Sobre_ ALI_SE
_
a árvore ao jardim

Vivam-se


Vivam-se + Bem vivos + Bem vivos por quase mortos 
Vivam-se de palmas batidas + Vivam-se por quase mortos 
E usem o que têm + E o que quererão muito ter
+ Para se apregoarem na cruz bendita +

Haja paciência + E aos pacientes é-lhes roubado + Tudo 
 Tudo tudo + Muito antes de tudo o mais

As ironias maltrapilham-se 
Ao gravatear que os apertará para sempre

Não se alegrem por tão tristes 
Às altas janelas de vestes sem postura

Desviados ou enviesados é tudo isso + Enviesados por desvio 
 Ou enviesados ao invés + Não se surpreendam muito ao demais 
 Esses surpreendidos usam-se para a fornalha 
Por pós ao livre desencantar



Os Poetas e a interrogação do Ser, em ECO

...
«... se o Ser (com maiúscula) é tudo aquilo de que se puder dizer alguma coisa, porque é que também não deverá fazer parte dele o devir? O devir surge como um defeito numa visão do ser como Esfero compacto e imutável: mas agora ainda não sabemos se o ser não será, não diremos volúvel, mas móvel. metamórfico, metempsicótico, compulsivamente reciclante, inveterado bricoleur...
De qualquer modo as línguas que falamos são como são, e se apresentam ambiguidades, ou inclusivamente confusões no uso deste primitivo (ambiguidades que a reflexão filosófica não resolve), não será que este embaraço exprime uma condição fundamental?
Para respeitar este embaraço, vamos usar nas páginas seguintes ser no seu sentido mais vasto e despreconceituado. Mas que sentido pode ter este termo que Pierce declarou de intensão não nula? Terá o sentido que sugere a dramática pergunta de Leibniz: «Porque é que há algo em vez de nada?».
É isto que entendemos pela palavra ser: Algo.
Porque é que a semiótica deverá ocupar-se deste algo? Porque um dos seus problemas é (também, e certamente) dizer se e como usamos signos para nos referirmos a algo, e sobre isto muito se tem escrito. Mas não creio que a semiótica possa evitar outro problema: o que é esse algo que nos induz a produzir signos?
Toda a filosofia da linguagem vem defrontar-se não só com um minus ad quem mas também com um terminus a quo. Tem de se perguntar não só: «a que nos referimos quando falamos, e com que credibilidade?» (problema certamente digno de nota); mas também: «O que nos faz falar?».
Isto, posto filogeneticamente, era no fundo o problema - que a modernidade interditou - das origens da linguagem, pelo menos de Epicuro em diante. Mas se se pode evitá-lo filogeneticamente (aduzindo a falta de achados arqueológicos) não se pode ignorá-lo ontogeneticamente. A nossa própria experiência quotidiana pode fornecer-nos elementos, se calhar imprecisos mas de qualquer modo tangíveis, para respondermos à pergunta: «porque é que fui induzido a dizer algo?».

(...) ... Um Objecto Dinâmico leva-nos a produzir um representamen,  este produz numa quase-mente um Objecto Imediato, por sua vez traduzível numa série potencialmente infinita de interpretantes e por vezes, através, através do hábito elaborado no decorrer do processo de interpretação, voltamos ao Objecto Dinâmico, e sempre fazemos qualquer coisa. Sem dúvida, a partir do momento, a partir do momento em que temos de tornar a falar do Objecto Dinâmico a que voltámos, estamos de novo na situação de partida, temos de tornar a denominá-lo através de outro representamen e num certo sentido o Objecto Dinâmico permanece sempre como uma Coisa em Si, sempre presente e jamais captável, senão precisamente por meio de semiose.
No entanto, é o Objecto Dinâmico o que nos leva a produzir semiose. Produzimos signos porque há algo que exige ser dito. Com expressão pouco filosófica mas eficaz, o Objecto Dinâmico é Algo-que-nos-dá-um-pontapé e nos diz «fala!» - ou «fala de mim!», ou ainda, «entra em consideração comigo!».

(...)... o poder revelador reconhecido aos Poetas não é tanto o efeito de uma revalorização da Poesia como de uma depressão da Filosofia. Não são os Poetas a vencer, são os filósofos a render-se.
Ora, mesmo admitindo que os poetas nos falem do que de outro modo é incognoscível, para lhes confiar a tarefa exclusiva de falar do ser, tem de se admitir por postulado que haja incognoscível.

