Sobre_ ALI_SE
_
a árvore ao jardim

Capital

...


Capital

E as flores crescem fora de vasos
Saltaram-lhes o âmbito
Em muitas e muitas árvores soma-se a frescura
Debaixo e acima de raízes
E sentados por dias
Lá onde se perde o anel do propósito

E não se enleiam as raízes a asfixiarem outras raízes
Essas raízes que se fazem de indivisas raízes
Das que sobem abaixo à procura de alimento
E das que descem acima à procura de movimento
São as raízes da Terra que ecoam

Tanto, mas tanto que nos cansa a mente. Come-se do prato cansado. Come-se. Comemo-nos escoando o calor que nos cansa. Descemos à plateia dos muitos, muito pouco. E às vésperas do festim de bastidores, retira-se a cortina velada. E aos montes amontoam-se as idas dos que não mais virão. Inertes.


Não digas
Não digas nada
Nem digas quem és
Não é preciso saber-se o que o outro é
Não somos assim nem do outro nem do ser-se
Somo aquilo que não podemos ser
Somos muitas vezes o que somos
Sem saber quem somos

Somos ou fomos?
Nem somos nem fomos
Vamos por que vivos

E os batuques
Tocam-se
Como que de mãos dadas e à roda
Dançados e unidos
Ora para lá ora para cá
O movimento dá-se
E o dia estava indo
Como nós
Por alegria




As Artes e as suas práticas

...
Toda a concepção e realização das artes e em suas manifestações artísticas insere-se sempre num pensamento Artístico-Filosófico. A arte jamais se poderá aliar a demagogias ou conceitos económico-políticos. Quero com isto dizer e a afirmar, que será impensável fazer-se das artes meros produtos de cura ou consumo. E porque, será sempre em seu inverso que se poderá despoletar a via da vida e do que é artístico ou seja, não é importante como se faz a obra e em seus mecanismos de pretensas ideias tecno-estereotipizantes, o que é preciso é que surja sempre numa espontânea e livre autonomia através do pensar e do sentir, a justificar na prática, a obra enquanto arte, pelo intuir, como a razão primeira do pensamento. E ainda no que diz respeito à vida enquanto vida, é através desse pensamento Artístico-Filosófico e em suas práticas e, porque lhes está subjacente, deixar que surja essa harmoniosa revelação de um saber no que é o criar a cuidar e proteger de tudo e de todos que nos rodeiam.

E o maior erro que aí vem e que salta já à vista, é o de querer pôr em prática uma Educação Artística, direccionada por cientificidades educacionais de modernices sem nexo, assentes em obsoletas e malogradas psicologias freudianas, lacanianas e até kleinianas e, entre outras que perpassam por aí em esfusiante e crescente expansão. Estudos estes que se têm revelado apartados das verdadeiras práticas do que é a força da criação artística. Em ideias estas que por tão redutoras, mesquinhas e ainda porque associadas a experiências mercantilistas e a permitirmos serem postas em prática, irão efectivamente destruir por completo toda a capacidade de se pensar, de se sentir, de se intuir e de se viver em valores de Ética e Estética.



Post's relacionados em ALI_SE:

Os apossados da arte a transformá-la em não-arte

O perigoso "Psico-ENSINO"


POR DESENHAR

...
Photobucket

Desenha

Desenha-te em todos os teus jardins

E soma o ar que respiras à água que te bebe

Desenha sem lápis e sem papel

Desenha

Desenha-te à alma, à ética, à beleza, à essência

Desenha

Desenha sempre



O que é a POESIA ...

...
OS SIGNOS EM ROTAÇÃO

(...) Uma sociedade sem poesia careceria de linguagem: todos diriam a mesma coisa ou ninguém falaria, sociedade transumana em que todos seriam um ou cada um seria um todo auto-suficiente. Uma poesia sem sociedade seria um poema sem autor, sem leitor e, a rigor, sem palavras. Condenados a uma perpétua conjunção que se resolve em instantânea discórdia, os dois termos buscam uma conversação mútua. Transformação da sociedade em comunidade criadora, em poema vivo: e do poema em vida social, em imagem encarnada. (...)

A CONSAGRAÇÃO DO INSTANTE
(...) As palavras do poeta, justamente por serem palavras, são suas e alheias. Por outro lado, são anteriores a toda a data: são um começo absoluto. Sem o conjunto de circunstâncias a que chamamos Grécia nem existiriam a Ilíada nem a Odisseia; mas sem esses poemas tampouco teria existido a realidade histórica que foi a Grécia. O poema é um tecido de palavras perfeitamente datáveis e um acto anterior a todas as datas; o acto original com que principia toda história social ou individual; expressão de uma sociedade e, simultaneamente, fundamento dessa sociedade, condição de sua existência. Sem palavra comum não há poema; sem palavra poética tampouco há sociedade, Estado, Igreja ou comunidade alguma. A palavra poética é histórica em dois sentidos complementares, inseparáveis e contraditórios: no de constituir um produto social e no de ser uma condição prévia à existência de toda a sociedade. (...)

O VERBO DESENCARNADO
(...) Os "poetas malditos" não são uma criação do romantismo: são o fruto de uma sociedade que expulsa aquilo que não pode assimilar. A poesia nem ilumina nem diverte ao burguês. Por isso desterra o poeta e transforma-o em um parasita ou um vagabundo. Daí também que os poetas não vivam, pela primeira vez na história de seu trabalho. Seu labor não vale nada e este não vale nada traduz-se precisamente em um não ganhar nada. O poeta deve buscar outra ocupação - desde diplomacia até o roubo - ou perecer de fome. (...)
(...) A poesia não tem cotações, não é um valor que pode transformar-se em dinheiro (...)

(...) Com a mesma decisão do pensamento filosófico a poesia tenta fundar a palavra poética no próprio homem. O poeta não vê em suas imagens a revelação de um poder estranho. À diferença das Sagradas escrituras, a escritura poética é a revelação de si mesmo que o homem se faz de si mesmo. Desta circunstância procede o facto de que poesia moderna ser também teoria da poesia. Movido pela necessidade de fundar sua actividade em princípios qe a filosofia lhe recusa e que a teologia só lhe concede em parte, o poeta desdobra-se em crítico. (...)

