As «cópias» ou o copiar em vão
Fazer «cópias» e mais cópias por quais vindouros proveitos desta falsa, vil e vã realidade, é fácil, muito fácil!
Mas imaginar a outra verdade por realidade, e a torná-la verdadeira, é que é difícil, muito difícil!
A vida como obra de arte
- Sim, a constituição dos modos de existência ou dos estilos de vida não é apenas estética, é aquilo a que Foucault chama a ética, por oposição à moral. A diferença é a seguinte: a moral apresenta-se como um conjunto de regras coercivas de um tipo especial, que consiste em julgar acções e intenções referindo-as a valores transcendentes (é bem, é mal...); a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam aquilo que fazemos, aquilo que dizemos, segundo o modo de existência que isso implica. Dizemos isto, fazemos aquilo: que modo de existência implica isso? Há coisas que não podem fazer-se ou dizer-se senão à força de baixeza de alma, de vida cheia de ódio ou de vingança contra a vida. Por vezes um gesto ou uma palavra bastam. São estilos de vida, sempre implicados, que nos constituem como tal ou tal. Era já esta a ideia do "modo" em Espinosa. E não a encontraremos presente desde a primeira filosofia de Foucault - o que é somos "capazes" de ver, e de dizer (no sentido de enunciado)? Mas, se há aqui toda uma ética, trata-se também de uma questão de estética.
(...)
27 NOV 2009 - ENCONTRO sobre «Criação Artística»
Dia 27 Novembro 2009 | Sexta | das 15h às 18h | CENTRO NACIONAL CULTURA
- Guilherme D’ Oliveira Martins – Presidente do Centro Nacional de Cultura
- Annabela Rita – Presidente do CLEPUL – Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa
- José Pedro Fernandes – Professor de Estética e Cultura Visual
- Carlos Araújo Alves – Gestor Executivo graduado pela Business School de Barcelona e Investigador em Gestão Cultural.
- Alfredo Oliveira – Eng. e Investigador em Física e Cosmologia
- José Rodrigues dos Santos – Antropólogo e Investigador no CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, Universidade de Évora
- Amílcar Vasques-Dias – Compositor e Professor na Universidade de Évora
- Alice Valente Alves - Autora de projectos da Imagem - Poesia, Pintura e Fotografia - no âmbito da Criação Artística.
O local do ENCONTRO do dia 27 será no local da EXPOSIÇÃO, na Galeria Fernando Pessoa do CENTRO NACIONAL DE CULTURA. E a entrada para a EXPOSIÇÃO e para o ENCONTRO far-se-á ou pela Rua António Maria Cardoso, nº 68 ou pelo Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º (ao lado do «Café no Chiado») em Lisboa.
A EXPOSIÇÃO do CORPOtraçoCORPO irá decorrer até 11 Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta das 15h às 18h.
Contamos consigo!
E ainda «a consciente negligência do corpo»
Mas sabendo que tudo está assim tão mal, ainda assim conseguimos viver uns com os outros, às vezes bem mal é certo! Mas porquê?
O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar.... Somos assim... seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma ...
E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia...
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | traço (cor): Laranja-Lima
CORPOtraçoCORPO em Novembro no Chiado [2]
Neste evento, já estão efectuadas as alterações de data e local.
A todos, um muito obrigada pela compreensão.
Alice Valente Alves
GALERIA FERNANDO PESSOA - Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º (Chiado) LISBOA
*
EM DIVULGAÇÃO:
http://alicevalente.wordpress.com/corpotracocorpo/2009_chiado/
Na Agenda Cultural do E-Cultura
Na Agenda Cultural da Câmara Municipal de Lisboa
No Facebook (página)
No Facebook (evento)
Pensamento enquanto IMAGEM
Um cheiro surge-me sempre acompanhado de uma imagem, uma imagem que pode ser de um agora futurizado ou de um outrora por já conhecido e vivenciado. E são essas imagens que nos concebem, que nos articulam o pensar como pensar dos outros dentro de uma mesma imagem, de muitas outras imagens.
Portanto existem numa IMAGEM que nos assalta ou nos presenteia num determinado momento, três tipos de diferenciadas imagens e que ao mesmo tempo, se vão movimentando, ou lenta ou rapidamente, e que são: - Imagem aprendida, a social ou escolástica; - Imagem sentida, a que nos altera, regista e perdura, e ; - Imagem ficcionada, a que transformamos imaginariamente.