(...) O que nos revelam os Poetas? Não é que eles digam o ser, eles muito simplesmente tentam emulá-lo: ars imitatur naturam in sua operatione. Os Poetas assumem como sua tarefa a substancial ambiguidade da linguagem e tentam explorá-la para dela fazerem sair, mais que um excedente de ser, um excedente de interpretação. A substancial polivocidade do ser costuma impor-nos um esforço  para dar forma ao informe. O poeta emula o ser repropondo a sua viscosidade, tenta reconstruir o informe original, para nos induzir a ajustar contas com o ser...»

UMBERTO ECO - Kant e o Ornitorrinco Edições DIFEL 1999

Criação Artística e os conceitos usurpados à Arte na Criação

...
O roubo e a falsificação de vários conceitos das áreas do artístico, tais como «criatividade», «criação» ou «criação artística» e até «estética» tem sido feita ao mais alto nível da manipulação psicológica, tanto pelas economias e em suas empresas, como pelas políticas e em seus governos, e ainda pelos produtores de uma nova indústria de cara lavada ao que é cultural. Será então que teremos de dividir a criatividade em duas partes? Talvez, em criatividade artística por um lado e em criatividade inventiva por outro, para assim nos entendermos melhor?

E até já se fala, muito normalmente de criatividade, como de competitividade se se tratasse. É possível, desde quando? É que os produtores das proveitosas e económicas ideias que pretendem que nas empresas não se gere estagnação produtiva devido às rotinas das respectivas tarefas e em seu cansaço ou desmotivação psicológica, inventaram, claro está, a criatividade competitiva, é interessante, não é? Talvez uma boa forma de remediar o que não tem remédio, que é produzir mais e mais, negligenciando o desenvolvimento do intelecto no fazer através de sensibilidades, gerando luta ou lutas com tudo e com todos e até claro está numa guerra psicológica com os respectivos parceiros de carteira, colegas de trabalho, amigos e até familiares. Uma muito pouco salutar forma de se viver e trabalhar a arranjar riqueza, pelo inevitável resultado que daí advirá e com ele o gerir o tal empobrecimento interior.

E por isso se confunde invenção com criação e criação com produção, novo com novidade, e criatividade para muitos até é competitividade, enfim palavras que são postas num mesmo saco e por isso sinónimos tão convincentemente convenientes uns dos outros, e porque até é assim que se lê ou que interessa ler em muitos dicionários. E a tal «estética» que se comercializa por aí, nessa evidente beleza do que é a sedutora exterioridade da vida ou ainda como que a única razão em moda de vidas?

Mas usurpando à arte os seus conceitos, nem tudo lhe poderá ser roubado, afinal qual o significado da Criação para a Arte ou seja, o que é a Criação Artística?

E exactamente porque a sedução oculta ou falseia a aptidão ou capacidade de pensar e em capacidade de pensar, que por sua vez será sempre pertença da beleza artística. Por isso a beleza artística, jamais se reconhece na sedução. Assim a criação ou criação artística é uma acção ou dinâmica completamente inexplicável e que espontaneamente faz irromper o ser do nada, a diferenciar-se do trabalho, da técnica ou da produção. Embora se queira associar estes processos do ressurgimento do nada na arte e no que é artístico como afronta às leis da natureza e dando-lhes um sentido do teológico ou transcendental, não creio que seja esse a via louvável para o seu entendimento.

É que nestas vias, ainda há um longo caminho, a percorrer… E lá iremos!

a 2010

...

Alice Valente Alves

Com desejos de um FELIZ 2010



Dentro e fora da Galeria Fernando Pessoa, a poesia

...

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE

Da janela da Galeria do Centro Nacional de Cultura no Chiado em Lisboa, avista-se a árvore de Natal no Largo do Teatro de São Carlos em fotografia que tirei após a desmontagem da Exposição na passada Sexta-feira.

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


E dentro da Galeria, entre 11 de Novembro a 11 de Dezembro de 2009, foi esta a panorâmica da Exposição de 15 das 63 obras nas 7 das nove cores já realizadas até ao momento, do meu projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura».

E são estas imagens que vos ofereço, com o desejo de umas Festas em Paz e com muito carinho.


