Corpo, arte e linguagem
FILOSOFIA DA CULTURA
MICHAEL LANDMANN
F.HEINEMANN - A FILOSOFIA NO SÉC.XX - Edição GULBENKIAN - Educação
Vivência por sensível
JEAN-PIERRE DUPUY e a miséria da ECONOMIA
A FILOSOFIA SOCIAL E POLÍTICA
Desconstrução
E seria esta, pois, a teoria do filósofo, uma Gramatologia ou Ciência da Escrita, que criasse o fio condutor de uma crítica minuciosa e fundamental para desbloquear essa transcendente e fatídica submissão que tem sido imposta pela tradição ocidental.
N' O Silêncio dos Poetas em Alberto Pimenta
Esteticidade e comunicação
Quem com efeito busca conhecimento concreto, quem não se contenta com ver a «realidade» apenas reflectida no espelho dos símbolos consensuais, forçosamente considera que o espelho é um obstáculo e dificilmente um caminho. Sendo assim, o grau de esteticidade de uma obra de arte literária está também na proporção inversa de seu compromisso com os símbolos apriorísticos, isto é, na proporção inversa da sua aceitação da «realidade» presente (consensual) nos ditos símbolos.
«É por isso que os observadores menos cultos das nossas sociedades têm tanto a tendência de exigir uma “representação realista”; como não dispõem das categorias específicas de apreensão, aplicam às obras de arte conhecidas a mesma chave que lhes serve para atribuir um sentido aos objectos da vida cotidiana»
A arte esteticamente emancipada está com efeito fora de qualquer ideologia. Na verdade, ao nosso nível de consciência, uma arte esteticamente emancipada não pode deixar de ser o silêncio, uma forma qualquer de silêncio, mesmo daquele silêncio que fala.
Filosofia e escolas analíticas
O movimento das imagens sonoras
Este pintor era sempre um sujeito estranho; apesar da sua surdez amava entusiasticamente a música, e deve ter sido capaz, quando se encontrava suficientemente perto da orquestra, de ler a música nos rostos dos músicos, e de apreciar pelos movimentos dos seus dedos a execução mais ou menos conseguida; também escrevia críticas de ópera num apreciado jornal de Hamburgo. O que é aqui de admirar? Na assinatura visível da execução, o pintor surdo era capaz de ver os sons. É que há pessoas para quem os próprios sons não são apenas assinaturas invisíveis, em que ouvem cores e figuras.
Theodor W. Adorno assumiu uma posição semelhante em relação à obra de arte. Na sua "Teoria Estética" fala da obra de arte como de um enigma que não se dissolve na sua solução sem deixar resto. Segundo Adorno, o enigma é imanente a toda a obra de arte, mas «resolver o enigma é o mesmo que indicar a razão da sua insolubilidade: o olhar com que as obras de arte contemplam o observador». Segundo Adorno, a obra de arte espera precisamente pela palavra que dá a solução, capaz de compreender o olhar enigmático; mas compreender significaria então produzi-la de novo «a partir do interior», por assim dizer como interpretação musical da partitura imagética.
VERDADE
... Se negam, concedem ou opõem, não sabem que negam. concedem ou opõem e, portanto têm de ser considerados como autómatos, que carecem totalmente de espírito. (...)A verdade será sempre uma exigência de valor e essa pesquisa e procura da verdade diz respeito à reflexão filosófica, e assim Espinosa afirmar na Ética II, que a verdade revela-se por si própria e numa singular evidência:
Quem tem uma ideia verdadeira sabe simultaneamente que ela é verdadeira e não pode duvidar da verdade do seu conhecimento.
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» de Alice Valente | traço (cor): Verde-oliva
Os Poetas e a interrogação do Ser, em ECO
Pensamento orgânico
(...)
... Assim, para retomar, em substância, os filósofos medievais, a corrupção de um ser é a degenerescência de um outro, aquilo que é informe consegue gerar uma forma nova, pode-se até dizer que a passagem pelo informe garante o jorrar e a estabilização de uma forma mais pura. Tudo isso pode parecer bem místico, mas a sistémica contemporânea não diz outra coisa, ao mostrar a reversibilidade do funcionamento e do disfuncionamento. Trata-se aí de uma lei imperial da natureza que o positivismo da modernidade tinha conseguido apagar, mas que como toda a estrutura antropológica, ressurge sem falta quando o simples causalismo se satura. Em suma, agora que as entidades homogéneas e gerais perdem seu poder de atracção, convém estar atento, por um lado, à complementaridade dos fragmentos, e, por outro, ao facto de que conseguem aglomerar-se, de um modo flexível, em rede, em vastos conjuntos no interior dos quais respondem uns aos outros. Um processo assim é perceptível na ordem das instituições em geral, do político em particular, mas, igualmente, no plano do quotidiano, nas organizações económicas, na vida associativa, e nas estâncias estatais.
