Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

Na frescura de um amanhecer

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Fico-me no silêncio e encanto da música de Franz Schubert !

Com a Fantasia op.15 D.760 para Piano por András Schiff

(Que poderá ouvir no Youtube mas tocado por Vladimir Sofronitsky: Parte 1 Parte 2Parte 3)


Um porquê do agora

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As decisões, os momentos, o que os outros querem, o que os outros decidem, o que os outros entendem. Os outros, os outros, os outros e nós. Nós não existimos. O ‘nós’ é o somatório das individualidades, esse ‘nós’ com os mesmos interesses.
Ontem estive e deixei de estar. Não estive nem deixei de estar.
Simplesmente os caminhos arrepiam-se ao acaso.
E os acasos esses do ‘nós’ encontram-se antes do depois. 
E o agora não existe. O durante sim.
Porquê o agora se desfaz num tempo presente que se evade para o outro seu tempo em futuro.
E agora que digo. Que não existo, que não existirei, que não me prolongo no tempo dos outros. No tempo e no espaço dos outros que não é o meu. Esse meu tempo que me diz em jeito e em movimento o que olho, o que me olha, o que enfrento de qual tempo.
E ficar-se sério e calado e silencioso no meio das multidões que se vão manobrando, articulando sem se aperceberem do acontecimento contrário ao que lhes advém.


ALICE  VALENTE




Asas em ventos de um tempo por verde

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"Traço:Verde"
 

- Em breve a informação do local e evento de Apresentação, Exposição e Actividades para este ano de 2010 -




O movimento das imagens sonoras

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(…)
Este pintor era sempre um sujeito estranho; apesar da sua surdez amava entusiasticamente a música, e deve ter sido capaz, quando se encontrava suficientemente perto da orquestra, de ler a música nos rostos dos músicos, e de apreciar pelos movimentos dos seus dedos a execução mais ou menos conseguida; também escrevia críticas de ópera num apreciado jornal de Hamburgo. O que é aqui de admirar? Na assinatura visível da execução, o pintor surdo era capaz de ver os sons. É que há pessoas para quem os próprios sons não são apenas assinaturas invisíveis, em que ouvem cores e figuras.
Na leitura das assinaturas das imagens sonoras de Heine, a «assinatura visível» que apresenta sons ao olhar, é substituída pela «assinatura invisível», que torna as cores audíveis. Deste modo, quem lê na assinatura visível do fenómeno, acaba por perder a ressonância sonora na música e na voz, e permanece sempre dependente dos sinais de pintor do intérprete, que sendo ele próprio surdo, descreve a assinatura visível da sua partitura sem sons. Naquilo que o narrador de Heine descreve e analisa no exemplo do pintor surdo Lyser, actua aquela «transformação dos sons» em mímica visível do rosto e da figura, que despertou repetidamente a impressão da ilegibilidade de uma assinatura dançada.
(…)
… A solução do «enigma dançado» cujo processo se limita exclusivamente à lógica de representação da dança, reside na descrição daquilo que faz a insolubilidade do enigma. A representação da dança, como assinatura que necessita de ser decifrada, coloca o leitor perante as mesmas aporias colocadas pela representação audiovisual daquelas fisionomias de Heine … é que a própria representação da percepção de assinaturas em movimento com o auxílio de uma economia dos sentidos substituta, descreve com espantosa exactidão a estrutura da linguagem que constitui também a dança. E compreender significa, em primeira linha, explicar porque é que a solução não se pode ler em termos semânticos, dado que é a própria leitura que coloca o enigma.

