Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

Traço.verde do CORPOtraçoCORPO em Outubro

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Dia 23 Outubro 2010 a partir das 16h00  na Estação Biológica do Garducho, perto de Mourão (Alentejo) inaugura o "traço.verde" a 8ª ou penúltima cor do projecto  «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» de Alice Valente


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ao 11 de Setembro de há 9 anos

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NOVA IORQUE - Ilha de Manhattan - Imagem áerea nº 52 - 1993 - Arquivo e Fotografia de ALICE VALENTE ALVES




Que chama

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À CHUVA DA TERRA AQUECIDA QUE CHAMA! 
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Num qualquer dia

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A vida irá acabar para cada um de nós.

E que tal olhar para esse final como que uma certeza. 
É pois, a certeza mais segura, é que não há mesmo qualquer dúvida.

Cuidado oh insensíveis e fracos de espírito, sim esses os que se fazem rodear a todo o custo com mordomias e anseios por vidas com toda a luxúria, sim, esses os que nada sabem desse bonito labor da vida no cuidar e ajudar a crescer tudo o que nos rodeia, sim esses os de intuito de ganhadores e que agem de má-fé para tudo poder ter, e a sua crueldade e insensatez é de tal modo monstruosa que chegarão a humilhar e maltratar os que de si dependem e, poderão chegar a um ponto tal de tentar culpar e até aprisionar suas próprias vítimas.

Agora é só um agora e nada mais. E aos que usurpam e estragam a vida dos outros, vitimizando-os, em qual aparatoso espectáculo de um jogo doentio de quererem ainda assim estar acima de toda a verdade, será no agora e até seu final, que justificadamente se fará justiça, num qualquer dia, ainda que não tarde por muito depois, de um agora.

Esses que assim vivem, a querer que suas maldosas e arrepiantes mentiras sejam aceites como verdades, só poderão tratar-se de estúpidas e vis criaturas com vidas tão dementes quanto brutalmente anedóticas.

E um dia, e talvez antecipadamente, de uma outra justeza e em que ajustada via, num qualquer dia, os instrumentos da fábrica das leis desses homens que se mercam, entre de rompante contra eles.

E porque … num qualquer dia… indecisa ou decididamente…

A vida irá acabar para cada um de nós. 








De um 'dever em devir'

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Crise por transformação - de um 'dever em devir'

Sobre o meu ensaio com o título «Crenças e poder - do dever em não devir», em que a segunda parte do título "... - do dever em não devir" só faz realmente sentido quando associada a "Crenças e poder - ...". E isto porque em cada um de nós existe um verdadeiro 'dever' mas que diz respeito não a um 'dever' de leis feitas pelos homens, mas sim a um 'dever' das leis do 'devir' da Natureza.  E exactamente porque o tal 'dever' que nos assiste socialmente é um 'dever' por medo a poderes e crenças, e por isso a utilização unicamente da segunda parte do título sem a primeira, induz em erro ao pretendido. E a querer-se utilizar separadamente poderá se intitular, não "do dever em não devir", mas sim de um "dever em devir".

E é pois esse 'dever em devir' que no fundo nos vai solucionando todos os problemas que as crenças e poderes nos têm arranjado. É que os poderes temem esse caos do 'dever em devir' e que por transformador benéfico  é tão necessário quanto vital, e tenderá a surgir inevitavelmente de quando em quando, mesmo que os poderes tentem impor um 'dever' (moral) obrigado a ser cumprido por leis por vezes contrárias às leis éticas do 'dever em devir'. Portanto, um 'dever em devir' ir-se-á revelar natural e autonomamente, e  surgirá  sempre, como que a proteger ou a criar o equilíbrio entre todos os seres na terra.

Ora vejamos o que está a acontecer de há dois anos para cá, relativamente à incógnita da tal designação de 'crise', e em que crises que se têm vindo a desenvolver com essa mesma, de teimosa 'crise'... 
É que na actual economia mundial, ela é unicamente financeira e o mercado e em suas leis está assente ou é suportado por mecanismos associados a crenças e poderes, que suscitam mais crenças, guerras,  medo, miséria, fome, consumo em luxo e lixo, e destruição do meio ambiente... e em economias ou poderes esses que insistem em publicitar e a tornar viável uma forma de vida de uma consciente negligência do corpo, da natureza e do 'dever em não devir'.

