Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

Ministério da Cultura faz-se às 'obras' de betão !

...

Notícia do PÚBLICO no dia 25 Junho 2010
(...)
Uma das iniciativas que se podia pensar cair: o Museu dos Coches, que, face à situação dos museus existentes, foi dado como um “esbanjamento” quando anunciado pelo seu antecessor, José António Pinto Ribeiro.
Temos dito até à exaustão que o Museu dos Coches não é pago pelo MC e sim pelas contrapartidas do Casino. Temos custo zero relativamente ao Museu dos Coches.

As do Casino, não são verbas que se poderiam ser alocar a outros projectos?
Não. Nem passam pelo MC. São como o [Teatro Nacional de] São Carlos, o Dona Maria, o São João. São verbas que vêm do Ministério das Finanças.

A transferência do Museu Nacional de Arqueologia é outro caso.
Esse faz parte do nosso orçamento. As verbas para os estudos que estão a ser feitos são nossa responsabilidade. E não serão afectadas a ponto de não podermos prosseguir na fase em que estão agora.
(...)
*

Cenário dramático? O drama faz-se segundo as conveniências! Vejam lá se as grandes obras arquitectónicas vão ser afectadas? Não! Já assim foi com os agigantados estádios de futebol construídos em 2004 em tempo recorde e a justificarem sempre que seria benéfico para a Economia e para o Turismo... está à vista no que deu! Dinheiro mal gasto em dinheiro desviado de todos os ministérios e da cultura também, para agigantadas construções de mais e mais 'elefantes brancos', que só nos têm encaminhado para onde? Para a miséria!
Mas ainda insistem que assim tem de ser! E ainda tentam continuar a atirar areia para os olhos de toda a gente! Qual cenário dramático, qual quê ? ? ?

Não se justifica existirem instituições e em seus responsáveis a receberem avultados quantias e a não saberem gerir as verbas para as quais são destinadas. E a não exercerem assim, devidamente as funções para as quais essas mesmas instituições foram edificadas.

Então, que se extinga o Ministério da Cultura de uma vez por todas e com ele também o Ministério da Educação e que só exista então os tais Ministérios de Turismo, das Economias, da Finanças e Obras Públicas e em vidas fáceis de uns quantos a se fazerem a muitos e demais jogos em casinos  e às tais obras de betão, na empobrecida e miserável 'vida boa' para toda a vida .  

E depois ? ! 



O encanto

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O ENCANTO

Mesmo que o Homem tente atraiçoar a beleza do Mundo
O encanto ao que é belo não desiste
e acaba sempre por surgir 
A tocar-nos.
*




Aclamar o pôr fim

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José Saramago morreu hoje em sua casa, na ilha espanhola de Lanzarote ...


*
À entrada estão os levitas à espera dos que vêm oferecer sacrifícios, porém neste lugar a atmosfera será tudo menos piedosa, salvo se a piedade era então compreendida doutra maneira, não só é o cheiro e o fumo das gorduras estorricadas, do sangue fresco, do incenso, é também o vozear dos homens, os berros, os balidos, os mugidos dos animais que esperam vez no matadouro, o último e áspero grasnido duma ave que antes soubera cantar. Maria diz ao levita que os atendeu que vem para a purificação e José entrega as rolas. Por um momento, Maria pousa as mãos sobre as avezinhas, será o seu único gesto, e logo o levita e o marido se afastam e desaparecem atrás da porta. Não se moverá Maria dali até que José regresse, apenas se aparta a um lado para não obstruir a passagem, e, com o filho nos braços,espera.
Lá dentro é uma forja, um talho e um matadouro. Em cima de duas grandes mesas de pedra preparam-se as vítimas de maiores dimensões, os bois e os vitelos, sobretudo, mas também carneiros e ovelhas, cabras e bodes. Perto das mesas encontram-se uns altos pilares onde se dependuram, em ganchos chumbados na pedra, as carcaças das reses, e vê-se a frenética actividade do arsenal dos açougues, as facas, os cutelos, os machados, os serrotes, a atmosfera está carregada dos fumos da lenha e dos coiratos queimados, de vapor de sangue e de suor, uma alma qualquer, que nem precisará de ser santa, das vulgares, terá dificuldade em entender como poderá Deus sentir-se feliz em meio de tal carnificina, sendo como diz que é, pai comum dos homens e das bestas. 
(...)