Até dia 11 de Dezembro na Galeria Fernando Pessoa do CNC

...
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


«luzente»

pormenor da obra nº 55 – «luzente» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2008
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente
| traço (cor): Verde-oliva

A Exposição do CORPOtraçoCORPO está patente na Galeria Fernando Pessoa no CENTRO NACIONAL DE CULTURA até dia 11 de Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta, das 15h às 18h.
Contamos consigo!


Pensamento orgânico

...
... aquilo que distingue um corpo não orgânico de um corpo vivo é que o primeiro é delimitado de fora, é do exterior que ele recebe seu impulso. O corpo orgânico, por sua vez, encontra em si mesmo a sua própria forma, é de dentro que ele extrai seu dinamismo, que ele é chamado a crescer e se desenvolver. Possui, de certa maneira forças inatas que são causa e efeito de sua própria vida. É bem disto que se trata: a organicidade remete para o vivente e para as forças que o animam. Isto pode ser compreendido de um modo bastante simples: o próprio da separação, aquilo que se fragmenta é sempre, potencialmente mortífero, enquanto que o que vive tende a se reunir, a conjugar os elementos díspares. É quando o conjunto todo se sustenta que há vida.
(...) 
... Assim, para retomar, em substância, os filósofos medievais, a corrupção de um ser é a degenerescência de um outro, aquilo que é informe consegue gerar uma forma nova, pode-se até dizer que a passagem pelo informe garante o jorrar e a estabilização de uma forma mais pura. Tudo isso pode parecer bem místico, mas a sistémica contemporânea não diz outra coisa, ao mostrar a reversibilidade do funcionamento e do disfuncionamento. Trata-se aí de uma lei imperial da natureza que o positivismo da modernidade tinha conseguido apagar, mas que como toda a estrutura antropológica, ressurge sem falta quando o simples causalismo se satura. Em suma, agora que as entidades homogéneas e gerais perdem seu poder de atracção, convém estar atento, por um lado, à complementaridade dos fragmentos, e, por outro, ao facto de que conseguem aglomerar-se, de um modo flexível, em rede, em vastos conjuntos no interior dos quais respondem uns aos outros. Um processo assim é perceptível na ordem das instituições em geral, do político em particular, mas, igualmente, no plano do quotidiano, nas organizações económicas, na vida associativa, e nas estâncias estatais.

Isto posto, foram certamente os poetas e os romancistas que, além dos filósofos, pressentiram aquilo que a ciência contemporânea está descobrindo de uma nova maneira. Há, é claro, o famoso quarteto de Baudelaire, que não é inútil recordar:
"Como longos ecos que ao longe se fundem
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e como a claridade
Perfumes e cores e sons se respondem".
Assim se exprime aquela unidade subterrânea que pode, à primeira vista, escapar a uma simples concepção racionalista do mundo: os processos de interdependência. Processos que observamos cada vez mais na economia, na política e no social. Há um princípio formal que funde essa unidade. Um princípio que se torna mais necessário à medida que o mundo vai sendo tendencialmente levado a desagregar-se. Walter Benjamin, por exemplo, comentando alguns poemas de Hölderlin, lembra que é o poeta que dá, ou restitui sua força de agregação a um mundo desmembrado. O cuidado com a forma que se observa na poesia, é um símbolo de uma exigência tal. É por isso, aliás, que esta une intimamente o plástico e o espiritual.

Tal vínculo não é neutro, indica bem a organicidade existente entre o corpo e o espírito, a natureza e a cultura, o material e o imaterial. Assim, o mundo das formas, o mundo da forma, apanágio do poeta, não faz mais do que cristalizar o que se poderia chamar de desejo de unicidade que anima todas as coisas. Para além da fragmentação, inerente à vida mundana, há uma aspiração à convergência que a exigência poética personifica com perfeição...
(...)

MICHEL MAFFESOLI - ELOGIO DA RAZÃO SENSÍVEL – Editora Vozes

Deparámo-nos assim!

...
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


«de que vontade»

pormenor da obra nº 50 – «de que vontade» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente
| traço (cor): Laranja-Lima

A Exposição do CORPOtraçoCORPO está patente na Galeria Fernando Pessoa no CENTRO NACIONAL DE CULTURA até dia 11 de Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta, das 15h às 18h.
Nota: A Galeria (devido aos feriados) encontra-se encerrada nos dias 30 de Novembro e 1, 7 e 8 de Dezembro 2009. Contamos consigo!