E dentro dessas imagens existe um desígnio que nos designa ou desenha sem objectivos ou objectividades. Que pressuposto é esse?
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Imagina-se o INCONSCIENTE
Valores por acaso
É que o pensamento para ser desenvolvido não se reduz somente àquilo que se pensa em ideal ou modelo a ser comprovado cientificamente, todas estas matérias e as suas questões têm de ser colocadas, levantadas, discutidas e tidas em consideração por todas as áreas a que a elas dizem respeito, e tanto objectiva como subjectivamente.
E o perigo está, e que eu chamo aqui a atenção, é nessa ordeira e ameaçadora moralidade numa espécie de satisfação conclusiva que se tem gerado em redor de todas as ciências para com os processos do acaso, e que é o de não querer considerá-los e porque até sempre desconsiderados, e que no fundo são eles que efectivamente tiveram ou terão alguma coisa a dizer para com a mudança e em seus processos evolutivos, e exactamente porque assentes nas áreas da criação ou do pensamento artístico-filosófico e também do científico-filosófico. É que essa ansiedade, inquietação ou revolta que surge de algumas mentes que trabalham essas matérias, talvez possam estar impregnadas de uma ética que quanto a mim, jamais poderá estar separada da estética, enquanto potência ou capacidade excepcional que terá de quando em quando e inevitavelmente que surgir, para que se efective essa natural e salutar transformação da evolução do ser.
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A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
A divisão compete por sobrevivência
Existem dois tipos de pessoas. Chamem-lhes boas ou más, sensíveis ou insensíveis, de esquerda ou de direita, pobres ou ricas ... em pessoas essas que se confrontarão de quando em quando a se assistirem enquanto tal. E o meio de vida de cada uma dessas pessoas é-o pela sua condição.
Estes dois tipos de pessoas estão constantemente a se rebelarem umas contra as outras, porque:
A que é rica não quer ser pobre e a que é pobre quer ser rica.
A que é de direita não quer ser de esquerda e a que é de esquerda quer ser de direita.
A que é má quer ser tida de boa e a boa inevitavelmente terá de um dia ser má.
As sensíveis são ensinadas ou obrigadas a ser insensíveis e as insensíveis pensam e agem unicamente por regras morais.
E em percentagem manifesta para com a submissão ou a insubmissão, para com a bondade ou a crueldade, para com a potência ou a impotência, para com a justiça ou a injustiça... e em ambas as pessoas, 'vida e morte' afinal, é-lhes a sobeja igualdade.
É que viver basicamente para uma moral e sem ética nem estética, é sobreviver!
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Ética e moral
A CONDIÇÃO
[In]Tempestade
- É que me tornei cada vez mais sensível a uma distinção possível entre o devir e a história. Era Nietzche quem dizia que nada de importante se faz sem uma «nuvem não histórica». Não é uma oposição entre o eterno e o histórico, nem entre a contemplação e a acção: Nietzche fala do que se faz, do próprio acontecimento ou devir. O que a história apreende do acontecimento é a sua efectuação em estados de coisas, mas o acontecimento no seu devir escapa à história. A história não é a experimentação, é apenas o conjunto das condições quase negativas que tornam possível a experimentação de alguma coisa que escapa à história. Sem a história a experimentação permaneceria indeterminada, incondicionada, mas a experimentação não é histórica. Num grande livro de filosofia, Clio, Péguy explicava que há duas maneiras de considerar o acontecimento, uma que consiste em passar ao longo do acontecimento, em recolher a sua efectuação na história, o seu condicionamento e apodrecimento na história, mas a outra em activar o acontecimento, em instalar-se nele como num devir, em rejuvenescer e envelhecer nele ao mesmo tempo, em passar por todas as suas componentes ou singularidades. O devir não é história; a história designa apenas o conjunto o conjunto das condições, por mais recentes que sejam, das quais nos afastamos para "devir", quer dizer para criar alguma coisa de novo... Maio de 1968 foi a manifestação, a irrupção de um devir em estado puro. Hoje, a moda é denunciar os horrores da revolução. O que nem sequer é novo: todo o romantismo inglês está cheio de uma reflexão sobre Cromwell muita análoga à que se faz hoje sobre Estaline. Diz-se que as revoluções têm um mau futuro. Mas não se pára de confundir duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. A gente em causa não é a mesma nos dois casos. A única oportunidade dos homens está no devir revolucionário, que só ele pode esconjurar a vergonha, ou dar resposta ao intolerável.