Theodor W. Adorno assumiu uma posição semelhante em relação à obra de arte. Na sua "Teoria Estética" fala da obra de arte como de um enigma que não se dissolve na sua solução sem deixar resto. Segundo Adorno, o enigma é imanente a toda a obra de arte, mas «resolver o enigma é o mesmo que indicar a razão da sua insolubilidade: o olhar com que as obras de arte contemplam o observador». Segundo Adorno, a obra de arte espera precisamente pela palavra que dá a solução, capaz de compreender o olhar enigmático; mas compreender significaria então produzi-la de novo «a partir do interior», por assim dizer como interpretação musical da partitura imagética.
(…)
ROGER FARGUELL, «FIGURAS DA DANÇA 
Sobre a Constituição Metafórica do Movimento em Textos,
Capítulo IV - HEINE», (Edição) GULBENKIAN Educação



BALLET GULBENKIAN - Fotografia/Arquivo de ALICE VALENTE ALVES


O tempo desenha-te

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Tecnicamente tudo se quer
Tudo se inventa
Tudo se constrói
Tudo se altera
A ambição impõe-se
E tudo se quer mudar

Antes era assim

Mas as pessoas mudam
E mudam sim
Mas mudam em pensamento e anima
A intemporalidade do Ser
E as pessoas mudam não pelo progresso
As pessoas mudam pelo tempo
Pelas intempéries
As pessoas mudam
Por evolução
Por Devir
Por Ser
De um tempo desenhado
Que nos cria e desenha

E…

O tempo desenha-te
Em tempo desenhado

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE ALVES 

Por momentos

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Dia Mundial da Dança: 29 de Abril
Poesia e Desenho de ALICE VALENTE ALVES

Hibernar e a depressão

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Basta procurar ou pesquisar sobre as palavras depressão e afins termos, que é de bradar aos céus o que se escreve sobre estas matérias. A cura e a doença, sempre! Cada vez existem mais e mais doenças e 'coitados' dos 'grandes das artes', são sempre eles as cobaias ou os que servem de exemplo  tanto pintores, músicos, poetas, escritores... como os maiores tristes do mundo, os que sofreram desgraçadamente.  Mas que raio de 'mania' esta, a destes homens das novas e cientificas ideias, a de julgarem que sabem tudo sobre a felicidade do homem ou no como fazer o homem feliz. Mas quer a ciência tornar viável o que é já para si e em si mesmo, completamente dispensável?

E já ninguém se livra da doença, todos iremos ser doentes nas mãos destas muitas e muitas ciências, que irão descobrir, pé ante pé, que somos todos "uma cambada de deficientes".  E a ciência de hoje até já está convicta que  iremos ser todos muitos felizes à sua custa e que enfim até já tem remédio ou cura para tudo e mais alguma coisa (doença ou defeito) que tem vindo a descobrir. E não pára, e vá de arranjar doença e mais doenças! Mas que fatalidade esta, a de se ser vivo, mas doente!

E até dizem que, com o uso de medicamentos adequados e de apoio psicológico, é perfeitamente possível atravessar períodos indefinidamente longos de saúde e ter vida plena.
Afinal, o que é isso de vida plena?
É a obediência na sua plenitude e graça de mais e mais encarnados tolos por tão 'carneirados'?

Até todos acordarem desta anestesiante e superficial forma do 'viver em plenitude' que a ciência-negócio quer dar aos homens, através de uma qualquer cara-lavada em forçosa "boa disposição-medicamental":
  •      Da vida vivida de um vigor que lhe é completamente artificial;
  •      De vida em vidas que nada dizem às pessoas na natureza deste mundo;
  •      De manobradas vidas  que jamais transformarão o mundo para melhor.
E assim vá de se entrar nesta plenitude medicamentosa e esquecer que se está vivo, e haja muita distracção e servidão possível, para todos os felizardos 'contentinhos' ou desses que lá vão enveredando por estas vias do que é o 'pleno comodismo' de não saberem o que é o "pensar".

As crises, a depressão económica, a depressão nervosa ou seja,  a depressão é sempre algo de positivo e que se manifesta no homem como uma necessidade para parar e pensar no que está mal em si e em seu redor.
Tal como o dormir, não será então a depressão, como uma nova defesa ou forma do Homem hibernar e como tal, para naturalmente ressurgir com força para a vida e com capacidade e energia psíquica para resolver, alterar ou até transformar os problemas do mundo?