Isto posto, foram certamente os poetas e os romancistas que, além dos filósofos, pressentiram aquilo que a ciência contemporânea está descobrindo de uma nova maneira. Há, é claro, o famoso quarteto de Baudelaire, que não é inútil recordar:
"Como longos ecos que ao longe se fundemAssim se exprime aquela unidade subterrânea que pode, à primeira vista, escapar a uma simples concepção racionalista do mundo: os processos de interdependência. Processos que observamos cada vez mais na economia, na política e no social. Há um princípio formal que funde essa unidade. Um princípio que se torna mais necessário à medida que o mundo vai sendo tendencialmente levado a desagregar-se. Walter Benjamin, por exemplo, comentando alguns poemas de Hölderlin, lembra que é o poeta que dá, ou restitui sua força de agregação a um mundo desmembrado. O cuidado com a forma que se observa na poesia, é um símbolo de uma exigência tal. É por isso, aliás, que esta une intimamente o plástico e o espiritual.
Numa tenebrosa e profunda unidade,
Vasta como a noite e como a claridade
Perfumes e cores e sons se respondem".
Tal vínculo não é neutro, indica bem a organicidade existente entre o corpo e o espírito, a natureza e a cultura, o material e o imaterial. Assim, o mundo das formas, o mundo da forma, apanágio do poeta, não faz mais do que cristalizar o que se poderia chamar de desejo de unicidade que anima todas as coisas. Para além da fragmentação, inerente à vida mundana, há uma aspiração à convergência que a exigência poética personifica com perfeição...
(...)
A vida como obra de arte
- Sim, a constituição dos modos de existência ou dos estilos de vida não é apenas estética, é aquilo a que Foucault chama a ética, por oposição à moral. A diferença é a seguinte: a moral apresenta-se como um conjunto de regras coercivas de um tipo especial, que consiste em julgar acções e intenções referindo-as a valores transcendentes (é bem, é mal...); a ética é um conjunto de regras facultativas que avaliam aquilo que fazemos, aquilo que dizemos, segundo o modo de existência que isso implica. Dizemos isto, fazemos aquilo: que modo de existência implica isso? Há coisas que não podem fazer-se ou dizer-se senão à força de baixeza de alma, de vida cheia de ódio ou de vingança contra a vida. Por vezes um gesto ou uma palavra bastam. São estilos de vida, sempre implicados, que nos constituem como tal ou tal. Era já esta a ideia do "modo" em Espinosa. E não a encontraremos presente desde a primeira filosofia de Foucault - o que é somos "capazes" de ver, e de dizer (no sentido de enunciado)? Mas, se há aqui toda uma ética, trata-se também de uma questão de estética.
(...)
Valores por acaso
É que o pensamento para ser desenvolvido não se reduz somente àquilo que se pensa em ideal ou modelo a ser comprovado cientificamente, todas estas matérias e as suas questões têm de ser colocadas, levantadas, discutidas e tidas em consideração por todas as áreas a que a elas dizem respeito, e tanto objectiva como subjectivamente.
E o perigo está, e que eu chamo aqui a atenção, é nessa ordeira e ameaçadora moralidade numa espécie de satisfação conclusiva que se tem gerado em redor de todas as ciências para com os processos do acaso, e que é o de não querer considerá-los e porque até sempre desconsiderados, e que no fundo são eles que efectivamente tiveram ou terão alguma coisa a dizer para com a mudança e em seus processos evolutivos, e exactamente porque assentes nas áreas da criação ou do pensamento artístico-filosófico e também do científico-filosófico. É que essa ansiedade, inquietação ou revolta que surge de algumas mentes que trabalham essas matérias, talvez possam estar impregnadas de uma ética que quanto a mim, jamais poderá estar separada da estética, enquanto potência ou capacidade excepcional que terá de quando em quando e inevitavelmente que surgir, para que se efective essa natural e salutar transformação da evolução do ser.
