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a árvore ao jardim

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Verdadeira e seriamente

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A VERDADE NÃO NOS DEVE

SERIAMENTE

A VERDADE É DEVIR E NÃO DEVER
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A verdade não nos deve.

   
(…) Sendo o devir sempre uma obrigação contrária ao dever, não se rege, nem se deixa comandar por leis impostas pelo Homem, o Devir é o catalisador da motivação existencial e é orientado por leis interiores bem definidas corporalmente. Quando digo corporalmente, tal como fez Bento Espinosa, englobo o corpo não o dissociando da alma e do pensamento em sua Natureza de Ser. O devir diz sempre e unicamente respeito à projecção do pensamento numa saudade em futuro, ou seja, o Devir é sempre um devir­ artístico-filosófico 
(...) As crenças por poder ou o poder das actuais crenças em deveres obrigados a serem cumpridos a todo custo geram mitos, entretenimentos, distracções e passatempos (...) O entretenimento faz esquecer a forma genuína de se pensar direccionado a um bem comum a todos. O entretenimento não provoca prazer, mas sim gozo, é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento no menor esforço possível (...) O entretenimento será inteiramente ligado ao dever, e é o que fica do que não foi possível criar (...)
Excertos de  CRENÇAS E PODER - DO DEVER EM NÃO DEVIR (doc_pdf)

Seriamente

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A verdade é devir e não dever.

O FUTURO

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O futuro não se inventa, cria-se!

E exactamente porque o agora, é resultado de um futuro que foi inventado, que afinal, já não o queremos.

É que o futuro que se precisa é de um futuro criador, ou seja, de um futuro no sentido de uma evolução criadora.

Criar é cuidar de tudo e de todos que nos rodeiam.

E inventar é arranjar soluções que por vezes nos poderão afastar dessa perfeita capacidade do Homem viver humanamente.


 ALICE  VALENTE


Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO (Ensaio)

(...) E o que ainda nos faz estar aqui, é o cumprimento com o primeiro dos objectivos da vida, o ser a Ser, por seres que somos, de cuidado e de criação, todos aptos, mas mesmo todos aptos e capazes de conseguir, dentro de maiores ou menores limitações, a criar e a cuidar deste nosso planeta, a terra, como se tratasse do nosso próprio  corpo. (...)



Criação Artística e os conceitos usurpados à Arte na Criação



Os apossados da arte a transformá-la em não-arte


Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE




O dever de suicídio

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pormenor da obra nº 37 – «o pensar» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005 
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE | traço (cor): laranja-lima
(...)
A não ser possível um povo gerir os seus afectos e a sua forma de se manifestar artisticamente é um povo sem futuro, é um povo ou sociedade suicida.
E o suicídio em suicidas é a morte anunciada e vindoura do colectivo, sem singulares. Um suicídio colectivo é, sem precedentes, uma morte ao alcance de todos, dos excluídos tanto ricos como pobres, dos oprimidos, dos falhados, dos comprometidos. É que estamos neste momento a assistir a comportamentos sociais, familiares, institucionais, por tanto sofrimento infligido, já similar aos campos de concentração nazi. Existe uma realidade para os excluídos da face da Terra pelo Homem que instituiu tão monstruosas regras em crenças e poder do dever em não devir, que o suicídio será em breve a maior prova de coragem do ser, que não se suporta mais nestas condições de escravatura cativa. Essa compreensão para os ditos fracos e ou excluídos em toda a extensão do humanitário por não aceitarem compactuar com tanto mal, infortúnio e dor, tornar-se-á em nossa contemporaneidade, o ponto mais forte da dita coragem da dignidade em não-ser.
(...)


  Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO



De um 'dever em devir'

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Crise por transformação - de um 'dever em devir'

Sobre o meu ensaio com o título «Crenças e poder - do dever em não devir», em que a segunda parte do título "... - do dever em não devir" só faz realmente sentido quando associada a "Crenças e poder - ...". E isto porque em cada um de nós existe um verdadeiro 'dever' mas que diz respeito não a um 'dever' de leis feitas pelos homens, mas sim a um 'dever' das leis do 'devir' da Natureza.  E exactamente porque o tal 'dever' que nos assiste socialmente é um 'dever' por medo a poderes e crenças, e por isso a utilização unicamente da segunda parte do título sem a primeira, induz em erro ao pretendido. E a querer-se utilizar separadamente poderá se intitular, não "do dever em não devir", mas sim de um "dever em devir".

