Sobre_ ALI_SE
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a árvore ao jardim

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Terra da Boa Fé





Terra da Boa Fé e o ouro da má-fé...






«Preservar o montado e a cortiça no Alentejo.
... é um sítio notável e espero que... o português em geral,
que não percebe que está sentado numa 'mina de ouro'...
o perceba...!»
MIKE SALISBURY (produtor da BBC) na entrevista onde fala da 
importância deste ecossistema, único na Europa. 

A destruição



O HOMEM DESTRUÍDO

PELO HOMEM QUE QUER SER RICO SEM O SER 
*




E quem é o homem que quer ser rico sem o ser?

É todo aquele que tudo faz para tudo ter, a nunca ter nada para dar!

É todo aquele que destrói lenta ou rapidamente a natureza e a vida e vidas em prol de uma mentira ou de muitas mentiras tidas de progresso ou razão!


A Europa e todos os países à face da Terra, estão cheios desses destruidores homens, sem alma, sem beleza e sem nada para dar ao Mundo.




CAIR




CAIR À TERRA 
É DESENHAR O MUNDO
*

 .




Às árvores





Alimento que nos respira e ouve
Ser e árvores crescentes
Sobem em distinção e beleza



E por inventado mundo esse do insensível
Aos ensinados a enterrados vivos

Homens que não crescem

Racionais monstros
Rastejando presos por presas

E “caídos à terra” estão os mortos
E as árvores crescem


 ALICE  VALENTE  ALVES  





Pensamento «territorial»

Obra (em díptico) nº 67 – «territorial» | acrílico sobre tela | 81x130cm | 2010
«CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» | (cor) Traço:Verde
 *

Pensamento «territorial»

Cresce-se e morre-se a pensar no território, a pensar num espaço onde se possa dominar, onde se possa parcelar a estar, e dizer, mesmo que temporariamente, quem manda aqui sou eu. Toda a parte prática da vida, ou de dita racional, é pensada ao nível do territorial, vive-se e trabalha-se para se ter coisas, coisas territoriais, terras,  quintas, casas com criados, ou coisas onde mais ninguém possa intervir e usar a não ser quem as adquire e que é pois, seu dono, e em carros, casas, livros, computadores, telemóveis, roupas, objectos e em mais mais coisas, muitas coisas... E a Terra, sim a terra essa, que sempre foi sendo dividida em muitos territórios, embora de uma terra que é indivisa, e que daqui não se sai para lado nenhum, e que até nos come, e que ainda assim, lá se vai querendo que seja partida em mil pedaços, tidas de nações, países, estados, condados, reinados, impérios, colónias, províncias, quintas, herdades herdadas, e que por fim é tornada a divisa de uma divisão  entre uns e outros. Pois, há um divisível que se quer indiviso por leis e ademais conceitos, e assim é, porque assim se pensa como tal. E invadidos e invasores, em vidas por dinheiro e trabalho, eis a guerra que se nos tem sido definida como viver.
Mas o ser humano não precisa desse territorial pensado, precisa sim e primeiro que tudo, pensar em viver por totalidade enquanto pensamento que se articula harmoniosamente com o global, e existe efectivamente uma totalidade intemporal que não precisa de espaço territorial, e que por 'sentires' é por si e em si mesmo, distante de qualquer parcelar ideia do que é territorial. É que o ser pensante que se articula com a vida através da dimensão artística, da ética e da estética ou da poética da vida, e que se 'transporta' por esses meios através da  criação, da música, da pintura, do desenho... ou de um entendimento com o enriquecimento interior, não carece de território para se completar. 
Somos o que somos nesta realidade de um viver por territorialidade, mas e a outra realidade em decrescimento previsível, porque é que ainda não é possível pensar-se em vivenciá-la por inteiro?

Estar e Ser

Estar ou não estar. Ser ou não ser. Eis a fatalidade!