Desenho de ALICE VALENTE

(...) 
Imaginava a horrível matança, os soldados entrando nas casas e rebuscando os berços, as espadas golpeando ou cravando-se nos tenros corpinhos descobertos, as mães em loucos gritos, os pais bramindo como touros acorrentados, e imaginava-se a si próprio também, numa cova que nunca vira...
(...)
Quando Maria desapareceu na fundura cinzenta de um vale, Jesus, de joelhos, gritou, e todo o seu corpo lhe ardia como se estivesse a suar sangue, Pai, meu pai, porque me abandonaste, que isto era o que o pobre rapaz sentia, abandono, desespero, a solidão infinda de um outro deserto, nem pai, nem mãe, nem irmãos, um caminho de mortos principiado. De longe, sentado, no meio das ovelhas e confundido com elas, o pastor olhava-o. 
(...)

JOSÉ SARAMAGO - Excertos do Livro: O Evangelho segundo Jesus Cristo


O que se quer ? !

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Que acontecerá aos mal intencionados, quando já não tiverem a quem dirigir as suas más intenções ?

- E após tudo já estar desvirtuado, destruído e despegado da origem, vão sentar-se à soleira de suas portas esperando ainda assim, a freguesia dos muitos e ricos clientes que luxuosa e turisticamente, lá foram empobrecendo ! ?

E sobejamente às quais perdidas vítimas que tentam culpar,  estas um dia amedrontar-se-ão, e olhai oh reino dos salvadores de quem não mais se revoltará, por tudo o que virá a deixar de ser, ao muito que ainda assim, se quer por ganho !


A impossibilidade

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A IMPOSSIBILIDADE  
À estranheza que entranha 
Distante e assustador é o olhar
E por possível, descoordena-se. 
*





Estar e Ser

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Estar ou não estar. Ser ou não ser. Eis a fatalidade!

Também em tempos de descobridores de um tempo de Descobrimentos dividiu-se o mundo territorialmente, a faixa divisória em duas partes, a terra e as terras, o território e os donos de papados reinos, impunham regras de um brutal domínio por riqueza imperial. Mas pela impossibilidade de cumprimento de tal dever em divisão do mundo de qual território, e apesar do muito sofrimento infligido, tudo se alterou, naturalmente.

E estamos nesses mesmos tempos, e aos que insistem em dividir para fechar território e reinar, um dia igualmente mudará este conceito e a transformação acontecerá. E para satisfazer as necessidades do Homem por território e por que territorialidades, estamos prestes a assistir a um novo conceito de território, mas virtual. E o território será outro, não o da terra ou das terras, mas sim o da virtualidade concebida pelas tecnologias e já muito presente na internet. E é interessante que, pela alteração já feita e pronta a uma transformação ainda maior, o território d’ agora é um território virtual, cabe-nos a todos descobrir o mundo no mundo de cada um de nós, longe da territorialidade e de regras impostas, é o outro território, é um outro território, é o território da vida, é o território do Ser. E mesmo que avancem à descoberta, unicamente a querer dominar por vias das tecnologias, que é o que tem vindo a acontecer, são por sua vez esses mesmos meios técnicos que ajudarão ou encaminharão, através dos que inevitavelmente farão delas bom uso, numa suposta possibilidade de não mais existirem fronteiras nem territórios das impositivas regras e nas respectivas leis direccionadas ao desumano.

Na frescura de um amanhecer

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Fico-me no silêncio e encanto da música de Franz Schubert !

Com a Fantasia op.15 D.760 para Piano por András Schiff

(Que poderá ouvir no Youtube mas tocado por Vladimir Sofronitsky: Parte 1 Parte 2Parte 3)


Um porquê do agora

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As decisões, os momentos, o que os outros querem, o que os outros decidem, o que os outros entendem. Os outros, os outros, os outros e nós. Nós não existimos. O ‘nós’ é o somatório das individualidades, esse ‘nós’ com os mesmos interesses.
Ontem estive e deixei de estar. Não estive nem deixei de estar.
Simplesmente os caminhos arrepiam-se ao acaso.
E os acasos esses do ‘nós’ encontram-se antes do depois. 
E o agora não existe. O durante sim.
Porquê o agora se desfaz num tempo presente que se evade para o outro seu tempo em futuro.
E agora que digo. Que não existo, que não existirei, que não me prolongo no tempo dos outros. No tempo e no espaço dos outros que não é o meu. Esse meu tempo que me diz em jeito e em movimento o que olho, o que me olha, o que enfrento de qual tempo.
E ficar-se sério e calado e silencioso no meio das multidões que se vão manobrando, articulando sem se aperceberem do acontecimento contrário ao que lhes advém.