E é pois esse 'dever em devir' que no fundo nos vai solucionando todos os problemas que as crenças e poderes nos têm arranjado. É que os poderes temem esse caos do 'dever em devir' e que por transformador benéfico  é tão necessário quanto vital, e tenderá a surgir inevitavelmente de quando em quando, mesmo que os poderes tentem impor um 'dever' (moral) obrigado a ser cumprido por leis por vezes contrárias às leis éticas do 'dever em devir'. Portanto, um 'dever em devir' ir-se-á revelar natural e autonomamente, e  surgirá  sempre, como que a proteger ou a criar o equilíbrio entre todos os seres na terra.

Ora vejamos o que está a acontecer de há dois anos para cá, relativamente à incógnita da tal designação de 'crise', e em que crises que se têm vindo a desenvolver com essa mesma, de teimosa 'crise'... 
É que na actual economia mundial, ela é unicamente financeira e o mercado e em suas leis está assente ou é suportado por mecanismos associados a crenças e poderes, que suscitam mais crenças, guerras,  medo, miséria, fome, consumo em luxo e lixo, e destruição do meio ambiente... e em economias ou poderes esses que insistem em publicitar e a tornar viável uma forma de vida de uma consciente negligência do corpo, da natureza e do 'dever em não devir'.

E assim continuamos, regidos por "crenças e poderes - do dever em não devir"!  
Até quando?







de que querer

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Eu não sei o que quero, 
mas sei o que não quero.
*




Obra nº 7 - «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE

«querer de que poder»

 Obra nº 7 – «querer de que poder» |óleo sobre tela | Díptico | 81x130cm | 2003
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de ALICE VALENTE
| traço (cor):Vermelho



*

Ensaio: «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»


E ainda «a consciente negligência do corpo»

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(...)

Mas a vida vai dando lugar a outra ou muitas outras vidas, que nos mostram ainda pelos poucos que pensam, mas bem, no modo exemplar e digno, numa demonstração saudável e positiva, de que ainda é possível viver, com a força, numa energia ou até talvez, numa fórmula matemática que faz e desfaz tudo aquilo que é encaminhado e realizado através de pensamentos nocivos. Por isso todas as anteriores civilizações desapareceram, precisamente porque o mal se sobrepôs ao bem. É que o «poder» tenderá sempre a utilizar o mal como necessário, numa contínua, alarmante e repetitiva trajectória de má conduta, até à inevitável e esperada demolição.

Mas sabendo que tudo está assim tão mal, ainda assim conseguimos viver uns com os outros, às vezes bem mal é certo! Mas porquê?
O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar.... Somos assim... seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma ...
E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia...
(...)

Excertos do Ensaio «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO

CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura de ALICE VALENTE

à esquerda: nº41 – «o desejar» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | traço (cor): Laranja-Lima
à direita: nº 50 – «de que vontade» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura»
| traço (cor): Laranja-Lima


Crenças, Religiões e Poderes

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CRENÇAS, RELIGIÕES E PODERES
Dos Indivíduos às Sociabilidades
Obra colectiva, multivocal, diversificada, é resultante da 11ª mesa-redonda de Primavera realizada na Faculdade de Letras do Porto em 22 e 23 de Março de 2007. Nela, autores de formações e actividades muito diferenciadas procuram pensar as relações entre as crenças, as religiões e os poderes... três âmbitos evidentemente vastíssimos, abertos a uma multiplicidade de interpretações e perspectivas, sobre os quais cada um apresenta um contributo resultante da sua investigação e reflexão. É essa variedade que faz a riqueza desta obra, onde participam também investigadores estrangeiros, e na qual foi dada aos intervenientes a liberdade de optarem por um tema de sua eleição. Este livro prolonga o prazer daqueles dois dias de exposições e debates livres, e procura estendê-lo a todos os leitores. Cada texto constitui uma espécie de "aperitivo" para, consoante o interesse de cada um, o desenvolvimento de questões que vão da filosofia à história, da sociologia à arqueologia, da religião à educação (entre outros campos), mas que interessarão também genericamente no que em todos eles se anuncia de perspectivas sugestivas em torno de questões tão "quentes" e actuais como são as dos poderes, por vezes tão subtis e difusos, e das variadas formas da crença, tanto as formalizadas e públicas como as que residem na intimidade de cada um de nós. Um diálogo tanto quanto possível aberto, que visa criar uma "ecologia" de um saber que não pretende ser académico e sistemático, mas rigoroso e aberto à inquietação.