Post's relacionados em ALI_SE:
A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
[In]Tempestade
- É que me tornei cada vez mais sensível a uma distinção possível entre o devir e a história. Era Nietzche quem dizia que nada de importante se faz sem uma «nuvem não histórica». Não é uma oposição entre o eterno e o histórico, nem entre a contemplação e a acção: Nietzche fala do que se faz, do próprio acontecimento ou devir. O que a história apreende do acontecimento é a sua efectuação em estados de coisas, mas o acontecimento no seu devir escapa à história. A história não é a experimentação, é apenas o conjunto das condições quase negativas que tornam possível a experimentação de alguma coisa que escapa à história. Sem a história a experimentação permaneceria indeterminada, incondicionada, mas a experimentação não é histórica. Num grande livro de filosofia, Clio, Péguy explicava que há duas maneiras de considerar o acontecimento, uma que consiste em passar ao longo do acontecimento, em recolher a sua efectuação na história, o seu condicionamento e apodrecimento na história, mas a outra em activar o acontecimento, em instalar-se nele como num devir, em rejuvenescer e envelhecer nele ao mesmo tempo, em passar por todas as suas componentes ou singularidades. O devir não é história; a história designa apenas o conjunto o conjunto das condições, por mais recentes que sejam, das quais nos afastamos para "devir", quer dizer para criar alguma coisa de novo... Maio de 1968 foi a manifestação, a irrupção de um devir em estado puro. Hoje, a moda é denunciar os horrores da revolução. O que nem sequer é novo: todo o romantismo inglês está cheio de uma reflexão sobre Cromwell muita análoga à que se faz hoje sobre Estaline. Diz-se que as revoluções têm um mau futuro. Mas não se pára de confundir duas coisas, o futuro das revoluções na história e o devir revolucionário das pessoas. A gente em causa não é a mesma nos dois casos. A única oportunidade dos homens está no devir revolucionário, que só ele pode esconjurar a vergonha, ou dar resposta ao intolerável.
GILLES DELEUZE , Conversações 1990, Fim de Século Edições, 2003
«Corpo Utópico» (2)
As máquinas de criação do corpo utópico, que misturam a técnica com o bios, que separaram a imagem da carne, deveríamos opor outras ligações. À vontade fundamento, de fundações, que levam apenas ao nihilismo realizado tecnicamente, seria preciso encontrar uma outra forma de responder. Todo o esforço está em sair do poço. Num outro momento da modernidade, em que se instalava o diálogo mortífero entre o abismo da liberdade e a máquina, Poe escreveu um conto intitulado «O Poço e o Pêndulo»22. Preso por um «poder» desmesurado23 que lhe destinava o pior, descobriu que lhe estava destinado um «poço», de que às escuras não conseguia medir a profundidade. Preferia, lê-se, qualquer outra morte do que arriscar-se aos «terrores dos poços», «evocador do inferno e considerado vulgarmente a última Tule de todos os seus castigos». O «terror do poço» é esclarecido antes pela opressão provocada pela «simples ideia da profundidade interminável da descida». Não precipitar-se, ter frieza, eis a lição, se é verdade que «mesmo no túmulo não está tudo perdido. Ou então não há imortalidade para o homem». Quando a morte é certa e o corpo mutável, desaparece necessariamente a «imortalidade» da Psyké e o imutável. A única forma de lha retirarem seria fazê-lo precipitar-se no «poço». Os torturadores vão, com lógica inapelável, fazer intervir outras máquinas de destruição da «Psyké». Primeiramente o pêndulo, que baixava rigorosa e matematicamente a cada movimento e que tinha uma lâmina que acabaria por cortá-lo ao meio. Descida controlada, maquínica, milimétrica mesmo, que o herói afronta com astúcia, libertando-se das amarras que o prendiam. Depois, uma terceira máquina entra em movimento, que põe em brasa as paredes de ferro do cárcere. Finalmente as próprias paredes se tornam numa máquina, começando a mudar de forma e avançando para o empurrarem para o poço, em que se nega a lançar-se:«"A Morte", disse eu, "qualquer morte que não do poço!"». Resistindo ao movimento que o lançava para o poço: «Recuei - mas as paredes, que se fechavam, empurravam-me irresistivelmente para a frente. Por fim, para o meu queimado e contorcido corpo já não havia uma polegada de espaço no solo firme da prisão. Deixei de lutar, mas a agonia da minha alma encontrou saída num grito alto, longo e final de desespero. Senti-me cambalear à beira do poço - voltei a cara.». No final já só restava voltar a cara ao «poço». O que parece insuficiente. E eis que, no último momento, um acaso merecido lhe permite escapar. A revolução chega e com ela «um braço estendido apanhou o meu, quando caía, desmaiando para o abismo».
As máquinas de Poe estavam ao serviço de um hiperpoder de que o poço é a imagem invertida e que acabou de o tragar. Cento e cinquenta anos volvidos são estas máquinas, que realizam o «corpo» com que todo o poder histórico sonhou. A parábola de Poe é instrutiva: a resposta não está num outro corpo, nem num corpo melhor. Fundamentalmente, não está no corpo utópico. Basta um «braço» certo, na altura certa. É apenas isso que podemos e devemos esperar. Demasiado insuficiente, porque poderá nunca vir? Isso já não depende de nós. É preciso que esse braço já tenha vindo, em cada um. Só é aceitável o acto que propicia a vinda desse «braço», ou duma «mão» ou de uma «palavra» certa. A vir, sendo o braço certo, poderá ser o braço de um outro homem, de um «monstro» ou de um «cyborg», mas será sempre um braço humano.