E assim continuamos, regidos por "crenças e poderes - do dever em não devir"!  
Até quando?







Crise por transformação - o lixo

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Tudo se recicla, será? E os economistas e políticos, quererão também reciclar a crise?

A crise está instalada, e enquanto se continuar a empobrecer pessoas, povos, países e gerações, a crise aí estará para durar. E depois da crise, o que virá? Uma outra crise, com data e nome próprio? Perguntas sem resposta, é certo!!!

Quer-se pensar que, ir-se-á transpor a actual crise, no ainda ser possível fazer-se destas economias e em seus modelos, o único e viável caminho para o progresso económico-político desta nossa contemporaneidade? Não, a crise jamais desaparecerá assim, a querer-se continuar nos mesmos moldes económicos, políticos e sociais a que nos temos modelarmente adaptado até aqui.

O desenvolvimento dos países ricos, fez-se sem se pensar que um dia, esses mesmos europeus enfrentassem também uma crescente preocupação não só com a pobreza dos outros (dos países pobres ou em vias de desenvolvimento) mas também com a pobreza em seus próprios países, os tidos de ricos. É que as economias sempre se foram construindo na base de um aumento de pobreza pelo mundo fora e vá de enriquecer com a mão-de-obra barata e com a tal ideia de «com o mal dos outros posso eu bem». E assim a pobreza tem aumentado de tal forma, que aí estamos nós a assistir já a esse aumento  de miséria nos próprios países ricos ou desenvolvidos!

E agora o que fazer? 

Olhar à volta, um pouco mais e pensar, o que é que afinal tem crescido exponencialmente, nos tais países ricos ou desenvolvidos:

- O lixo excedentário do consumo: latas (de cerveja, coca-cola, refrigerantes…), fraldas descartáveis, embalagens de tudo e mais alguma coisa (de leite, de iogurtes, de comidas, de detergentes, de produtos de higiene, hospitalares etc), garrafas de plástico, e plástico, plástico, plástico para tudo a embalar tudo, tudo e tudo, e depois embalagens também de papel, cartão e cartonagens, e ainda jornais, livros, revistas… e depois móveis e mais móveis, aparelhos eléctricos, telemóveis, carros, roupa… um sem fim de objectos e mais coisas, todos prontos para serem substituídos o mais breve possível em lixo, em muito lixo!

E que tal, é isto desenvolvimento?

Sim, é um desenvolvimento na fabricação de lixo em grande escala ou numa progressiva construção para o caos e para a ameaça de destruição do ser humano e da sua Natureza.

Há que assumir que assim não poderemos continuar! É certo que a responsabilidade caberia aos dirigentes e governantes do mais antigo continente desta nossa civilização, a Europa. Mas afinal o que tem acontecido nesta primeira década do séc. XXI? Pura distracção e incapacidade de visão global dos problemas culturais, sociais e humanos. E uma teimosia tola por querer-se crescer ainda assim neste fomentar de miséria e pobreza, e a usar também as pessoas, como se de lixo se tratasse.

Os modelos económicos pautaram-se sempre por uma crescente pobreza pelo mundo fora, e o alerta dessa necessária transformação deu-se no final do séc. XX, e fizeram-se várias tentativas em acordos e mais acordos por políticos e governos da Europa e de todo o mundo, e em acordos que no fundo não foram cumpridos. Tentativas em vão de tempo e dinheiro perdidos.

E agora?
Agora urge essa transformação mais do que nunca, e essa consciência irá inevitavelmente, com nome de crise, ou em que mais crises,  mais tarde ou mais cedo, entrar-nos por portas adentro, e tocar a todos sem excepção!

E é nessa transformação que não se tem querido pensar, porque a acontecer terão de ser alterados todos os modelos das economias e políticas dos países mais desenvolvidos, pois é, mas não teremos outras hipóteses senão vir a dar rumo a essa nova transformação. Há que pensar nessa alteração de hábitos, e costumes pessoais, sociais e culturais, que toda a produção e leis de mercados por um consumo em crescente se nos impôs no século passado. E estamos no final da primeira década do séc.XXI e sempre pensei que na passagem para este nosso novo século, haveria não só a preocupação mas também alterações já postas em prática com a preservação da Natureza e do Ambiente. Mas nada se fez, e nada se está a fazer, verdadeiramente de concreto, e com crise ou sem crise, a ideia que ressalta é a mesma, e que é, a de continuar, em crescente consumismo. É que as leis de mercado e das economias assentam numa feroz competitividade por consumismo. E todos sabemos que não podemos ir por aí! E os que não sabem ou não querem saber, enfim, ou são muito tolos ou completamente ignorantes.