Desenvolvendo-se por períodos incertos e em formas distintas, ou devido a Invernos rigorosos e escassez de comida, mas também pela ameaça de altas temperaturas e falta de água, os animais hibernam, como uma necessidade na preservação de continuarem vivos e poderem após esse estado de entorpecimento voltar às suas naturais actividades de movimentos com todo o vigor e energia.


E para reflexão deixo-vos com alguns dos
ANTÓNIMOS das palavras (Hibernação e Depressão):

( = )
- antónimo de -
Hibernação:
Ânimo
Vigor
Energia
Entusiasmo
Disposição
Actividade
- antónimo de -
Depressão:
Ânimo
Vigor
Fortalecimento
Excitação
Elevação
Desenvolvimento





Após

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APÓS

E O QUE FICA (SEMPRE) POR DIZER!

*





FUTURO preciso

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FUTURO preciso

Avolumadas as depressivas crises. Prestes ou depressa convertidas à ‘loucura’ comprimida. Reinam estonteantes ordens incisivamente estabelecidas. Acertadas adentro ao que por estipulado falharão. E ao que devem. O que fazer. Com ensinos, modelos, jogos e preceitos em prol. De um tempo perdido. De um aprender a fazer-se ao mando por mandos. Obrigados a não queridos. Do nada de nada se sabe o que é fazer. E os delatores de duros materiais. Batem-se e formam-se às muitas matérias. Em matérias todas elas tão próprias. Tornadas só por si e em si, fugidias. E em repetidos e metralhados coros. Insiste-se que assim terá de ser ou que assim seja.

Fala-se sem saber e diz-se sem pensar

E …

É preciso olhar o futuro 
É preciso pensar o futuro
É preciso sentir esse futuro 
É preciso falar sobre esse futuro

E …

Que futuro é esse

E … Porque o dinheiro deixará de existir

O futuro
Esse futuro para já
É já, já, o de amanhã 

VERDADE

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Sobre o que é  a “verdade”, é preciso fazer a distinção e em seu significado,  exactamente porque se confunde “verdade” com “opinião” e por isso muitas vezes se ouve dizer que «as verdades únicas não existem» ou «a cada um a sua verdade». É que nestas frases que habitualmente ouvimos, a verdade tornou-se múltipla, e deixou de existir a intenção de procurar a verdade, e porque ela é já e vulgarmente aceite por verdades, verdades essas de quem opina às tais verdades (razões ou opiniões) pretendidas.

Sobre a «Verdade» ESPINOSA afirma, no seu Tratado Teológico-Político que:
Quem tem uma ideia verdadeira sabe simultaneamente que ela é verdadeira e não pode duvidar da verdade do seu conhecimento.
Aqui não se trata só da verdade por descoberta e que só diz respeito às ciências exactas, mas a dar-se valor à verdade por dignidade humana, e em verdade essa que nos mantém confiantes todos os dias, como num acreditar de algo que sabemos que vem, em devir por Verdade ou por uma Verdade que no fundo, é una e indivisível.

E a fazer assim a distinção, a «verdade» enquanto verdade universal, é inalterável e não se devendo pois, confundir com as contingentes opiniões humanas. É que aquilo que é verdade agora, sê-lo-á para todos e em qualquer circunstância: hoje, amanhã e sempre. Agora querer-se afirmar como arrogadas verdades, que «a cada um a sua verdade» é já e em si mesmo, uma "falsa verdade", embora podendo sim ser aceite, mas nas tais de “verdades”  enquanto “opinião”.
Existe assim, uma “verdade única” e é sobre essa Verdade que no Traço:verde-oliva, a 7ª das nove cores do meu projecto «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» faço referência, e em que para além das características da cor e em seu projecto, procurei caracterizar este traço e em sua cor, no advir de uma Verdade precisa.




pormenor da obra nº 55 – «luzente» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2008
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente
| traço (cor): Verde-oliva





A procura e o encontro

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         A PROCURA E O ENCONTRO

O que é que o ser humano procura? 
- Verdade e dignidade!