22 Cf. Edgar Allan Poe - Contos Incompletos , II volume, trad. de Manuel Barbosa, Coimbra, Editorial «Saber», 1994, pp. 193-219
23A acção passa-se em Toledo, e trata-se, de facto, da «inquisição», o que não admira, pois para o herói, estavam destinados os «horrores morais» e não os horrores físicos.
Ensaio no livro organizado por M. Valente Alves e António Barbosa: O CORPO NA ERA DIGITAL,
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2000
"Corpo Utópico" de J. Bragança de Miranda (1)
O que poderá ser um «corpo utópico»? É pensável um corpo que não tenha lugar ou que não esteja em algum lugar? Ou um corpo «perfeito» ou «glorioso» que escape à fragilização que o tempo desfere nos corpos? ... Na verdade só será possível tratar esta questão partindo da única «utopia» que a história nos legou, ou seja, a «alma» ou Psyké. O que nos faz adentrar no reino das imagens, pois a Psyké é basicamente um assunto de «imagem»... Nunca tanta inventividade se gastou com outro assunto, mas dele dependia demasiado, a imortalidade, a liberdade, a vontade, etc. Os modernos não fizeram menos esforços, mas agora para a «anular» ou «desmistificar», encontrando por todo o lado somente «corpo» e «corpos». As medicinas, as fisiologias, as neurologias continuam a circunscrevê-la, transformando-a em «espírito», «consciência», «cérebro»...
Depois dos modernos terem caçado o «espiritualismo», o fantasma na máquina, despojado de toda a divisão - e a Psyké era isso mesmo, uma divisão incorporal e impossível do corpo - , aquilo que ela visava: a de um corpo sem lugar, sem decadência, sem morte? Analisar este paradoxo equivale a interrogar o estatuto contemporâneo do corpo, no momento em que parece constituir uma utopia irreconhecível.
(...)
A crise do corpo moderno, simultaneamente orgânico e racional, acabou por ser potenciada pela crítica fundamentalmente estética que se desenvolve no pós-guerra. Bom exemplo disso é a afirmação provocatória de Burroughs de «ofereceram-lhe um corpo para sempre. Para cagares sempre». Ou na crítica de Artaud aos «órgãos»: «O corpo é o corpo, existe por si e não precisa de órgãos, o corpo nunca é um organismo, os organismos são os inimigos do corpo, as coisas que nós fazemos amanham-se sozinhas sem o concurso de qualquer órgão, todo o órgão é um parasita, cumpre uma função parasitária destinada a manter vivo um ser que não deveria de existir»11. Se a crítica do orgânico vem, pelo menos, da antiga teologia, já a crítica aos «órgãos» é mais reveladora da tendência que procuramos apreender. Seria absurda se não estivesse em causa o «corpo do mundo», e não o corpo «físico». De facto, a crítica aos órgãos, por Burroughs, Artaud e também Deleuze, já não cabe na noção de «corpo» moderno, revelando que o «corpo» era, desde sempre excedido, por um feixe invisível de relações e de ligações, em reserva, que o «fixavam». São relações políticas, jurídicas, contratuais, mas também passionais, etc. Apenas num «mundo» de «fome» o estômago domina. Numa sociedade sem fome o estômago já não conta, ou conta de outro modo. E o mesmo se aplica a todos os «órgãos».
(...)
O «corpo utópico» corresponde, então, ao momento em que utopia, sempre o outro mundo, se fixa na imagem do corpo. A sua extensão implica a realização técnica ou literária da metafísica pela utopia. É interessante verificar que, se não há utopia sem corpo, ou sem corpos, basta pensar nos 3 corpos de Republicade Platão, em muito poucas o «corpo» tem o lugar decisivo. É certo que nas distopias de Orwell ou de Huxley o corpo está obsessivamente presente, mas isso sucede para melhor revelar o estado das coisas. Do vasto corpus da literatura utópica apenas em Andrei Platonov encontramos uma reflexão essencial sobre o «corpo utópico»16 .
Por falta de espaço, limitemo-nos a algumas observações sucintas, para recolocarmos o problema. Em O Poço da Fundação, publicado apenas em 1987, mas que foi escrito nos meses de Inverno de 1929 e 1930, o «corpo utópico» entra em cena ao mesmo tempo que a «utopia» se esvanece, enterrada no «poço» que ela própria originara: o de construir uma «casa» perfeita, um mundo absolutamente feliz. A história tem a ver com a construção de uma casa para os futuros jovens nascidos da «revolução». Alegoricamente está em causa o retorno da «humanidade» a casa, da única maneira como pode ser pensada. Construindo-a. Sucede que o plano da casa é tão incomensurável e infixável, por razões misteriosas, que as fundações exigem um «poço» que vai crescendo desmesuradamente. Finalmente não há mais que um enorme buraco, esse imenso poço. Por uma «casa» que não chega a ser construída, de que apenas ficou o poço ...