Será que temos sempre que construir muros para quebrar a cadeia da solidariedade humana, separar os povos e proteger a felicidade de uns da miséria dos outros?

Assim, há que alterar, há que pensar nessa transformação de hábitos de consumo. Todos os governos e países do mundo inteiro e especialmente os da Europa e da América, terão de criar novos exemplos de boas práticas e vivências do ‘quanto baste’ relativamente às economias e políticas de consumo, começando nos governos, nas famílias, na sociedade, na educação e ensino... E terá de haver divulgação nesse sentido e a estarmos todos a postos, para que a transformação ou a alteração se dê, com toda a urgência e conforme a crise ou as crises, assim o estão a assinalar!

Há que fazer a escolha entre Competir ou HUMANIZAR!
ALICE  VALENTE 


NOTA: Irei dar continuidade a este tema da «Crise por transformação» em próximos post's e com os seguintes subtítulos: - a água, - o plástico, - o papel, - a publicidade, - o turismo e - a alimentação,  entre outros.



Filosofia e escolas analíticas

...
(...)
Na Grã-Bretanha podem-se distinguir três ensaios autóctones de encontrar um novo fundamento para a filosofia. O primeiro é especialmente realizado por Bertrand Russel e encontra-se em ligação directa com a esfera dos problemas acabados de discutir; nesse ensaio é considerado a lógica como ciência da filosofia e não apenas como a sua parte mais essencial, como se lê na segunda lição de «o nosso saber acerca do mundo exterior». No ano de 1914 acreditava Russel que todos os problemas autenticamente filosóficos eram de natureza lógica e aqueles, que não se podiam reduzir a problemas lógicos, eram pseudoproblemas. Esse texto é ainda hoje digno de se ler como introdução à nova lógica das relações das relações e os méritos de Russel na sua formulação, como em geral na fundamentação da nova lógica e na criação, nos Principia Mathematica, do sistema da logística até hoje mais seguido, mantém-se incontestados. Contudo pertencem à lógica tornada ciência e não podem ser aqui tratados. Estas investigações lógicas exerceram uma influência favorável sobre os filósofos, recordando-lhes uma esfera de investigação desprezada, ajudaram a evitar erros linguísticos e lógicos e elevaram o rigor da condução do pensamento e o nível da discussão filosófica. Depois de Russel ter analisado nos Principia Mathematica as proposições matemáticas do ponto de vista lógico, julgou poder generalizar essa análise. Estava convencido de poder obter, mediante uma análise lógica das proposições, os elementos para a construção lógica do mundo, os «átomos lógicos», os elementos simples, os «princípios atómicos», mas também as qualidades e uma hierarquia de vária ordem. O modelo desta análise volta a ser, como em Descartes, uma análise matemática; assim como todos os números se decompõem em números primos, assim também todas as proposições se resolveriam em proposições primárias e elementos primários. É isto, porém, objectivamente impossível e na análise chega-se apenas a elementos mais simples, mas nunca aos elementos simples. O que Russel quer deduzir pressupõe a hipótese pluralista oposta ao monismo, segundo a qual o mundo consiste em coisas particulares, qualidades, etc. Isto é uma metafísica completamente independente da lógica. A tentativa falhou e necessariamente, pois a lógica não basta como base da filosofia. É uma simples disciplina formal, tem que ver, essencialmente, com a correcção do raciocínio lógico e da estrutura dos sistemas dedutivos; uma filosofia que possua conteúdo, não se pode deduzir da lógica. Esta é um meio  e um instrumento de trabalho filosófico, mas não a sua essência e a sua finalidade própria. É quase inútil observar que o próprio Russel há muito abandonou essa tentativa juvenil.
(...)

FRITZ HEINEMANN - A FILOSOFIA NO SÉC.XX - F.C.GULBENKIAN

Ministério da Cultura faz-se às 'obras' de betão !

