O INTERESSE
Sentou-se e pensou:
- Onde estou eu, que lugar é este?
Uma voz cintilante e muda, vinda de um qualquer interior que não o seu, tenta advertir:
- Estás na terra da penumbra! E já agora, olha bem em teu redor e vês alguma coisa que te interesse? De entre todos esses objectos, algum te interessa?
E continuando naquele mesmo lugar, em terra de ninguém, abanou a cabeça decididamente, em jeito de saber que ali não era, de modo nenhum, o seu lugar.
Quisera ir-se embora, mas não o fez. Deixou-se ficar à espera que algo acontecesse.
E o sangue arrefeceu, a terra estremeceu, o céu espelhava a água que corria suja e não havia como lembrar o que porventura, ali nutria alguma doçura.

Etiquetas: Poesia e Fotografia




6 Traço(s):
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Cara ali_se,
Ontem fui ver a sua exposição na Galeria AMIarte, onde fui muito bem recebido. Gostei e deixei uma reacção no caderno de visitas.
Pintura e poesia, música e poesia.
As imagens fizeram-me lembrar a música do compositor russo Alexander Scriabin, como por exemplo Prometheus - Poem of Fire.
Ele estava mesmo obcecado pela ligação entre música, cores e ideias. (post blogue Anacruses 29 de Maio 2007)
Olá PORFÍRIO!
Essa tema é quanto a mim, crucial entendê-lo e de que forma é que está a ser desenvolvido e apresentado por quem sabe.
E até já tinha tomado nota como conferência que me interessava assistir, assim na próxima segunda-feira conto estar presente.
Até lá e muito obrigada pelo comentário!
Abraço
Olá RINI!
Muito obrigada pelas palavras sentidas na visita à minha exposição.
Contava ter-me deslocado lá nestes dias, mas não me foi possível, tenho uma outra exposição a inaugurar a 30 de Abril com a apresentação de uma cor nova, a 7ª das nove cores daquele meu projecto de poesia e pintura... E tenho pena de não ter sido eu a fazer-lhe a visita guiada, ficará para uma outra oportunidade.
Irei aprofundar o trabalho e música de Scriabin. Interessa-me essa relação da música numa forte musicalidade poética dos sons em sentires que coexistem no pensar de cada um de nós. E depois como é que isso se manifesta nas expressividades imagéticas da criação artística.
Muito obrigada pelo comentário e por esta ajuda preciosa de se poder aprender sempre um pouco mais com quem sabe.
Um abraço e até sempre.
Alice
Será este o interesse vazio de sentido, que nos arrasta para onde não queremos ir, para os objectos que não nos satisfazem, mas que ainda assim nos mantém cativos, sem reacção para procurar alternativas? Digamos que, ao percebermos que o local é o da "penumbra", poderiamos talvez procurar a "luz" mas a alienação de viver e fazer tudo "por interesse" já não nos permite? ;)
Olá PINK!
Este lugar, tem exactamente a ver com o lugar e as pessoas em suas coisas. É o lugar onde estás porque te sentes a mais em determinadas situações!
É que eu dou comigo (e não devo de ser só eu) algumas vezes, a pensar assim:
Estou num qualquer lugar, numa tentativa de respeitar certas e determinadas pessoas por uma qualquer boa educação, mas depois começo a falar comigo mesma, e a achar e a sentir que afinal não deveria estar ali.
Mas porque acabei por ficar pela tal de boa educação ou de cordialidade e acabo em conclusões, pelo erro cometido pelas tais regras de um qualquer moralidade ou dever e em que boa educação, acabando-me por me prejudicar, mais que não seja, em tempo perdido. E deixando igualmente que os outros me prejudiquem e ainda com a agravante de continuar a dar espaço para que essas mesmas pessoas proliferem por aí com suas malvadezas...
Portanto há que dizer não, antes de tudo o mais, quando devida ou intuitivamente sabemos que não prosseguimos para um bem comum a não estarmos para não apararmos esses estares.
E esses objectos refiro-me à quantidade na demasia e às pessoas que se tornam objectos na sua forma de viver e de lidar com os outros num qualquer interesse repugnável. E quando te sentas ao lado desse tipo de pessoas e em suas coisas desnecessárias e, que te acabam por incomodar nesse mísero interesse de satisfação de assistirem levianamente à escassez de outros...
É essa a imagem que tentei desenhar nessas minhas palavras sentidas no momento que as escrevi, embora haja sempre outras interpretações igualmente sentidas como a tua.
Um abraço e muito obrigada pelo comentário
Alice
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