Há 1 dia
Cultura de dentro para fora
Só com Cultura se fará a mudança para uma sociedade melhor.
Só com Cultura existirá Direitos Humanos.
E os que fazem Cultura ou os que à Cultura estão associados têm uma responsabilidade acrescida nessa mudança, que por vezes se dá muito lentamente e de uma forma subjectiva e invisível, a ocorrer primeiro na mudança de mentalidades e só depois a efectivar-se na mudança propriamente dita.
E infelizmente sabemos que em todo este processo de crise muito bem institucionalizado a partir do início do Séc. XXI, há os que se refugiaram na Cultura, querendo ser pessoas de Cultura. E embora não o sendo, são esses mesmos que de uma forma leviana e insensível querem a todo o custo a dignidade que a Cultura lhes possa vir a dar e em quais bonitos e chorudos cargos que tentam exercer sem nunca terem contribuído (nem antes nem durante e muito menos depois) para essa mesma Cultura. Essas pessoas não são de Cultura nem da Cultura, são efectivamente os maiores parasitas e carrascos da Cultura. Só que mais tarde ou mais cedo a Cultura ir-lhes-á fazer a devida justiça.
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Exercício
Exercício
Quantos de nós, seres ligeiramente distantes desta realidade da construção que nos asfixia, e que tudo temos feito e alertado para o "assim não, por favor", ainda conseguem a força devida para chegar a um qualquer bom porto?
É um remar constante, e não um remar contra a maré de antes, mas já e só contra uma outra maré, tornada num avassalador 'tsunami'.
E, levados contra o arrasar de cidades e atirados contra muros, é este o único fim à vista.
E lá longe, fica-nos de quando em quando, essa ideia em lembrança, tida de um libertador sonho em sonos de todos os dias, no que virá depois, ou na tão desejada e esperada tranquilidade - a morte!
E nada fica.
E nada fica das acções construídas sem alma e coração.
E só fica
Ou só poderá ficar, o que às palavras nos têm a dizer
E que falam, e que dizem o que há para fazer...
E em quais imagens que todos entenderão.
E fica-nos tudo
Sem livros, sem papéis, sem museus e sem casas.
Fica-nos tudo, e ao que é virtual - o novo território.
Quantos de nós, seres ligeiramente distantes desta realidade da construção que nos asfixia, e que tudo temos feito e alertado para o "assim não, por favor", ainda conseguem a força devida para chegar a um qualquer bom porto?
É um remar constante, e não um remar contra a maré de antes, mas já e só contra uma outra maré, tornada num avassalador 'tsunami'.
E, levados contra o arrasar de cidades e atirados contra muros, é este o único fim à vista.
E lá longe, fica-nos de quando em quando, essa ideia em lembrança, tida de um libertador sonho em sonos de todos os dias, no que virá depois, ou na tão desejada e esperada tranquilidade - a morte!
E nada fica.
E nada fica das acções construídas sem alma e coração.
E só fica
Ou só poderá ficar, o que às palavras nos têm a dizer
E que falam, e que dizem o que há para fazer...
E em quais imagens que todos entenderão.
E fica-nos tudo
Sem livros, sem papéis, sem museus e sem casas.
Fica-nos tudo, e ao que é virtual - o novo território.
Autoridade e poder, e a derrocada
Estamos na era de uma globalização e porque tão ferozmente instalada a nível de um qualquer desígnio e em sua autoridade e poder por colonização, agora segue-se-lhe o já esperado controle e em suas leis assustadoramente absurdas, numa tentativa de querer tornar-se em qual segurança para com todos, que mais não passa mas é, de uma total insegurança e perigo para toda a humanidade.
Ou seja, essa reacção que nos tem revelado a História e a Literatura, de como o poder se assenta em suas leis para tentar impor regras para (com toda a autoridade) gerir esse mesmo território, é naturalmente contra natura, para além de que ao insistir nesse mesmo propósito, está por sua vez e ironicamente, a gerir o seu inverso. Isto é, lado a lado com essa ideia que sempre existiu da parte de quem com toda a autoridade tenta controlar e invadir pessoas, bens e espaços territoriais, por sua vez e longe desses processos progressistas, existe a outra possibilidade de a evolução do ser humano prosseguir com toda a naturalidade, embora é certo de que uma forma muito subjectiva e porque invisível de ser vista e evidentemente, ser posta em prática de imediato.
Contudo e mesmo que estejamos nesta actualidade de uma tão medonha global colonização, essa via ou possibilidade do ser humano se projectar eticamente e de ver-se em seu futuro está já aí, é claro que não está assim facilmente visível para toda a gente e muito menos para os mais distraídos ou nos que ainda julgam que tudo como está, está muito bem, mas com certeza que já está presente para os mais atentos e especialmente para os que não aceitam ou não se atém a esta forma desumana de viver-se e em suas abusivas leis de invasão em autoridade e poder.