E onde se encontram?
- Na ética e na estética!
*





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A divisão compete por sobrevivência



ÁGUAS CRUZADAS

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Projecto ÁGUAS CRUZADAS  de Alice Valente Alves


INFORMAÇÃO:  

 Facebook



UM DOS POEMAS EM «ÁGUAS CRUZADAS»:

ÁGUAS CRUZADAS
Dizer
Ou simplesmente não dizer nada
O tempo esgota-se
Na presente ausência
E o rio já desaguou
Findou
A doçura amadureceu
E tornou-se salgada
E as gotas 
Já tão distantes
A meio daquele mar
Vai ser difícil o encontro
Encontrar-se-ão sim!
Embarcações
E águas revoltosas
Serão mastigadas
Pela imensidão
Alcançar propósitos
A estar aqui
Com modo e postura
Observando
Caricatura de rostos
Em águas cruzadas 
De um mesmo céu...

de que querer

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Eu não sei o que quero, 
mas sei o que não quero.
*




Obra nº 7 - «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE

«querer de que poder»

 Obra nº 7 – «querer de que poder» |óleo sobre tela | Díptico | 81x130cm | 2003
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE
| traço (cor):Vermelho



*

Ensaio: «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»


Vivam-se


Vivam-se + Bem vivos + Bem vivos por quase mortos 
Vivam-se de palmas batidas + Vivam-se por quase mortos 
E usem o que têm + E o que quererão muito ter
+ Para se apregoarem na cruz bendita +

Haja paciência + E aos pacientes é-lhes roubado + Tudo 
 Tudo tudo + Muito antes de tudo o mais

As ironias maltrapilham-se 
Ao gravatear que os apertará para sempre

Não se alegrem por tão tristes 
Às altas janelas de vestes sem postura

Desviados ou enviesados é tudo isso + Enviesados por desvio 
 Ou enviesados ao invés + Não se surpreendam muito ao demais 
 Esses surpreendidos usam-se para a fornalha 
Por pós ao livre desencantar



Os Poetas e a interrogação do Ser, em ECO

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«... se o Ser (com maiúscula) é tudo aquilo de que se puder dizer alguma coisa, porque é que também não deverá fazer parte dele o devir? O devir surge como um defeito numa visão do ser como Esfero compacto e imutável: mas agora ainda não sabemos se o ser não será, não diremos volúvel, mas móvel. metamórfico, metempsicótico, compulsivamente reciclante, inveterado bricoleur...
De qualquer modo as línguas que falamos são como são, e se apresentam ambiguidades, ou inclusivamente confusões no uso deste primitivo (ambiguidades que a reflexão filosófica não resolve), não será que este embaraço exprime uma condição fundamental?
Para respeitar este embaraço, vamos usar nas páginas seguintes ser no seu sentido mais vasto e despreconceituado. Mas que sentido pode ter este termo que Pierce declarou de intensão não nula? Terá o sentido que sugere a dramática pergunta de Leibniz: «Porque é que há algo em vez de nada?».
É isto que entendemos pela palavra ser: Algo.
Porque é que a semiótica deverá ocupar-se deste algo? Porque um dos seus problemas é (também, e certamente) dizer se e como usamos signos para nos referirmos a algo, e sobre isto muito se tem escrito. Mas não creio que a semiótica possa evitar outro problema: o que é esse algo que nos induz a produzir signos?
Toda a filosofia da linguagem vem defrontar-se não só com um minus ad quem mas também com um terminus a quo. Tem de se perguntar não só: «a que nos referimos quando falamos, e com que credibilidade?» (problema certamente digno de nota); mas também: «O que nos faz falar?».
Isto, posto filogeneticamente, era no fundo o problema - que a modernidade interditou - das origens da linguagem, pelo menos de Epicuro em diante. Mas se se pode evitá-lo filogeneticamente (aduzindo a falta de achados arqueológicos) não se pode ignorá-lo ontogeneticamente. A nossa própria experiência quotidiana pode fornecer-nos elementos, se calhar imprecisos mas de qualquer modo tangíveis, para respondermos à pergunta: «porque é que fui induzido a dizer algo?».

