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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

CAMINHA-SE

Em piedade, compaixão e caridade…

Não está na moda dar-se uma esmola a um pedinte.

Mas está na moda ser-se piedoso para com os outros, mesmo que esses outros não careçam dessa compaixão de piedosas caridades.

E a moda maior, a actual, a moda contemporânea dos afortunados, é enriquecer à custa de todos os desgraçados, de todos os doentes, dos que nada têm e até de todos os pedintes… È ver as inúmeras instituições bancárias, hospitalares, o jogo e as misericórdias, as organizações sem fins lucrativos com os de ditos voluntariosos, por aí fora com tantas santas casas… Todos benditos e arregalados que se prostram ajoelhados à espera que mais pobretanas, ignorantes se tornam fiéis e compactuem com todas as suas interesseiras, cúmplices e seguras falsidades. Dá-se-lhes o «adubo» ou remédio, na dose ideal, para que progridam em necessária e adequada miséria…

Caminha-se assim a bem da mentira, de muitas mentiras, da mentira maior, a de se saber que a mentira é imposta numa verdadezinha verdadeira, ou seja, há que viver em verdadeira mentira. E assim, todos terão de continuar muito bem, ordeira e até orgulhamente mentirosos. Em suma há que aprender-se a viver numa cordial esperteza de «sacar» o máximo dos vencidos e dos prostrados, dos distraídos e também dos que trabalham, batalham e têm muita vontade de serem assim também «gente» nesse reino tão piedoso, do ter pena do outro, dos outros, de tudo e de todos...

Prossigamos então com toda esta doença!
Ah, a doença, mas a doença é o maior bem da sociedade!... Quanto mais doenças houver, tanto melhor, há pois que pesquisar de forma freudiana, frenética e esquizofrenicamente até se inventar malefícios em tudo, tudo… em tudo e em todos, sem excepção! Para que assim possam ocorrer mais e mais profissões, profissões piedosas, psicologicamente úteis e interessantes, de bons, fáceis e serenos empregos, em seus grandes e benditos salvadores, na sempre tão cómoda, hábil e astuta forma de imputar responsabilidades aos outros por existirem e nascerem tão doentinhos e ainda lhes virem bater à porta!...
Ah, e se a mulher for tontinha e continuar subjugada, tanto melhor, porque assim mais reinos e familiares reinados se instalam dentro deste mundo tão malignamente bendito.
Ah… e ainda há que dizer «sim» ou «não»!... Exacto!...
Basta simplesmente dizer «sim» ou «não» como se a vida de um jogo se tratasse.

Ordena-se A ESCOLHA!... E obedece-se à vontade de quem dita, é muito fácil! …
Diga-se unicamente «sim» ou «não» para que a mentira continue a imperar por aí fora, a tomar lugar e lugares em tantas verdadeiras vidas tornadas numa conveniente e doentia mentira, feita da passiva, permissiva e caridosa compaixão aos tão necessários e necessitados desafortunados de má fila.


ALICE VALENTE

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