(...) A missão do poeta consiste em ser voz desse movimento que diz "Não" a Deus e a seus hierarcas e "Sim aos homens. As Escrituras do mundo novo serão as palavras do poeta revelando um homem livre de deuses e senhores, sem intermediários diante da vida e da morte. A sociedade revolucionária é inseparável da sociedade fundada na palavra poética. (...)

(...) A missão do poeta é restabelecer a palavra original desviada pelos sacerdotes e pelos filósofos. "As prisões são construídas com as pedras da Lei"; os bordéis com os ladrilhos da Religião. (...) Mas a sociedade que a palavra do poeta profetiza não pode confundir-se com a utopia política. A razão cria cárceres mais escuros que a teologia. O inimigo do homem se chama Urizel (a Razão), o "deus dos sistemas", o prisioneiro de si mesmo. A verdade não procede da razão e sim da percepção poética, isto é, da imaginação. O orgão natural do conhecimento não são os sentidos nem o raciocínio; ambos são limitados e na verdade contrários à nossa essência última, que é desejo infinito: "Menos do que tudo não pode satisfazer o homem". O homem é imaginação e desejo: (...) Por obra da imaginação o homem sacia o seu infinito desejo e converte-se ele mesmo em um ser infinito. (...)

A BUSCA DO INÍCIO
(...) O homem é criador de maravilhas, é poeta, porque é um ser inocente. As crianças, as mulheres, os enamorados, os inspirados e mesmo os loucos são a encarnação do maravilhoso. Tudo o que fazem é insólito e não o sabem. Não sabem o que fazem: são irresponsáveis, inocentes. Ímans, pára-raios, cabos de alta tensão: suas palavras e seus actos são insensatos e, não obstante, possuem sentidos. São os signos dispersos de uma linguagem em perpétuo movimento e que desdobra diante de nossos olhos um leque de significados contraditórios - resolvido, por fim, em um sentido único e último. Através deles e neles o universo nos fala e fala consigo mesmo. (...)








Inteligência e Intuição - Consciente e Inconsciente

...


Este texto é a continuação do meu post «Instinto e Inteligência em BERGSON» e como resposta aos importantíssimos comentários de ALF.
ALF embora se apresente como anónimo na net eu conheço-o pessoalmente e está fazer um admirável trabalho de investigação por gosto e conta própria, para além  de ser um grande crítico da ciência. E os seus estudos e textos têm sido apresentados nos seus blogues: «outra física» e «outra margem».

ALF: Mas sei que a minha "Inteligência" vem do Inconsciente e não do consciente; e que o papel deste é sobretudo questionar as respostas do inconsciente, ou seja, da Intuição do Bergson.
 
ALF: Ou seja, no fundo, estou de acordo com o Bergson e contigo na ideia de que a Intuição é fundamental, só que não gosto da palavra "Intuição" a não ser que se esclareça que se trata de "inteligência inconsciente"; e não estou de acordo quando ao papel do consciente, embora também não saiba defini-lo com muita clareza.



Apesar de ALF não gostar do termo de «Intuição» e eu não gostar do termo de «Inteligência», em termo este que sei que gosta e tem desenvolvido estudos, através de uma classificação exposta por vários níveis, etapas ou processos de inteligência, um trabalho completamente ímpar e que muito tenho apreciado, acompanhado e aprendido. Embora o colocar a Inteligência em tudo, mesmo com os vários níveis que o ALF define de inteligência e incluindo não só o consciente mas também o inconsciente nesse mesmo processo, possa ser muito, mas muito perigoso.

Por isso há a salientar, como a inteligência sempre foi tida: enquanto autoridade do pensamento. E por concordar com Bergson, eu recorra ao seu trabalho e crítica que faz sobre a Inteligência, nessa mesma distinção entre "inteligência" dum lado e, do outro lado, "instinto e intuição". E quando eu me referia em post´s anteriores a essa minha necessidade de um «Entendimento» que está muito acima do que é a Inteligência e a usar, o termo "Entendimento" não para o que é inteligível e em sua compreensão, mas sim desse entendimento que urge e que está para além do que existe em nós (de inconsciente e até de subconsciente) como sendo a mais-valia, para que se dê efectivamente a Evolução com toda a naturalidade e a que Bergson define como Evolução Criadora.
 
Nesta afirmação de
ALF: Quanto à ideia de que a "intuição" tem a ver com "coisas", ou "conhecimentos" e a "inteligência" com "relações"

É afinal, contraditória ao que afirmei: … a inteligência faz naturalmente uso das relações e em que para o conhecimento nato, as coisas estão para a inteligência tal como as relações estão para o instinto.

E o perigo está em que a inteligência pretende abarcar tudo e ter todo o domínio sobre "o todo" e ainda sobre a vida e o pensamento e que até frisei na frase (do meu comentário ) e que destaco aqui (em bold) e exactamente porque "há coisas que apenas a inteligência pode procurar" a dar exemplo das muitas teorias que vai construindo, ela ainda pretende ter todo e qualquer domínio sobre a vida e o pensamento.

É que colocar o inconsciente do lado do que é a inteligência ou do lado do que a inteligência nos reserva, é tentar tornar o inconsciente o que ele não é, uma mera "coisa" fechada em si mesma e permissível ao que a ciência (d'agora) e as religiões (d'outrora e ainda d'agora) sempre o tentaram ou ainda tentam submeter: dotando-o de incapacidade. É que o consciente, perante a acção das actividades do que é inteligível, e embora pareça que o consciente tenha "um querer" autónomo ele só se poderá afirmar em "querer" quando a relação se dê em consciência pelo inconsciente (em Intuição).
É que um pensamento ou um pensamento verdadeiro só vem ou acontece quando quer e não quando se pensa que se quer ou que cada pessoa quer que assim seja. Esse tal pensamento fruto do inconsciente não é o mesmo que é considerado de pensamento pela inteligência ou o pensamento relativo ao consciente e que tem pois o significado de memória, de memorizar feito de hábitos ensinados ou mecanizados.


ALF: O Inconsciente não é omnisciente. Nem sempre acerta. Ele obedece aos critérios que tem programados que eu nem sempre sei quais são. Tenho de analisar com cuidado as indicações que dele recebo.

