Vivam-se
Vivam-se de palmas batidas + Vivam-se por quase mortos
E usem o que têm + E o que quererão muito ter
+ Para se apregoarem na cruz bendita +
Tudo tudo + Muito antes de tudo o mais
Ao gravatear que os apertará para sempre
Às altas janelas de vestes sem postura
Ou enviesados ao invés + Não se surpreendam muito ao demais
Esses surpreendidos usam-se para a fornalha
Por pós ao livre desencantar
Os Poetas e a interrogação do Ser, em ECO
Criação Artística e os conceitos usurpados à Arte na Criação
E até já se fala, muito normalmente de criatividade, como de competitividade se se tratasse. É possível, desde quando? É que os produtores das proveitosas e económicas ideias que pretendem que nas empresas não se gere estagnação produtiva devido às rotinas das respectivas tarefas e em seu cansaço ou desmotivação psicológica, inventaram, claro está, a criatividade competitiva, é interessante, não é? Talvez uma boa forma de remediar o que não tem remédio, que é produzir mais e mais, negligenciando o desenvolvimento do intelecto no fazer através de sensibilidades, gerando luta ou lutas com tudo e com todos e até claro está numa guerra psicológica com os respectivos parceiros de carteira, colegas de trabalho, amigos e até familiares. Uma muito pouco salutar forma de se viver e trabalhar a arranjar riqueza, pelo inevitável resultado que daí advirá e com ele o gerir o tal empobrecimento interior.
E por isso se confunde invenção com criação e criação com produção, novo com novidade, e criatividade para muitos até é competitividade, enfim palavras que são postas num mesmo saco e por isso sinónimos tão convincentemente convenientes uns dos outros, e porque até é assim que se lê ou que interessa ler em muitos dicionários. E a tal «estética» que se comercializa por aí, nessa evidente beleza do que é a sedutora exterioridade da vida ou ainda como que a única razão em moda de vidas?
Mas usurpando à arte os seus conceitos, nem tudo lhe poderá ser roubado, afinal qual o significado da Criação para a Arte ou seja, o que é a Criação Artística?
E exactamente porque a sedução oculta ou falseia a aptidão ou capacidade de pensar e em capacidade de pensar, que por sua vez será sempre pertença da beleza artística. Por isso a beleza artística, jamais se reconhece na sedução. Assim a criação ou criação artística é uma acção ou dinâmica completamente inexplicável e que espontaneamente faz irromper o ser do nada, a diferenciar-se do trabalho, da técnica ou da produção. Embora se queira associar estes processos do ressurgimento do nada na arte e no que é artístico como afronta às leis da natureza e dando-lhes um sentido do teológico ou transcendental, não creio que seja esse a via louvável para o seu entendimento.
É que nestas vias, ainda há um longo caminho, a percorrer… E lá iremos!
Dentro e fora da Galeria Fernando Pessoa, a poesia
Da janela da Galeria do Centro Nacional de Cultura no Chiado em Lisboa, avista-se a árvore de Natal no Largo do Teatro de São Carlos em fotografia que tirei após a desmontagem da Exposição na passada Sexta-feira.
E dentro da Galeria, entre 11 de Novembro a 11 de Dezembro de 2009, foi esta a panorâmica da Exposição de 15 das 63 obras nas 7 das nove cores já realizadas até ao momento, do meu projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura».
E são estas imagens que vos ofereço, com o desejo de umas Festas em Paz e com muito carinho.
Até dia 11 de Dezembro na Galeria Fernando Pessoa do CNC
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente | traço (cor): Verde-oliva
A Exposição do CORPOtraçoCORPO está patente na Galeria Fernando Pessoa no CENTRO NACIONAL DE CULTURA até dia 11 de Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta, das 15h às 18h.
Contamos consigo!
Pensamento orgânico
(...)