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Notícia do PÚBLICO no dia 25 Junho 2010
(...)
Uma das iniciativas que se podia pensar cair: o Museu dos Coches, que, face à situação dos museus existentes, foi dado como um “esbanjamento” quando anunciado pelo seu antecessor, José António Pinto Ribeiro.
Temos dito até à exaustão que o Museu dos Coches não é pago pelo MC e sim pelas contrapartidas do Casino. Temos custo zero relativamente ao Museu dos Coches.

As do Casino, não são verbas que se poderiam ser alocar a outros projectos?
Não. Nem passam pelo MC. São como o [Teatro Nacional de] São Carlos, o Dona Maria, o São João. São verbas que vêm do Ministério das Finanças.

A transferência do Museu Nacional de Arqueologia é outro caso.
Esse faz parte do nosso orçamento. As verbas para os estudos que estão a ser feitos são nossa responsabilidade. E não serão afectadas a ponto de não podermos prosseguir na fase em que estão agora.
(...)
*

Cenário dramático? O drama faz-se segundo as conveniências! Vejam lá se as grandes obras arquitectónicas vão ser afectadas? Não! Já assim foi com os agigantados estádios de futebol construídos em 2004 em tempo recorde e a justificarem sempre que seria benéfico para a Economia e para o Turismo... está à vista no que deu! Dinheiro mal gasto em dinheiro desviado de todos os ministérios e da cultura também, para agigantadas construções de mais e mais 'elefantes brancos', que só nos têm encaminhado para onde? Para a miséria!
Mas ainda insistem que assim tem de ser! E ainda tentam continuar a atirar areia para os olhos de toda a gente! Qual cenário dramático, qual quê ? ? ?

Não se justifica existirem instituições e em seus responsáveis a receberem avultados quantias e a não saberem gerir as verbas para as quais são destinadas. E a não exercerem assim, devidamente as funções para as quais essas mesmas instituições foram edificadas.

Então, que se extinga o Ministério da Cultura de uma vez por todas e com ele também o Ministério da Educação e que só exista então os tais Ministérios de Turismo, das Economias, da Finanças e Obras Públicas e em vidas fáceis de uns quantos a se fazerem a muitos e demais jogos em casinos  e às tais obras de betão, na empobrecida e miserável 'vida boa' para toda a vida .  

E depois ? ! 



O encanto

...



O ENCANTO

Mesmo que o Homem tente atraiçoar a beleza do Mundo
O encanto ao que é belo não desiste
e acaba sempre por surgir 
A tocar-nos.
*




Aclamar o pôr fim

...

José Saramago morreu hoje em sua casa, na ilha espanhola de Lanzarote ...


*
À entrada estão os levitas à espera dos que vêm oferecer sacrifícios, porém neste lugar a atmosfera será tudo menos piedosa, salvo se a piedade era então compreendida doutra maneira, não só é o cheiro e o fumo das gorduras estorricadas, do sangue fresco, do incenso, é também o vozear dos homens, os berros, os balidos, os mugidos dos animais que esperam vez no matadouro, o último e áspero grasnido duma ave que antes soubera cantar. Maria diz ao levita que os atendeu que vem para a purificação e José entrega as rolas. Por um momento, Maria pousa as mãos sobre as avezinhas, será o seu único gesto, e logo o levita e o marido se afastam e desaparecem atrás da porta. Não se moverá Maria dali até que José regresse, apenas se aparta a um lado para não obstruir a passagem, e, com o filho nos braços,espera.
Lá dentro é uma forja, um talho e um matadouro. Em cima de duas grandes mesas de pedra preparam-se as vítimas de maiores dimensões, os bois e os vitelos, sobretudo, mas também carneiros e ovelhas, cabras e bodes. Perto das mesas encontram-se uns altos pilares onde se dependuram, em ganchos chumbados na pedra, as carcaças das reses, e vê-se a frenética actividade do arsenal dos açougues, as facas, os cutelos, os machados, os serrotes, a atmosfera está carregada dos fumos da lenha e dos coiratos queimados, de vapor de sangue e de suor, uma alma qualquer, que nem precisará de ser santa, das vulgares, terá dificuldade em entender como poderá Deus sentir-se feliz em meio de tal carnificina, sendo como diz que é, pai comum dos homens e das bestas. 
(...)


