Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

Cultura de dentro para fora

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Só com Cultura haverá possibilidade de um sentido na vida.

Só com Cultura se fará a mudança para uma sociedade melhor.

Só com Cultura existirá Direitos Humanos.

E os que fazem Cultura  ou os que à Cultura estão associados têm uma responsabilidade acrescida nessa mudança, que por vezes se dá muito lentamente e de uma forma subjectiva e invisível, a ocorrer primeiro na mudança de mentalidades e só depois a efectivar-se na mudança propriamente dita.


E infelizmente sabemos que em todo este processo de crise muito bem institucionalizado a partir do início do Séc. XXI, há os que se refugiaram na Cultura, querendo ser pessoas de Cultura. E embora não o sendo, são esses mesmos que de uma forma leviana e insensível querem a todo o custo a dignidade que a Cultura lhes possa vir a dar e em quais bonitos e chorudos cargos que tentam exercer sem nunca terem contribuído (nem antes nem durante e muito menos depois) para essa mesma Cultura. Essas pessoas não são de Cultura nem da Cultura, são efectivamente os maiores parasitas e carrascos da Cultura. Só que mais tarde ou mais cedo a Cultura ir-lhes-á fazer a devida justiça.






Julgam

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HÁ OS QUE JULGAM QUE JULGAM (A PESCA)
*




Circunstancial

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CADA PESSOA VIVE 

UMA VIDA CIRCUNSTANCIAL
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Exercício

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Exercício

Quantos de nós, seres ligeiramente distantes desta realidade da construção que nos asfixia, e que tudo temos feito e alertado para o "assim não, por  favor", ainda conseguem a força devida para chegar a um qualquer bom porto?
É um remar constante, e não um remar contra a maré de antes, mas já e só contra uma outra maré, tornada num avassalador 'tsunami'.
E, levados contra o arrasar de cidades e atirados contra muros, é este o único fim à vista.
E lá longe, fica-nos de quando em quando, essa ideia em lembrança, tida de um libertador sonho em sonos de todos os dias, no que virá depois, ou na tão desejada e esperada tranquilidade - a morte!


E nada fica.

E nada fica das acções construídas sem alma e coração.
E só fica
Ou só poderá ficar, o que às palavras nos têm a dizer 

E que falam, e que dizem o que há para fazer...
E em quais imagens que todos entenderão.
E fica-nos tudo
Sem livros, sem papéis, sem museus e sem casas.

Fica-nos tudo, e ao que é virtual - o novo território.









Autoridade e poder, e a derrocada

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Estamos na era de uma globalização e porque tão ferozmente instalada a nível de um qualquer desígnio e em sua autoridade e poder por colonização, agora segue-se-lhe o já esperado controle e em suas leis assustadoramente absurdas, numa tentativa de querer tornar-se em qual segurança para com todos, que mais não passa mas é, de uma total insegurança e perigo para toda a humanidade.

Ou seja, essa reacção que nos tem revelado a História e a Literatura, de como o poder se assenta em suas leis para tentar impor regras para (com toda a autoridade) gerir esse mesmo território, é naturalmente contra natura, para além de que ao insistir nesse mesmo propósito, está por sua vez e ironicamente, a gerir o seu inverso. Isto é, lado a lado com essa ideia que sempre existiu da parte de quem com toda a autoridade tenta controlar e invadir pessoas, bens e espaços territoriais, por sua vez e longe desses processos progressistas, existe a outra possibilidade de a evolução do ser humano prosseguir com toda a naturalidade, embora é certo de que uma forma muito subjectiva e porque invisível de ser vista e evidentemente, ser posta em prática de imediato.

Contudo e mesmo que estejamos nesta actualidade de uma tão medonha global colonização, essa via ou possibilidade do ser humano se projectar eticamente e de ver-se em seu futuro está já aí, é claro que não está assim facilmente visível para toda a gente e muito menos para os mais distraídos ou nos que ainda julgam que tudo como está, está muito bem, mas com certeza que já está presente para os mais atentos e especialmente para os que não aceitam ou não se atém a esta forma desumana de viver-se e em suas abusivas leis de invasão em autoridade e poder.

E para que se entenda esta derrocada, e que mais tarde ou mais cedo, irá acontecer inevitavelmente, não é preciso grande esforço, basta sim, pensar um pouco, e continuar a contribuir humana e culturalmente para que no mundo e nas sociedades, a mudança para melhor venha a ocorrer (e o quanto antes).