ALICE  VALENTE




Asas em ventos de um tempo por verde

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"Traço:Verde"
 

- Em breve a informação do local e evento de Apresentação, Exposição e Actividades para este ano de 2010 -




O movimento das imagens sonoras

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(…)
Este pintor era sempre um sujeito estranho; apesar da sua surdez amava entusiasticamente a música, e deve ter sido capaz, quando se encontrava suficientemente perto da orquestra, de ler a música nos rostos dos músicos, e de apreciar pelos movimentos dos seus dedos a execução mais ou menos conseguida; também escrevia críticas de ópera num apreciado jornal de Hamburgo. O que é aqui de admirar? Na assinatura visível da execução, o pintor surdo era capaz de ver os sons. É que há pessoas para quem os próprios sons não são apenas assinaturas invisíveis, em que ouvem cores e figuras.
Na leitura das assinaturas das imagens sonoras de Heine, a «assinatura visível» que apresenta sons ao olhar, é substituída pela «assinatura invisível», que torna as cores audíveis. Deste modo, quem lê na assinatura visível do fenómeno, acaba por perder a ressonância sonora na música e na voz, e permanece sempre dependente dos sinais de pintor do intérprete, que sendo ele próprio surdo, descreve a assinatura visível da sua partitura sem sons. Naquilo que o narrador de Heine descreve e analisa no exemplo do pintor surdo Lyser, actua aquela «transformação dos sons» em mímica visível do rosto e da figura, que despertou repetidamente a impressão da ilegibilidade de uma assinatura dançada.
(…)
… A solução do «enigma dançado» cujo processo se limita exclusivamente à lógica de representação da dança, reside na descrição daquilo que faz a insolubilidade do enigma. A representação da dança, como assinatura que necessita de ser decifrada, coloca o leitor perante as mesmas aporias colocadas pela representação audiovisual daquelas fisionomias de Heine … é que a própria representação da percepção de assinaturas em movimento com o auxílio de uma economia dos sentidos substituta, descreve com espantosa exactidão a estrutura da linguagem que constitui também a dança. E compreender significa, em primeira linha, explicar porque é que a solução não se pode ler em termos semânticos, dado que é a própria leitura que coloca o enigma.

Theodor W. Adorno assumiu uma posição semelhante em relação à obra de arte. Na sua "Teoria Estética" fala da obra de arte como de um enigma que não se dissolve na sua solução sem deixar resto. Segundo Adorno, o enigma é imanente a toda a obra de arte, mas «resolver o enigma é o mesmo que indicar a razão da sua insolubilidade: o olhar com que as obras de arte contemplam o observador». Segundo Adorno, a obra de arte espera precisamente pela palavra que dá a solução, capaz de compreender o olhar enigmático; mas compreender significaria então produzi-la de novo «a partir do interior», por assim dizer como interpretação musical da partitura imagética.
(…)
ROGER FARGUELL, «FIGURAS DA DANÇA 
Sobre a Constituição Metafórica do Movimento em Textos,
Capítulo IV - HEINE», (Edição) GULBENKIAN Educação



BALLET GULBENKIAN - Fotografia/Arquivo de ALICE VALENTE ALVES


O tempo desenha-te

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Tecnicamente tudo se quer
Tudo se inventa
Tudo se constrói
Tudo se altera
A ambição impõe-se
E tudo se quer mudar

Antes era assim

Mas as pessoas mudam
E mudam sim
Mas mudam em pensamento e anima
A intemporalidade do Ser
E as pessoas mudam não pelo progresso
As pessoas mudam pelo tempo
Pelas intempéries
As pessoas mudam
Por evolução
Por Devir
Por Ser
De um tempo desenhado
Que nos cria e desenha

E…

O tempo desenha-te
Em tempo desenhado

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE ALVES 

Por momentos

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Dia Mundial da Dança: 29 de Abril
Poesia e Desenho de ALICE VALENTE ALVES