Convite - Encontro sobre Criação Artística no CNC

...
A 27 de Novembro de 2009 das 15h00 às 18h00 na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, ENCONTRO sobre «Criação Artística», com a participação de Guilherme D' Oliveira Martins, Annabela Rita, José Pedro Fernandes, Carlos Araújo Alves, Alfredo Oliveira, José Rodrigues dos Santos, Amílcar Vasques-Dias e Alice Valente Alves.

E será um enorme prazer contar consigo neste Encontro que organizei no CNC em que irei apresentar este meu projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» na presença das 15 obras que estão expostas e com a projecção das 63 obras realizadas até agora, estando à disposição para responder às questões que me queiram colocar sobre este meu trabalho e o tema Criação Artística, para além dos participantes que não precisam de apresentações pelo enorme contributo que têm dado às artes na valorização desta temática, haverá um momento musical em banda sonora e a ser salientado pelos seus autores, a importância do processo do acto criativo na composição e a influência da música para com as outras áreas da criação artística...

E fica o convite e o diálogo da(s) surpresa(s) nos presentes do momento.

Um abraço e obrigada.

Alice Valente Alves

As «cópias» ou o copiar em vão

...
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE

Fazer «cópias» e mais cópias por quais vindouros proveitos desta falsa, vil e vã realidade, é fácil, muito fácil!

Mas imaginar a outra verdade por realidade, e a torná-la verdadeira, é que é difícil, muito difícil!



A vida como obra de arte

...
- Naquilo a que chama os "modos de existência" e a que Foucault chamava "estilos de vida", há uma estética da vida, como nos lembrou: a vida como obra de arte. Mas há também uma ética!


- Sim, a constituição dos modos de existência ou dos estilos de vida não é apenas estética, é aquilo a que Foucault chama a ética, por oposição à moral. A diferença é a seguinte: a moral apresenta-se como um conjunto de regras coercivas de um tipo especial, que consiste em julgar acções e intenções referindo-as a valores transcendentes (é bem, é mal...); a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam aquilo que fazemos, aquilo que dizemos, segundo o modo de existência que isso implica. Dizemos isto, fazemos aquilo: que modo de existência implica isso? Há coisas que não podem fazer-se ou dizer-se senão à força de baixeza de alma, de vida cheia de ódio ou de vingança contra a vida. Por vezes um gesto ou uma palavra bastam. São estilos de vida, sempre implicados, que nos constituem como tal ou tal. Era já esta a ideia do "modo" em Espinosa. E não a encontraremos presente desde a primeira filosofia de Foucault - o que é somos "capazes" de ver, e de dizer (no sentido de enunciado)? Mas, se há aqui toda uma ética, trata-se também de uma questão de estética. 
(...)
GILLES DELEUZE , Conversações 1990, Fim de Século Edições, 2003

27 NOV 2009 - ENCONTRO sobre «Criação Artística»

...
Pormenor da obra nº37 – «o pensar» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005



Dia 27 Novembro 2009 | Sexta | das 15h às 18h | CENTRO NACIONAL CULTURA


O ENCONTRO com o tema: «CRIAÇÃO ARTÍSTICA» contará com a presença:
  • Guilherme D’ Oliveira Martins – Presidente do Centro Nacional de Cultura
  • Annabela Rita – Presidente do CLEPUL – Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa
  • José Pedro Fernandes – Professor de Estética e Cultura Visual
  • Carlos Araújo Alves – Gestor Executivo graduado pela Business School de Barcelona e Investigador em Gestão Cultural.
  • Alfredo Oliveira – Eng. e Investigador em Física e Cosmologia
  • José Rodrigues dos Santos – Antropólogo e Investigador no CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, Universidade de Évora
  • Amílcar Vasques-Dias – Compositor e Professor na Universidade de Évora
  • Alice Valente Alves - Autora de projectos da Imagem - Poesia, Pintura e Fotografia - no âmbito da Criação Artística.



O local do ENCONTRO do dia 27 será no local da EXPOSIÇÃO, na Galeria Fernando Pessoa do CENTRO NACIONAL DE CULTURA. E a entrada para a EXPOSIÇÃO e para o ENCONTRO far-se-á ou pela Rua António Maria Cardoso, nº 68 ou pelo Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º (ao lado do «Café no Chiado») em Lisboa.

A EXPOSIÇÃO do CORPOtraçoCORPO irá decorrer até 11 Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta das 15h às 18h.

Contamos consigo!

