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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

O perigoso "Psico- ENSINO"

O Ministério da Educação tem vindo, conjuntamente com a Faculdade da Psicologia e Ciências da Educação, a assenhorear-se, a nível nacional de todo o Ensino e até do Ensino Artístico e igualmente, daquela que em breve irá ser posta em prática, a denominada Educação Artística. E a reforma que se fala, e que já está mais ou menos ditada, será no eliminar-se com tudo o que existe até agora, a arranjarem-se novas escolas ou no usar-se as escolinhas mais convenientes ou mais obedientes, para uma talvez, excelência de Escola Nacional Qualificada, com muitos e muitos diplomas à vista e com vistos de uma generalidade, que convém muito generalista. E é nestas novas oportunidades e em seus inteligentes oportunistas, que têm vindo há algum tempo, muito ordeira e legalmente, a arrasar com tudo o que lhes passa pelas mãos. É a construção de qual invencionice que diz respeito a um novo em novidade e que é alusivo ao consumismo, ou seja é uma espécie de nova fabricação ou invasão do se construir pelo novo num fascínio vestido de grande novidade por tão fútil, banal e generalista, com novos cursos e em novos nomes, novos e alegres ocupações patéticas, novos cursos de formação, de formatação e também novos curso de controle. E é neste feroz e desenfreado interesse de quem e em seus de ditos especialistas de tão incompetentes e inaptos para relatórios e afins, se prevêem nessas arregaladas vias e vidas de possuir poder e mais poder, para poderem assim e forçosamente serem respeitados nesta nova era da inspecção fiscalizadora, tão imposta quanto obrigatória num ensino tornado jogo ou guerra e, a cair nas garras das asfixiantes competitividades mercantilistas. Ensino por sua vez a reforçar-se e a acentuar-se cada vez mais no tal paradigma do que é a exclusão social, que todos falam, temem e de que igualmente todos dela tentam fugir. Paradigma este, que se continuarmos a permitir que assim seja e a virarmos costas ao papão-problema, instalar-se-á definitivamente e tornar-se-á de tal modo fatal que, irá tolher completamente qualquer possibilidade de se criarem formas de aprendizagem com todo o entendimento e que tenham a ver com o gosto e o prazer pela vida, em seus naturais e consequentes resultados de um qualquer saudoso e futuro feliz.
Mas afinal o que é que o Ministério da Educação anda a fazer com o Ensino?
Nesta louca onda de profissionalizações e em que diplomas e mais diplomas profissionalizantes, não estará mas é este Ministério a fomentar um tão generalizável quanto inqualificável ensino? Está assumir e a reforçar cada vez mais e até a institucionalizar este tipo de modelo ou paradigma da exclusão social, de forma crónica. E com toda a especialidade coloca na vanguarda os mais incompetentes e os que jamais poderão servir de exemplo para o que quer que seja, numa assoberbada tentativa de ocultar os bons exemplos a serem considerados.
Sim, mas afinal, como é que se prevêem profissionalizações e competências e tantas especialidades e afins, se o que se vê na movida e fomentação deste Ministério relativamente às tais vias profissionalizantes no que possa surgir deste novo Ensino e em seus agentes de agências profissionalizantes, são só pessoas e mais pessoas com possibilidades de trabalharem em escolas e mais escolas, em cursos e mais cursos, sempre num ciclo vicioso de só ser profissional à custa do ensinar-se e do teorizar-se à volta do Ensino e nada mais. A ter-se assim, como única possibilidade, o de simplesmente ser-se professor de qualquer coisa ou matéria ou depois em cursinhos de ocupação de tempos e gentes e alunos e professores à deriva, que ganham simplesmente no se governarem em desportivos passatempos, a dar-se aulas porque sim, porque é obrigatório aprender-se a tempo inteiro o que Ministério acha que é preciso para as presentes economias que lá se vão integrando e formatando no que o Mercado assim quer.
É ei-los por aí muito bem reunidos: professores para formar; professores para gerir; professores para explicar, professores científicos; professores de acompanhamento; professores psicanalíticos… Muitos, muitos professores… É a nova escravatura do Ensino dominada por ideias do competitivo no salve-se quem puder que o Ministério da Educação está a construir. Para que activos hajam muitos professores tão humilhados quanto obedientes e bem comprometidos, embora sem condições para trabalharem porque tão desinteressados, desmotivados e tristes, mas isso é irrelevante. Professores esses que irão adoecer e simplesmente, ir-se-ão tornar numa nova fonte de rendimento para os psicólogos, psicanalistas, psiquiatras, cientistas e quantos mais que tratam, estes que em suas higiénicas bem vindas terapias, tornar-se-ão miraculosos e salvadores do mundo e dos professores também!
É a nova e vã escola da Competitividade e do Emprego para todos por Igual, da Cópia e da Repetição, do Igual e do nada de novo, na Nova Escola das Agências ou Máquinas da Incompreensão e Desmotivação na isenção generalizada de se pensar ou sentir. É a nova escola da excelente competitividade e em sua inerente e consequente exclusão social, a escola do paradigma do ensinar-se crianças, jovens e que mais de bairros e zonas pobres, em seus pais, irmãos, família e raça, que já todos sabem de antemão, que não têm qualquer direito ao sucesso!!!
Que insuportável via e vidas competitivas para uma construção de Escola profissionalizante, só para alguns nos que já sabem à priori, que vão ser bem sucedidos.
E muito, muito em breve existirão mais professores que alunos em tantas instalações, agências e agenciais formas de estar, de grandes e doentias debilidades, e em que todas as escolas e faculdades serão os novos hospitalários, que se poderão intitular de um novo «Psico-Ensino»
É que um Ensino e em que Educação, jamais poderá passar por conceitos de uma Psicologia que tenha como vertente principal, as ideias redutoras e limitativas da psicanálise tanto de Freud, de Lacan ou ainda de Melanie Klein, e porque cerceiam completamente qualquer possibilidade de se desenvolver um Pensamento saudável com toda a ética e estética.