Desenho de ALICE VALENTE

(...) 
Imaginava a horrível matança, os soldados entrando nas casas e rebuscando os berços, as espadas golpeando ou cravando-se nos tenros corpinhos descobertos, as mães em loucos gritos, os pais bramindo como touros acorrentados, e imaginava-se a si próprio também, numa cova que nunca vira...
(...)
Quando Maria desapareceu na fundura cinzenta de um vale, Jesus, de joelhos, gritou, e todo o seu corpo lhe ardia como se estivesse a suar sangue, Pai, meu pai, porque me abandonaste, que isto era o que o pobre rapaz sentia, abandono, desespero, a solidão infinda de um outro deserto, nem pai, nem mãe, nem irmãos, um caminho de mortos principiado. De longe, sentado, no meio das ovelhas e confundido com elas, o pastor olhava-o. 
(...)

JOSÉ SARAMAGO - Excertos do Livro: O Evangelho segundo Jesus Cristo


O que se quer ? !

...
Que acontecerá aos mal intencionados, quando já não tiverem a quem dirigir as suas más intenções ?

- E após tudo já estar desvirtuado, destruído e despegado da origem, vão sentar-se à soleira de suas portas esperando ainda assim, a freguesia dos muitos e ricos clientes que luxuosa e turisticamente, lá foram empobrecendo ! ?

E sobejamente às quais perdidas vítimas que tentam culpar,  estas um dia amedrontar-se-ão, e olhai oh reino dos salvadores de quem não mais se revoltará, por tudo o que virá a deixar de ser, ao muito que ainda assim, se quer por ganho !


A impossibilidade

...



A IMPOSSIBILIDADE  
À estranheza que entranha 
Distante e assustador é o olhar
E por possível, descoordena-se. 
*





Estar e Ser

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Estar ou não estar. Ser ou não ser. Eis a fatalidade!

Também em tempos de descobridores de um tempo de Descobrimentos dividiu-se o mundo territorialmente, a faixa divisória em duas partes, a terra e as terras, o território e os donos de papados reinos, impunham regras de um brutal domínio por riqueza imperial. Mas pela impossibilidade de cumprimento de tal dever em divisão do mundo de qual território, e apesar do muito sofrimento infligido, tudo se alterou, naturalmente.

E estamos nesses mesmos tempos, e aos que insistem em dividir para fechar território e reinar, um dia igualmente mudará este conceito e a transformação acontecerá. E para satisfazer as necessidades do Homem por território e por que territorialidades, estamos prestes a assistir a um novo conceito de território, mas virtual. E o território será outro, não o da terra ou das terras, mas sim o da virtualidade concebida pelas tecnologias e já muito presente na internet. E é interessante que, pela alteração já feita e pronta a uma transformação ainda maior, o território d’ agora é um território virtual, cabe-nos a todos descobrir o mundo no mundo de cada um de nós, longe da territorialidade e de regras impostas, é o outro território, é um outro território, é o território da vida, é o território do Ser. E mesmo que avancem à descoberta, unicamente a querer dominar por vias das tecnologias, que é o que tem vindo a acontecer, são por sua vez esses mesmos meios técnicos que ajudarão ou encaminharão, através dos que inevitavelmente farão delas bom uso, numa suposta possibilidade de não mais existirem fronteiras nem territórios das impositivas regras e nas respectivas leis direccionadas ao desumano.

Na frescura de um amanhecer

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Fico-me no silêncio e encanto da música de Franz Schubert !

Com a Fantasia op.15 D.760 para Piano por András Schiff

(Que poderá ouvir no Youtube mas tocado por Vladimir Sofronitsky: Parte 1 Parte 2Parte 3)


Um porquê do agora

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As decisões, os momentos, o que os outros querem, o que os outros decidem, o que os outros entendem. Os outros, os outros, os outros e nós. Nós não existimos. O ‘nós’ é o somatório das individualidades, esse ‘nós’ com os mesmos interesses.
Ontem estive e deixei de estar. Não estive nem deixei de estar.
Simplesmente os caminhos arrepiam-se ao acaso.
E os acasos esses do ‘nós’ encontram-se antes do depois. 
E o agora não existe. O durante sim.
Porquê o agora se desfaz num tempo presente que se evade para o outro seu tempo em futuro.
E agora que digo. Que não existo, que não existirei, que não me prolongo no tempo dos outros. No tempo e no espaço dos outros que não é o meu. Esse meu tempo que me diz em jeito e em movimento o que olho, o que me olha, o que enfrento de qual tempo.
E ficar-se sério e calado e silencioso no meio das multidões que se vão manobrando, articulando sem se aperceberem do acontecimento contrário ao que lhes advém.