E relativamente à acção da Intuição ou do Inconsciente na inteligência, tal como ALF e eu habitualmente pomos em prática, a Intuição ou «Inconsciente-inteligente» (e aqui já para usar um novo termo que seja mais adequado às teorias de ALF e em alternativa à "inteligência inconsciente" que propôs), precisamente porque respeitar cegamente o que nos é imposto, torna-se de tal forma um mal tão natural e porque associada a uma inteligência consciente e que se poderá intitular de pensamento sem boa-vontade ou pensar em má-vontade (naquilo que teremos de nos submeter e conscientemente aceitar), caminho a que o progresso se tem afirmado como seguramente inteligível. Ora como eu considero que existe uma Vontade (que nos é exterior) e que inclui: uma má-vontade e uma boa-vontade. E em Boa-Vontade onde os Desejos estarão inteira e autonomamente a serem direccionados ou bem relacionados. E quando falo de Desejo ou desejos, considero-os sempre o que melhor existe em nosso pensamento e porque atidos a uma qualquer força de expoente máximo da nossa capacidade de pensar com toda a ética e estética.
 

ALF: Esta é uma matéria onde a nossa ignorância é abissal...

Mas como Progresso não é Evolução e em que por sua vez, Evolução não é Progresso, quero com isto dizer e a questionar:
O que dizer ou o que fazer ao tão desconsiderável caminho ao qual temos progredido ou prosseguido teimosamente e que se tem desviado da Evolução a que o Inconsciente e em boa vontade nos tem querido por sua vez, encaminhar?

 



Post's relacionados em ALI_SE:

A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA

Ética e moral

o desejo e a vontade

APRECIAR

A CONDIÇÃO

Pesquisar «ESPINOSA» em ALI_SE


Instinto e Inteligência em BERGSON

...
(...)

Se o instinto é, por excelência a faculdade de utilizar um instrumento natural organizado
, deve envolver o conhecimento inato (virtual ou inconsciente, é verdade) tanto do instrumento quanto do objecto ao qual este se aplica. O instinto é portanto, o conhecimento inato de uma coisa. Mas a inteligência é a faculdade de fabricar instrumentos inorganizados, isto é, artificiais.

Um ser inteligente traz consigo os meios necessários para superar-se a si mesmo.

Supera-se no entanto menos do que gostaria, menos também do que se imagina fazer. O carácter puramente formal da inteligência priva-o do lastro do qual precisaria para pousar nos objectos que seriam do mais alto interesse para a especulação. O instinto, pelo contrário teria a materialidade requerida, mas é incapaz de ir buscar seu objecto tão longe: ele não especula. Tocamos no ponto que mais interessa nossa presente investigação. A diferença entre que iremos assinalar entre o instinto e a inteligência é aquela que toda nossa análise procurava desentranhar. Nós a formularíamos assim: Há coisas que apenas a inteligência é capaz de procurar, mas que, por si mesma, não encontrará nunca. Essas coisas, apenas o instinto as encontraria; mas não as procurará nunca.
(...)
HENRI BERGSON A Evolução Criadora
Excertos do capítulo II

Photobucket


Post's relacionados em ALI_SE:

O Movimento da Criação em BERGSON

A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA ou ao que nos tem levado o rumo da Inteligência

A VONTADE em Schopenhauer


À vista de querer entrar

...
à janela da porta e de costas para a paisagem



Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE



Olhar o céu por um lugar ao Sol

...

Do documentário «HOME O Mundo é a nossa casa»:
 
(...)
Cada vez mais depressa. Nos últimos 60 anos, a população da Terra quase triplicou e mais de 2 mil milhões de pessoas foram viver para as cidades.
(…)
Cada vez mais depressa. Em Xangai foram construídas 3 mil torres e arranha-céus em 20 anos e mais algumas centenas em construção. Actualmente mais de metade dos 7 mil milhões habitantes do mundo vivem em cidades. Nova Iorque a primeira megalópole do mundo, é um símbolo da exploração da energia que a Terra fornece à genialidade humana. A mão-de-obra de milhões de emigrantes, a energia do carvão, o poder desenfreado do petróleo. Da electricidade resultou a invenção dos elevadores, que por sua vez, permitiu a invenção dos arranha-céus. Nova Iorque ocupou o lugar da 16ª maior economia do mundo.
(…) O automóvel tornou-se o símbolo do conforto e do progresso. Se este modelo fosse seguido por todas as sociedades, o planeta não teria 900 milhões de veículos, mas sim 5.000 milhões.
Cada vez mais depressa o mundo se desenvolve.

(…)
A maior parte dos bens de consumo viajam milhares de quilómetros desde o país produtor até ao país consumidor. Desde 1950 0 volume de comércio internacional aumentou 20 vezes. 90% do comércio são feitos por via marítima. São transportados 500 milhões de contentores todos os anos com destino aos maiores centros de consumo do mundo, como o Dubai.
O Dubai é um dos maiores locais de construção do mundo, um país onde o impossível se torna possível, construir ilhas artificiais no mar, por exemplo. O Dubai tem poucos recursos naturais, mas com o dinheiro proveniente do petróleo pode importar milhões de toneladas de material e mão-de-obra de todo o mundo. Pode construir florestas de arranha-céus, cada uma mais alta que a anterior ou até uma estância de esqui no meio do deserto. Dubai não tem terra arável, mas pode importar comida. O Dubai não tem água mas pode desperdiçar uma quantidade imensa de energia para dessalinizar a água salgada e construir os arranha-céus mais altos do mundo. O Dubai tem quantidades intermináveis de luz solar, mas não tem painéis solares. É a cidade dos excessos onde os sonhos mais impensáveis se tornam realidade.
O Dubai é uma espécie do culminar ocidental com o seu totem de 800 metros à modernidade total que não pára de impressionar o mundo. Exagerado? Talvez!
O Dubai parece ter feito a sua escolha: é uma espécie de farol para todo o dinheiro do mundo.
Nada parece mais distante da Natureza do que o Dubai, apesar de nada mais depender da Natureza do que o Dubai. A cidade apenas segue o modelo dos países ricos.
Ainda não percebemos que estamos a esgotar o que a Natureza nos oferece.