CONVITE 29JAN2009-18h30-PORTO doc_pdf

As Edições Afrontamento, Porto, promovem a APRESENTAÇÃO pública do LIVRO:
"Crenças, Religiões e Poderes", no dia 29 Janeiro 2009, às 18h30
na Livraria Leitura /Books & Living, do Centro Comercial Cidade do PORTO
(junto ao Mercado do Bom Sucesso, a 5 minutos da Faculdade de Letras da UP)

A apresentação estará a cargo do Prof. Doutor Paulo Tunhas, filósofo, da Universidade Fernando Pessoa e da Faculdade de Letras do Porto.

Estarão presentes também, além dos editores e dos coordenadores da obra (Prof. Doutor Vítor Oliveira Jorge e Prof. Doutor José Maria Costa Macedo, da FLUP), os autores.

A sessão é aberta a todos os interessados.

Neste livro sou autora do texto com o título: «Crenças e poder - do dever em não devir»




Sobre a Cidade, o Pensamento e a Cidadania

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Curiosamente encontrei na net este link sobre "CIDADE, PENSAMENTO, CIDADANIA", cujo texto faz referência ao meu ensaio Crenças e Poder - do Dever em não Devir, e pela extrema importância da questão a que o seu autor alude na respectiva comunicação que apresentou em Maio deste ano no Congresso Internacional de Filosofia e em que um dos objectivos desse mesmo congresso era o de promover a reflexão sobre a contribuição da filosofia na construção de uma sociedade que valorize o humano em todas as suas dimensões, não resisti a transcrever este excerto de LUÍS CARLOS BOA NOVA VALÉRIO:

(…) A propósito da alegria que falta nessa alma, como dizia Holanda, cada vez que pensamos em fundar nossos projectos mais importantes, é justamente a tristeza que nos transforma em críticos grandiloquentes da nação, da família, da escola, de nós mesmos. Críticos apassivados, porque distantes do labor da política, mergulhamos na saudade de uma pátria que nunca chega.
Como diria a artista plástica portuguesa Alice Valente Alves, em seu texto Crenças e poder – do dever em não devir, nós temos muita urgência em resolver nossos deveres, mas nenhuma pressa com os nossos devires. Os devires do corpo, do pensamento, da cidade, da cidadania, da formação, são transcursos sem normas, sem obediências, sem grandiloquências; não são caminhos para nos entreter, ou como diz Alice
Tal como depreendemos do clássico estudo da alma cidadã brasileira feito por Holanda, inclusive quando ele analisa com tanta profundidade a exacerbada cordialidade que habita o carácter do brasileiro (1983, p. 101 ss.), Alice, na citação acima, converge para os mesmos pontos de Holanda. Ela traduz as relações de dever com a crença e o entretenimento, e quando diz que o entretenimento “é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento”, isto se junta ao “desleixo” e a “saudade” e até mesmo a falta de alegria de que falavam Holanda e Bell. O pensamento que é uma cidade, que exerce uma cidadania sob os hábitos de uma formação de feitoria, que se obscurece na comodidade da sua cidadela, só contribui para uma ética da infelicidade ou do entretenimento fútil. Porque nos sentimos muitas vezes constrangidos quando ensinamos filosofia, justamente porque parece que apenas a estamos comentando, cabe perguntar sempre: que fazemos quando leccionamos filosofia? Estamos buscando devires ou apenas reiterando deveres?
Nossa cidade, pensamento, cidadania e formação necessitam de respostas a estas questões.