DEIXA

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Deixa-me em paz

Deixai-me em paz

Deixa

E ao calor deste dia

Alguém que não deixa


Deixou-nos

E o que deixa ao engano dos louvados

Jamais frutos haverá de quais desaires altares

Que não nos deixam

E comam-se os restos às migalhas de tudo varrer

E em seu final aperto da gota que jaz

Cair-se-á no ritmo solene

E deixai-nos ao que fica naquilo que fica

E que não vos fica bem.





Tipuana 's

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ÀS FLORES DA TIPUANA

JUNHO É O MÊS 
  
HÁ COR OU SOMBRA   

E EM TAPETE DE OIRO

À TERRA É AR DE FICAR .
*



Alice Valente Alves em ENTREVISTA na Antena-2

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http://link

ENTREVISTA  de Luís Caetano 
a
ALICE  VALENTE  ALVES
 no Programa «A Força das Coisas» da Rádio Antena-2 

(nov.2005)


Entrevista sobre o projecto [Lisboa é POESIA]

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Sobre o projecto  "[Lisboa é POESIA] - Lisboa__Lx"

E N T R E V I S T A  http://bit.ly/11GPFHy

(excertos:)

(...) A cultura é uma questão de alimento enquanto pensamento. A cultura é o alimento da vida para a dignidade humana. Há que fazer, com o que de melhor temos para dar. Há que fazer, simplesmente o que melhor sabemos fazer e sem preocupações, se vai ser bem sucedido ou não. É uma espécie de Devir ou futuro que não obedece ao Dever, e tal como afirma Bento Espinosa na sua Ética em que não impõe o "devemos fazer" mas sim "de que é que somos capazes de fazer". A Ética de Espinosa é uma matéria da potência do Devir e não do Dever.

─ Sim, penso implementar mais actividades em [Lisboa é POESIA] e porque de certa forma, este projecto está associado a todos os meus outros projectos da imagem enquanto pensamento (ou imagem na arte) nestas três vertentes artísticas que domino: a Poesia, a Pintura e Desenho e a Fotografia. E desde o início que as penso, mas só as penso ainda. A seu tempo virão ou surgirão os devidos acontecimentos, espero.

(...) e estou imensamente grata a todos os participantes e amigos que têm apoiado, colaborado e divulgado este projecto e em especial agradeço aqui e agora à Patrícia Creado, uma jovem e promissora socióloga, por se lembrar desta sua tão cuidada e motivante entrevista que me acaba de fazer, e coincidindo com um ano após o início dos Passeios Culturais no Chiado «[Lisboa é POESIA] –Lisboa__Lx». Um grande, grande abraço.

 ALICE  VALENTE ALVES

Ensino tendencioso

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A Faculdade é que é tendenciosa quando adverte alunos à não crítica em seus trabalhos e apresentações escritas, na repreensão do aluno sempre que este expõe ou manifesta a sua ideia, pensamento ou opinião, dizendo-lhe que assim está a tornar o seu texto ou trabalho, tendencioso. 


Quando professores ensinam este estar, mal estará essa mesma sociedade. 
E neste estar, há muito professores que ensinam e alunos que aprendem, com toda a normalidade. Com este estar tudo está a ser formatado, a tornar-se igual e a banalidade a instalar-se ferozmente. E o desinteresse generaliza-se de tal forma, que muito certamente nem os professores irão ler com o devido cuidado os textos, porque saberão de antemão o que lá estará escrito, só lerão na diagonal, é simples. E nem os alunos se interessarão porque não poderão mostrar e desenvolver as suas ideias. Assim, vai-se para a faculdade por uma aparência que se institucionalizou e a fingir que se vai aprender a ser-se bem-sucedido, e não como seria de esperar e em sua crucial função, no desenvolvimento das capacidades que cada pessoa ou aluno possui, para marcar a diferença ou para que o futuro seja uma realidade por dignidade, descoberta e encanto. 

E os alunos têm vindo a aceitar esta moda ou fingimento, e os pais igualmente têm incentivado esta tendência, é preciso ter boa nota e ser-se bem visto perante o professorado e a sociedade, de modo a ter-se um qualquer futuro e a ser-se o mais inclusivo possível nesta sociedade de cidadãos acríticos e do faz-de-conta, em sociedade esta cada vez mais assente num atroz fascínio e ao acato do que o consumo a possa satisfazer. Pensar cada um por si, não vale de nada, aliás pouco interessa, e esses que o fazem são mais que marginalizados e o pior é, quando se automarginalizam, numa total aceitação e resignação do que está mal. 