(…)
Perto de mil milhões de pessoas estão a morrer à fome.
Mais de 50% dos cereais comercializados em todo o Mundo são usados para alimentar animais ou para produzir bio-combustíveis. 40% da terra arável está degradada. Todos os anos 13 milhões de hectares de floresta desaparecem. Um em 4 mamíferos, uma em cada 8 aves, um em cada 3 anfíbios estão em extinção.

As espécies estão a morrer a um ritmo mil vezes superior ao que é natural.

¾ das zonas de pesca estão esgotados, reduzidos ou correm esse risco. A temperatura média dos últimos 15 anos foi a mais alta de que há registo. A calota de gelo perdeu 40% da sua espessura em 40 anos. Pode haver no mínimo duzentos milhões de refugiados devido ao clima em 2050. O preço das nossas acções é elevado. Outros pagam o preço sem terem o envolvimento activo.

Eu já vi campos de refugiados do tamanho de cidades estendendo-se pelo deserto. Quantos homens, mulheres e crianças, são deixados pelo caminho, amanhã?
Será que temos sempre que construir muros para quebrar a cadeia da solidariedade humana, separar os povos e proteger a felicidade de uns da miséria dos outros?
É tarde demais para ser pessimista.
Eu sei que basta um ser humano para derrubar todos os muros.
É tarde demais para ser pessimista.
Em todo o mundo 4 de 5 crianças frequentam a escola. Nunca a educação chegou a tantos seres humanos. Toda a gente do mais rico ao mais pobre pode dar o seu contributo.
O
Lesoto, um dos países mais pobres do mundo, é proporcionalmente aquele que mais investe na educação do seu povo. O Qatar um dos países mais ricos do mundo, abriu as portas às melhores universidades. A cultura, a educação, a investigação são recursos inesgotáveis.
(…)
Os primeiros parques naturais foram criados há pouco mais de um século, abrangem mais de 13% dos continentes, dão origem a espaços onde a actividade humana está em sintonia com a preservação das espécies, solos e paisagens.
Esta harmonia entre seres humanos e Natureza pode tornar-se a regra e deixar de ser a excepção. Nos Estados Unidos, Nova Iorque apercebeu-se do que a Natureza faz por nós. Estas florestas e lagos fornecem-nos toda a água potável que a cidade necessita.
Na
Coreia do Sul as florestas foram devastadas pela guerra, graças a um programa de reflorestação nacional, estas voltaram a cobrir mais de 65% do país. Mais de 75% do papel são reciclados.
A
Costa Rica teve de escolher entre a despesa com o exército e a conservação do seu território. Já não tem exército, prefere dedicar-se à educação, ao eco-turismo e à protecção da sua floresta primitiva.
O
Gabão é um dos maiores produtores de madeira do mundo. Aplica o método do abate selectivo de árvores, não mais do que uma por cada hectar. As suas florestas são dos recursos económicos mais importantes do planeta, mas é-lhes dado tempo para se regenerarem.
Existem programas para garantir a gestão sustentável das florestas. Esses programas devem tornar-se obrigatórios. Para os consumidores e para os produtores isso é uma oportunidade que deve ser aproveitada.
Quando o comércio é justo, quando tanto o comprador como o vendedor beneficia, todos podem prosperar e conseguir um rendimento decente.
Como pode haver justiça e igualdade, entre pessoas cujas únicas ferramentas são as mãos e aquelas que praticam agricultura com máquinas e subsídios do Estado? Sejamos responsáveis, consumidores. Temos de pensar naquilo que compramos. É tarde demais para ser pessimista. Eu vi, a agricultura à escala humana pode alimentar o planeta inteiro, se a produção de carne não tirar a comida da boca das pessoas.
Já conheci pescadores que cuidam daquilo que pescam e protegem as riquezas dos oceanos.
Já vi, casas que produzem a sua própria energia. Há 5.000 pessoas a viver no primeiro bairro amigo do ambiente em Friburgo na Alemanha. Há outras cidades que fazem parte do mesmo projecto. Bombaim é a milésima cidade a juntar-se a ele.
Os governos da
Nova Zelândia, Islândia, Áustria, Suécia e outros países, fizeram do desenvolvimento de fontes de energia renovável, a prioridade máxima. Eu sei que 80% da energia que consumimos vêm de fontes de energia fósseis. Todas as semanas, só na China, são construídas duas novas centrais eléctricas alimentadas a carvão. Mas também já vi na Dinamarca um protótipo de central alimentada a carvão que liberta o carbono para o solo em vez de o fazer para o ar. Será uma solução para o futuro? Ainda ninguém sabe!
Já vi, na Islândia uma central eléctrica alimentada pelo calor da terra, a energia geotérmica. Já vi uma cobra do mar a flutuar na rebentação para absorver a energia das ondas e produzir electricidade. Já vi, parques eólicos na costa da Dinamarca que produzem 20% da electricidade do país. Os Estados Unidos, a China, a Índia, a Espanha são os maiores investidores em energias renováveis. Já criaram mais de dois milhões e meio de empregos. Em que parte da Terra é que não existe vento?
Já vi extensões de deserto a torrar ao Sol. Tudo na Terra está interligado. E a Terra está ligada ao Sol, a sua fonte de energia original. Será que os seres humanos não conseguem imitar as plantas e captar a sua energia?
Numa hora o Sol fornece à Terra a mesma quantidade de energia que é consumida por toda a humanidade num ano. A energia solar será inesgotável.


Tudo o que temos de fazer é parar de furar a Terra e
olhar para o céu.
Tudo o que temos de fazer é aprender
a cultivar o Sol.
(...)






HOME, filme da autoria do realizador francês Yann Arthus-Bertrand, é constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária.