Também em tempos de descobridores de um tempo de Descobrimentos dividiu-se o mundo territorialmente, a faixa divisória em duas partes, a terra e as terras, o território e os donos de papados reinos, impunham regras de um brutal domínio por riqueza imperial. Mas pela impossibilidade de cumprimento de tal dever em divisão do mundo de qual território, e apesar do muito sofrimento infligido, tudo se alterou, naturalmente.

E estamos nesses mesmos tempos, e aos que insistem em dividir para fechar território e reinar, um dia igualmente mudará este conceito e a transformação acontecerá. E para satisfazer as necessidades do Homem por território e por que territorialidades, estamos prestes a assistir a um novo conceito de território, mas virtual. E o território será outro, não o da terra ou das terras, mas sim o da virtualidade concebida pelas tecnologias e já muito presente na internet. E é interessante que, pela alteração já feita e pronta a uma transformação ainda maior, o território d’ agora é um território virtual, cabe-nos a todos descobrir o mundo no mundo de cada um de nós, longe da territorialidade e de regras impostas, é o outro território, é um outro território, é o território da vida, é o território do Ser. E mesmo que avancem à descoberta, unicamente a querer dominar por vias das tecnologias, que é o que tem vindo a acontecer, são por sua vez esses mesmos meios técnicos que ajudarão ou encaminharão, através dos que inevitavelmente farão delas bom uso, numa suposta possibilidade de não mais existirem fronteiras nem territórios das impositivas regras e nas respectivas leis direccionadas ao desumano.

Olhar o céu por um lugar ao Sol


Do documentário «HOME O Mundo é a nossa casa»:
 
(...)
Cada vez mais depressa. Nos últimos 60 anos, a população da Terra quase triplicou e mais de 2 mil milhões de pessoas foram viver para as cidades.
(…)
Cada vez mais depressa. Em Xangai foram construídas 3 mil torres e arranha-céus em 20 anos e mais algumas centenas em construção. Actualmente mais de metade dos 7 mil milhões habitantes do mundo vivem em cidades. Nova Iorque a primeira megalópole do mundo, é um símbolo da exploração da energia que a Terra fornece à genialidade humana. A mão-de-obra de milhões de emigrantes, a energia do carvão, o poder desenfreado do petróleo. Da electricidade resultou a invenção dos elevadores, que por sua vez, permitiu a invenção dos arranha-céus. Nova Iorque ocupou o lugar da 16ª maior economia do mundo.
(…) O automóvel tornou-se o símbolo do conforto e do progresso. Se este modelo fosse seguido por todas as sociedades, o planeta não teria 900 milhões de veículos, mas sim 5.000 milhões.
Cada vez mais depressa o mundo se desenvolve.

(…)
A maior parte dos bens de consumo viajam milhares de quilómetros desde o país produtor até ao país consumidor. Desde 1950 0 volume de comércio internacional aumentou 20 vezes. 90% do comércio são feitos por via marítima. São transportados 500 milhões de contentores todos os anos com destino aos maiores centros de consumo do mundo, como o Dubai.
O Dubai é um dos maiores locais de construção do mundo, um país onde o impossível se torna possível, construir ilhas artificiais no mar, por exemplo. O Dubai tem poucos recursos naturais, mas com o dinheiro proveniente do petróleo pode importar milhões de toneladas de material e mão-de-obra de todo o mundo. Pode construir florestas de arranha-céus, cada uma mais alta que a anterior ou até uma estância de esqui no meio do deserto. Dubai não tem terra arável, mas pode importar comida. O Dubai não tem água mas pode desperdiçar uma quantidade imensa de energia para dessalinizar a água salgada e construir os arranha-céus mais altos do mundo. O Dubai tem quantidades intermináveis de luz solar, mas não tem painéis solares. É a cidade dos excessos onde os sonhos mais impensáveis se tornam realidade.
O Dubai é uma espécie do culminar ocidental com o seu totem de 800 metros à modernidade total que não pára de impressionar o mundo. Exagerado? Talvez!
O Dubai parece ter feito a sua escolha: é uma espécie de farol para todo o dinheiro do mundo.
Nada parece mais distante da Natureza do que o Dubai, apesar de nada mais depender da Natureza do que o Dubai. A cidade apenas segue o modelo dos países ricos.
Ainda não percebemos que estamos a esgotar o que a Natureza nos oferece.