(...) ... Um Objecto Dinâmico leva-nos a produzir um representamen,  este produz numa quase-mente um Objecto Imediato, por sua vez traduzível numa série potencialmente infinita de interpretantes e por vezes, através, através do hábito elaborado no decorrer do processo de interpretação, voltamos ao Objecto Dinâmico, e sempre fazemos qualquer coisa. Sem dúvida, a partir do momento, a partir do momento em que temos de tornar a falar do Objecto Dinâmico a que voltámos, estamos de novo na situação de partida, temos de tornar a denominá-lo através de outro representamen e num certo sentido o Objecto Dinâmico permanece sempre como uma Coisa em Si, sempre presente e jamais captável, senão precisamente por meio de semiose.
No entanto, é o Objecto Dinâmico o que nos leva a produzir semiose. Produzimos signos porque há algo que exige ser dito. Com expressão pouco filosófica mas eficaz, o Objecto Dinâmico é Algo-que-nos-dá-um-pontapé e nos diz «fala!» - ou «fala de mim!», ou ainda, «entra em consideração comigo!».

(...)... o poder revelador reconhecido aos Poetas não é tanto o efeito de uma revalorização da Poesia como de uma depressão da Filosofia. Não são os Poetas a vencer, são os filósofos a render-se.
Ora, mesmo admitindo que os poetas nos falem do que de outro modo é incognoscível, para lhes confiar a tarefa exclusiva de falar do ser, tem de se admitir por postulado que haja incognoscível.

(...) O que nos revelam os Poetas? Não é que eles digam o ser, eles muito simplesmente tentam emulá-lo: ars imitatur naturam in sua operatione. Os Poetas assumem como sua tarefa a substancial ambiguidade da linguagem e tentam explorá-la para dela fazerem sair, mais que um excedente de ser, um excedente de interpretação. A substancial polivocidade do ser costuma impor-nos um esforço  para dar forma ao informe. O poeta emula o ser repropondo a sua viscosidade, tenta reconstruir o informe original, para nos induzir a ajustar contas com o ser...»

UMBERTO ECO - Kant e o Ornitorrinco Edições DIFEL 1999

Criação Artística e os conceitos usurpados à Arte na Criação

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O roubo e a falsificação de vários conceitos das áreas do artístico, tais como «criatividade», «criação» ou «criação artística» e até «estética» tem sido feita ao mais alto nível da manipulação psicológica, tanto pelas economias e em suas empresas, como pelas políticas e em seus governos, e ainda pelos produtores de uma nova indústria de cara lavada ao que é cultural. Será então que teremos de dividir a criatividade em duas partes? Talvez, em criatividade artística por um lado e em criatividade inventiva por outro, para assim nos entendermos melhor?

E até já se fala, muito normalmente de criatividade, como de competitividade se se tratasse. É possível, desde quando? É que os produtores das proveitosas e económicas ideias que pretendem que nas empresas não se gere estagnação produtiva devido às rotinas das respectivas tarefas e em seu cansaço ou desmotivação psicológica, inventaram, claro está, a criatividade competitiva, é interessante, não é? Talvez uma boa forma de remediar o que não tem remédio, que é produzir mais e mais, negligenciando o desenvolvimento do intelecto no fazer através de sensibilidades, gerando luta ou lutas com tudo e com todos e até claro está numa guerra psicológica com os respectivos parceiros de carteira, colegas de trabalho, amigos e até familiares. Uma muito pouco salutar forma de se viver e trabalhar a arranjar riqueza, pelo inevitável resultado que daí advirá e com ele o gerir o tal empobrecimento interior.