GILLES DELEUZE , Conversações 1990, Fim de Século Edições, 2003
ao 11 Setembro
2 0 0 7 _ 1 1 S E T E M B R O: avista-se sem mais palavras
Abarcar
Os barcos de hoje, ou são muito pequenos e marejam vazios, ou são muitos grandes e navegam carregados demais.
Os vazios por pequenos e inconstantes, percorrem mares à deriva, à procura de uma substância que os não afunde.
Os carregados por grandes e seguros, enchem-se do muito que os levará a um sem fim de portos em aguardas fundadas.
Por aparecer ou aparecidos, esquecidos ou por esquecer, próximos ou distantes, uns e outros, barcos vazios e barcos cheios, aglomeram-se nesse agitar de ondas que por fim, os justaporá à transbordante quietude de uma térrea chegada.
«Corpo Utópico» (2)
As máquinas de criação do corpo utópico, que misturam a técnica com o bios, que separaram a imagem da carne, deveríamos opor outras ligações. À vontade fundamento, de fundações, que levam apenas ao nihilismo realizado tecnicamente, seria preciso encontrar uma outra forma de responder. Todo o esforço está em sair do poço. Num outro momento da modernidade, em que se instalava o diálogo mortífero entre o abismo da liberdade e a máquina, Poe escreveu um conto intitulado «O Poço e o Pêndulo»22. Preso por um «poder» desmesurado23 que lhe destinava o pior, descobriu que lhe estava destinado um «poço», de que às escuras não conseguia medir a profundidade. Preferia, lê-se, qualquer outra morte do que arriscar-se aos «terrores dos poços», «evocador do inferno e considerado vulgarmente a última Tule de todos os seus castigos». O «terror do poço» é esclarecido antes pela opressão provocada pela «simples ideia da profundidade interminável da descida». Não precipitar-se, ter frieza, eis a lição, se é verdade que «mesmo no túmulo não está tudo perdido. Ou então não há imortalidade para o homem». Quando a morte é certa e o corpo mutável, desaparece necessariamente a «imortalidade» da Psyké e o imutável. A única forma de lha retirarem seria fazê-lo precipitar-se no «poço». Os torturadores vão, com lógica inapelável, fazer intervir outras máquinas de destruição da «Psyké». Primeiramente o pêndulo, que baixava rigorosa e matematicamente a cada movimento e que tinha uma lâmina que acabaria por cortá-lo ao meio. Descida controlada, maquínica, milimétrica mesmo, que o herói afronta com astúcia, libertando-se das amarras que o prendiam. Depois, uma terceira máquina entra em movimento, que põe em brasa as paredes de ferro do cárcere. Finalmente as próprias paredes se tornam numa máquina, começando a mudar de forma e avançando para o empurrarem para o poço, em que se nega a lançar-se:«"A Morte", disse eu, "qualquer morte que não do poço!"». Resistindo ao movimento que o lançava para o poço: «Recuei - mas as paredes, que se fechavam, empurravam-me irresistivelmente para a frente. Por fim, para o meu queimado e contorcido corpo já não havia uma polegada de espaço no solo firme da prisão. Deixei de lutar, mas a agonia da minha alma encontrou saída num grito alto, longo e final de desespero. Senti-me cambalear à beira do poço - voltei a cara.». No final já só restava voltar a cara ao «poço». O que parece insuficiente. E eis que, no último momento, um acaso merecido lhe permite escapar. A revolução chega e com ela «um braço estendido apanhou o meu, quando caía, desmaiando para o abismo».
As máquinas de Poe estavam ao serviço de um hiperpoder de que o poço é a imagem invertida e que acabou de o tragar. Cento e cinquenta anos volvidos são estas máquinas, que realizam o «corpo» com que todo o poder histórico sonhou. A parábola de Poe é instrutiva: a resposta não está num outro corpo, nem num corpo melhor. Fundamentalmente, não está no corpo utópico. Basta um «braço» certo, na altura certa. É apenas isso que podemos e devemos esperar. Demasiado insuficiente, porque poderá nunca vir? Isso já não depende de nós. É preciso que esse braço já tenha vindo, em cada um. Só é aceitável o acto que propicia a vinda desse «braço», ou duma «mão» ou de uma «palavra» certa. A vir, sendo o braço certo, poderá ser o braço de um outro homem, de um «monstro» ou de um «cyborg», mas será sempre um braço humano.