Se és irrequieto, desobediente ou introvertido, a escola e o ensino não são para ti. E para que possas continuar nessa mesma escola e em sua sociedade terás de entrar na normalidade vigente e só assim serás mais um entre os muitos que se querem bem-sucedidos. E como tal há que ser vencedor e apoiar os vencedores, e para que assim seja, terás de alterar teus comportamentos, e para isso terás a ajuda de todos os instrumentos que o sistema dispõe e que são mais que muitos, e o remédio é santo, podes crer e nem que te tornes num coitadinho (bem-sucedido). E lá serás então, mais um entre os muito obedientes que para aí pairam nos hábitos de se fazerem à vida pela imitação de um miserável e proveitoso sucesso à vista. 


Só que a vida não só essa coisa de se aprender assim, em aparências e falsidades. A vida e a dignidade de se estar vivo a olhar os outros com respeito, é muito mais do que essa coisa de se ser vencedor custe o que custar em terra que constrói impondo inimigos a si próprio. Oh mas que inteligência essa, tão altamente cordial quanto de tão propositadamente artificial.


E a crise aí está para reinar, pelos muitos que ainda se atém à obediência de um mal que os dita e rege por uma obrigatória disposição ao não-vómito. Mas a qualquer instante, o tal incómodo momento surgirá e de tal forma, a nos termos de aliviar de vez dessa indisposição e em seu derradeiro vómito.



Ir é resistir

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IR É RESISTIR

Amanhã é o futuro. Contudo ir em futuro não é já no dia seguinte. É talvez amanhã, mas muito depois do que julgas ser, em teu dia seguinte. Futuro é quando for.

Resistir é ir para o futuro, mesmo que seja muitos dias depois do dia de amanhã.

E resistir é ter como certo o dia de amanhã a fazer o que é certo para que o futuro exista.

Ir, a ir de qualquer maneira, para que a vantagem se antecipe para ontem, é não ir para o futuro, é ir para um futuro qualquer sem futuro.

Ir a resistir é ter como certo o futuro certo. Ir a resistir é ir para o futuro.



O futuro é todos os dias quando fizeres o que é certo para o futuro agora.

E olhar o mundo com poesia é resistir.


Tempo infinito

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TEMPO INFINITO


Chove calmamente

O dia desenha-te

E  a Terra agradece.


Sem título

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QUE ESTRANHO MUNDO ESTE 
QUE POR LIVRES SOMOS 
SE LIVREMENTE CONSUMIRMOS
O QUE NÃO NOS FAZ SER LIVRES. 
*




INAUDITO

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Não interessa escrever o inaudito.

Não interessa seres o registo de um momento que jamais te regista.

Foge ao inaudito.

Foge ao registo.

E sim, resiste.



QUALQUER

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Um não mérito qualquer
De calar a boca que se abre
Para comer um qualquer alimento
Que fica na mesa dos ancestrais
Fome devoradora
De olhos que desmentem
Pobres desgovernados
Pela sementeira não colhida
Perdem-se quantos desejos 
À flor da pele de campos
Por cultivar
E todos continuam ainda sentados
Ditando as leis
Em mesas dos famintos
Que esperam pelo nada do prato
Que amontoaram
No dia anterior
Àquela ceia sem hora imposta
E os sumos por fazer
De laranjas perdidas
Deixadas cair apodrecidas
Por ditadores
Com o agrado de agradar
As mesas de não pensadores
Igualdade igual
Da lei sobreposta
Em postas cortadas às fatias
Por facas de igual tamanho.
Distribuídas as leis
Cumpram-se
E as outras mesas
Aquelas mesas esquecidas
Perdidas no acaso
De não se poderem ter em conta
Contam-lhes uma qualquer história
Que os calará sempre
E para sempre
Perderam-se as alegrias
De se viajar
Por papel escrito num lugar
De lugares ainda existentes
À espera de quem lhes dê
A continuidade do valor merecido
Tido em suas contas.




BALLET GULBENKIAN - Fotografia/Arquivo de ALICE VALENTE ALVES

Chegar

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 NÃO ESPERES QUE TE COMPREENDAM,

LÁ PORQUE ATÉ CHEGAS A COMPREENDER 

O QUE TE PENSA.
*




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