O artista e a dignidade humana

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Estes excertos que se seguem são dirigidos aos que por aí andam cómoda e pateticamente vendados, em tanta cegueira que lhes foi incutida, e coitados até se sentem bem assim, e claro está, que não compreendem, e jamais entenderão, que uma linha de pensamento onde felizmente, muitas pessoas até estão inseridas, é só e unicamente uma questão de lucidez e de dignidade humana, e não terá de passar e neste meu caso não passa mesmo, aos que incomodados assim queiram ou tentem apelidar por que ideologias vigentes.
«(…) deveres obrigados a serem cumpridos a todo o custo geram mitos, entretenimentos, distracções e passatempos e tentam apanhar os desprevenidos e até os prevenidos a confundir tudo e todos com mentiras, falácias e sempre numa omissão para com a verdade. O entretenimento faz esquecer a forma genuína de se pensar direccionada a um bem comum a todos. O entretenimento não provoca prazer, mas sim gozo, é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento no menor esforço possível. O entretenimento vem do colectivo para o singular, é uma apreciação em frases feitas do colectivo dirigida ao singular, fazendo por imergir o singular numa moda disponível a ser usada como sugestiva e conveniente pelo poder que comanda o colectivo. E o resultado de um pensamento singular e genuíno dirigido a um bem comum e ou ao colectivo, será efectivamente Cultura. O entretenimento estará inteiramente ligado ao dever, e é o que fica do que não foi possível criar, é a repetição feita para um povo obrigado à igualitária forma de se acomodar como subjugado. Mas é o povo com os seus artistas que fazem Cultura e não o entretenimento dos geradores de poderes e mitos que farão os artistas, a Arte, o Devir! A Cultura é pois o porvir do Devir. O artista existe e jamais desaparecerá enquanto existirem sociedades e sociabilidades. O artista existe porque existe um povo. Um povo que carrega o peso de seus mandatários. E na mesma igualdade, ambos, povo e artista, que advêm desse somatório de resistências ao intolerável, à fome, à miséria, ao sofrimento, à opressão e na condição do Ser em desejos de Ser­-se humano.

E a não ser possível um povo gerir os seus afectos e a sua forma de se manifestar artisticamente é um povo sem futuro, é um povo ou uma sociedade suicida. E o suicídio em suicidas é a morte anunciada e vindoura do colectivo sem singulares. (…) Existe uma realidade para os excluídos da face da Terra pelo Homem que instituiu tão monstruosas regras em crenças e poder do dever em não devir, que o suicídio será em breve a maior prova de coragem do ser, que não se suporta mais nestas condições de escravatura cativa. Essa compreensão para os de ditos fracos e ou excluídos em toda a extensão do humanitário por não aceitarem compactuar com tanto mal, infortúnio e dor, tornar-se-á em nossa contemporaneidade, o ponto mais forte da dita coragem da dignidade humana em não-ser.

(…) Sendo o devir sempre uma obrigação contrária ao dever, não se rege, nem se deixa comandar por leis impostas pelo Homem, o Devir é o catalisador da motivação existencial e é orientado por leis interiores bem definidas corporalmente. Quando digo corporalmente, tal como fez Bento Espinosa, englobo o corpo não o dissociando da alma e do pensamento em sua Natureza de Ser. O devir diz sempre e unicamente respeito à projecção do pensamento numa saudade em futuro, ou seja, o Devir é sempre um devir­ artístico-filosófico. (...)»
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A vontade em Kant

«(...) A vontade em Kant subordina-se a uma legislação da qual ela própria é autora e ainda a relaciona com a dignidade humana, ou seja para Kant, os afectos e os sentimentos, que são o que ele designa de inclinações, não são tidos em consideração, excluindo-os completamente da razão.
Para Kant: A vontade é uma faculdade de não escolher nada a não ser o que a razão, independentemente da inclinação, conhece como praticamente necessário...
E porque o dever em Kant antecede toda a experiência e em que a razão determina a vontade à priori, arrogou-se assim a dar especial realce ao verbo obrigar, à obrigação e ao dever, acabando por tornar imperativo o abandonar a autenticidade de se Ser e a deixar o homem dividido entre o mundo sensível e o mundo inteligível.