22 Cf. Edgar Allan Poe - Contos Incompletos , II volume, trad. de Manuel Barbosa, Coimbra, Editorial «Saber», 1994, pp. 193-219
23A acção passa-se em Toledo, e trata-se, de facto, da «inquisição», o que não admira, pois para o herói, estavam destinados os «horrores morais» e não os horrores físicos.
Ensaio no livro organizado por M. Valente Alves e António Barbosa: O CORPO NA ERA DIGITAL,
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2000
"Corpo Utópico" de J. Bragança de Miranda (1)
O que poderá ser um «corpo utópico»? É pensável um corpo que não tenha lugar ou que não esteja em algum lugar? Ou um corpo «perfeito» ou «glorioso» que escape à fragilização que o tempo desfere nos corpos? ... Na verdade só será possível tratar esta questão partindo da única «utopia» que a história nos legou, ou seja, a «alma» ou Psyké. O que nos faz adentrar no reino das imagens, pois a Psyké é basicamente um assunto de «imagem»... Nunca tanta inventividade se gastou com outro assunto, mas dele dependia demasiado, a imortalidade, a liberdade, a vontade, etc. Os modernos não fizeram menos esforços, mas agora para a «anular» ou «desmistificar», encontrando por todo o lado somente «corpo» e «corpos». As medicinas, as fisiologias, as neurologias continuam a circunscrevê-la, transformando-a em «espírito», «consciência», «cérebro»...
Depois dos modernos terem caçado o «espiritualismo», o fantasma na máquina, despojado de toda a divisão - e a Psyké era isso mesmo, uma divisão incorporal e impossível do corpo - , aquilo que ela visava: a de um corpo sem lugar, sem decadência, sem morte? Analisar este paradoxo equivale a interrogar o estatuto contemporâneo do corpo, no momento em que parece constituir uma utopia irreconhecível.
(...)
A crise do corpo moderno, simultaneamente orgânico e racional, acabou por ser potenciada pela crítica fundamentalmente estética que se desenvolve no pós-guerra. Bom exemplo disso é a afirmação provocatória de Burroughs de «ofereceram-lhe um corpo para sempre. Para cagares sempre». Ou na crítica de Artaud aos «órgãos»: «O corpo é o corpo, existe por si e não precisa de órgãos, o corpo nunca é um organismo, os organismos são os inimigos do corpo, as coisas que nós fazemos amanham-se sozinhas sem o concurso de qualquer órgão, todo o órgão é um parasita, cumpre uma função parasitária destinada a manter vivo um ser que não deveria de existir»11. Se a crítica do orgânico vem, pelo menos, da antiga teologia, já a crítica aos «órgãos» é mais reveladora da tendência que procuramos apreender. Seria absurda se não estivesse em causa o «corpo do mundo», e não o corpo «físico». De facto, a crítica aos órgãos, por Burroughs, Artaud e também Deleuze, já não cabe na noção de «corpo» moderno, revelando que o «corpo» era, desde sempre excedido, por um feixe invisível de relações e de ligações, em reserva, que o «fixavam». São relações políticas, jurídicas, contratuais, mas também passionais, etc. Apenas num «mundo» de «fome» o estômago domina. Numa sociedade sem fome o estômago já não conta, ou conta de outro modo. E o mesmo se aplica a todos os «órgãos».
(...)
O «corpo utópico» corresponde, então, ao momento em que utopia, sempre o outro mundo, se fixa na imagem do corpo. A sua extensão implica a realização técnica ou literária da metafísica pela utopia. É interessante verificar que, se não há utopia sem corpo, ou sem corpos, basta pensar nos 3 corpos de Republicade Platão, em muito poucas o «corpo» tem o lugar decisivo. É certo que nas distopias de Orwell ou de Huxley o corpo está obsessivamente presente, mas isso sucede para melhor revelar o estado das coisas. Do vasto corpus da literatura utópica apenas em Andrei Platonov encontramos uma reflexão essencial sobre o «corpo utópico»16 .