(...) ... [ Continuação >>> «Corpo Utópico» - 2ª parte ]
11Antonin Artaud em Para Acabar com o juízo de Deus, Lisboa, &etc., p.152...
16 Andrei Platonov é autor de obras densas e fantasmagóricas, caso de O poço das Fundações e Chevengur, que tendo sido escritas nos finais dos anos 20, só foram publicadas em russo, nos anos oitenta.
Ensaio no livro organizado por M. Valente Alves e António Barbosa: O CORPO NA ERA DIGITAL,
Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, 2000
O que é a POESIA ...
(...) Uma sociedade sem poesia careceria de linguagem: todos diriam a mesma coisa ou ninguém falaria, sociedade transumana em que todos seriam um ou cada um seria um todo auto-suficiente. Uma poesia sem sociedade seria um poema sem autor, sem leitor e, a rigor, sem palavras. Condenados a uma perpétua conjunção que se resolve em instantânea discórdia, os dois termos buscam uma conversação mútua. Transformação da sociedade em comunidade criadora, em poema vivo: e do poema em vida social, em imagem encarnada. (...)
A CONSAGRAÇÃO DO INSTANTE
(...) As palavras do poeta, justamente por serem palavras, são suas e alheias. Por outro lado, são anteriores a toda a data: são um começo absoluto. Sem o conjunto de circunstâncias a que chamamos Grécia nem existiriam a Ilíada nem a Odisseia; mas sem esses poemas tampouco teria existido a realidade histórica que foi a Grécia. O poema é um tecido de palavras perfeitamente datáveis e um acto anterior a todas as datas; o acto original com que principia toda história social ou individual; expressão de uma sociedade e, simultaneamente, fundamento dessa sociedade, condição de sua existência. Sem palavra comum não há poema; sem palavra poética tampouco há sociedade, Estado, Igreja ou comunidade alguma. A palavra poética é histórica em dois sentidos complementares, inseparáveis e contraditórios: no de constituir um produto social e no de ser uma condição prévia à existência de toda a sociedade. (...)O VERBO DESENCARNADO
(...) Os "poetas malditos" não são uma criação do romantismo: são o fruto de uma sociedade que expulsa aquilo que não pode assimilar. A poesia nem ilumina nem diverte ao burguês. Por isso desterra o poeta e transforma-o em um parasita ou um vagabundo. Daí também que os poetas não vivam, pela primeira vez na história de seu trabalho. Seu labor não vale nada e este não vale nada traduz-se precisamente em um não ganhar nada. O poeta deve buscar outra ocupação - desde diplomacia até o roubo - ou perecer de fome. (...)
(...) A poesia não tem cotações, não é um valor que pode transformar-se em dinheiro (...)
(...) Com a mesma decisão do pensamento filosófico a poesia tenta fundar a palavra poética no próprio homem. O poeta não vê em suas imagens a revelação de um poder estranho. À diferença das Sagradas escrituras, a escritura poética é a revelação de si mesmo que o homem se faz de si mesmo. Desta circunstância procede o facto de que poesia moderna ser também teoria da poesia. Movido pela necessidade de fundar sua actividade em princípios qe a filosofia lhe recusa e que a teologia só lhe concede em parte, o poeta desdobra-se em crítico. (...)
(...) A missão do poeta consiste em ser voz desse movimento que diz "Não" a Deus e a seus hierarcas e "Sim aos homens. As Escrituras do mundo novo serão as palavras do poeta revelando um homem livre de deuses e senhores, sem intermediários diante da vida e da morte. A sociedade revolucionária é inseparável da sociedade fundada na palavra poética. (...)
(...) A missão do poeta é restabelecer a palavra original desviada pelos sacerdotes e pelos filósofos. "As prisões são construídas com as pedras da Lei"; os bordéis com os ladrilhos da Religião. (...) Mas a sociedade que a palavra do poeta profetiza não pode confundir-se com a utopia política. A razão cria cárceres mais escuros que a teologia. O inimigo do homem se chama Urizel (a Razão), o "deus dos sistemas", o prisioneiro de si mesmo. A verdade não procede da razão e sim da percepção poética, isto é, da imaginação. O orgão natural do conhecimento não são os sentidos nem o raciocínio; ambos são limitados e na verdade contrários à nossa essência última, que é desejo infinito: "Menos do que tudo não pode satisfazer o homem". O homem é imaginação e desejo: (...) Por obra da imaginação o homem sacia o seu infinito desejo e converte-se ele mesmo em um ser infinito. (...)A BUSCA DO INÍCIO
(...) O homem é criador de maravilhas, é poeta, porque é um ser inocente. As crianças, as mulheres, os enamorados, os inspirados e mesmo os loucos são a encarnação do maravilhoso. Tudo o que fazem é insólito e não o sabem. Não sabem o que fazem: são irresponsáveis, inocentes. Ímans, pára-raios, cabos de alta tensão: suas palavras e seus actos são insensatos e, não obstante, possuem sentidos. São os signos dispersos de uma linguagem em perpétuo movimento e que desdobra diante de nossos olhos um leque de significados contraditórios - resolvido, por fim, em um sentido único e último. Através deles e neles o universo nos fala e fala consigo mesmo. (...)