Dia Mundial do Ambiente: 5 de Junho

ALI_SE : http://alisenao.blogspot.com/

Por vezes a divisão da mente

...
Por vezes sonhamos ou ficamos perdidos
Por vezes pensamos que estamos bem
Por vezes gostaríamos de aliviar a dor antes dela surgir
Por vezes sobem-se escadas a descer
Por vezes somos assim em que as vezes se dividem
Por vezes são essas vezes demais a absorver a distância do indesejável

E cansados do dia dessas vezes sem fim
E cansados do dia ao que nos inscrevemos
A escrever
O que já está dito
No que já está feito e que não se fará
E é ao som dessa voz em aragem
Que se sublima por vezes e tão de vez esse aperto

Deixei de ir
Deixei de pensar
Deixei de sonhar
A deixar-me nas imagens por palavras
Essas que nos arrepiam e acariciam
Essas feitas daquela outra mente que não mente

Poesia
Será que é doença
Aliviarmo-nos com as tais outras palavras por sentidos
Ao que aos sonhos não sabemos retribuir




Poesia, Desenho e Fotografia de ALICE VALENTE




E a Terra rejeita

...
O Homem em suas estéreis e vãs ciências
Perdeu-se o sentido ético e o mundo desgovernado e mal "alimentado", entra em declínio. É que conhecimento, o dito conhecimento no conhecimento de agora ou esse tal de conhecimento daqueles conhecimentozinhos que só se querem unicamente associados a inteligíveis e negociáveis tecnicidades e porque de práticas desumanas se trata, converte tudo o que é humano num objecto abjecto, imóvel de si mesmo e a querer-se assim, tornar viável experimentalmente, todos os seres humanos às quais experiências e inventividades, ainda por comprovar. E aí estão os seres humanos tornados já e (ir)remediavelmente nuns grandes ratos laboratoriais em terra, sementes e comida controlada e nas mãos do maior monstro do negócio alimentar do mundo: a Monsanto.

E sobre essa alimentar nova forma ou ordenação para a Vida e para a Terra dos que em suas cientificidades insistem no uso de tais sementes transgénicas (ou OGMs), e ainda a quererem justificar que tais produtos geneticamente modificados poderão salvar o mundo da fome, é a palavra de ordem mais errada e tóxica que as enganosas publicidades alguma vez construíram.

A Monsanto é o maior monopolizador de alimentos do mundo e com os seus transgénicos (ou OGMs, os tais de organismos geneticamente modificados), quis, vejam só, salvar o mundo da fome. Que interessante ideia ou melhor, que belo negócio esse. E dando o quê em troca a esse mesmo mundo, outras sementes em sementes não mais reproduzíveis na terra, senão fechadas e feitas em dispensas laboratoriais, por quem quer que assim seja, em sementes fabricadas por encomenda, regadas com veneno, empacotadas e tudo feito assim mesmo, à medida do consumo, do imposto freguês, e do artificial quanto baste, é isso.

O maior dos erros da ciência ou dos tais descobridores deste novo conhecer ou em quais conhecimentos, é querer controlar e fechar em si mesmo, tudo o que descobre e para isso, lá se vai estrumando com a tal ideia: "o segredo é a alma do negócio". É que este erro de segredar à fome de uma faminta ideia de querer guardar-se só para si o que é de todos, e ainda neste caso, modificando genética ou laboratorialmente sementes, e a não permitir por sua vez que a Terra continue a cuidar dessas matérias e em suas sementeiras, é algo que com toda a certeza, mais tarde ou mais cedo, por feito ou por efeito, não terá mais lugar nessa mesma Terra.

E por sinal, há um mês atrás, soube desta notícia:


Uma área de plantação de milho transgénico na África do Sul, equivalente a 80 mil campos de futebol, não produziu um grão sequer. De um total de mil produtores de milho geneticamente modificado, 280 tiveram prejuízos na colheita. Alguns chegaram a perder até 80% da produção.
(…) Marian Mayet, directora do Centro Africano para Biossegurança, em Joanesburgo (África do Sul), defendeu uma investigação do caso pelo governo sul-africano e a proibição imediata do milho transgénico naquele país.


E agora vejamos, esta informação que recebi ontem, via email da lista_ambio e grupo_ogm, com o título "a natureza contra-ataca":
Milhares e milhares de hectares de terra previamente cultivada com soja Roundup Ready da Monsanto estão a ser abandonadas pelos agricultores americanos.
Razão: Uma variedade de amaranto que se tornou super-resistente ao herbicida Roundup, tomou conta desses terrenos e tornou impossível cultivar neles o que quer que seja. O amaranto é uma planta alta e com raízes profundíssimas, que só pode ser eliminada com muito trabalho manual. A ironia maior é que o amaranto é igualmente das plantas mais nutritivas que existem - era um dos principais alimentos dos Incas - devido à sua profusa produção de grãos (sementes) altamente proteícos e às suas folhas riquíssimas em nutrientes. E não precisa de fertilizantes, pesticidas ou água (tal como o cânhamo).

Como gesto de paz a mãe natureza envia-nos uma "praga" que é um super-alimento para que deixemos de cultivar soja transgénica. Mas o que acontece? Em vez de se prestar atenção à mensagem, milhares de hectares cheios de alimento que não custou absolutamente nada a cultivar são abandonados em vez de aproveitados. De seguida ainda inventam um vírus transgénico qualquer, que destrua o amaranto. Afinal quem é que quer alimento gratuito que não dá dinheiro às agroquímicas?

E depois diz-se que precisamos de OGMs para alimentar os famintos. Haverá mentira mais descarada?

Deixo-vos de seguida com este esclarecedor vídeo (em inglês):
"The World According to Monsanto - Controlling Our Food"



"O Mundo segundo a Monsanto"
Vídeo dividido em 12 partes e legendado em português. Assim, para visualizar todos os vídeos, quando terminar esta parte clique (no próprio vídeo em baixo) na imagem da parte que se lhe segue.






Electricidade e o futuro das barragens

...

Ou a electricidade de publicitárias modas

O anúncio que a nossa empresa portuguesa de electricidade tem vindo a divulgar desde Abril, na tentativa de transmitir a ideia, de que "Quando projectamos uma barragem projectamos um futuro melhor", incomoda qualquer pessoa que esteja consciente e que sabe que este, não será com certeza o caminho certo, e muito menos para um futuro melhor de quem quer que seja. É que projectar barragens numa altura em que estamos com uma crise e que é anunciadora exactamente da necessidade dessas mesmas mudanças, é algo que está a escapar a esses mesmos responsáveis e que leviana e vaidosamente continuam a tomar decisões, em decisões essas que por tão erradas e absurdas, serão catastróficas para o ambiente de todos nós.

Em notícia no Público:
(…) esta é uma campanha de "desinformação" e … o balanço final das obras será "negativo" para a biodiversidade e gestão sustentável dos recursos hídricos. (...)