Por falta de espaço, limitemo-nos a algumas observações sucintas, para recolocarmos o problema. Em O Poço da Fundação, publicado apenas em 1987, mas que foi escrito nos meses de Inverno de 1929 e 1930, o «corpo utópico» entra em cena ao mesmo tempo que a «utopia» se esvanece, enterrada no «poço» que ela própria originara: o de construir uma «casa» perfeita, um mundo absolutamente feliz. A história tem a ver com a construção de uma casa para os futuros jovens nascidos da «revolução». Alegoricamente está em causa o retorno da «humanidade» a casa, da única maneira como pode ser pensada. Construindo-a. Sucede que o plano da casa é tão incomensurável e infixável, por razões misteriosas, que as fundações exigem um «poço» que vai crescendo desmesuradamente. Finalmente não há mais que um enorme buraco, esse imenso poço. Por uma «casa» que não chega a ser construída, de que apenas ficou o poço ...
(...) ... [ Continuação >>> «Corpo Utópico» - 2ª parte ]
11Antonin Artaud em Para Acabar com o juízo de Deus, Lisboa, &etc., p.152...
16 Andrei Platonov é autor de obras densas e fantasmagóricas, caso de O poço das Fundações e Chevengur, que tendo sido escritas nos finais dos anos 20, só foram publicadas em russo, nos anos oitenta.
Ensaio no livro organizado por M. Valente Alves e António Barbosa: O CORPO NA ERA DIGITAL,
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2000
O dinheiro e a crise ou a banca construtora da crise
Com algumas pequenas dicas, é esta a ideia que nos dá este vídeo de 11 minutos:
Para o bem e para o mal, as leis dos homens fazem-se e desfazem-se!
Sempre assim foi.
E agora pergunto: Até quando vamos permitir que estas leis continuem a construírem-nos para um qualquer mal ou infortúnio?
Não estamos a considerar estes e outros erros. É preciso ainda chegarmos mais longe com esta enormidade do que é o enganar a esganar todo e qualquer pessoa que se quer tida de um certo por certeiro 'cidadão' alvo.
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Desobediência à lei por ética
Capital

Capital
E as flores crescem fora de vasos
Saltaram-lhes o âmbito
Em muitas e muitas árvores soma-se a frescura
Debaixo e acima de raízes
E sentados por dias
Lá onde se perde o anel do propósito
E não se enleiam as raízes a asfixiarem outras raízes
Essas raízes que se fazem de indivisas raízes
Das que sobem abaixo à procura de alimento
E das que descem acima à procura de movimento
São as raízes da Terra que ecoam
Não digas
Não digas nada
Nem digas quem és
Não é preciso saber-se o que o outro é
Não somos assim nem do outro nem do ser-se
Somo aquilo que não podemos ser
Somos muitas vezes o que somos
Sem saber quem somos
Somos ou fomos?
Nem somos nem fomos
Vamos por que vivos
E os batuques
Tocam-se
Como que de mãos dadas e à roda
Dançados e unidos
Ora para lá ora para cá
O movimento dá-se
E o dia estava indo
Como nós
Por alegria
As Artes e as suas práticas
E o maior erro que aí vem e que salta já à vista, é o de querer pôr em prática uma Educação Artística, direccionada por cientificidades educacionais de modernices sem nexo, assentes em obsoletas e malogradas psicologias freudianas, lacanianas e até kleinianas e, entre outras que perpassam por aí em esfusiante e crescente expansão. Estudos estes que se têm revelado apartados das verdadeiras práticas do que é a força da criação artística. Em ideias estas que por tão redutoras, mesquinhas e ainda porque associadas a experiências mercantilistas e a permitirmos serem postas em prática, irão efectivamente destruir por completo toda a capacidade de se pensar, de se sentir, de se intuir e de se viver em valores de Ética e Estética.
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Os apossados da arte a transformá-la em não-arte
O perigoso "Psico-ENSINO"
POR DESENHAR
O que é a POESIA ...
(...) Uma sociedade sem poesia careceria de linguagem: todos diriam a mesma coisa ou ninguém falaria, sociedade transumana em que todos seriam um ou cada um seria um todo auto-suficiente. Uma poesia sem sociedade seria um poema sem autor, sem leitor e, a rigor, sem palavras. Condenados a uma perpétua conjunção que se resolve em instantânea discórdia, os dois termos buscam uma conversação mútua. Transformação da sociedade em comunidade criadora, em poema vivo: e do poema em vida social, em imagem encarnada. (...)
