras, justificam a proibição pura e simples destes frutos da engenharia genética.


ler >>> doc_pdf_UM MANIFESTO EM DEZ PONTOS


Vídeo: TRANSGÉNICOS - A Manipulação dos Campos

>>>> + VÍDEOS com informação IMPORTANTE

MANOEL DE OLIVEIRA - o maior cineasta do mundo faz hoje 100 anos

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É muito fácil explicar por que é que ele é o maior cineasta do mundo,
diz Bonnaud,
O cinema, mesmo quando é um grande cinema feito pelos maiores cineastas, obedece a um certo número de regras que são intocáveis. O que é fascinante em Oliveira é que ele não respeita regra nenhuma. É alguém que opera quase como se não tivesse havido cinema antes dele – é preciso inventar ou reinventar tudo. É como um primitivo italiano que tem de inventar a pintura porque ela não existe antes dele ou como Jean Dubuffet ou Picasso, que não se contentam com os códigos da pintura, mas que a querem reinventar o tempo todo.


E pelo EL GRECO, aquele que é para mim o maior pintor de sempre, e depois pelo MANOEL DE OLIVEIRA, o maior cineasta do mundo e que hoje faz hoje 100 anos, os meus parabéns!
E pela vida, pela obra e pela artes, deixo-vos com estas palavras pertinentes de Carlos Vidal no blogue 5dias:

(...) De resto, esta coisa das artes serem divulgadas como chocolates ou automóveis, é um disparate gigantesco. Sempre achei que as artes têm pouco a ver com democracia ou democratização vulgar. A expressão “democratização da arte” sempre me irritou solenemente. Sobretudo para quem diz que uma obra é “chata”, “enfadonha”, “aborrecida”, “mal feita” (ah meu bom El Greco !!, como pintavas mal mal mal !!!!). Sobretudo para esses para que é a “divulgação” ??
Terão direito à arte ?? Não, sem dúvida que não (força Greco, continua a pintar cada vez pior, dá cabo dessa anatomia das figuras, inventa-as, torce-as, reinventa-as !!!!!).
A ARTE NÃO PODE SER PARA TODOS ! (...)


É que, para quem queira fazer das artes ou da arte tudo aquilo numa qualquer coisa que ela própria e em sua certa incerteza não aprova, sobretudo aos que jamais conseguirão entendê-la e porque a atentaram ou tentaram intrometer-se a desviá-la por que outras vias. E é aí ou exactamente por isso que a arte ou a vida se rebelará sempre, a não poder ser ou estar para todos esses mesmos, que a tentaram impelir ou desvirtuar, no sentido de ela ser aquilo que ela não é: uma anti-arte!

A exclusão social e os defraudados do Ensino

...
Ao dar-se de caras com um Ministério da Educação e em seus negócios competitivos.

Hoje ao entrar no blogue Fractura.net de Carlos José Teixeira, deparei-me com este texto: Educação | A Nova Forma de Repressão ou os Paradoxos da Política Educativa – de Elsa Cerqueira, Professora de Filosofia.
o mesmo texto, nos blogues de Paulo Guinote (Educação do Meu Umbigo), João Maduro (Matemática ... ), Anabela Magalhães e Helder Barros.
Texto este que me levou imediatamente a escrever sobre o que me preocupa, a competição ou competitividade e a exclusão social, e nessa relação com o que se ensina ou se tem ensinado ao longo dos tempos, e a levantar aqui a seguinte questão: qual foi ou será a finalidade do Ensino?

E porque a EXCLUSÃO social sempre se fez na aprendizagem e em seu ENSINO para com seus alunos ou aprendizes. E como consequência, assiste-se agora ao grande fenómeno deste negócio do que é o competitivo, e já tão bem advogado pelo Ministério da Educação, Escolas e em quais Professores.
E eis que aí estão, os descontentes que excluíram, sentem-se agora também eles, como os excluídos. Faz parte de uma teia de VÍTIMAS e em que PSICO-ENSINO instaurado há algum tempo, e de quem muito bem se vestiu preparando-se para ganhar e a ser bem sucedido nesses mesmos moldes do que é o NEGÓCIO ou o ganho: no ensinar como se faz para se ganhar com essa mesma exclusão.
Sobre estes excertos que escolhi e se seguem, do texto e em seus paradoxos e que a sua autora assinala em suas interrogações... De afinal se saber: quem quer ensinar o quê, a quem e com que finalidade ???
Paradoxo 1
(...) serão os não titulares menos preparados, do ponto de vista científico-pedagógico, do que os titulares?
(...) Como compatibilizar a “experiência” profissional do professor com o facto de, para efeitos do referido concurso, terem sido apenas validados os últimos sete anos de experiência profissional?(...)