E ainda «a consciente negligência do corpo»

...
(...)

Mas a vida vai dando lugar a outra ou muitas outras vidas, que nos mostram ainda pelos poucos que pensam, mas bem, no modo exemplar e digno, numa demonstração saudável e positiva, de que ainda é possível viver, com a força, numa energia ou até talvez, numa fórmula matemática que faz e desfaz tudo aquilo que é encaminhado e realizado através de pensamentos nocivos. Por isso todas as anteriores civilizações desapareceram, precisamente porque o mal se sobrepôs ao bem. É que o «poder» tenderá sempre a utilizar o mal como necessário, numa contínua, alarmante e repetitiva trajectória de má conduta, até à inevitável e esperada demolição.

Mas sabendo que tudo está assim tão mal, ainda assim conseguimos viver uns com os outros, às vezes bem mal é certo! Mas porquê?
O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar.... Somos assim... seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma ...
E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia...
(...)

Excertos do Ensaio «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO

CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura de ALICE VALENTE

à esquerda: nº41 – «o desejar» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | traço (cor): Laranja-Lima
à direita: nº 50 – «de que vontade» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura»
| traço (cor): Laranja-Lima


CORPOtraçoCORPO em Novembro no Chiado [2]

...
NOTA:

Neste evento, já estão efectuadas as alterações de data e local.

A todos, um muito obrigada pela compreensão.

Alice Valente Alves


banner_divulgação_CORPOtraçoCORPO_2009_Chiado

11 a 27 NOVEMBRO 2009 - CENTRO NACIONAL DE CULTURA
GALERIA FERNANDO PESSOA - Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º (Chiado) LISBOA



*

EM DIVULGAÇÃO:

http://alicevalente.wordpress.com/corpotracocorpo/2009_chiado/

Na Agenda Cultural do E-Cultura

Na Agenda Cultural da Câmara Municipal de Lisboa

No Facebook (página)

No Facebook (evento)





Pensamento enquanto IMAGEM

...
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE
Os pensamentos como funcionam, como vão e vêm, como são os pensamentos com imagens, ou como se vêem com essas mesmas imagens que são nossas e ao mesmo tempo com as imagens dos outros, em imagens que podem ocorrer a um tempo, sendo embora de um tempo sem qualquer tempo.
Um cheiro surge-me sempre acompanhado de uma imagem, uma imagem que pode ser de um agora futurizado ou de um outrora por já conhecido e vivenciado. E são essas imagens que nos concebem, que nos articulam o pensar como pensar dos outros dentro de uma mesma imagem, de muitas outras imagens.
Portanto existem numa IMAGEM que nos assalta ou nos presenteia num determinado momento, três tipos de diferenciadas imagens e que ao mesmo tempo, se vão movimentando, ou lenta ou rapidamente, e que são: - Imagem aprendida, a social ou escolástica; - Imagem sentida, a que nos altera, regista e perdura, e ; - Imagem ficcionada, a que transformamos imaginariamente.
E dentro dessas imagens existe um desígnio que nos designa ou desenha sem objectivos ou objectividades. Que pressuposto é esse?


Post's relacionados em ALI_SE:

Imagina-se o INCONSCIENTE

Valores por acaso

...
Neste meu post "A divisão compete por sobrevivência" coloquei a questão de uma forma um pouco diferente da visão científica que ALF acabou por desenvolver nos seus importantíssimos comentários. Embora não nos distanciemos da mesma e complexa realidade considero que é difícil fazer afirmações como a conclusão que acabou por chegar: de que não existe nenhuma relação na possibilidade de poder haver uma associação entre ética e estética, depois de ter analisado a sua colecção de amigos pintores, arquitectos, poetas e escritores. Não se trata aqui de tentar analisar tudo isto de forma a comprovar cientificamente através de um pequeno grupo de amostragem ou como se tudo isto fosse só uma questão de processos de acaso.

É que o pensamento para ser desenvolvido não se reduz somente àquilo que se pensa em ideal ou modelo a ser comprovado cientificamente, todas estas matérias e as suas questões têm de ser colocadas, levantadas, discutidas e tidas em consideração por todas as áreas a que a elas dizem respeito, e tanto objectiva como subjectivamente.