A CONSAGRAÇÃO DO INSTANTE
(...) As palavras do poeta, justamente por serem palavras, são suas e alheias. Por outro lado, são anteriores a toda a data: são um começo absoluto. Sem o conjunto de circunstâncias a que chamamos Grécia nem existiriam a Ilíada nem a Odisseia; mas sem esses poemas tampouco teria existido a realidade histórica que foi a Grécia. O poema é um tecido de palavras perfeitamente datáveis e um acto anterior a todas as datas; o acto original com que principia toda história social ou individual; expressão de uma sociedade e, simultaneamente, fundamento dessa sociedade, condição de sua existência. Sem palavra comum não há poema; sem palavra poética tampouco há sociedade, Estado, Igreja ou comunidade alguma. A palavra poética é histórica em dois sentidos complementares, inseparáveis e contraditórios: no de constituir um produto social e no de ser uma condição prévia à existência de toda a sociedade. (...)O VERBO DESENCARNADO
(...) Os "poetas malditos" não são uma criação do romantismo: são o fruto de uma sociedade que expulsa aquilo que não pode assimilar. A poesia nem ilumina nem diverte ao burguês. Por isso desterra o poeta e transforma-o em um parasita ou um vagabundo. Daí também que os poetas não vivam, pela primeira vez na história de seu trabalho. Seu labor não vale nada e este não vale nada traduz-se precisamente em um não ganhar nada. O poeta deve buscar outra ocupação - desde diplomacia até o roubo - ou perecer de fome. (...)
(...) A poesia não tem cotações, não é um valor que pode transformar-se em dinheiro (...)
(...) Com a mesma decisão do pensamento filosófico a poesia tenta fundar a palavra poética no próprio homem. O poeta não vê em suas imagens a revelação de um poder estranho. À diferença das Sagradas escrituras, a escritura poética é a revelação de si mesmo que o homem se faz de si mesmo. Desta circunstância procede o facto de que poesia moderna ser também teoria da poesia. Movido pela necessidade de fundar sua actividade em princípios qe a filosofia lhe recusa e que a teologia só lhe concede em parte, o poeta desdobra-se em crítico. (...)
(...) A missão do poeta consiste em ser voz desse movimento que diz "Não" a Deus e a seus hierarcas e "Sim aos homens. As Escrituras do mundo novo serão as palavras do poeta revelando um homem livre de deuses e senhores, sem intermediários diante da vida e da morte. A sociedade revolucionária é inseparável da sociedade fundada na palavra poética. (...)
(...) A missão do poeta é restabelecer a palavra original desviada pelos sacerdotes e pelos filósofos. "As prisões são construídas com as pedras da Lei"; os bordéis com os ladrilhos da Religião. (...) Mas a sociedade que a palavra do poeta profetiza não pode confundir-se com a utopia política. A razão cria cárceres mais escuros que a teologia. O inimigo do homem se chama Urizel (a Razão), o "deus dos sistemas", o prisioneiro de si mesmo. A verdade não procede da razão e sim da percepção poética, isto é, da imaginação. O orgão natural do conhecimento não são os sentidos nem o raciocínio; ambos são limitados e na verdade contrários à nossa essência última, que é desejo infinito: "Menos do que tudo não pode satisfazer o homem". O homem é imaginação e desejo: (...) Por obra da imaginação o homem sacia o seu infinito desejo e converte-se ele mesmo em um ser infinito. (...)A BUSCA DO INÍCIO
(...) O homem é criador de maravilhas, é poeta, porque é um ser inocente. As crianças, as mulheres, os enamorados, os inspirados e mesmo os loucos são a encarnação do maravilhoso. Tudo o que fazem é insólito e não o sabem. Não sabem o que fazem: são irresponsáveis, inocentes. Ímans, pára-raios, cabos de alta tensão: suas palavras e seus actos são insensatos e, não obstante, possuem sentidos. São os signos dispersos de uma linguagem em perpétuo movimento e que desdobra diante de nossos olhos um leque de significados contraditórios - resolvido, por fim, em um sentido único e último. Através deles e neles o universo nos fala e fala consigo mesmo. (...)


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