Hibernar e a depressão

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Basta procurar ou pesquisar sobre as palavras depressão e afins termos, que é de bradar aos céus o que se escreve sobre estas matérias. A cura e a doença, sempre! Cada vez existem mais e mais doenças e 'coitados' dos 'grandes das artes', são sempre eles as cobaias ou os que servem de exemplo  tanto pintores, músicos, poetas, escritores... como os maiores tristes do mundo, os que sofreram desgraçadamente.  Mas que raio de 'mania' esta, a destes homens das novas e cientificas ideias, a de julgarem que sabem tudo sobre a felicidade do homem ou no como fazer o homem feliz. Mas quer a ciência tornar viável o que é já para si e em si mesmo, completamente dispensável?

E já ninguém se livra da doença, todos iremos ser doentes nas mãos destas muitas e muitas ciências, que irão descobrir, pé ante pé, que somos todos "uma cambada de deficientes".  E a ciência de hoje até já está convicta que  iremos ser todos muitos felizes à sua custa e que enfim até já tem remédio ou cura para tudo e mais alguma coisa (doença ou defeito) que tem vindo a descobrir. E não pára, e vá de arranjar doença e mais doenças! Mas que fatalidade esta, a de se ser vivo, mas doente!

E até dizem que, com o uso de medicamentos adequados e de apoio psicológico, é perfeitamente possível atravessar períodos indefinidamente longos de saúde e ter vida plena.
Afinal, o que é isso de vida plena?
É a obediência na sua plenitude e graça de mais e mais encarnados tolos por tão 'carneirados'?

Até todos acordarem desta anestesiante e superficial forma do 'viver em plenitude' que a ciência-negócio quer dar aos homens, através de uma qualquer cara-lavada em forçosa "boa disposição-medicamental":
  •      Da vida vivida de um vigor que lhe é completamente artificial;
  •      De vida em vidas que nada dizem às pessoas na natureza deste mundo;
  •      De manobradas vidas  que jamais transformarão o mundo para melhor.
E assim vá de se entrar nesta plenitude medicamentosa e esquecer que se está vivo, e haja muita distracção e servidão possível, para todos os felizardos 'contentinhos' ou desses que lá vão enveredando por estas vias do que é o 'pleno comodismo' de não saberem o que é o "pensar".

As crises, a depressão económica, a depressão nervosa ou seja,  a depressão é sempre algo de positivo e que se manifesta no homem como uma necessidade para parar e pensar no que está mal em si e em seu redor.
Tal como o dormir, não será então a depressão, como uma nova defesa ou forma do Homem hibernar e como tal, para naturalmente ressurgir com força para a vida e com capacidade e energia psíquica para resolver, alterar ou até transformar os problemas do mundo?

Desenvolvendo-se por períodos incertos e em formas distintas, ou devido a Invernos rigorosos e escassez de comida, mas também pela ameaça de altas temperaturas e falta de água, os animais hibernam, como uma necessidade na preservação de continuarem vivos e poderem após esse estado de entorpecimento voltar às suas naturais actividades de movimentos com todo o vigor e energia.


E para reflexão deixo-vos com alguns dos
ANTÓNIMOS das palavras (Hibernação e Depressão):

( = )
- antónimo de -
Hibernação:
Ânimo
Vigor
Energia
Entusiasmo
Disposição
Actividade
- antónimo de -
Depressão:
Ânimo
Vigor
Fortalecimento
Excitação
Elevação
Desenvolvimento





Após

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APÓS

E O QUE FICA (SEMPRE) POR DIZER!

*





FUTURO preciso

...

FUTURO preciso

Avolumadas as depressivas crises. Prestes ou depressa convertidas à ‘loucura’ comprimida. Reinam estonteantes ordens incisivamente estabelecidas. Acertadas adentro ao que por estipulado falharão. E ao que devem. O que fazer. Com ensinos, modelos, jogos e preceitos em prol. De um tempo perdido. De um aprender a fazer-se ao mando por mandos. Obrigados a não queridos. Do nada de nada se sabe o que é fazer. E os delatores de duros materiais. Batem-se e formam-se às muitas matérias. Em matérias todas elas tão próprias. Tornadas só por si e em si, fugidias. E em repetidos e metralhados coros. Insiste-se que assim terá de ser ou que assim seja.