Para Kant o homem só tem deveres para com o homem.Pois mas a Arte, a Vida, a Terra, a Natureza, são feitas do sensível, de sensibilidades, de afectos, de sentimentos, do SENTIR! (...)»
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Sobre o «CORPOtraçoCORPO - a poesia e a pintura»

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à esquerda: nº37 – «o pensar» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | traço (cor): Laranja-Lima
à direita: nº 46 – «de que credo» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2005
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura»
| traço (cor): Laranja-Lima


Todo o meu trabalho da “IMAGEM” nos domínios da Poesia, da Pintura e da Fotografia, que estou a desenvolver e a realizar através de projectos autorais, deve-se à minha enorme preocupação com a importância do corpo, corpo que está presente em todos os meus projectos, mas existe um que iniciei no ano 2003 e que gostaria de vos dar a conhecer, é o CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura.
CORPOtraçoCORPO é a comunhão da exposição de imagens poéticas – CORPO vivo com as minhas imagens pictóricas – CORPO ficcionado.
A pintura
– é compreendida com 9 obras em díptico para cada uma das 9 cores, com o formato de 130x81cm e são apresentadas na verticalidade ou na horizontalidade,
A poesia
– surge na conceptual relação da importância da palavra com o pictórico, presente no título das obras e em que irá corresponder a cada obra em seu título, um poema com o mesmo título.
O traço deste projecto apresenta-se na poesia através da palavra e na pintura através da cor, em que representa o equilíbrio ou a harmonia, o que vem entre um e outro… o outro que pode ser o nosso próprio outro ou o outro propriamente dito, em conhecimento ou desconhecimento, depende de como o utilizamos no seu total sentir e pensar sem o aniquilar, numa atenção redobrada dos recursos e potencialidades que possui.
O nove presente no traço da cor e no traço da palavra, surge como o novo, o último dos números, representa assim o nascer, o cuidar beneficamente do ressurgir, em criatividade, o seguinte, o próximo, que virá em sua contemporaneidade, numa antevisão comprazer do que irá ser conhecido ética e esteticamente, no antes do todo em seu próprio desconhecimento…
Já expostas 6 das 9 cores: o vermelho, o castanho-terra, o águal-azul-céu (designação do azul-água e do azul-céu), duas cores conjuntas apresentados na horizontalidade e o laranja-lima (designação da cor da laranja e da cor do limão), duas cores igualmente conjuntas, mas apresentadas na verticalidade…
Seguir-se-lhe-á o verde-oliva, o verde e será a cor-de-pele, que encerrará o ciclo das 9 cores.
9 cores x 9 obras = CORPOtraçoCORPO = 81 obras com 81 poemas

Após as séries de exposições, está previsto uma exposição final com todas as obras aquando do lançamento do livro com o mesmo nome do projecto contendo 81 poemas e ilustrados com as 81 obras e em que a cada obra em seu título irá corresponder um poema com o mesmo título.
(…)
O corpo define-se pela sua fisiologia, que o mantém vivo e activo, no entanto o corpo está dependente da anima e em seus desejos converte-se em ser com vida. A vida é feita de um corpo em seu todo no Sentir e no Pensar! No Sentir reagimos e actuamos corporalmente, mas no Pensar é que está a fórmula (ou traço) para nos distinguirmos dos animais.
Um corpo é efémero e de vida passageira, ainda assim, podendo-se projectar em outras realidades, uma vez que o que fica de nós ou do nosso corpo é tãosomente o resultado do pensamento.
É o corpo com o pensamento e a alma que define a representação da nossa existência sem qualquer oposição na incontestável interpretação do incorpóreo e que racionalmente não podemos reconhecer nem testemunhar.
E o Corpo sendo parte integrante da Natureza, essa Natureza com todas as suas forças que vão direccionando nossos corpos com toda a supremacia e beleza, deveríamos estar a viver beneficamente e em harmonia em nosso ambiente natural com todos os elementos dessa mesma Natureza. Mas não está a acontecer, porque nos foi ensinado precisamente o contrário, é que temos que dominar tudo o que nos rodeia, temos de dominar tudo o que mexe.
(…)
E aqui continuamos nós neste castigo, nesta culpa, nesta constante adversidade com a Natureza, a querer alterar essas mesmas forças da Natureza. Estamos é sim, a maltratar a nossa natureza de seres com Sentir e com Pensar, a alterar essa parte benéfica que existe em nós, a inutilizar a alma, a matar o Ser, a apagar a aura, estamos assim a assassinar-nos conscientemente…
(…)
O nosso Corpo como um Todo só será válido na sua totalidade com o Sentir e com o Pensar, quanto maior for a sua capacidade para contribuir com esse mesmo Pensar a Criar e a Cuidar… Somos assim… seres de cuidado e de atenção porque criamos a comunicar primeiro com um Corpo indivisível, através de desejos indissociáveis do intuir em pensamento e alma…
E a comunicação será tanto mais eficaz quanto as diferentes formas desse mesmo pensar da aprendizagem escolástica ou obrigatória estiverem associadas a uma livre aprendizagem, autodidacta, no intuir, numa procura constante da perfeição a preservar tudo o que nos rodeia…
O Homem é portanto, um ser de “comunicação”. E está sempre a descobrir novas formas de se comunicar. E a primeira comunicação é com ele próprio, com o seu silêncio, com a sua consciência, que não alimentada em consciência poderá com toda a má aprendizagem do que é “politicamente correcto”, do sucesso imediato, do que é fácil e passageiro, do superficial, numa satisfação imediata a enganar o corpo, a ficar limitado ao vazio, ao nada, a ficar na infelicidade, na solidão, na penumbra, na decadência…
(…)
E o que ainda nos faz estar aqui, é o cumprimento com o primeiro dos objectivos da vida, o ser a Ser, por seres que somos, de cuidado e de criação, todos aptos, mas mesmo todos aptos e capazes de conseguir, dentro de maiores ou menores limitações, a criar e a cuidar deste nosso planeta, a TERRA, como se tratasse do nosso próprio CORPO.
Para uns é uma questão de aprendizagem simples e para outros, para além de um contínuo processo de aperfeiçoamento e aprendizagem, será também o de transmitir essa mesma aprendizagem nas suas mais variadas formas, pelo Conhecimento em Saber.
E sabendo o que o Pensar de nossas consciências tem para dizer e Fazer… a não usar esse Pensar, é deixar de Pensar!
E deixar de Pensar é negligenciar o Corpo em consciência!
Excertos do Ensaio «A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO»
Comunicação proferida em 2005 na Faculdade de Letras da UNIVERSIDADE DO PORTO

