04 Junho 2008

QUERO LÁ SABER

- Estado mental do mundo :

[Os que estão bem no quero lá saber para os que estão mal] – os privilegiados
[Os que estão mal no quero lá saber para os que estão bem] – os obrigados

O quero lá saber é uma forma ou modelo de relacionamento social, subjectivamente institucionalizado na nossa contemporaneidade. Todas as pessoas se estão marimbando umas para as outras. Ignora-se e é-se ignorado, em prol de que inteligente ignorância, a ignorar-se o que não podemos nem deveríamos de ignorar. Mas eis que esta, é já a fórmula mais taxativamente delegada pelos exemplares responsáveis no deixa andar, deixa acontecer, deixa estragar… não faz mal! Num QUERO LÁ SABER. E depois logo se verá!

E existem responsáveis por tudo isto
E existem instituições
E existem estados
E existem governos
E existem políticas
E economias
E seitas
E empresas…
Mas o que é que estão a fazer estes grupos dos que fazem e fabricam este mesmo estar do QUERO LÁ SABER ? ? ? - Institucionalizaram esse mesmo quero lá saber ! ! !
E todo este quero lá saber, generalizou-se por completo numa caricata generosidade dos privilegiados aos obrigados.

E nestas formas de mandar e de ordenar em estilos de dizer, escrever ou falar, e depois de viver, oiça e analise o que por aí vai afirmando, publicamente:
O político;
O professor;
O economista;
O empresário;
O jornalista…
E embora de uma afeita cordialidade, é de uma enorme crueldade este QUERO LÁ SABER, tomado como um novo modo de estar, de mandar e de fazer, levado a um derradeiro e obrigatório quero lá saber.
É a nova e psicológica moda do quero lá saber, eu estou mais ou menos, eu sobrevivo, ah e depois há quem esteja pior que eu, e vá de se viver neste quero lá saber.
Se ao político, ao professor, ao economista, ao religioso, ao empresário, ao jornalista, ao mercador, ou a todo aquele que ganha, que delega ou que compra sem mais preocupações e ainda que tenha muito ou pouco dinheiro para conseguir viver nesta atroz sobrevivência, e a estragar ou não, no muito ou pouco de deitar ao lixo o que é a carência de muitos outros. E se a todos estes, um dia e num só e único dia, lhes faltar o pão e a comida para a boca, quero ver se continuarão a usar esta forma de se alimentarem a relacionarem-se com o mundo e com as pessoas neste doentio estado de um QUERO LÁ SABER.

2 TRAÇO(S):

Pink&Blue disse...

Olá Ali,

Fantástico texto este!
Também eu tenho este sentimento de que "a malta" se anda a auto-excluir da sua responsbilidade de participação no tecido social, sejam quais forem os "fios" desse tecido. Parece haver uma espécie de dicidência colectiva, que a mim me cheira sobretudo a um processo de auto-anestesia que nos adormece a vitalidade questionadora e criadora e nos transforma em robozinhos. Que grande desperdício!
Um abraço
Pink

ali_se disse...

Olá PINK!
É isso mesmo, as pessoas estão-se a auto-excluir, é estranho, muito estranho este estar. É mesmo assustador!
Um abraço e muito obrigada