Paradoxo 2
(...) O número de alunos por turma é variável e eles possuem traços de personalidade heterogéneos: uns são tímidos, outros mais extrovertidos, etc.
Instrumentos de registo pouco rigorosos poderão avaliar com rigor?(...)

Paradoxo 3
(...) É curioso constatar que a obsessão pela quantificação sirva os propósitos do Ministério da Educação nalguns casos como, por exemplo, para avaliar a percentagem de aprovação dos alunos, do 9º ano, nos exames nacionais, para discriminar escolas mediante um ranking cujas variáveis são díspares (não têm todas os mesmos exames, os mesmos níveis, o mesmo número de alunos inscritos) e seja irrelevante quando se trata de uma manifestação que envolve 120 000 professores!

Paradoxo 4
(...) Pergunto: Poderei pronunciar-me do ponto de vista psico-cognitivo sobre alunos que desconheço? Sobre quantos abandonarão a escola? Poderei prever e controlar as variáveis inerentes ao processo de ensino-aprendizagem antes deste ocorrer?
Os alunos não são meros produtos, resultados e, como tal, não podem ser coisificados, enformados, deformados, enclausurados em taxas e taxinhas pré-fixadas!
(...) O facilitismo é inversamente proporcional à qualidade do ensino-aprendizagem.

Paradoxo 5
(...) Sei o que valho como docente, sei o nível de conhecimentos que possuo na minha área. Terei que me submeter a este regime de classificações, também elas pré-anunciadas? Quem manipula quem? (...)

Paradoxo final
(...) Sou professora/educadora e a minha primacial tarefa é ensinar/educar com qualidade, desenvolvendo nos alunos o gosto pelo Saber, pelo Fazer e pelo Ser. Serem Pessoas dotadas, no futuro, de competências indispensáveis ao exercício de uma cidadania esclarecida, activa e interventiva. O legado de um professor é re-actualizado ao longo de cada minuto das suas existências.
Os meus alunos estão e estarão sempre em primeiro lugar.
(...) Política Educativa (...) como forma de repressão ... (...). Paradoxo mortal.
Sempre, intencionalmente ou não, os Professores fomentaram a exclusão na sala de aulas, e com ou sem directrizes dos seus responsáveis, exactamente porque sempre foi preciso seleccionar a escolher os melhores e a infelizmente negligenciar e humilhar, os tidos de incapazes, por uma qualquer autoridade que sempre nos fez crer nessa tal impositiva e conveniente forma do que é imperar ou nessa tal obediência e em que valores morais de um «Assim seja! Amén».
É agora, o próprio Ministério que fomenta a exclusão, mas descaradamente no seio dos Professores. Esses mesmos Professores que afinal cumpriram com o que lhes era exigido no seu tempo de alunos. Ou seja, aprenderam que a vida, ainda assim, faz-se de uma qualquer exclusão que os torna cúmplices do que lhes apraz serem seres de quais materialidades. E efectivamente em seu tempo de aprender, tiraram boas notas e assim não foram excluídos das escolas e da vida também, acabando por tirar os seus cursos como era e ainda é exigido nos parâmetros do que é ser-se bem sucedido. E prosseguindo suas vidas com essa mesma finalidade ou não, entraram para o Ensino a fazerem-se à EXCLUSÃO...
Ah, é que sempre foi assim, é uma mentalidade ou talvez seja uma fatalidade, instaurada por quem não quer pensar, em primeiro que tudo, a ter-se de obedecer a quem manda, numa resignação a aceitar o que mal está e simplesmente viver em suas superficialidades dessa mesma onda, a entrar-se nesse tal imperioso e tão cómodo barco do salve-se quem puder. Este viver no salve-se quem puder, o fim em si mesmo, do que é a competição e em suas competitividades, de jogos, guerras ou lutas, a não se querer perder ou a saltar borda fora. E a não se pensar profundamente na questão ou raiz fundamental do problema, tem-se como resultado a instauração das vias do que é confuso e problemático, a tornar-se a coisa em si, na mesma guerreira e conflituosa desordem que a problematizou, a seguir-se-lhe na pior forma possível e numa inevitável efectivação que terá de acontecer em alteração ao que mal está.
E privilegiando o que é o competitivo e em suas estratégias de negócio, efectiva-se o que é a EXCLUSÃO pelas mesmas vias. E esclarecendo o seguinte excerto do paradoxo 1:
Como compatibilizar a “experiência” profissional do professor com o facto de, para efeitos do referido concurso, terem sido apenas validados os últimos sete anos de experiência profissional?
Isto é competição, é o negócio em suas estratégias, é a EXCLUSÃO da parte do Ministério em suas vias de se proteger e a proteger os seus a quem, lhes é dado confiar e, que são aqueles em quem investiram, os do cientifico-pedagógico ou das cientificadades das Ciências da Educação e em Faculdade esta (Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação), instituída há mais de uma década, a única associada ao Ministério como autoridade máxima e em seus especialistas formados e muito bem preparados para formatar (sem mais extrapolações) no que é o actual Educar para a Competitividade.
Faz parte de uma teia de VÍTIMAS e em seu respectivo PSICO-ENSINO.
E aí está, mais feroz do que nunca, esse mesmo negócio do competitivo e em sua exclusão, e em pleno séc. XXI, e está para reinar a apanhar os desprevenidos e a apresentá-los de seguida, tão descaradamente e a todos em geral, mais cedo ou mais tarde, como, os defraudados!
Será que com intencionalidade ou não e com mais ou menos lucidez, toda esta finalidade do Ministério, da Ministra, das Escolas é a mesma que os Professores e da Sociedade em geral, a deixarem-se ater a toda esta EXCLUSÃO humanitária?
A assim ser, estamos perante a maior crise de todos os tempos, mas não uma crise económica ou política, e sim a assistirmos descaradamente à maior crise de VALORES de sempre.