Inteligência e Intuição - Consciente e Inconsciente

ALF embora se apresente como anónimo na net eu conheço-o pessoalmente e está fazer um admirável trabalho de investigação por gosto e conta própria, para além de ser um grande crítico da ciência. E os seus estudos e textos têm sido apresentados nos seus blogues: «outra física» e «outra margem».
ALF: Mas sei que a minha "Inteligência" vem do Inconsciente e não do consciente; e que o papel deste é sobretudo questionar as respostas do inconsciente, ou seja, da Intuição do Bergson.
ALF: Ou seja, no fundo, estou de acordo com o Bergson e contigo na ideia de que a Intuição é fundamental, só que não gosto da palavra "Intuição" a não ser que se esclareça que se trata de "inteligência inconsciente"; e não estou de acordo quando ao papel do consciente, embora também não saiba defini-lo com muita clareza.
Apesar de ALF não gostar do termo de «Intuição» e eu não gostar do termo de «Inteligência», em termo este que sei que gosta e tem desenvolvido estudos, através de uma classificação exposta por vários níveis, etapas ou processos de inteligência, um trabalho completamente ímpar e que muito tenho apreciado, acompanhado e aprendido. Embora o colocar a Inteligência em tudo, mesmo com os vários níveis que o ALF define de inteligência e incluindo não só o consciente mas também o inconsciente nesse mesmo processo, possa ser muito, mas muito perigoso.
Por isso há a salientar, como a inteligência sempre foi tida: enquanto autoridade do pensamento. E por concordar com Bergson, eu recorra ao seu trabalho e crítica que faz sobre a Inteligência, nessa mesma distinção entre "inteligência" dum lado e, do outro lado, "instinto e intuição". E quando eu me referia em post´s anteriores a essa minha necessidade de um «Entendimento» que está muito acima do que é a Inteligência e a usar, o termo "Entendimento" não para o que é inteligível e em sua compreensão, mas sim desse entendimento que urge e que está para além do que existe em nós (de inconsciente e até de subconsciente) como sendo a mais-valia, para que se dê efectivamente a Evolução com toda a naturalidade e a que Bergson define como Evolução Criadora.
Nesta afirmação de ALF: Quanto à ideia de que a "intuição" tem a ver com "coisas", ou "conhecimentos" e a "inteligência" com "relações"
É afinal, contraditória ao que afirmei: … a inteligência faz naturalmente uso das relações e em que para o conhecimento nato, as coisas estão para a inteligência tal como as relações estão para o instinto.
E o perigo está em que a inteligência pretende abarcar tudo e ter todo o domínio sobre "o todo" e ainda sobre a vida e o pensamento e que até frisei na frase (do meu comentário ) e que destaco aqui (em bold) e exactamente porque "há coisas que apenas a inteligência pode procurar" a dar exemplo das muitas teorias que vai construindo, ela ainda pretende ter todo e qualquer domínio sobre a vida e o pensamento.
É que colocar o inconsciente do lado do que é a inteligência ou do lado do que a inteligência nos reserva, é tentar tornar o inconsciente o que ele não é, uma mera "coisa" fechada em si mesma e permissível ao que a ciência (d'agora) e as religiões (d'outrora e ainda d'agora) sempre o tentaram ou ainda tentam submeter: dotando-o de incapacidade. É que o consciente, perante a acção das actividades do que é inteligível, e embora pareça que o consciente tenha "um querer" autónomo ele só se poderá afirmar em "querer" quando a relação se dê em consciência pelo inconsciente (em Intuição). É que um pensamento ou um pensamento verdadeiro só vem ou acontece quando quer e não quando se pensa que se quer ou que cada pessoa quer que assim seja. Esse tal pensamento fruto do inconsciente não é o mesmo que é considerado de pensamento pela inteligência ou o pensamento relativo ao consciente e que tem pois o significado de memória, de memorizar feito de hábitos ensinados ou mecanizados.
ALF: O Inconsciente não é omnisciente. Nem sempre acerta. Ele obedece aos critérios que tem programados que eu nem sempre sei quais são. Tenho de analisar com cuidado as indicações que dele recebo.
