Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

Tempo infinito

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TEMPO INFINITO


Chove calmamente

O dia desenha-te

E  a Terra agradece.


Sem título

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QUE ESTRANHO MUNDO ESTE 
QUE POR LIVRES SOMOS 
SE LIVREMENTE CONSUMIRMOS
O QUE NÃO NOS FAZ SER LIVRES. 
*




INAUDITO

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Não interessa escrever o inaudito.

Não interessa seres o registo de um momento que jamais te regista.

Foge ao inaudito.

Foge ao registo.

E sim, resiste.



QUALQUER

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Um não mérito qualquer
De calar a boca que se abre
Para comer um qualquer alimento
Que fica na mesa dos ancestrais
Fome devoradora
De olhos que desmentem
Pobres desgovernados
Pela sementeira não colhida
Perdem-se quantos desejos 
À flor da pele de campos
Por cultivar
E todos continuam ainda sentados
Ditando as leis
Em mesas dos famintos
Que esperam pelo nada do prato
Que amontoaram
No dia anterior
Àquela ceia sem hora imposta
E os sumos por fazer
De laranjas perdidas
Deixadas cair apodrecidas
Por ditadores
Com o agrado de agradar
As mesas de não pensadores
Igualdade igual
Da lei sobreposta
Em postas cortadas às fatias
Por facas de igual tamanho.
Distribuídas as leis
Cumpram-se
E as outras mesas
Aquelas mesas esquecidas
Perdidas no acaso
De não se poderem ter em conta
Contam-lhes uma qualquer história
Que os calará sempre
E para sempre
Perderam-se as alegrias
De se viajar
Por papel escrito num lugar
De lugares ainda existentes
À espera de quem lhes dê
A continuidade do valor merecido
Tido em suas contas.




BALLET GULBENKIAN - Fotografia/Arquivo de ALICE VALENTE ALVES

Chegar

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 NÃO ESPERES QUE TE COMPREENDAM,

LÁ PORQUE ATÉ CHEGAS A COMPREENDER 

O QUE TE PENSA.
*




a 2013

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Com desejos de um FELIZ 2013



A raiz

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 A POESIA  É  A  RAIZ 

DE TODA A COMUNICAÇÃO.
*




LISBOA ...

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[ Fernando Pessoa ] - Álvaro de Campos

LISBON REVISITED


Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo. 
Anseio com uma angústia de fome de carne 
O que não sei que seja - 
Definitivamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar. 


Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias. 
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver na rua. 
Não há na travessa achada número de porta que me deram. 

Acordei para a mesma vida que tinha adormecido. 
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. 
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. 
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos; 
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia. 


Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme; 
Não sei que ilhas do Sul impossível aguardam-me náufrago; 
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei, 
Nos campos últimos da alma onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas), 

Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser, 

Fogem desmantelados, últimos restos 
Da ilusão final, 
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido, 
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus. 

Outra vez te revejo, 
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui... 
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei, 
E aqui tornei a voltar, e a voltar. 
E aqui de novo tornei a voltar? 
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram, 
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória, 
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo, 
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim, 
Estrangeiro aqui como em toda a parte, 
Casual na vida como na alma. 
Fantasma a errar em salas de recordações, 
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem 
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo, 
Sombra que passa através de sombras, e brilha 
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida, 
E entra na noite como um rastro de barco se perde 
Na água que deixa de se ouvir... 

Outra vez te revejo, 
Mas, ai, a mim não me revejo! 
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico, 
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim - 
Um bocado de ti e de mim!...


PESSOA, Fernando (1888 - 1935)
. Lisbon revisited (1926), Poemas de Álvaro de Campos
Ed.  de Cleonice Berardinelli, IN/CM, Lisboa, 1990 



O progresso e a evolução

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O progresso anda sempre lado a lado com a evolução, embora de quando em quando, haja um avanço ou recuo do progresso em relação à evolução, e vice-versa. E não confundir progresso com evolução. Progresso e evolução não são sinóminos.
O progresso refere-se sempre à objectividade da acção social exteriorizante e a evolução diz respeito à subjectividade da acção cultural interiorizante do indivíduo. Ou seja, no ser, enquanto o progresso se define pelo resultado prático de uma materialidade que é relativa à linearidade lógica e racional das suas necessidades, a evolução age ou dá-se pelos actos éticos e estéticos que se posicionam no outro lado do necessário e que é subjectivo e imaterial.
Assim, o progresso faz sempre com que a vida se torne numa esperança e ambição, mas por medo. E sendo a evolução em si mesmo, um processo natural e inerente ao indivíduo, concede-lhe uma transformação por um futuro, mas sem medo.
E por vezes, quando o progresso com suas leis e tecnicidades avança em demasia relativamente à evolução, acaba por resvalar no horror e desesperança dos indivíduos. E aí as leis da natureza ou da evolução, inevitavelmente irão surgir para que o equilíbrio se dê. 