Em notícia no DN:
(...) As associações pedem ainda à EDP que, "em respeito pela verdade e transparência, retire esta campanha.
A EDP vai investir, até 2016, três mil milhões de euros na construção de cinco novas barragens e no reforço da potência de seis, passando a produzir energia hídrica suficiente para mais de dois milhões de consumidores.
As cinco novas barragens são as do Baixo Sabor, Foz Tua, Fridão, Alvito e Ribeiradio. (...)

Notícia da Quercus:
É ainda fundamental chamar a atenção que as grandes barragens são uma forma cara e ineficaz de resolver as necessidades energéticas do País. Com o mesmo investimento previsto para o Programa Nacional de Barragens, seria possível pôr em prática medidas de uso eficiente da energia que, sem perda de funcionalidade ou conforto, permitiriam poupar cerca de CINCO VEZES MAIS ELECTRICIDADE do que a produção das barragens propostas.


E porque o sol, o vento e a chuva são de graça, muito se tem vindo a fazer a nível de investigação e no aperfeiçoamento para se pôr mundialmente em prática no que visa às fontes de energia renováveis mais eficazes e económicas que as energias renováveis tradicionais (barragens) e a iniciar-se assim, a adesão ao uso de equipamentos domésticos no aproveitamento da luz solar e do vento. Formas estas de energia que diminuirão a enorme dependência das empresas energéticas, para além da possibilidade (sustentável) de vender o excesso de electricidade doméstica produzida a essas mesmas empresas do ramo energético.

E por tudo isto e muito mais que se viabilizará inevitavelmente para muito breve, será que iremos ter nas nossas paisagens as inúmeras barragens construídas ou em construção, todas ao abandono?

Para já o que fazer?

Há que tomar consciência a enfrentar esta situação e assim sugiro que não cruzem os braços e enviem a quem de direito e divulgando-a o mais possível, a seguinte carta de reclamação:

(…) Será mais útil utilizar os recursos mediáticos para informar sobre eficiência energética e mostrar exemplos concretos nesse sentido, do que fazer este tipo de investimentos em opções do lado da oferta, que já não se coadunam com as necessidades ambientais da época. Estima-se que a adopção de medidas de eficiência energética seria de valor muito superior à da potência instalada nas novas barragens

O que constatou o Estudo da Comissão Mundial sobre Grandes Barragens (estudo que abrangeu um levantamento de 125 grandes barragens, acompanhado por 17 estudos temáticos sobre questões sociais, ambientais e económicas, sobre alternativas às barragens e sobre os processos institucionais e de governo):

- No saldo final os impactos sobre o ambiente são mais negativos que positivos e, em muitos casos, provocam danos significativos e irreversíveis a espécies e ecossistemas. Há destruição de florestas e habitats selvagens, desaparecimento de espécies e a degradação das áreas de captação a montante devido à inundação da área do reservatório. Há redução da biodiversidade aquática, a diminuição das áreas de desova a montante e a jusante e o declínio dos serviços ambientais prestados pelas planícies aluviais a jusante, brejos, estuários e ecossistemas marinhos adjacentes.

- Há impactos cumulativos sobre a qualidade da água e risco de salinização e degradação do solo se essa água for usada na rega.

- Constatou-se também que das barragens estudadas todas emitem gases que contribuem para o efeito de estufa, como ocorre com os lagos naturais, devido aos inerentes processos de decomposição em águas "paradas"; a intensidade dessas emissões varia muito dependendo da localização/ temperatura e condições do local; uma comparação fiável exigiria que fossem medidas as emissões de habitats naturais anteriores ao represamento. Além disso, há emissões não desprezáveis no fabrico do betão usado na construção. (…)
Ver na íntegra >>> Carta de reclamação


O vento e tic-tac

...


Há coisas engraçadas, muito engraçadas, para ocupação de quais termos. E o receio de não se perder o jeito, atrapalham-se-nos os tempos, os dias e as horas. E tresloucados ao ponto de que estaremos, todos por perdidos. Às histórias por bem vestidas de vestidos entrapados, galgam-nos outras memórias. Agora por cá já não se ouvem os cânticos dos prantos perdidos. Longe estão essas agonias. Fogem os que estão, de uns e outros desencontrados.
E o silêncio converte-se na maior das alegrias. A distância, essa aproxima-se do que de mais belo ainda se avizinha.
Tu, oh sonhador de céleres e confusas águas que não conseguirás amansar. Tu oh rebelde que não te queiras por rei de tudo isto. Isto que ninguém mais quer. Simplesmente apossados estão, os que anestesiados por quais termos, ainda quererão por que razão, tudo levar.


POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE

Por que viver

...





O viver sustentável * 
que não o verdadeiro, 
é viver a esquecer 
que estamos vivos! 
*

Até quando?

E porque:

* O viver sustentável que não o verdadeiro
- é tudo aquilo que diz respeito ao psico-económico, psico-político, passando pelo psico-ambiente... até ao seu psico-ensino.




Ética e moral

...
Sempre se confundiu ética com moral. Considero que já devia de se tornar bem definida esta distinção, tudo seria muito mais fácil e o entendimento entre humanos e em seu meio ambiente já se teria dado.

É que a ética não precisa de moral, enquanto que a moral inevitavelmente sempre precisou e continuará a precisar da ética. Isto é, a moral evolui regendo-se pelo que a ética (tão natural quanto humanamente) vai introduzindo de ético nessas mesmas leis morais. E a ética enquanto valor primordial da vida é a base de sustentação de todas as leis (morais) feitas pelos homens para vivermos em sociedade. Ainda de notar que Ética enquanto Valor estará sempre associado e lado a lado com o Valor Estética. E exactamente porque a Ética e a Estética são os Valores primordiais da vida ou da existência de se Ser. A Moral, essa terá sempre de sujeitar aos valores da Ética e da Estética através das suas leis de sociabilização. E por isso sempre e para melhor a Moral foi sendo alterada pelos Valores Éticos e Estéticos, valores estes que não precisam de leis exteriores para existir, precisamente porque existem em nós, interior ou intrinsecamente e sem qualquer tipo de regras a serem impostas obrigatoriamente através de leis. E porque ética e estética são a mais-valia ou virtude maior de seres que somos com Pensar e Sentir.

E sim estamos na maior crise de todas: a crise de valores!