Fala-se sem saber e diz-se sem pensar

E …

É preciso olhar o futuro 
É preciso pensar o futuro
É preciso sentir esse futuro 
É preciso falar sobre esse futuro

E …

Que futuro é esse

E … Porque o dinheiro deixará de existir

O futuro
Esse futuro para já
É já, já, o de amanhã 

VERDADE

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Sobre o que é  a “verdade”, é preciso fazer a distinção e em seu significado,  exactamente porque se confunde “verdade” com “opinião” e por isso muitas vezes se ouve dizer que «as verdades únicas não existem» ou «a cada um a sua verdade». É que nestas frases que habitualmente ouvimos, a verdade tornou-se múltipla, e deixou de existir a intenção de procurar a verdade, e porque ela é já e vulgarmente aceite por verdades, verdades essas de quem opina às tais verdades (razões ou opiniões) pretendidas.

Sobre a «Verdade» ESPINOSA afirma, no seu Tratado Teológico-Político que:
Quem tem uma ideia verdadeira sabe simultaneamente que ela é verdadeira e não pode duvidar da verdade do seu conhecimento.
Aqui não se trata só da verdade por descoberta e que só diz respeito às ciências exactas, mas a dar-se valor à verdade por dignidade humana, e em verdade essa que nos mantém confiantes todos os dias, como num acreditar de algo que sabemos que vem, em devir por Verdade ou por uma Verdade que no fundo, é una e indivisível.

E a fazer assim a distinção, a «verdade» enquanto verdade universal, é inalterável e não se devendo pois, confundir com as contingentes opiniões humanas. É que aquilo que é verdade agora, sê-lo-á para todos e em qualquer circunstância: hoje, amanhã e sempre. Agora querer-se afirmar como arrogadas verdades, que «a cada um a sua verdade» é já e em si mesmo, uma "falsa verdade", embora podendo sim ser aceite, mas nas tais de “verdades”  enquanto “opinião”.
Existe assim, uma “verdade única” e é sobre essa Verdade que no Traço:verde-oliva, a 7ª das nove cores do meu projecto «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» faço referência, e em que para além das características da cor e em seu projecto, procurei caracterizar este traço e em sua cor, no advir de uma Verdade precisa.




pormenor da obra nº 55 – «luzente» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2008
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente
| traço (cor): Verde-oliva





A procura e o encontro

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         A PROCURA E O ENCONTRO

O que é que o ser humano procura? 
- Verdade e dignidade!

E onde se encontram?
- Na ética e na estética!
*





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A divisão compete por sobrevivência



ÁGUAS CRUZADAS

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Projecto ÁGUAS CRUZADAS  de Alice Valente Alves


INFORMAÇÃO:  

 Facebook



UM DOS POEMAS EM «ÁGUAS CRUZADAS»:

ÁGUAS CRUZADAS
Dizer
Ou simplesmente não dizer nada
O tempo esgota-se
Na presente ausência
E o rio já desaguou
Findou
A doçura amadureceu
E tornou-se salgada
E as gotas 
Já tão distantes
A meio daquele mar
Vai ser difícil o encontro
Encontrar-se-ão sim!
Embarcações
E águas revoltosas
Serão mastigadas
Pela imensidão
Alcançar propósitos
A estar aqui
Com modo e postura
Observando
Caricatura de rostos
Em águas cruzadas 
De um mesmo céu...

de que querer

...

Eu não sei o que quero, 
mas sei o que não quero.
*




Obra nº 7 - «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE

«querer de que poder»

 Obra nº 7 – «querer de que poder» |óleo sobre tela | Díptico | 81x130cm | 2003
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE
| traço (cor):Vermelho



*

Ensaio: «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»


Vivam-se


Vivam-se + Bem vivos + Bem vivos por quase mortos 
Vivam-se de palmas batidas + Vivam-se por quase mortos 
E usem o que têm + E o que quererão muito ter
+ Para se apregoarem na cruz bendita +

Haja paciência + E aos pacientes é-lhes roubado + Tudo 
 Tudo tudo + Muito antes de tudo o mais

As ironias maltrapilham-se 
Ao gravatear que os apertará para sempre

Não se alegrem por tão tristes 
Às altas janelas de vestes sem postura

Desviados ou enviesados é tudo isso + Enviesados por desvio 
 Ou enviesados ao invés + Não se surpreendam muito ao demais 
 Esses surpreendidos usam-se para a fornalha 
Por pós ao livre desencantar