CORPOtraçoCORPO na AMIarte: Março a Abril 2008


Para que é que serve a EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

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RESUMO

A Educação Artística não serve absolutamente para nada se não for orientada e ensinada por artistas, precisamente porque para além de criadores, igualmente são os detentores e responsáveis com única e exclusiva autoridade das áreas que digam respeito às Artes e ao que é Artístico. E perante esta evidência, o Ensino de uma Educação pelas Artes, só fará sentido se conjuntamente e em perfeita sintonia, o Ministério da Educação e o da Cultura, trabalharem seriamente com os artistas, com todo o rigor e competência e sem improvisos ou ideias extemporâneas, para que essa Educação do Artístico e em seu Ensino, se presenteie com toda a eficácia, tanto ética como esteticamente, em presenças e valores verdadeiros, a Ser-se Humano. Mas toda esta acção, só será exequível num inevitável e incontestável respeito, enaltecimento e valorização para com todos os artistas, que fizeram, que fazem e que têm contribuído de um forma exemplar e inegável para a sua Cultura. Artistas esses, que em sua grande maioria, realizaram seus trabalhos e Obra de um forma demasiadamente dolorosa e até desumana, para que possa existir afinal, uma Cultura!


Assim a Educação Artística, só servirá ao Ensino, se encontrar-se a ensinar nesse mesmo ensino e em suas escolas e universidades, os que com todo o talento realizaram ou realizam obras nas áreas da criatividade ou da manifestação do que é artístico e que são eles, os escultores, os músicos, os coreógrafos, os bailarinos, os artistas plásticos, os artesãos, os poetas ... os artistas.


Em suma, uma verdadeira Educação Artística, só se conseguirá efectivar e repito, se ambos os Ministérios, o da Educação e o da Cultura, favorecerem a realçar os artistas em suas práticas, obras e vivências e a relacioná-las vivamente com o Ensino enquanto Professores, não só pelas suas experiências e provas já dadas, mas depois e também, tanto profissional como artisticamente, dentro dessas mesmas áreas e que digam pois, respeito a um Saber relativo às Artes. Ou ainda que os seus projectos e sempre supervisionados pelos seus autores, sejam direccionados ou directamente incluídos e postos em prática no ensino dessas mesmas escolas, a ensinar-se com os artistas e a aprender-se com eles no entendimento de um esforço realizável pela força do que é genuíno e na «alma» do que é a vida, a obra, o acto criativo e em seu autores e artistas.