E esta frase diz tudo, generalizar a oferta e pôr em contacto, ou seja fazer da música uma qualquer coisinha, como eu já referi em anteriores textos:
>>> A Educação Artística e o Espartilho Cientista :
(...) As artes não podem ser apresentadas nas Escolas, assim levianamente, por esta gente que tira cursos em faculdades para se verem nesta remediável agência de ministeriais empregos. Estes tipos de cursinhos e em que mezinhas, têm de ser proibidos enquanto antes! É que as crianças, só pelo nome nem se inscrevem, e se são obrigadas pelos seus pais para estarem ocupadinhas com qualquer coisinha que as entretenha e até de bonitinho, depois basta-lhes ir a uma primeira aula, que ficam logo vacinadas, para nunca mais repetirem a dose, é que aquilo é de arrepiar, é que é demasiadamente medíocre. E se aos encarregados de educação ligados às artes, lhes fosse permitido assistirem aquelas aulinhas e, até tivessem a possibilidade de as avaliar, dariam com certeza: nota zero!
E como é que a arte pode ser tida de terapia, é que se a arte é levada por estes caminhos remediados nas escolas, deixa imediatamente de cumprir os seus objectivos enquanto ARTE.
E desde quando a Arte e a Vida são remédios para o que quer que seja?
Não esqueçamos e não confundamos que a Arte e a Vida são a potência e a força vital de se Ser humano.(...)