ALICE  VALENTE




Asas em ventos de um tempo por verde

...









"Traço:Verde"
 

- Em breve a informação do local e evento de Apresentação, Exposição e Actividades para este ano de 2010 -




O movimento das imagens sonoras

...
(…)
Este pintor era sempre um sujeito estranho; apesar da sua surdez amava entusiasticamente a música, e deve ter sido capaz, quando se encontrava suficientemente perto da orquestra, de ler a música nos rostos dos músicos, e de apreciar pelos movimentos dos seus dedos a execução mais ou menos conseguida; também escrevia críticas de ópera num apreciado jornal de Hamburgo. O que é aqui de admirar? Na assinatura visível da execução, o pintor surdo era capaz de ver os sons. É que há pessoas para quem os próprios sons não são apenas assinaturas invisíveis, em que ouvem cores e figuras.
Na leitura das assinaturas das imagens sonoras de Heine, a «assinatura visível» que apresenta sons ao olhar, é substituída pela «assinatura invisível», que torna as cores audíveis. Deste modo, quem lê na assinatura visível do fenómeno, acaba por perder a ressonância sonora na música e na voz, e permanece sempre dependente dos sinais de pintor do intérprete, que sendo ele próprio surdo, descreve a assinatura visível da sua partitura sem sons. Naquilo que o narrador de Heine descreve e analisa no exemplo do pintor surdo Lyser, actua aquela «transformação dos sons» em mímica visível do rosto e da figura, que despertou repetidamente a impressão da ilegibilidade de uma assinatura dançada.
(…)
… A solução do «enigma dançado» cujo processo se limita exclusivamente à lógica de representação da dança, reside na descrição daquilo que faz a insolubilidade do enigma. A representação da dança, como assinatura que necessita de ser decifrada, coloca o leitor perante as mesmas aporias colocadas pela representação audiovisual daquelas fisionomias de Heine … é que a própria representação da percepção de assinaturas em movimento com o auxílio de uma economia dos sentidos substituta, descreve com espantosa exactidão a estrutura da linguagem que constitui também a dança. E compreender significa, em primeira linha, explicar porque é que a solução não se pode ler em termos semânticos, dado que é a própria leitura que coloca o enigma.

Theodor W. Adorno assumiu uma posição semelhante em relação à obra de arte. Na sua "Teoria Estética" fala da obra de arte como de um enigma que não se dissolve na sua solução sem deixar resto. Segundo Adorno, o enigma é imanente a toda a obra de arte, mas «resolver o enigma é o mesmo que indicar a razão da sua insolubilidade: o olhar com que as obras de arte contemplam o observador». Segundo Adorno, a obra de arte espera precisamente pela palavra que dá a solução, capaz de compreender o olhar enigmático; mas compreender significaria então produzi-la de novo «a partir do interior», por assim dizer como interpretação musical da partitura imagética.
(…)
ROGER FARGUELL, «FIGURAS DA DANÇA 
Sobre a Constituição Metafórica do Movimento em Textos,
Capítulo IV - HEINE», (Edição) GULBENKIAN Educação



BALLET GULBENKIAN - Fotografia/Arquivo de ALICE VALENTE ALVES


O tempo desenha-te

...


Tecnicamente tudo se quer
Tudo se inventa
Tudo se constrói
Tudo se altera
A ambição impõe-se
E tudo se quer mudar

Antes era assim

Mas as pessoas mudam
E mudam sim
Mas mudam em pensamento e anima
A intemporalidade do Ser
E as pessoas mudam não pelo progresso
As pessoas mudam pelo tempo
Pelas intempéries
As pessoas mudam
Por evolução
Por Devir
Por Ser
De um tempo desenhado
Que nos cria e desenha

E…

O tempo desenha-te
Em tempo desenhado

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE ALVES 

Por momentos

...
Dia Mundial da Dança: 29 de Abril
Poesia e Desenho de ALICE VALENTE ALVES

Hibernar e a depressão

...
Basta procurar ou pesquisar sobre as palavras depressão e afins termos, que é de bradar aos céus o que se escreve sobre estas matérias. A cura e a doença, sempre! Cada vez existem mais e mais doenças e 'coitados' dos 'grandes das artes', são sempre eles as cobaias ou os que servem de exemplo  tanto pintores, músicos, poetas, escritores... como os maiores tristes do mundo, os que sofreram desgraçadamente.  Mas que raio de 'mania' esta, a destes homens das novas e cientificas ideias, a de julgarem que sabem tudo sobre a felicidade do homem ou no como fazer o homem feliz. Mas quer a ciência tornar viável o que é já para si e em si mesmo, completamente dispensável?