E relativamente à acção da Intuição ou do Inconsciente na inteligência, tal como ALF e eu habitualmente pomos em prática, a Intuição ou «Inconsciente-inteligente» (e aqui já para usar um novo termo que seja mais adequado às teorias de ALF e em alternativa à "inteligência inconsciente" que propôs), precisamente porque respeitar cegamente o que nos é imposto, torna-se de tal forma um mal tão natural e porque associada a uma inteligência consciente e que se poderá intitular de pensamento sem boa-vontade ou pensar em má-vontade (naquilo que teremos de nos submeter e conscientemente aceitar), caminho a que o progresso se tem afirmado como seguramente inteligível. Ora como eu considero que existe uma Vontade (que nos é exterior) e que inclui: uma má-vontade e uma boa-vontade. E em Boa-Vontade onde os Desejos estarão inteira e autonomamente a serem direccionados ou bem relacionados. E quando falo de Desejo ou desejos, considero-os sempre o que melhor existe em nosso pensamento e porque atidos a uma qualquer força de expoente máximo da nossa capacidade de pensar com toda a ética e estética.
ALF: Esta é uma matéria onde a nossa ignorância é abissal...
Mas como Progresso não é Evolução e em que por sua vez, Evolução não é Progresso, quero com isto dizer e a questionar: O que dizer ou o que fazer ao tão desconsiderável caminho ao qual temos progredido ou prosseguido teimosamente e que se tem desviado da Evolução a que o Inconsciente e em boa vontade nos tem querido por sua vez, encaminhar?
Post's relacionados em ALI_SE:
A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
Ética e moral
o desejo e a vontade
APRECIAR
A CONDIÇÃO
Pesquisar «ESPINOSA» em ALI_SE
Instinto e Inteligência em BERGSON
Se o instinto é, por excelência a faculdade de utilizar um instrumento natural organizado, deve envolver o conhecimento inato (virtual ou inconsciente, é verdade) tanto do instrumento quanto do objecto ao qual este se aplica. O instinto é portanto, o conhecimento inato de uma coisa. Mas a inteligência é a faculdade de fabricar instrumentos inorganizados, isto é, artificiais.
Um ser inteligente traz consigo os meios necessários para superar-se a si mesmo.
Supera-se no entanto menos do que gostaria, menos também do que se imagina fazer. O carácter puramente formal da inteligência priva-o do lastro do qual precisaria para pousar nos objectos que seriam do mais alto interesse para a especulação. O instinto, pelo contrário teria a materialidade requerida, mas é incapaz de ir buscar seu objecto tão longe: ele não especula. Tocamos no ponto que mais interessa nossa presente investigação. A diferença entre que iremos assinalar entre o instinto e a inteligência é aquela que toda nossa análise procurava desentranhar. Nós a formularíamos assim: Há coisas que apenas a inteligência é capaz de procurar, mas que, por si mesma, não encontrará nunca. Essas coisas, apenas o instinto as encontraria; mas não as procurará nunca.
Post's relacionados em ALI_SE:
O Movimento da Criação em BERGSON
A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA ou ao que nos tem levado o rumo da Inteligência
A VONTADE em Schopenhauer
A EVOLUÇÃO DA INTELIGÊNCIA
ou ao que nos tem levado o rumo da «inteligência»
A Inteligência é um termo recente e até pertença do vocabulário da Psicologia aquando esta surgiu há 200 anos. Este termo «inteligência» é também recentemente usado na Filosofia e que veio, quanto a mim, de uma forma indesejável, substituir aos que os filósofos sempre designaram, ora por Entendimento, ora por Pensamento. E por tudo o que de permitido se tem vindo a tentar enfatizar e em quais descobertas associadas à Psicologia com os seus testes de QI's, que se nos apresentam estas científicas e afins psicologias como de tão oportunistas quanto de perigosas e até de completamente calamitosas.
Francis Galton (1822-1911) foi um dos primeiros cientistas a obcecar-se com a Eugenia e a tirar imediatamente proveito das teorias da Evolução das Espécies desenvolvidas pelo seu primo Charles Darwin (1809-1882).
Alfred Binet (1857-1911), pedagogo e psicólogo, foi o primeiro a inventar um teste para medir a inteligência quando procurava uma solução para ajudar os seus alunos a estudar. Testes estes que começaram a entrar em voga e a serem desenvolvidos por psicólogos norte-americanos.
A partir daí, os testes QI tornaram-se convenientemente ajustados à ideia de que a inteligência seria quantificável podendo através da eugenia, purificar a raça, que o psicólogo Charles Spearman (1863-1945) influenciado por Francis Galton, desenvolveu uma medida, o «factor g».
E para Cyril Burt Lodowic (1883-1971) a inteligência mede-se como se mede a altura de uma pessoa. Este psicólogo, apesar de nada se saber sobre a Inteligência e suas aptidões cognitivas e onde estariam alojadas no Cérebro, tentou tornar a inteligência tanto quantificável como hereditária e para conseguir tudo aquilo que pretendia, até falsificou dados de investigação.