Evolução diz respeito à ética, à estética, à consciência, ao entendimento, ao devir.

Progresso diz respeito aos conhecimentos, às tecnicidades, às regras e moralidades  obrigatórias, ao dever. 

De notar que, quando aqui me refiro à evolução, não me atenho ao modelo da «Teoria da Evolução» de Charles Darwin, e que apesar de toda a ciência e em seus cientistas serem adeptos com a tal selecção de que os mais fortes poderem abater os mais fracos como uma noção principal do que é a evolução dos seres, é demasiado conservadora, progressista e aniquiladora, para o que é afinal, a verdadeira Evolução do Ser. E por isso, sempre que me refiro à evolução, atenho-me à «Evolução Criadora» de Bergson e que assenta num tempo que é baseado no entendimento da consciência interior, e que acaba por ser a evolução ou transformação que urge tão necessária para que a humanização aconteça e possa ser uma presente e constante na realidade da vida das pessoas. E porque, é sempre com a evolução (e não com o progresso), que se dá a felicidade ou o verdadeiro desejo de viver.







Estar

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Ontem as aranhas subiam as escadas de seus andaimes. Às obras eram feitas os ajustes. Bem estavam os que não se olharam nessa construção. 


Montes sentados em pedras descalças. Acertam todos os dias ao tempo que não se desejam. Contudo já tudo está preparadíssimo para a despedida.


Festas e aparatos de bem postas mesas ao regalo de esquecidos os que lá não se sentam. Ondas cansativas repetem-se em tamanha desigualdade. E tudo está!

ao 11 Setembro de há 11 anos

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NOVA IORQUE - Ilha de Manhattan - Imagem áerea nº 31 - 1993 - Fotografia e Arquivo de ALICE VALENTE ALVES



Clique na imagem (e depois em +) para ampliar


AFINS

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 MATA-SE A SAUDADE

MATA-SE A FOME 

E ASSIM SE ACABAM COM TODOS OS MALES
*




Corpo, arte e linguagem

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«(...) As culturas primitivas criaram um sistema de metáforas e de símbolos que, como mostrou Lévi-Strauss, constituem um verdadeiro código de símbolos ao mesmo tempo sensíveis e intelectuais: uma linguagem. A função da linguagem é significar e comunicar os significados, mas nós, homens modernos, reduzimos o signo à mera significação intelectual e a comunicação à transmissão de informação. Esquecemos que os signos são coisas sensíveis e que operam sobre os sentidos. O perfume transmite uma informação que é inseparável da sensação. O mesmo sucede com o sabor, o som e as outras expressões e impressões sensoriais. O rigor da "lógica sensível" dos primitivos nos fascina por sua precisão intelectual; não é menos extraordinária a riqueza das percepções; onde um nariz moderno não distingue senão um cheiro vago, um selvagem percebe uma gama definida de aromas. O mais assombroso é o método, a maneira de associar todos esses signos até tecer com eles séries de objectos simbólicos: o mundo convertido numa linguagem sensível. Dupla maravilha: falar com o corpo e converter a linguagem num corpo. 
(...) ... a arte é o equivalente moderno, do rito e da festa: o poeta e o romancista constroem objectos simbólicos, organismos que emitem imagens. Fazem o que faz o selvagem: convertem a linguagem em corpo. As palavras já não são coisas, e sem deixar de ser signos, se animam, ganham corpo. O músico também cria linguagens corporais, geometrias sensíveis. Ao contrário do poeta e do músico, o pintor e o escultor fazem do corpo uma linguagem. (...)»

OCTÁVIO PAZ – Conjunções e disjunções - EDITORA PERSPECTIVA

Terra da Boa Fé

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Terra da Boa Fé e o ouro da má-fé...






«Preservar o montado e a cortiça no Alentejo.
... é um sítio notável e espero que... o português em geral,
que não percebe que está sentado numa 'mina de ouro'...
o perceba...!»
MIKE SALISBURY (produtor da BBC) na entrevista onde fala da 
importância deste ecossistema, único na Europa. 

A distância

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A distância aproxima-se. Cada vez mais. Do que é e do que não é.

A noite. O escuro. Era a sua paz. O sono ou o sonho dominavam sua mente. E muito para além de tudo. E na    tranquilidade esperada. Ambos ficavam a ver-se sem se verem. Tudo era assim. Invisível. Embora sentido.


Todos os dias há um vento que nos liberta. Um ar que nos sopra. As folhas crescem. Agora e assim por igual. Em todo este mês. Dos meses de infindáveis anos antes. E quando foi que tudo começou. Não sei.


O que não perece

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O QUE NÃO PERECE

CRESCE

CRESCE

E APARECE!
*



- menos -

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menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos - menos

http://www.bernardosassetti.com/

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