(…)
Perto de mil milhões de pessoas estão a morrer à fome.
Mais de 50% dos cereais comercializados em todo o Mundo são usados para alimentar animais ou para produzir bio-combustíveis. 40% da terra arável está degradada. Todos os anos 13 milhões de hectares de floresta desaparecem. Um em 4 mamíferos, uma em cada 8 aves, um em cada 3 anfíbios estão em extinção.

As espécies estão a morrer a um ritmo mil vezes superior ao que é natural.

¾ das zonas de pesca estão esgotados, reduzidos ou correm esse risco. A temperatura média dos últimos 15 anos foi a mais alta de que há registo. A calota de gelo perdeu 40% da sua espessura em 40 anos. Pode haver no mínimo duzentos milhões de refugiados devido ao clima em 2050. O preço das nossas acções é elevado. Outros pagam o preço sem terem o envolvimento activo.

Eu já vi campos de refugiados do tamanho de cidades estendendo-se pelo deserto. Quantos homens, mulheres e crianças, são deixados pelo caminho, amanhã?
Será que temos sempre que construir muros para quebrar a cadeia da solidariedade humana, separar os povos e proteger a felicidade de uns da miséria dos outros?
É tarde demais para ser pessimista.
Eu sei que basta um ser humano para derrubar todos os muros.
É tarde demais para ser pessimista.
Em todo o mundo 4 de 5 crianças frequentam a escola. Nunca a educação chegou a tantos seres humanos. Toda a gente do mais rico ao mais pobre pode dar o seu contributo.
O
Lesoto, um dos países mais pobres do mundo, é proporcionalmente aquele que mais investe na educação do seu povo. O Qatar um dos países mais ricos do mundo, abriu as portas às melhores universidades. A cultura, a educação, a investigação são recursos inesgotáveis.
(…)
Os primeiros parques naturais foram criados há pouco mais de um século, abrangem mais de 13% dos continentes, dão origem a espaços onde a actividade humana está em sintonia com a preservação das espécies, solos e paisagens.
Esta harmonia entre seres humanos e Natureza pode tornar-se a regra e deixar de ser a excepção. Nos Estados Unidos, Nova Iorque apercebeu-se do que a Natureza faz por nós. Estas florestas e lagos fornecem-nos toda a água potável que a cidade necessita.
Na
Coreia do Sul as florestas foram devastadas pela guerra, graças a um programa de reflorestação nacional, estas voltaram a cobrir mais de 65% do país. Mais de 75% do papel são reciclados.
A
Costa Rica teve de escolher entre a despesa com o exército e a conservação do seu território. Já não tem exército, prefere dedicar-se à educação, ao eco-turismo e à protecção da sua floresta primitiva.
O
Gabão é um dos maiores produtores de madeira do mundo. Aplica o método do abate selectivo de árvores, não mais do que uma por cada hectar. As suas florestas são dos recursos económicos mais importantes do planeta, mas é-lhes dado tempo para se regenerarem.
Existem programas para garantir a gestão sustentável das florestas. Esses programas devem tornar-se obrigatórios. Para os consumidores e para os produtores isso é uma oportunidade que deve ser aproveitada.
Quando o comércio é justo, quando tanto o comprador como o vendedor beneficia, todos podem prosperar e conseguir um rendimento decente.
Como pode haver justiça e igualdade, entre pessoas cujas únicas ferramentas são as mãos e aquelas que praticam agricultura com máquinas e subsídios do Estado? Sejamos responsáveis, consumidores. Temos de pensar naquilo que compramos. É tarde demais para ser pessimista. Eu vi, a agricultura à escala humana pode alimentar o planeta inteiro, se a produção de carne não tirar a comida da boca das pessoas.
Já conheci pescadores que cuidam daquilo que pescam e protegem as riquezas dos oceanos.
Já vi, casas que produzem a sua própria energia. Há 5.000 pessoas a viver no primeiro bairro amigo do ambiente em Friburgo na Alemanha. Há outras cidades que fazem parte do mesmo projecto. Bombaim é a milésima cidade a juntar-se a ele.
Os governos da
Nova Zelândia, Islândia, Áustria, Suécia e outros países, fizeram do desenvolvimento de fontes de energia renovável, a prioridade máxima. Eu sei que 80% da energia que consumimos vêm de fontes de energia fósseis. Todas as semanas, só na China, são construídas duas novas centrais eléctricas alimentadas a carvão. Mas também já vi na Dinamarca um protótipo de central alimentada a carvão que liberta o carbono para o solo em vez de o fazer para o ar. Será uma solução para o futuro? Ainda ninguém sabe!
Já vi, na Islândia uma central eléctrica alimentada pelo calor da terra, a energia geotérmica. Já vi uma cobra do mar a flutuar na rebentação para absorver a energia das ondas e produzir electricidade. Já vi, parques eólicos na costa da Dinamarca que produzem 20% da electricidade do país. Os Estados Unidos, a China, a Índia, a Espanha são os maiores investidores em energias renováveis. Já criaram mais de dois milhões e meio de empregos. Em que parte da Terra é que não existe vento?
Já vi extensões de deserto a torrar ao Sol. Tudo na Terra está interligado. E a Terra está ligada ao Sol, a sua fonte de energia original. Será que os seres humanos não conseguem imitar as plantas e captar a sua energia?
Numa hora o Sol fornece à Terra a mesma quantidade de energia que é consumida por toda a humanidade num ano. A energia solar será inesgotável.