E continuarei a afirmar :
Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social. (Excerto final do «O perigoso Psico-Ensino» )



LINKS relacionados em ALI_SE:
AS VÍTIMAS

O perigoso PSICO-ENSINO
A Educação Artística e o espartilho cientista
Clube Ministério da Educação

Vítimas em Acontecimento

...
E após esta segunda manifestação de professores deste ano, aí está (notícia hoje no Público: aqui e aqui) a violência do Ministério da Educação sobre as Escolas e em seu Ensino. E para reflexão, deixo-vos com excertos deste meu texto de 26 de Março de 2008, AS VÍTIMAS:
(...) A maior parte dos que estão a ensinar no nosso país e assim como os que estão a aprender no nosso país e por sua vez, os pais que criam os seus filhos e que os mandam para as escolas públicas do nosso país, é por obrigação e necessidade que o têm de fazer.
E aí estão as vítimas ou os vários tipos de vítimas, todas juntas e que são:
  • Os pais que criam filhos e que os têm de mandar para estas escolas públicas
  • Os filhos que são obrigados pelos pais a terem de aprender nestas escolas
  • Os alunos que têm de respeitar as regras das escolas onde estão inseridos e
  • Os professores que têm de ensinar nestas escolas porque não encontraram no mercado de trabalho outra ocupação profissional.
(...)
Como é que uma ministra da Educação e um chefe de Estado do nosso país com todos os que os rodeiam e que se vão tentando proteger com tanta malvadez, fecham os olhos a um ajuntamento de 100 mil professores na rua?
E depois com toda a crueldade que lhes apraz, ainda culpam as vítimas!
Escusam esses senhores que pretendem tornar-se os vitoriosos deste país à custa descarada de tantas vítimas numa cabal construção de mais e mais exclusão social, o de querer enganar a baralhar tudo e todos, e de ainda por cima, tentarem arranjar culpados nas vítimas!
É que é impensável continuarem a agir assim, vão-se dar mal! Isso é desumano, muito desumano!
Era a mesma coisa que nas ideias hitlerianas ou no nazismo, culpar por existir, todo aquele que nasceu judeu! É horrível, não é?...

É que mais depressa do que esperamos algo irá acontecer tal como, e em referência ao «acontecimento» em Alain Badiou, que nos indica que o ser insatisfeito com o que lhe é completamente intolerável a nível do colectivo ou do Todo, ou seja o «ser-acontecimento» movimenta-se num qualquer acreditar (em devir) ao que sabe, que irá acontecer inevitavelmente, em ruptura e a acabar com o que é lhe insuportável humanamente. E esse «acontecimento» indefinido e sem hora marcada, surge de um nada que embora de uma imposição estável, se vai delineando com o somatório dos diferentes intervenientes instáveis e fiéis a esse mesmo «acontecimento» e acabando por antecipá-lo em si mesmo. E temos como exemplo em Portugal deste «acontecimento»: o 25 de Abril.
E por isso, todos aqueles que agirem nesta insistência de continuarem a contribuir para uma atroz exclusão social, ir-se-ão dar mal. E ainda por cima nos tempos que correm, que a História já não se faz como dantes, a ser adulterada e porque só pertença dos que detém o poder. Neste momento todos poderão intervir para uma História feita com mais verdade.

E termino com o excerto final deste meu post: «O perigoso Psico-Ensino»:
Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.


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