E para que se entenda esta derrocada, e que mais tarde ou mais cedo, irá acontecer inevitavelmente, não é preciso grande esforço, basta sim, pensar um pouco, e continuar a contribuir humana e culturalmente para que no mundo e nas sociedades, a mudança para melhor venha a ocorrer (e o quanto antes).
Ou seja, essa reacção que nos tem revelado a História e a Literatura, de como o poder se assenta em suas leis para tentar impor regras para (com toda a autoridade) gerir esse mesmo território, é naturalmente contra natura, para além de que ao insistir nesse mesmo propósito, está por sua vez e ironicamente, a gerir o seu inverso. Isto é, lado a lado com essa ideia que sempre existiu da parte de quem com toda a autoridade tenta controlar e invadir pessoas, bens e espaços territoriais, por sua vez e longe desses processos progressistas, existe a outra possibilidade de a evolução do ser humano prosseguir com toda a naturalidade, embora é certo de que uma forma muito subjectiva e porque invisível de ser vista e evidentemente, ser posta em prática de imediato.
Contudo e mesmo que estejamos nesta actualidade de uma tão medonha global colonização, essa via ou possibilidade do ser humano se projectar eticamente e de ver-se em seu futuro está já aí, é claro que não está assim facilmente visível para toda a gente e muito menos para os mais distraídos ou nos que ainda julgam que tudo como está, está muito bem, mas com certeza que já está presente para os mais atentos e especialmente para os que não aceitam ou não se atém a esta forma desumana de viver-se e em suas abusivas leis de invasão em autoridade e poder.
E para que se entenda esta derrocada, e que mais tarde ou mais cedo, irá acontecer inevitavelmente, não é preciso grande esforço, basta sim, pensar um pouco, e continuar a contribuir humana e culturalmente para que no mundo e nas sociedades, a mudança para melhor venha a ocorrer (e o quanto antes).
DEIXA
Deixa-me em paz
Deixai-me em paz
Deixai-me em paz
Deixa
E ao calor deste dia
Alguém que não deixa
Deixou-nos
E o que deixa ao engano dos louvados
Jamais frutos haverá de quais desaires altares
Que não nos deixam
E comam-se os restos às migalhas de tudo varrer
E em seu final aperto da gota que jaz
Cair-se-á no ritmo solene
E deixai-nos ao que fica naquilo que fica
E que não vos fica bem.
Alice Valente Alves em ENTREVISTA na Antena-2
a
ALICE VALENTE ALVES
sobre o projecto «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura»
no Programa «A Força das Coisas» da Rádio Antena-2
(nov.2005)
(nov.2005)
Entrevista sobre o projecto [Lisboa é POESIA]
(excertos:)
(...) A cultura é uma questão de alimento enquanto pensamento. A cultura é o alimento da vida para a dignidade humana. Há que fazer, com o que de melhor temos para dar. Há que fazer, simplesmente o que melhor sabemos fazer e sem preocupações, se vai ser bem sucedido ou não. É uma espécie de Devir ou futuro que não obedece ao Dever, e tal como afirma Bento Espinosa na sua Ética em que não impõe o "devemos fazer" mas sim "de que é que somos capazes de fazer". A Ética de Espinosa é uma matéria da potência do Devir e não do Dever.
─ Sim, penso implementar mais actividades em [Lisboa é POESIA] e porque de certa forma, este projecto está associado a todos os meus outros projectos da imagem enquanto pensamento (ou imagem na arte) nestas três vertentes artísticas que domino: a Poesia, a Pintura e Desenho e a Fotografia. E desde o início que as penso, mas só as penso ainda. A seu tempo virão ou surgirão os devidos acontecimentos, espero.
(...) e estou imensamente grata a todos os participantes e amigos que têm apoiado, colaborado e divulgado este projecto e em especial agradeço aqui e agora à Patrícia Creado, uma jovem e promissora socióloga, por se lembrar desta sua tão cuidada e motivante entrevista que me acaba de fazer, e coincidindo com um ano após o início dos Passeios Culturais no Chiado «[Lisboa é POESIA] –Lisboa__Lx». Um grande, grande abraço.
Ensino tendencioso
A Faculdade é que é tendenciosa
quando adverte alunos à não crítica em seus trabalhos e apresentações escritas, na repreensão do aluno sempre que este expõe ou manifesta a sua ideia,
pensamento ou opinião, dizendo-lhe que assim está a tornar o seu texto ou trabalho,
tendencioso.