Tudo o que temos de fazer é parar de furar a Terra e
olhar para o céu.
Tudo o que temos de fazer é aprender
a cultivar o Sol.
(...)






HOME, filme da autoria do realizador francês Yann Arthus-Bertrand, é constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida a fim de evitar uma catástrofe ecológica planetária.



Dia Mundial do Ambiente: 5 de Junho

ALI_SE : http://alisenao.blogspot.com/

Que T(t)erra


Sim, a Terra fala
A Terra ouve
A Terra diz
A Terra chora
A Terra grita
A Terra escuta
A Terra mexe
A Terra sente
A Terra és tu, eu e todos nós
E na Terra que não é nossa
Por que terras dos que a encurralam
Não me ouves
Não te oiço
Não me falas
Não te falo
Não te vejo
Não me vês
Não me sentes
Não te sinto
Na Terra que não é nossa
Não há sorrir nem pensar
Oh, terra da Terra que não é nossa
Em Terra de adormecidos da Terra que não dorme
Ainda que por feitos de toda esta terra
Da una e única Terra, esta a que nos compõe, gera, mancha, lava e chama


POESIA E FOTOGRAFIA DE ALICE VALENTE

sombra acesa

Numa longínqua estrada
Tão distante
Tão distante
Aproximas-te

Naquele espaço de águas
Próximas são as partidas

E aquela terra
Da música em sons
Esperando pelos dias
Pelos muitos dias distantes

Pianos rasgam crepúsculos

Azuis e verdes
Dentro e fora de casas
Tempos de agora antigamente
Procurados à estrada de terra
Daquela terra
A terra ida

Pensas no grito que te arranhou
E soam todas as tuas vozes
Esperando pela ida sem regresso

Comer
Comer ao sabor de um desejo
De não querer mais
E ao sair da gruta
Chega-te o alimento indisponível
De um aconchego

Da ave que poisa
E se eleva em céus livres
Sombras afiadas
De uma noite iluminada.

Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE

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