É que a Moral até aqui foi tida como um valor que se colocou lado a lado com a Ética e com a Estética. E assim , esta crise poderá ser considerada como a maior de todas as crises. É que ainda por cima a Moral nesta nossa contemporaneidade quer ser tida como um Valor primeiro e obrigatório a ser cumprido com todas as suas leis através dos muitos e interessados fazedores dessas mesma leis, esses mesmo que até estão numa desenfreada tentativa de superiorizá-la à ética e estética. E claro está que isso jamais irá dar certo, nunca deu.

A desumanidade jamais poderá dominar sobre o VALOR DA VIDA e em seus Valores de Ética e Estética. É que enquanto existir vida humana e em seu pensamento, a ética e a estética tratarão do resto com toda a naturalidade.


Post's relacionados em ALI_SE:

Desobediência à lei por ética

A ARTE como fecundação e alimento

Os apossados da arte a transformá-la em não-arte


A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
ou ao que nos tem levado o rumo da «inteligência»

...
Este meu texto refere-se à perigosa CRISE que já nos assiste e em resposta à ideia, de que através de uma selecção humana ou eugenia, o ser humano à face da terra viveria racionalmente melhor.

A Inteligência é um termo recente e até pertença do vocabulário da Psicologia aquando esta surgiu há 200 anos. Este termo «inteligência» é também recentemente usado na Filosofia e que veio, quanto a mim, de uma forma indesejável, substituir aos que os filósofos sempre designaram, ora por Entendimento, ora por Pensamento. E por tudo o que de permitido se tem vindo a tentar enfatizar e em quais descobertas associadas à Psicologia com os seus testes de QI's, que se nos apresentam estas científicas e afins psicologias como de tão oportunistas quanto de perigosas e até de completamente calamitosas.

Francis Galton (1822-1911) foi um dos primeiros cientistas a obcecar-se com a Eugenia e a tirar imediatamente proveito das teorias da Evolução das Espécies desenvolvidas pelo seu primo Charles Darwin (1809-1882).

Alfred Binet (1857-1911), pedagogo e psicólogo, foi o primeiro a inventar um teste para medir a inteligência quando procurava uma solução para ajudar os seus alunos a estudar. Testes estes que começaram a entrar em voga e a serem desenvolvidos por psicólogos norte-americanos.

A partir daí, os testes QI tornaram-se convenientemente ajustados à ideia de que a inteligência seria quantificável podendo através da eugenia, purificar a raça, que o psicólogo Charles Spearman (1863-1945) influenciado por Francis Galton, desenvolveu uma medida, o «factor g».

E para Cyril Burt Lodowic (1883-1971) a inteligência mede-se como se mede a altura de uma pessoa. Este psicólogo, apesar de nada se saber sobre a Inteligência e suas aptidões cognitivas e onde estariam alojadas no Cérebro, tentou tornar a inteligência tanto quantificável como hereditária e para conseguir tudo aquilo que pretendia, até falsificou dados de investigação.

Assim, nas duas primeiras décadas do séc. XX, de mãos dadas Eugenia e Psicologia estavam completamente infiltradas por todo o lado. E pelo imenso sucesso que estavam a ter nas respectivas experimentações maquiavélicas associadas à medicina e à psiquiatria, que pelo muito que interessavam por quem as ditava ou pretendia impor no controle das pessoas e das populações, que tantos especialistas, psicólogos, freudianos e em muitos homens mal-intencionados à mistura, o eugenismo pôs-se efectivamente em prática com o nazismo. E foi o que foi de tão monstruoso como todos nós sabemos. Ninguém jamais poderá esquecer!

E de vez em quando, lá voltam eles, estes inteligentes com as mesma ideias monstruosas, e embora disfarçados por aí e até feitos de muitas cientificidades, soltam-se em suas horrendas ideias. E mais recentemente, temos o caso do Charles Murray (1943) e Richard Herrnstein (1930-1994), em que no livro A Curva Normal, para estes autores os negros são menos inteligentes do que os brancos e lá vêm outra vez com a lenga-lenga da selecção natural, do darwinismo, da inteligência e de eugenismos à mistura, numa revelação de criminosos cientistas que se julgam os donos do Conhecimento e em qual inteligência tão estupidificante. Depois temos outros tantos perigosos do racismo e do eugenismo, todos eles psicólogos: Hans Eysenck (1916 1997); Arthur Jensen (1923); J. Philippe Rushton (1943)...

E para os que se consideram de «aptos» racionalmente e assim numa frieza de exclusão racionalista e social, tentarão optar por estas vias do que é desumano.

Mas depois, como é com a Evolução e a Consciência?

Tal é impensável, porque para já, a se usar as meras teorias de Darwin deixaria de funcionar enquanto evolução e em sua de tal selecção natural, para passar a ser, uma selecção anormal e porque imposta inteligente e intencionalmente por regras mecanicistas ou leis não-naturais.

Tenho por sinal presenciado, de alguma maneira através de conferências que vou assistindo, que alguns dos muitos intitulados de cientistas portugueses, se encaminham por essas vias da ausência de ética na ideia da tal selecção (natural) entre o «menos apto» e «o mais apto» numa competitiva «luta pela existência», princípio que DARWIN foi buscar ao ECONOMISTA Thomas Malthus (1766-1834) para o aplicar à Biologia. Embora de uma forma camuflada, mas tem vindo tendencialmente a revelar-se este tipo de insensibilidades e em suas científicas «verdadezinhas» perigosas.
Quero com isto dizer, que esta especulação sempre se tentou fazer e agora até se está a tentar colocar-se às teorias de Darwin, quase como uma forma para justificar o que na realidade é completamente injustificável, aos que presenteados por uma Ignorância Estúpida e nos que ainda por cima se pensam inteligentes e em qual Inteligência.

Esta forma de inteligência que se quer atribuída ao Homem e em suas sociabilidades, não passa de uma mera inteligência estúpida ou inteligência esperta ou ainda nas muitas inteligências cordiais e simpáticas que se vão arrematando por aí, para além das muitas hipócritas e sabichonas máscaras de quais psicológicas ou psicanalíticas ideias que se querem impor como de obrigatoriamente respeitáveis.