... Assim, para retomar, em substância, os filósofos medievais, a corrupção de um ser é a degenerescência de um outro, aquilo que é informe consegue gerar uma forma nova, pode-se até dizer que a passagem pelo informe garante o jorrar e a estabilização de uma forma mais pura. Tudo isso pode parecer bem místico, mas a sistémica contemporânea não diz outra coisa, ao mostrar a reversibilidade do funcionamento e do disfuncionamento. Trata-se aí de uma lei imperial da natureza que o positivismo da modernidade tinha conseguido apagar, mas que como toda a estrutura antropológica, ressurge sem falta quando o simples causalismo se satura. Em suma, agora que as entidades homogéneas e gerais perdem seu poder de atracção, convém estar atento, por um lado, à complementaridade dos fragmentos, e, por outro, ao facto de que conseguem aglomerar-se, de um modo flexível, em rede, em vastos conjuntos no interior dos quais respondem uns aos outros. Um processo assim é perceptível na ordem das instituições em geral, do político em particular, mas, igualmente, no plano do quotidiano, nas organizações económicas, na vida associativa, e nas estâncias estatais.
Isto posto, foram certamente os poetas e os romancistas que, além dos filósofos, pressentiram aquilo que a ciência contemporânea está descobrindo de uma nova maneira. Há, é claro, o famoso quarteto de Baudelaire, que não é inútil recordar:
"Como longos ecos que ao longe se fundemAssim se exprime aquela unidade subterrânea que pode, à primeira vista, escapar a uma simples concepção racionalista do mundo: os processos de interdependência. Processos que observamos cada vez mais na economia, na política e no social. Há um princípio formal que funde essa unidade. Um princípio que se torna mais necessário à medida que o mundo vai sendo tendencialmente levado a desagregar-se. Walter Benjamin, por exemplo, comentando alguns poemas de Hölderlin, lembra que é o poeta que dá, ou restitui sua força de agregação a um mundo desmembrado. O cuidado com a forma que se observa na poesia, é um símbolo de uma exigência tal. É por isso, aliás, que esta une intimamente o plástico e o espiritual.
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e como a claridade
Perfumes e cores e sons se respondem".
Tal vínculo não é neutro, indica bem a organicidade existente entre o corpo e o espírito, a natureza e a cultura, o material e o imaterial. Assim, o mundo das formas, o mundo da forma, apanágio do poeta, não faz mais do que cristalizar o que se poderia chamar de desejo de unicidade que anima todas as coisas. Para além da fragmentação, inerente à vida mundana, há uma aspiração à convergência que a exigência poética personifica com perfeição...
(...)
Deparámo-nos assim!
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente | traço (cor): Laranja-Lima
A Exposição do CORPOtraçoCORPO está patente na Galeria Fernando Pessoa no CENTRO NACIONAL DE CULTURA até dia 11 de Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta, das 15h às 18h.
Nota: A Galeria (devido aos feriados) encontra-se encerrada nos dias 30 de Novembro e 1, 7 e 8 de Dezembro 2009. Contamos consigo!
Convite - Encontro sobre Criação Artística no CNC
E será um enorme prazer contar consigo neste Encontro que organizei no CNC em que irei apresentar este meu projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» na presença das 15 obras que estão expostas e com a projecção das 63 obras realizadas até agora, estando à disposição para responder às questões que me queiram colocar sobre este meu trabalho e o tema Criação Artística, para além dos participantes que não precisam de apresentações pelo enorme contributo que têm dado às artes na valorização desta temática, haverá um momento musical em banda sonora e a ser salientado pelos seus autores, a importância do processo do acto criativo na composição e a influência da música para com as outras áreas da criação artística...
E fica o convite e o diálogo da(s) surpresa(s) nos presentes do momento.
Um abraço e obrigada.
Alice Valente Alves
DOC_PDF: Programa / ENCONTRO_CriaçãoArtística 27nov09 – CORPOtraçoCORPO 11nov a 11dez 2009
27 NOV 2009 - ENCONTRO sobre «Criação Artística»
As «cópias» ou o copiar em vão
Fazer «cópias» e mais cópias por quais vindouros proveitos desta falsa, vil e vã realidade, é fácil, muito fácil!
Mas imaginar a outra verdade por realidade, e a torná-la verdadeira, é que é difícil, muito difícil!