E já ninguém se livra da doença, todos iremos ser doentes nas mãos destas muitas e muitas ciências, que irão descobrir, pé ante pé, que somos todos "uma cambada de deficientes".  E a ciência de hoje até já está convicta que  iremos ser todos muitos felizes à sua custa e que enfim até já tem remédio ou cura para tudo e mais alguma coisa (doença ou defeito) que tem vindo a descobrir. E não pára, e vá de arranjar doença e mais doenças! Mas que fatalidade esta, a de se ser vivo, mas doente!

E até dizem que, com o uso de medicamentos adequados e de apoio psicológico, é perfeitamente possível atravessar períodos indefinidamente longos de saúde e ter vida plena.
Afinal, o que é isso de vida plena?
É a obediência na sua plenitude e graça de mais e mais encarnados tolos por tão 'carneirados'?

Até todos acordarem desta anestesiante e superficial forma do 'viver em plenitude' que a ciência-negócio quer dar aos homens, através de uma qualquer cara-lavada em forçosa "boa disposição-medicamental":
  •      Da vida vivida de um vigor que lhe é completamente artificial;
  •      De vida em vidas que nada dizem às pessoas na natureza deste mundo;
  •      De manobradas vidas  que jamais transformarão o mundo para melhor.
E assim vá de se entrar nesta plenitude medicamentosa e esquecer que se está vivo, e haja muita distracção e servidão possível, para todos os felizardos 'contentinhos' ou desses que lá vão enveredando por estas vias do que é o 'pleno comodismo' de não saberem o que é o "pensar".

As crises, a depressão económica, a depressão nervosa ou seja,  a depressão é sempre algo de positivo e que se manifesta no homem como uma necessidade para parar e pensar no que está mal em si e em seu redor.
Tal como o dormir, não será então a depressão, como uma nova defesa ou forma do Homem hibernar e como tal, para naturalmente ressurgir com força para a vida e com capacidade e energia psíquica para resolver, alterar ou até transformar os problemas do mundo?

Desenvolvendo-se por períodos incertos e em formas distintas, ou devido a Invernos rigorosos e escassez de comida, mas também pela ameaça de altas temperaturas e falta de água, os animais hibernam, como uma necessidade na preservação de continuarem vivos e poderem após esse estado de entorpecimento voltar às suas naturais actividades de movimentos com todo o vigor e energia.


E para reflexão deixo-vos com alguns dos
ANTÓNIMOS das palavras (Hibernação e Depressão):

( = )
- antónimo de -
Hibernação:
Ânimo
Vigor
Energia
Entusiasmo
Disposição
Actividade
- antónimo de -
Depressão:
Ânimo
Vigor
Fortalecimento
Excitação
Elevação
Desenvolvimento





Após

...



APÓS

E O QUE FICA (SEMPRE) POR DIZER!

*





FUTURO preciso

...

FUTURO preciso

Avolumadas as depressivas crises. Prestes ou depressa convertidas à ‘loucura’ comprimida. Reinam estonteantes ordens incisivamente estabelecidas. Acertadas adentro ao que por estipulado falharão. E ao que devem. O que fazer. Com ensinos, modelos, jogos e preceitos em prol. De um tempo perdido. De um aprender a fazer-se ao mando por mandos. Obrigados a não queridos. Do nada de nada se sabe o que é fazer. E os delatores de duros materiais. Batem-se e formam-se às muitas matérias. Em matérias todas elas tão próprias. Tornadas só por si e em si, fugidias. E em repetidos e metralhados coros. Insiste-se que assim terá de ser ou que assim seja.

Fala-se sem saber e diz-se sem pensar

E …

É preciso olhar o futuro 
É preciso pensar o futuro
É preciso sentir esse futuro 
É preciso falar sobre esse futuro

E …

Que futuro é esse

E … Porque o dinheiro deixará de existir

O futuro
Esse futuro para já
É já, já, o de amanhã 

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