Mas a ideia ou conceito, ou talvez estratégia (termo da Economia, da oferta ou do Mercado) do Ministério da Educação em suas agências, especialistas e especialidades é exactamente essa, a de caluniar e desacreditar por completo o que existe do ensino artístico e em seus, ainda credíveis professores, e no que melhor ainda temos na aprendizagem das artes. E vá de retirar-lhes alunos indirectamente ou senão, a direccioná-los teimosa e tardiamente numa única saída, a de integrá-los em que regras ou como se o talento, pudesse alguma vez, manifestar-se em que hora, idade para se tornar justificável enquanto exequível prova para que provas dadas. E de seguida vem o apontar de dedos aos tais professores excluídos ou postos de fora por não terem mais alunos e em seus conservatórios, e os agentes da inqualificável agência saberão como fazer, a depois usá-los como bem entenderem nas suas novas escolas do «Psico-Ensino». Isto é típico dos incompetentes e desta nova era das gentes das ciências educacionais e em seus cientistas psico-freudianos. Efectuada toda e qualquer exclusão, essa gente de alto gabarito por tão gabados e babados, tornam-se então e ainda, os grandes salvadores de toda esta carneirada de professores que lhes vão obedecendo forçosa e cegamente, fruto de tanta distracção e daquela necessidade de subserviência, e em que sobrevivência não dita porque ditada e livre por tantos consumistas.
E a titular da pasta da Educação tentará continuar com a sensata malvadez que lhe aprouver em seu estar confortável, das ditas modas do psico-políticamente correcto no seu novo «Psico-Ensino»: simplificar complicando; mostrando excelência na incompetência; nomeando responsáveis perfeitamente irresponsáveis; apresentando quais superioridades de exemplos a seguir, com os piores dos piores exemplos de todos; revelando que a qualidade do que quer pôr em prática é completamente inqualificável e impraticável… E a demonstrar assim e por aí, que tudo o que diz é uma verdadeira mentira e que, o que pretende que seja tornado em verdade verdadinha, não passará de uma grande mentira!
Estratégias mercantilistas não funcionam nem com a Educação nem com a Cultura. Tanto o Ministério da Educação como o da Cultura são a única garantia do equilíbrio de uma sociedade mais justa e humanizada em seus valores de ética e estética. Se misturarem a Educação e a Cultura com as outras áreas da Economia e da Política, entramos efectivamente num descalabro social.
*
LER em ALI_SE:
>>> 2007_05_28 - O inapto relatório para o Ensino da EDUCAÇÃO ARTÍSTICA

>>> 2007_10_13 - Para que é que serve a Educação Artística


>>> 2007_11_01 - Dito na Conferência Nacional de Educação Artística
(…) no dia 29 de Outubro na sala Suggia da Casa da Música na 2ª Sessão, assisti ao ser desmascarado mais depressa do que eu estava à espera, o tal presidente e responsável do Relatório do Ensino para a Educação Artística em Portugal, Dr. Domingos Fernandes. E que envergonhado perante toda a plateia, assumiu peremptoriamente a sua total incapacidade e incompetência, após as violentas palavras de indignação de Rui Vieira Néry… (…)


*


LER em IDEIAS SOLTAS:
>>> 2008_02_08 - Carta Aberta à Agência Nacional para a Qualificação

>>> 2008_02_12 -Resposta ao Prof. Dr. Domingos Fernandes

Ensino Artístico Vocacional? Não existe em Portugal. O que existe é um Sistema de Ensino Artístico Especializado de qualidade, financiado publicamente e aberto a quem o pretender frequentar. (…) O Ministério da Educação pagou centenas de milhares de euros numa Conferência Nacional de Educação Artística sem que da organização fizesse parte qualquer especialista de Ensino Artístico; nem como convidado. (…)
(...) O outro documento é da própria Agência Nacional para a Qualificação onde, logo na página 2, lemos estupefactos:
«(…) substituir a actual responsabilidade das famílias na orientação da procura pela responsabilidade do Estado na garantia e universalização do acesso ao estudo da música e da dança.»
Leram bem? O Estado substituir-se às famílias? O que é isto? Nunca os pais deram procuração ao Estado para os substituir na obrigação de educar os filhos! (...)

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