A vida como obra de arte
- Sim, a constituição dos modos de existência ou dos estilos de vida não é apenas estética, é aquilo a que Foucault chama a ética, por oposição à moral. A diferença é a seguinte: a moral apresenta-se como um conjunto de regras coercivas de um tipo especial, que consiste em julgar acções e intenções referindo-as a valores transcendentes (é bem, é mal...); a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam aquilo que fazemos, aquilo que dizemos, segundo o modo de existência que isso implica. Dizemos isto, fazemos aquilo: que modo de existência implica isso? Há coisas que não podem fazer-se ou dizer-se senão à força de baixeza de alma, de vida cheia de ódio ou de vingança contra a vida. Por vezes um gesto ou uma palavra bastam. São estilos de vida, sempre implicados, que nos constituem como tal ou tal. Era já esta a ideia do "modo" em Espinosa. E não a encontraremos presente desde a primeira filosofia de Foucault - o que é somos "capazes" de ver, e de dizer (no sentido de enunciado)? Mas, se há aqui toda uma ética, trata-se também de uma questão de estética.
(...)
27 NOV 2009 - ENCONTRO sobre «Criação Artística»
Dia 27 Novembro 2009 | Sexta | das 15h às 18h | CENTRO NACIONAL CULTURA
- Guilherme D’ Oliveira Martins – Presidente do Centro Nacional de Cultura
- Annabela Rita – Presidente do CLEPUL – Centro de Literaturas de Expressão Portuguesa das Universidades de Lisboa
- José Pedro Fernandes – Professor de Estética e Cultura Visual
- Carlos Araújo Alves – Gestor Executivo graduado pela Business School de Barcelona e Investigador em Gestão Cultural.
- Alfredo Oliveira – Eng. e Investigador em Física e Cosmologia
- José Rodrigues dos Santos – Antropólogo e Investigador no CIDEHUS – Centro Interdisciplinar de História, Culturas e Sociedades, Universidade de Évora
- Amílcar Vasques-Dias – Compositor e Professor na Universidade de Évora
- Alice Valente Alves - Autora de projectos da Imagem - Poesia, Pintura e Fotografia - no âmbito da Criação Artística.
O local do ENCONTRO do dia 27 será no local da EXPOSIÇÃO, na Galeria Fernando Pessoa do CENTRO NACIONAL DE CULTURA. E a entrada para a EXPOSIÇÃO e para o ENCONTRO far-se-á ou pela Rua António Maria Cardoso, nº 68 ou pelo Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º (ao lado do «Café no Chiado») em Lisboa.
A EXPOSIÇÃO do CORPOtraçoCORPO irá decorrer até 11 Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta das 15h às 18h.
Contamos consigo!
E ainda «a consciente negligência do corpo»
Mas sabendo que tudo está assim tão mal, ainda assim conseguimos viver uns com os outros, às vezes bem mal é certo! Mas porquê?
O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar.... Somos assim... seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma ...
E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia...
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | traço (cor): Laranja-Lima
CORPOtraçoCORPO em Novembro no Chiado [2]
Neste evento, já estão efectuadas as alterações de data e local.
A todos, um muito obrigada pela compreensão.
Alice Valente Alves
GALERIA FERNANDO PESSOA - Largo do Picadeiro, nº 10 - 1º (Chiado) LISBOA
*
EM DIVULGAÇÃO:
http://alicevalente.wordpress.com/corpotracocorpo/2009_chiado/
Na Agenda Cultural do E-Cultura
Na Agenda Cultural da Câmara Municipal de Lisboa
No Facebook (página)
No Facebook (evento)
Pensamento enquanto IMAGEM
Um cheiro surge-me sempre acompanhado de uma imagem, uma imagem que pode ser de um agora futurizado ou de um outrora por já conhecido e vivenciado. E são essas imagens que nos concebem, que nos articulam o pensar como pensar dos outros dentro de uma mesma imagem, de muitas outras imagens.
Portanto existem numa IMAGEM que nos assalta ou nos presenteia num determinado momento, três tipos de diferenciadas imagens e que ao mesmo tempo, se vão movimentando, ou lenta ou rapidamente, e que são: - Imagem aprendida, a social ou escolástica; - Imagem sentida, a que nos altera, regista e perdura, e ; - Imagem ficcionada, a que transformamos imaginariamente.
E dentro dessas imagens existe um desígnio que nos designa ou desenha sem objectivos ou objectividades. Que pressuposto é esse?
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Imagina-se o INCONSCIENTE
Valores por acaso
É que o pensamento para ser desenvolvido não se reduz somente àquilo que se pensa em ideal ou modelo a ser comprovado cientificamente, todas estas matérias e as suas questões têm de ser colocadas, levantadas, discutidas e tidas em consideração por todas as áreas a que a elas dizem respeito, e tanto objectiva como subjectivamente.