Todos até sabemos, e porque é onde a Cultura se assenta e afirma, que a verdadeira riqueza é originada pelos valores do Ser a Ser-se Humano e, isso é assim, exactamente pelo que esse ser humano nos pode oferecer ao que é feito com Arte e em suas Artes, a ressalvar pois, todo o espírito e força do que é a criatividade humana. E que são elas, a Dança, a Música instrumental, Música Vocal, a Pintura, a Fotografia, a Poesia, as Artes Performativas, as Artes Cénicas, a Escultura e entre muitas outras áreas ou em todas aquelas áreas que se têm revelado como cruciais para que a sensibilidade e a afectividade se harmonizem com a criação, com a criatividade, com o acto de criar ou com todas as manifestas vias do artístico. E precisamente por se traduzirem em pólos vitais, para que uma sociedade se torne sustentável, enquanto relação primeira, na procura de valores e soluções novas, dentro dessa mesma comunicação, no que é respeitante ao enaltecer, a dignificar o que é humano e em toda a extensão, na sua Natureza de Ser, por Sentir e Pensar.


Uma Educação Artística terá pois, de se firmar muito para além de todos os jogos de discursos e palavreados sem sentido, no se usarem as artes leviana e grosseiramente, a se reproduzirem modelos em modelozinhos interesseiros e tão repetitivos em que modas, por curiosos ou estudiosos em seus cursos construídos e tirados à pressa, para inglês ver. Lições a serem dadas, por quem nada sabe, nem nada tem a ver com as artes, em cursozinhos no artisticamente correcto, sem «alma» e sem «coração» a envergonhar as artes e o que é artístico. Procedimentos que têm sido perversamente autorizados e em que incúria por responsáveis tão inaptos, numa aliança para com o vazio, para com o nada, dos mal intencionados ou vendilhões, que facilmente se associam aos conflitos e guerras, em quantos competitivos ideais e, em que comerciais e formatados estados. Estados esses, em estares que nos viabilizam para a insensatez de seres humanos tornados coisas, intencional e maquinalmente, isentos de pensar ou tornados abjectos objectos industrializáveis, fabricáveis e empacotáveis, por vendáveis ou compráveis, num monstruoso afastamento e em total separação para com o Pensamento, a Criatividade e a Criação de Ser-se Humano.


PALAVRAS-CHAVE: Ensino da Educação Artística; Pensamento; Ética e Estética; Arte

Para que é que serve a EDUCAÇÃO ARTÍSTICA - comunicação”


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PENSAMENTOS em ali_se relativos a este post:

Crenças e poder - do dever em não devir

RESUMO:
A vontade humana rege-se pelo dever obrigado a ser cumprido através do poder ajuizado em crenças racionais e sociais normativas, instituídas pelos construtores dos autoritários e utilitaristas poderes, numa forma tão coerciva quanto adversa à natural existência de se ser. Dever que é feito de um território que não pára de falhar consigo mesmo, alimentando-se assim de um insuportável, maldito e indesejável ser. Ser esse, que ao continuar a existir com medo de ser condenado e na fé expectante de ser recompensado, prosseguirá social e ordeiramente num desígnio de não-ser.
E é sempre no devir do desejo e não no dever da vontade que nos situamos enquanto seres com pensar e afectos. Sempre esquecido, é ainda no devir, único trajecto não omisso, por assumir uma inegável conduta e acção não institucional e a não carecer de códigos, leis ou regras impostas, para que os homens em sua Natureza e interioridade, consigam continuar a Criar e a antecipar em toda a sua extensão o que na margem ou na excepção se lhes tem afirmado antagónico.

Palavras-chave: Arte; Filosofia; Valores.
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logo da Faculdade de Letras da Universidade do Porto
FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DO PORTOAnfiteatro Nobre
22 Março 2007 – quinta-feira – 9h00 às 20h30
23 Março 2007 – sexta-feira – 9h00 às 20h00
capa do livro da 11ª MESA-REDONDA Fotografia de Joaquim Hierro (Grand Place, Bruxelas,2004)

CRENÇAS E PODER - DO DEVER EM NÃO DEVIR (doc_pdf_comunicação)

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