Os Poetas e a interrogação do Ser, em ECO

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«... se o Ser (com maiúscula) é tudo aquilo de que se puder dizer alguma coisa, porque é que também não deverá fazer parte dele o devir? O devir surge como um defeito numa visão do ser como Esfero compacto e imutável: mas agora ainda não sabemos se o ser não será, não diremos volúvel, mas móvel. metamórfico, metempsicótico, compulsivamente reciclante, inveterado bricoleur...
De qualquer modo as línguas que falamos são como são, e se apresentam ambiguidades, ou inclusivamente confusões no uso deste primitivo (ambiguidades que a reflexão filosófica não resolve), não será que este embaraço exprime uma condição fundamental?
Para respeitar este embaraço, vamos usar nas páginas seguintes ser no seu sentido mais vasto e despreconceituado. Mas que sentido pode ter este termo que Pierce declarou de intensão não nula? Terá o sentido que sugere a dramática pergunta de Leibniz: «Porque é que há algo em vez de nada?».
É isto que entendemos pela palavra ser: Algo.
Porque é que a semiótica deverá ocupar-se deste algo? Porque um dos seus problemas é (também, e certamente) dizer se e como usamos signos para nos referirmos a algo, e sobre isto muito se tem escrito. Mas não creio que a semiótica possa evitar outro problema: o que é esse algo que nos induz a produzir signos?
Toda a filosofia da linguagem vem defrontar-se não só com um minus ad quem mas também com um terminus a quo. Tem de se perguntar não só: «a que nos referimos quando falamos, e com que credibilidade?» (problema certamente digno de nota); mas também: «O que nos faz falar?».
Isto, posto filogeneticamente, era no fundo o problema - que a modernidade interditou - das origens da linguagem, pelo menos de Epicuro em diante. Mas se se pode evitá-lo filogeneticamente (aduzindo a falta de achados arqueológicos) não se pode ignorá-lo ontogeneticamente. A nossa própria experiência quotidiana pode fornecer-nos elementos, se calhar imprecisos mas de qualquer modo tangíveis, para respondermos à pergunta: «porque é que fui induzido a dizer algo?».

(...) ... Um Objecto Dinâmico leva-nos a produzir um representamen,  este produz numa quase-mente um Objecto Imediato, por sua vez traduzível numa série potencialmente infinita de interpretantes e por vezes, através, através do hábito elaborado no decorrer do processo de interpretação, voltamos ao Objecto Dinâmico, e sempre fazemos qualquer coisa. Sem dúvida, a partir do momento, a partir do momento em que temos de tornar a falar do Objecto Dinâmico a que voltámos, estamos de novo na situação de partida, temos de tornar a denominá-lo através de outro representamen e num certo sentido o Objecto Dinâmico permanece sempre como uma Coisa em Si, sempre presente e jamais captável, senão precisamente por meio de semiose.
No entanto, é o Objecto Dinâmico o que nos leva a produzir semiose. Produzimos signos porque há algo que exige ser dito. Com expressão pouco filosófica mas eficaz, o Objecto Dinâmico é Algo-que-nos-dá-um-pontapé e nos diz «fala!» - ou «fala de mim!», ou ainda, «entra em consideração comigo!».

(...)... o poder revelador reconhecido aos Poetas não é tanto o efeito de uma revalorização da Poesia como de uma depressão da Filosofia. Não são os Poetas a vencer, são os filósofos a render-se.
Ora, mesmo admitindo que os poetas nos falem do que de outro modo é incognoscível, para lhes confiar a tarefa exclusiva de falar do ser, tem de se admitir por postulado que haja incognoscível.

(...) O que nos revelam os Poetas? Não é que eles digam o ser, eles muito simplesmente tentam emulá-lo: ars imitatur naturam in sua operatione. Os Poetas assumem como sua tarefa a substancial ambiguidade da linguagem e tentam explorá-la para dela fazerem sair, mais que um excedente de ser, um excedente de interpretação. A substancial polivocidade do ser costuma impor-nos um esforço  para dar forma ao informe. O poeta emula o ser repropondo a sua viscosidade, tenta reconstruir o informe original, para nos induzir a ajustar contas com o ser...»

UMBERTO ECO - Kant e o Ornitorrinco Edições DIFEL 1999

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