E o perigo está, e que eu chamo aqui a atenção, é nessa ordeira e ameaçadora moralidade numa espécie de satisfação conclusiva que se tem gerado em redor de todas as ciências para com os processos do acaso, e que é o de não querer considerá-los e porque até sempre desconsiderados, e que no fundo são eles que efectivamente tiveram ou terão alguma coisa a dizer para com a mudança e em seus processos evolutivos, e exactamente porque assentes nas áreas da criação ou do pensamento artístico-filosófico e também do científico-filosófico. É que essa ansiedade, inquietação ou revolta que surge de algumas mentes que trabalham essas matérias, talvez possam estar impregnadas de uma ética que quanto a mim, jamais poderá estar separada da estética, enquanto potência ou capacidade excepcional que terá de quando em quando e inevitavelmente que surgir, para que se efective essa natural e salutar transformação da evolução do ser.
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A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
A divisão compete por sobrevivência
Existem dois tipos de pessoas. Chamem-lhes boas ou más, sensíveis ou insensíveis, de esquerda ou de direita, pobres ou ricas ... em pessoas essas que se confrontarão de quando em quando a se assistirem enquanto tal. E o meio de vida de cada uma dessas pessoas é-o pela sua condição.
Estes dois tipos de pessoas estão constantemente a se rebelarem umas contra as outras, porque:
A que é rica não quer ser pobre e a que é pobre quer ser rica.
A que é de direita não quer ser de esquerda e a que é de esquerda quer ser de direita.
A que é má quer ser tida de boa e a boa inevitavelmente terá de um dia ser má.
As sensíveis são ensinadas ou obrigadas a ser insensíveis e as insensíveis pensam e agem unicamente por regras morais.
E em percentagem manifesta para com a submissão ou a insubmissão, para com a bondade ou a crueldade, para com a potência ou a impotência, para com a justiça ou a injustiça... e em ambas as pessoas, 'vida e morte' afinal, é-lhes a sobeja igualdade.
É que viver basicamente para uma moral e sem ética nem estética, é sobreviver!
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Ética e moral
A CONDIÇÃO
[In]Tempestade
- É que me tornei cada vez mais sensível a uma distinção possível entre o devir e a história. Era Nietzche quem dizia que nada de importante se faz sem uma «nuvem não histórica». Não é uma oposição entre o eterno e o histórico, nem entre a contemplação e a acção: Nietzche fala do que se faz, do próprio acontecimento ou devir. O que a história apreende do acontecimento é a sua efectuação em estados de coisas, mas o acontecimento no seu devir escapa à história. A história não é a experimentação, é apenas o conjunto das condições quase negativas que tornam possível a experimentação de alguma coisa que escapa à história. Sem a história a experimentação permaneceria indeterminada, incondicionada, mas a experimentação não é histórica. Num grande livro de filosofia, Clio, Péguy explicava que há duas maneiras de considerar o acontecimento, uma que consiste em passar ao longo do acontecimento, em recolher a sua efectuação na história, o seu condicionamento e apodrecimento na história, mas a outra em activar o acontecimento, em instalar-se nele como num devir, em rejuvenescer e envelhecer nele ao mesmo tempo, em passar por todas as suas componentes ou singularidades. O devir não é história; a história designa apenas o conjunto o conjunto das condições, por mais recentes que sejam, das quais nos afastamos para "devir", quer dizer para criar alguma coisa de novo... Maio de 1968 foi a manifestação, a irrupção de um devir em estado puro. Hoje, a moda é denunciar os horrores da revolução. O que nem sequer é novo: todo o romantismo inglês está cheio de uma reflexão sobre Cromwell muita análoga à que se faz hoje sobre Estaline. Diz-se que as revoluções têm um mau futuro. Mas não se pára de confundir duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. A gente em causa não é a mesma nos dois casos. A única oportunidade dos homens está no devir revolucionário, que só ele pode esconjurar a vergonha, ou dar resposta ao intolerável.
GILLES DELEUZE , Conversações 1990, Fim de Século Edições, 2003
ao 11 Setembro
2 0 0 7 _ 1 1 S E T E M B R O: avista-se sem mais palavras


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