Quando professores ensinam este estar, mal estará essa mesma sociedade. E neste estar, há muito professores que ensinam e alunos que aprendem, com toda a normalidade. Com este estar tudo está a ser formatado, a tornar-se igual e a banalidade a instalar-se ferozmente. E o desinteresse generaliza-se de tal forma, que muito certamente nem os professores irão ler com o devido cuidado os textos, porque saberão de antemão o que lá estará escrito, só lerão na diagonal, é simples. E nem os alunos se interessarão porque não poderão mostrar e desenvolver as suas ideias. Assim, vai-se para a faculdade por uma aparência que se institucionalizou e a fingir que se vai aprender a ser-se bem-sucedido, e não como seria de esperar e em sua crucial função, no desenvolvimento das capacidades que cada pessoa ou aluno possui, para marcar a diferença ou para que o futuro seja uma realidade por dignidade, descoberta e encanto.
E os alunos têm vindo a aceitar esta moda ou fingimento, e os pais igualmente
têm incentivado esta tendência, é preciso ter boa nota e ser-se bem visto
perante o professorado e a sociedade, de modo a ter-se um qualquer futuro e a
ser-se o mais inclusivo possível nesta sociedade de cidadãos acríticos e do
faz-de-conta, em sociedade esta cada vez mais assente num atroz fascínio e ao acato
do que o consumo a possa satisfazer. Pensar cada um por si, não vale de nada,
aliás pouco interessa, e esses que o fazem são mais que marginalizados e o pior
é, quando se automarginalizam, numa total aceitação e resignação do que está
mal.
Se és irrequieto, desobediente ou introvertido, a escola e o ensino não são para ti. E para que possas continuar nessa mesma escola e em sua sociedade terás de entrar na normalidade vigente e só assim serás mais um entre os muitos que se querem bem-sucedidos. E como tal há que ser vencedor e apoiar os vencedores, e para que assim seja, terás de alterar teus comportamentos, e para isso terás a ajuda de todos os instrumentos que o sistema dispõe e que são mais que muitos, e o remédio é santo, podes crer e nem que te tornes num coitadinho (bem-sucedido). E lá serás então, mais um entre os muito obedientes que para aí pairam nos hábitos de se fazerem à vida pela imitação de um miserável e proveitoso sucesso à vista.
Só que a vida não só essa coisa de se aprender assim, em aparências e falsidades. A vida e a dignidade de se estar vivo a olhar os outros com respeito, é muito mais do que essa coisa de se ser vencedor custe o que custar em terra que constrói impondo inimigos a si próprio. Oh mas que inteligência essa, tão altamente cordial quanto de tão propositadamente artificial.
E a crise aí está para reinar, pelos muitos que ainda se atém à obediência de um mal que os dita e rege por uma obrigatória disposição ao não-vómito. Mas a qualquer instante, o tal incómodo momento surgirá e de tal forma, a nos termos de aliviar de vez dessa indisposição e em seu derradeiro vómito.
Ir é resistir
IR É RESISTIR
Amanhã é o futuro. Contudo ir em futuro não é já no dia seguinte. É talvez amanhã, mas muito depois do que julgas ser, em teu dia seguinte. Futuro é quando for.
Resistir é ir para o futuro, mesmo que seja muitos dias depois do dia de amanhã.
E resistir é ter como certo o dia de amanhã a fazer o que é certo para que o futuro exista.
Ir, a ir de qualquer maneira, para que a vantagem se antecipe para ontem, é não ir para o futuro, é ir para um futuro qualquer sem futuro.
Ir a resistir é ter como certo o futuro certo. Ir a resistir é ir para o futuro.
O futuro é todos os dias quando fizeres o que é certo para o futuro agora.
E olhar o mundo com poesia é resistir.
INAUDITO
QUALQUER
Um não mérito
qualquer
Pobres
desgovernados
De calar a boca que
se abre
Para comer um
qualquer alimento
Que fica na mesa
dos ancestrais
Fome devoradora
De olhos que
desmentemÀ flor da pele de campos
Por cultivar
E todos continuam
ainda sentados
Ditando as leis
Em mesas dos
famintos
Que esperam pelo
nada do prato
Que amontoaram
No dia anterior
Àquela ceia sem
hora imposta
E os sumos por
fazer
De laranjas
perdidas
Deixadas cair
apodrecidas
Por ditadores
Com o agrado de
agradar
As mesas de não
pensadores
Igualdade igual
Da lei sobreposta
Em postas cortadas
às fatias
Por facas de igual
tamanho.
Distribuídas as
leis
Cumpram-se
E as outras mesas
Aquelas mesas
esquecidas
Perdidas no acaso
De não se poderem
ter em conta
Contam-lhes uma
qualquer história
Que os calará
sempre
E para sempre
Perderam-se as
alegrias
De se viajar
Por papel escrito
num lugar
De lugares ainda
existentes
À espera de quem
lhes dê
A continuidade do
valor merecido
Tido em suas
contas.
BALLET GULBENKIAN - Fotografia/Arquivo de ALICE VALENTE ALVES
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