E o perigo está, e que eu chamo aqui a atenção, é nessa ordeira e ameaçadora moralidade numa espécie de satisfação conclusiva que se tem gerado em redor de todas as ciências para com os processos do acaso, e que é o de não querer considerá-los e porque até sempre desconsiderados, e que no fundo são eles que efectivamente tiveram ou terão alguma coisa a dizer para com a mudança e em seus processos evolutivos, e exactamente porque assentes nas áreas da criação ou do pensamento artístico-filosófico e também do científico-filosófico. É que essa ansiedade, inquietação ou revolta que surge de algumas mentes que trabalham essas matérias, talvez possam estar impregnadas de uma ética que quanto a mim, jamais poderá estar separada da estética, enquanto potência ou capacidade excepcional que terá de quando em quando e inevitavelmente que surgir, para que se efective essa natural e salutar transformação da evolução do ser.




Post's relacionados em ALI_SE:

A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA

A divisão compete por sobrevivência

...

Existem dois tipos de pessoas. Chamem-lhes boas ou más, sensíveis ou insensíveis, de esquerda ou de direita, pobres ou ricas ... em pessoas essas que se confrontarão de quando em quando a se assistirem enquanto tal. E o meio de vida de cada uma dessas pessoas é-o pela sua condição.

Estes dois tipos de pessoas estão constantemente a se rebelarem umas contra as outras, porque:
A que é rica não quer ser pobre e a que é pobre quer ser rica.
A que é de direita não quer ser de esquerda e a que é de esquerda quer ser de direita.
A que é má quer ser tida de boa e a boa inevitavelmente terá de um dia ser má.
As sensíveis são ensinadas ou obrigadas a ser insensíveis e as insensíveis pensam e agem unicamente por regras morais.

E em percentagem manifesta para com a submissão ou a insubmissão, para com a bondade ou a crueldade, para com a potência ou a impotência, para com a justiça ou a injustiça... e em ambas as pessoas, 'vida e morte' afinal, é-lhes a sobeja igualdade.

É que viver basicamente para uma moral e sem ética nem estética, é sobreviver!


Post's relacionados em ALI_SE:

Ética e moral

A CONDIÇÃO

[In]Tempestade

...

- É que me tornei cada vez mais sensível a uma distinção possível entre o devir e a história. Era Nietzche quem dizia que nada de importante se faz sem uma «nuvem não histórica». Não é uma oposição entre o eterno e o histórico, nem entre a contemplação e a acção: Nietzche fala do que se faz, do próprio acontecimento ou devir. O que a história apreende do acontecimento é a sua efectuação em estados de coisas, mas o acontecimento no seu devir escapa à história. A história não é a experimentação, é apenas o conjunto das condições quase negativas que tornam possível a experimentação de alguma coisa que escapa à história. Sem a história a experimentação permaneceria indeterminada, incondicionada, mas a experimentação não é histórica. Num grande livro de filosofia, Clio, Péguy explicava que há duas maneiras de considerar o acontecimento, uma que consiste em passar ao longo do acontecimento, em recolher a sua efectuação na história, o seu condicionamento e apodrecimento na história, mas a outra em activar o acontecimento, em instalar-se nele como num devir, em rejuvenescer e envelhecer nele ao mesmo tempo, em passar por todas as suas componentes ou singularidades. O devir não é história; a história designa apenas o conjunto o conjunto das condições, por mais recentes que sejam, das quais nos afastamos para "devir", quer dizer para criar alguma coisa de novo... Maio de 1968 foi a manifestação, a irrupção de um devir em estado puro. Hoje, a moda é denunciar os horrores da revolução. O que nem sequer é novo: todo o romantismo inglês está cheio de uma reflexão sobre Cromwell muita análoga à que se faz hoje sobre Estaline. Diz-se que as revoluções têm um mau futuro. Mas não se pára de confundir duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. A gente em causa não é a mesma nos dois casos. A única oportunidade dos homens está no devir revolucionário, que só ele pode esconjurar a vergonha, ou dar resposta ao intolerável.


GILLES DELEUZE , Conversações 1990, Fim de Século Edições, 2003



ao 11 Setembro

...

NOVA IORQUE - Ilha de Manhattan - Imagem áerea nº 27 - 1993 - Arquivo/Fotografia de ALICE VALENTE ALVES

Clique na imagem (e depois em +) para ampliar



2 0 0 7 _ 1 1 S E T E M B R O: avista-se sem mais palavras

«a moldura do selo»

...

... o selo em "a cola" do esquecimento ...

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails

Páginas