E por isso se confunde invenção com criação e criação com produção, novo com novidade, e criatividade para muitos até é competitividade, enfim palavras que são postas num mesmo saco e por isso sinónimos tão convincentemente convenientes uns dos outros, e porque até é assim que se lê ou que interessa ler em muitos dicionários. E a tal «estética» que se comercializa por aí, nessa evidente beleza do que é a sedutora exterioridade da vida ou ainda como que a única razão em moda de vidas?

Mas usurpando à arte os seus conceitos, nem tudo lhe poderá ser roubado, afinal qual o significado da Criação para a Arte ou seja, o que é a Criação Artística?

E exactamente porque a sedução oculta ou falseia a aptidão ou capacidade de pensar e em capacidade de pensar, que por sua vez será sempre pertença da beleza artística. Por isso a beleza artística, jamais se reconhece na sedução. Assim a criação ou criação artística é uma acção ou dinâmica completamente inexplicável e que espontaneamente faz irromper o ser do nada, a diferenciar-se do trabalho, da técnica ou da produção. Embora se queira associar estes processos do ressurgimento do nada na arte e no que é artístico como afronta às leis da natureza e dando-lhes um sentido do teológico ou transcendental, não creio que seja esse a via louvável para o seu entendimento.

É que nestas vias, ainda há um longo caminho, a percorrer… E lá iremos!

a 2010

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Alice Valente Alves

Com desejos de um FELIZ 2010



Dentro e fora da Galeria Fernando Pessoa, a poesia

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Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE

Da janela da Galeria do Centro Nacional de Cultura no Chiado em Lisboa, avista-se a árvore de Natal no Largo do Teatro de São Carlos em fotografia que tirei após a desmontagem da Exposição na passada Sexta-feira.

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


E dentro da Galeria, entre 11 de Novembro a 11 de Dezembro de 2009, foi esta a panorâmica da Exposição de 15 das 63 obras nas 7 das nove cores já realizadas até ao momento, do meu projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura».

E são estas imagens que vos ofereço, com o desejo de umas Festas em Paz e com muito carinho.


Até dia 11 de Dezembro na Galeria Fernando Pessoa do CNC

...
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


«luzente»

pormenor da obra nº 55 – «luzente» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2008
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente
| traço (cor): Verde-oliva

A Exposição do CORPOtraçoCORPO está patente na Galeria Fernando Pessoa no CENTRO NACIONAL DE CULTURA até dia 11 de Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta, das 15h às 18h.
Contamos consigo!


Pensamento orgânico

...
... aquilo que distingue um corpo não orgânico de um corpo vivo é que o primeiro é delimitado de fora, é do exterior que ele recebe seu impulso. O corpo orgânico, por sua vez, encontra em si mesmo a sua própria forma, é de dentro que ele extrai seu dinamismo, que ele é chamado a crescer e se desenvolver. Possui, de certa maneira forças inatas que são causa e efeito de sua própria vida. É bem disto que se trata: a organicidade remete para o vivente e para as forças que o animam. Isto pode ser compreendido de um modo bastante simples: o próprio da separação, aquilo que se fragmenta é sempre, potencialmente mortífero, enquanto que o que vive tende a se reunir, a conjugar os elementos díspares. É quando o conjunto todo se sustenta que há vida.
(...) 
... Assim, para retomar, em substância, os filósofos medievais, a corrupção de um ser é a degenerescência de um outro, aquilo que é informe consegue gerar uma forma nova, pode-se até dizer que a passagem pelo informe garante o jorrar e a estabilização de uma forma mais pura. Tudo isso pode parecer bem místico, mas a sistémica contemporânea não diz outra coisa, ao mostrar a reversibilidade do funcionamento e do disfuncionamento. Trata-se aí de uma lei imperial da natureza que o positivismo da modernidade tinha conseguido apagar, mas que como toda a estrutura antropológica, ressurge sem falta quando o simples causalismo se satura. Em suma, agora que as entidades homogéneas e gerais perdem seu poder de atracção, convém estar atento, por um lado, à complementaridade dos fragmentos, e, por outro, ao facto de que conseguem aglomerar-se, de um modo flexível, em rede, em vastos conjuntos no interior dos quais respondem uns aos outros. Um processo assim é perceptível na ordem das instituições em geral, do político em particular, mas, igualmente, no plano do quotidiano, nas organizações económicas, na vida associativa, e nas estâncias estatais.