Para mim a Evolução ou o evoluir é um processo natural de todo o Ser e que não passa só pela inteligência ou em que meras inteligências. É que a Inteligência mesmo que a queiram tornar de hereditária ela não é de maneira nenhuma a única forma associada à Evolução.
E para que a Evolução se dê ou se efective com toda a naturalidade terá de haver outras componentes do pensamento e que são: o Entendimento e a Intuição.
É que a Inteligência diz unicamente respeito à cómoda apropriação das soluções na dominação maquinal do espaço. Mas o Homem possui uma enorme capacidade e força psíquica que está para muito para além de toda a Inteligência, tal como o filósofo Henri Bergson (1859-1941) no seu livro A EVOLUÇÃO CRIADORA nos demonstra que essa «força da natureza» que existe em nós, é completamente livre, subtil e imponderável. E muito menos poderá ser de quantificável, e exactamente porque fora do âmbito de qualquer domínio mecanicista. É que essa «força da natureza» e em sua Evolução Criadora sempre esteve ao nosso dispor para um novo e futuro compreensível, mas em tudo o que é relativo ao Humanitário e em sua Natureza e no respeitante aperfeiçoamento da vida em Devir, numa evolução que é criadora, enquanto eleonomia ou vivificadora de um impulso inalterável e vital em si mesmo. E não como numa mera evolução Darwinista e em quais inteligentes e progressistas selecções à priori, a dar assim azo e espaço aos criminosos designers das monstruosidades humanas.
Post's relacionados em ALI_SE:

Inteligência e Intuição - Consciente e Inconsciente

Sobre a Cidade, o Pensamento e a Cidadania

Desobediência à lei por ética

A obediência como o melhor aliado do MAL

A CONDIÇÃO

...
Enquanto prática e costume, a condição é originária de um mando sem desmando, daquilo que se reveste como lógico para com todo aquele que obriga ao que é obrigado.
A condição é pois, uma conduta de condição em condições nesta que é a condição de hoje, a de nos vermos unicamente a enriquecer pelas vias do empobrecimento. E criarmo-nos nesta condição obrigatória a enriquecer para um qualquer e inevitável empobrecimento, ainda por cima consciente, é deveras desumano.

Como tem sido alterado ou como alterar este ainda tão presente e desconcertante paradigma da condição, enquanto relacionamento entre as pessoas nas sociedades humanas?

É que a verdadeira riqueza é aquela que diz respeito à dignidade humana, e com ou sem escola, sempre se foi efectivando pela educação e em sua natural e devida transmissão, através das respectivas alterações que lá iam acontecendo e a fazer jus aos bons exemplos com toda a comoção e sentimento. Pois era esta a primeira das condições na condição natural evolutiva de ser: pelas vias do sentimento.

Entretanto nesta nossa nova era de usos economicistas e políticas de regras e leis e em seus mercados competitivos, a comoção posta de lado, tem vindo progressivamente a dar lugar a essa coisa, chamada de "razão", e nessa tal "razão" que convenientemente foi associada à tal "inteligência", em inteligência ou nome este, feito e refeito pelas modernas ciências do que é humano e em "razão" essa, que com ou sem inteligência está-se a tornar numa consciência, que afinal talvez seja mais que inconsciente, e precisamente por se pautar por completa isenção de sentimento ou comoção.

E sobre a "razão", Kant até tem ensinado ao mundo: os afectos e os sentimentos, que são o que ele designa de inclinações, não são tidos em consideração e até excluindo-os completamente da razão…

Eis-nos perante esta nova e paradigmática condição de desumanidade e em que condição de se ser. Condição esta, de uma condição que parece como a única a ter de ser praticada: a de se ser desumano com todas as estratégias ou nas muitíssimas formas inteligentes e que estão serviço dessa mesma obrigatória condição de se ser.
E sendo a condição um factor lógico e que diz respeito à condição das condições que lhe são inerentes ou adjacentes e em que qualidade ou qualificações de quais viabilidades práticas. E em condição esta e de um Homem este, que se tem querido desvincular da Terra e da esfera do que é doméstico, deixando para trás o trabalho, enquanto homem de "razão" que não se quer escravo de necessidades, e a querer pois entrar na polis ou na esfera do espaço publico ou político, enquanto Homem livre.

Mas afinal que Homem livre é este, que pretende a liberdade somente para si, mas a permitir que se continue com outras tantas vias de leis inviáveis de escravizar os outros?

Engano este, o do Homem e em qual liberdade ou em que condição humana esta, no querer-se com a "razão", numa qualquer "razão" que a posiciona à condição desumana, para no final de contas e afinal, vir a submeter-se a si mesmo, a tudo e a todos, à maior das escravidões de se ser.
Post's relacionados em ALI_SE:

A vontade em Kant

O artista e a dignidade humana

O corpo e o frio agressivo

JEAN-PIERRE DUPUY e a conformativa ECONOMIA


Crise enquanto cultura e o lugar do pensamento

...

Não há labor à volta da cultura, da criação ou do cultivo do novo. E talvez por um qualquer medo, trabalha-se unicamente à volta do territorial e institucionalizado velho, numa tentativa de ainda, conservá-lo como novo. E aqui estamos nós, pois, nesta comichosa conservação do que está parado, na manutenção da inércia e a querer-se continuar a obrar sem pensar no cuidar, na estima ou no prazer. É que não nos diluímos nestes tipos de prazerosos gozos de quais vidas e em que enigmáticas ausências da desconcertada novidade do sem novo.
Terei ou teremos de fazer ensinando, a não permitir viver nesta estagnação de uma contínua massificação e em que mumificações do Ser. E por se trabalhar a ensinar o antigo, não existe uma procura de conviver e viver as novas das muitas experiências em assentes práticas individuais do contínuo desenvolvimento do pensamento de cada pessoa. Procura-se sim, rentabilizar o que de limitado e por tão delimitado se tem aprendido, a consumir e a esgotar-se todas as energias num único campo, o do consumo imediatista e não contributivo para o que ficou, e assim como para o que vem ou que poderá vir, enquanto perspectiva edificante do outro. Pensamentos contidos estes em desgaste e erosão humanitária, tratando-se de mais um uso de pessoas por coisas ou como de mais um uso dos já muitos lugares de pessoas e coisas pré-destinados a um não-lugar.


LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Páginas