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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

OS ERROS DO JORNALISMO

O Jornalismo vendeu-se à publicidade

Sempre achei dispensável as publicidades forçosas de produtos que não abonam ao bem estar de uma sociedade em geral. E cada vez existem mais produtos que nada interessam serem transaccionados e consumidos. E porque serão esses mesmos, que acabam por ser os mais publicitados?
É que os jornais ou as empresas jornalísticas e em seus profissionais que por fascinados com a negociável imagem manipulável de produtos e coisas, venderam-se completamente à publicidade e em seu mortífero deslumbramento.
E eis ao que já estamos a assistir, os jornais ou as empresas e em seus profissionais jornalísticos desviaram-se definitivamente dessa primeira das suas funções, o de dar a notícia em primeira mão e em prol de uma verdade e de um bem humanitário ou comunitário e a transformaram-se numa qualquer inversa situação. Em que neste momento, os jornais foram já convertidos à oferta da notícia enquanto notícia, por uma qualquer publicidade que os garanta vivos num novo tipo de subserviência e sobrevivência do insustentável. E ao que se assiste, é a publicidade que usa os jornais e a notícia, em que o jornal em si, deixou de dar notícia como a sua mais-valia, a dar-se em primeira lugar à publicidade e a colocar o fundamento da notícia para um segundo e subalterno plano, deixando assim ater a notícia ao que a publicidade lhe possa dar num mísero valor.
E já todos os jornais, revistas, editoras, etc… estão por aí assim, a subalternizarem-se a algo ou à publicidade que não os tem favorecido em nada e porque jamais os poderá vir a favorecer.
Agora pergunto eu, como é possível estar-se a assistir a toneladas de papel deixados ao lixo todos os dias, em inúmeros jornais grátis que estão a ser entregues às entradas dos metropolitanos das cidades? São ridículas as pessoas que com toda a desenvoltura, pegam nesses jornais grátis, os lêem com toda a altivez a tentarem mostrar que estão a aprender alguma coisinha e ao terminarem a sua viagem é de seguida deitado ao lixo. É impressionante como isto pode ser permitido!
É que essas notícias são igualmente fabricadas da mesma forma que o são as suas publicidades.
Claro está que esta forma um tanto ou quanto anormal de se comunicarmos entre culturas, através da notícia e do jornalismo, teria inevitavelmente de surgir em outras novas formas de nos vermos com a notícia a ser dada com toda a verdade, e por isso o ressurgimento de blogues e da blogosfera numa nova forma de se dar a notícia e em sua divulgação com toda a seriedade que merece.
É que divulgar não é o mesmo que publicitar.
Divulgar é dar a conhecer algo que foi feito, que está a ser feito ou que irá ser feito e publicitar é o forçar essa divulgação a alterar-lhe o seu verdadeiro sentido através de estratégias, marketings e em suas agências publicitárias, a tentar favorecer uns no desfavorecimento de outros tantos, é pois e em suma, este um dos grandes males das leis do mercado.
Tenho ainda a dizer que a publicidade aí está e também na net, e a tentar agarrar-se com unhas e dentes à blogosfera, aos blogues, e aos vícios jornalísticos de certos blogues de jornalistas, de se verem com muitas vendas e em suas audiências, a pensarem que a vida, se faz numa inaudível concentração de carneiradas obedientes às leis vigentes e a vendermo-nos por um tudo e nada, a tudo e a todos, o mais possível.
A blogosfera para além das muitas formas de comunicação e dos seus intervenientes e em sua divulgação tem vindo a dar espaço a que livremente por aqui se circule sem imposições de nos termos de vender forçosamente àquilo com que não nos identificamos. E é precisamente nesse estar, onde muitos de nós nos situamos e que por aqui nos vamos encontrando.
Eu por exemplo jamais daria a possibilidade de estar a permitir que se publicitasse neste meu espaço, coisas e produtos que serão de algum ruído tanto para mim como para todos aqueles que me possam visitar.
E por isso considero que a net, a blogosfera e os blogues, em toda essa interacção e comunicação, têm vindo a dar a possibilidade de sermos mais autênticos e cada vez mais interventivos, e que só assim numa participação e intervenção activa de cada um de nós, poderão surgir novas soluções para os graves problemas da nossa actualidade.

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