Isto posto, foram certamente os poetas e os romancistas que, além dos filósofos, pressentiram aquilo que a ciência contemporânea está descobrindo de uma nova maneira. Há, é claro, o famoso quarteto de Baudelaire, que não é inútil recordar:
"Como longos ecos que ao longe se fundem
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e como a claridade
Perfumes e cores e sons se respondem".
Assim se exprime aquela unidade subterrânea que pode, à primeira vista, escapar a uma simples concepção racionalista do mundo: os processos de interdependência. Processos que observamos cada vez mais na economia, na política e no social. Há um princípio formal que funde essa unidade. Um princípio que se torna mais necessário à medida que o mundo vai sendo tendencialmente levado a desagregar-se. Walter Benjamin, por exemplo, comentando alguns poemas de Hölderlin, lembra que é o poeta que dá, ou restitui sua força de agregação a um mundo desmembrado. O cuidado com a forma que se observa na poesia, é um símbolo de uma exigência tal. É por isso, aliás, que esta une intimamente o plástico e o espiritual.

Tal vínculo não é neutro, indica bem a organicidade existente entre o corpo e o espírito, a natureza e a cultura, o material e o imaterial. Assim, o mundo das formas, o mundo da forma, apanágio do poeta, não faz mais do que cristalizar o que se poderia chamar de desejo de unicidade que anima todas as coisas. Para além da fragmentação, inerente à vida mundana, há uma aspiração à convergência que a exigência poética personifica com perfeição...
(...)

MICHEL MAFFESOLI - ELOGIO DA RAZÃO SENSÍVEL – Editora Vozes

Deparámo-nos assim!

...
Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


«de que vontade»

pormenor da obra nº 50 – «de que vontade» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente
| traço (cor): Laranja-Lima

A Exposição do CORPOtraçoCORPO está patente na Galeria Fernando Pessoa no CENTRO NACIONAL DE CULTURA até dia 11 de Dezembro de 2009, de Segunda a Sexta, das 15h às 18h.
Nota: A Galeria (devido aos feriados) encontra-se encerrada nos dias 30 de Novembro e 1, 7 e 8 de Dezembro 2009. Contamos consigo!


Convite - Encontro sobre Criação Artística no CNC

...
A 27 de Novembro de 2009 das 15h00 às 18h00 na Galeria Fernando Pessoa do Centro Nacional de Cultura, ENCONTRO sobre «Criação Artística», com a participação de Guilherme D' Oliveira Martins, Annabela Rita, José Pedro Fernandes, Carlos Araújo Alves, Alfredo Oliveira, José Rodrigues dos Santos, Amílcar Vasques-Dias e Alice Valente Alves.

E será um enorme prazer contar consigo neste Encontro que organizei no CNC em que irei apresentar este meu projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» na presença das 15 obras que estão expostas e com a projecção das 63 obras realizadas até agora, estando à disposição para responder às questões que me queiram colocar sobre este meu trabalho e o tema Criação Artística, para além dos participantes que não precisam de apresentações pelo enorme contributo que têm dado às artes na valorização desta temática, haverá um momento musical em banda sonora e a ser salientado pelos seus autores, a importância do processo do acto criativo na composição e a influência da música para com as outras áreas da criação artística...

E fica o convite e o diálogo da(s) surpresa(s) nos presentes do momento.

Um abraço e obrigada.

Alice Valente Alves

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