Assim, nas duas primeiras décadas do séc. XX, de mãos dadas Eugenia e Psicologia estavam completamente infiltradas por todo o lado. E pelo imenso sucesso que estavam a ter nas respectivas experimentações maquiavélicas associadas à medicina e à psiquiatria, que pelo muito que interessavam por quem as ditava ou pretendia impor no controle das pessoas e das populações, que tantos especialistas, psicólogos, freudianos e em muitos homens mal-intencionados à mistura, o eugenismo pôs-se efectivamente em prática com o nazismo. E foi o que foi de tão monstruoso como todos nós sabemos. Ninguém jamais poderá esquecer!
E de vez em quando, lá voltam eles, estes inteligentes com as mesma ideias monstruosas, e embora disfarçados por aí e até feitos de muitas cientificidades, soltam-se em suas horrendas ideias. E mais recentemente, temos o caso do Charles Murray (1943) e Richard Herrnstein (1930-1994), em que no livro A Curva Normal, para estes autores os negros são menos inteligentes do que os brancos e lá vêm outra vez com a lenga-lenga da selecção natural, do darwinismo, da inteligência e de eugenismos à mistura, numa revelação de criminosos cientistas que se julgam os donos do Conhecimento e em qual inteligência tão estupidificante. Depois temos outros tantos perigosos do racismo e do eugenismo, todos eles psicólogos: Hans Eysenck (1916 1997); Arthur Jensen (1923); J. Philippe Rushton (1943)...
E para os que se consideram de «aptos» racionalmente e assim numa frieza de exclusão racionalista e social, tentarão optar por estas vias do que é desumano.
Mas depois, como é com a Evolução e a Consciência?
Tal é impensável, porque para já, a se usar as meras teorias de Darwin deixaria de funcionar enquanto evolução e em sua de tal selecção natural, para passar a ser, uma selecção anormal e porque imposta inteligente e intencionalmente por regras mecanicistas ou leis não-naturais.
Tenho por sinal presenciado, de alguma maneira através de conferências que vou assistindo, que alguns dos muitos intitulados de cientistas portugueses, se encaminham por essas vias da ausência de ética na ideia da tal selecção (natural) entre o «menos apto» e «o mais apto» numa competitiva «luta pela existência», princípio que DARWIN foi buscar ao ECONOMISTA Thomas Malthus (1766-1834) para o aplicar à Biologia. Embora de uma forma camuflada, mas tem vindo tendencialmente a revelar-se este tipo de insensibilidades e em suas científicas «verdadezinhas» perigosas.
Quero com isto dizer, que esta especulação sempre se tentou fazer e agora até se está a tentar colocar-se às teorias de Darwin, quase como uma forma para justificar o que na realidade é completamente injustificável, aos que presenteados por uma Ignorância Estúpida e nos que ainda por cima se pensam inteligentes e em qual Inteligência.
Esta forma de inteligência que se quer atribuída ao Homem e em suas sociabilidades, não passa de uma mera inteligência estúpida ou inteligência esperta ou ainda nas muitas inteligências cordiais e simpáticas que se vão arrematando por aí, para além das muitas hipócritas e sabichonas máscaras de quais psicológicas ou psicanalíticas ideias que se querem impor como de obrigatoriamente respeitáveis.
Para mim a Evolução ou o evoluir é um processo natural de todo o Ser e que não passa só pela inteligência ou em que meras inteligências. É que a Inteligência mesmo que a queiram tornar de hereditária ela não é de maneira nenhuma a única forma associada à Evolução.
E para que a Evolução se dê ou se efective com toda a naturalidade terá de haver outras componentes do pensamento e que são: o Entendimento e a Intuição.
É que a Inteligência diz unicamente respeito à cómoda apropriação das soluções na dominação maquinal do espaço. Mas o Homem possui uma enorme capacidade e força psíquica que está para muito para além de toda a Inteligência, tal como o filósofo Henri Bergson (1859-1941) no seu livro A EVOLUÇÃO CRIADORA nos demonstra que essa «força da natureza» que existe em nós, é completamente livre, subtil e imponderável. E muito menos poderá ser de quantificável, e exactamente porque fora do âmbito de qualquer domínio mecanicista. É que essa «força da natureza» e em sua Evolução Criadora sempre esteve ao nosso dispor para um novo e futuro compreensível, mas em tudo o que é relativo ao Humanitário e em sua Natureza e no respeitante aperfeiçoamento da vida em Devir, numa evolução que é criadora, enquanto eleonomia ou vivificadora de um impulso inalterável e vital em si mesmo. E não como numa mera evolução Darwinista e em quais inteligentes e progressistas selecções à priori, a dar assim azo e espaço aos criminosos designers das monstruosidades humanas.
Inteligência e Intuição - Consciente e Inconsciente
Sobre a Cidade, o Pensamento e a Cidadania
Desobediência à lei por ética
A obediência como o melhor aliado do MAL

![[uma imagem nunca está só]](https://imagemns.files.wordpress.com/2015/12/imagem_ns1_151227_img_4488.jpg)