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a árvore ao jardim

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TEMPESTADES

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Na relação humana há quem prolongue o profissionalismo aos afectos na família e na amizade. Mal está ou estará quem assim se assenta em ventos semeados de um carinho transformado em 'coisa' de uma vida sem vidas. E aos profissionais de um profissionalismo da vida por vidas sem mais futuro ou vidas, a seu tempo colherão quais proveitosas tempestades de casas caídas aos pedaços em regalos de pedras e prendas sem eira nem beira.

A ganância é comida ao acordar pelos insensíveis que julgam tudo querer. E quando querem que lhes seja dada a prova de bem fadados, nada mais resta que uma mão cheia de obediência onde se julgam não estar.

A profissão e a eficiência de se ser bem sucedido a todo o custo, não entra no âmbito da afectividade humana. Os afectos são coisas que para muitos é como um caso que está perdido. Contudo, perdidos e sem se acharem estarão esses que em tudo pegam para apontar máquinas e armas às suas vítimas e em quais desculpas arranjadas para dar continuidade a quantas e malvadas assoberbices.

Talvez a religião os salve ou quem sabe um milagre de conseguirem passar por entre as gotas da chuva de suas colhidas tempestades. 




A NATUREZA DO VENTO

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O vento mal mandado arrepia o tempo. Tal como as sombras que nada nos têm para dizer e isto porque viramos costas a essas mesmas sombras que nos interpelam a continuar de outra diferente forma  das regras que nos tentam impor. A política não me diz nada. E porque a política é tudo de mau que nos regra, na tal regra que nos torna seres intratáveis e insuportáveis em sua sociabilização. As regras ditam-nas aqueles que só as constroem para seus súbditos. Não há pessoas regradas e porque a regra é coisa de politiquices. As politiquices sucedem-se de uma actual demanda das fezes que sobram dos profissionais regrados em que com estes nada medra e porque a imundície é a sua forma de pensamento. Enquanto profissão, os politiqueiros são a maior das desgraças da nossa actualidade, constroem lixo em cima de lixo com o dinheiro da fome. As ideologias só às autoritárias polícias políticas estão associadas e muito mal está quem obedece cegamente porque sim ou porque não. E ao que ao humano diz respeito um dia o vento muda e porque o vento não é competitivo mas muda e muda-nos com ele.



EM TERRAS DE NINGUÉM

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Há os que vão e há os que ficam.
A ideia de quem fica é a mesma de quem vai - escolhas ou não.
Os que vão levam o que não pode ficar.
E os que ficam resistem ou não.
Uns e outros estão num único e mesmo território.
De Terra sem dono - em terras de ninguém.



O QUE É ISTO E AQUILO

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Isto é isto, isto é aquilo, e aquilo é aquilo, e tudo está assim tão visivel quanto linearmente bem classificado, para que nos possamos reger pelas mesmas e iguais normas, das coisas às pessoas.

E o que não é isto ou aquilo, ou quem não é isto ou aquilo, ou ainda, quem não tem isto ou aquilo, é invisível, não existe para quem só se vê assim, nesta científica, social e obrigatória regulamentação, do tem de ser, no que é isto e aquilo.



"Oh tempo, volta para trás!"

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Oh tempo, volta para trás!

         (É só o que eu sinto no que as pessoas revelam e em seus saudosismos)


Oh tempo, volta para trás!


Não, o tempo não volta para trás!


Vamos mas é olhar o tempo de frente!


Mesmo os que insistem que o tempo volta para trás, o tempo não volta!!!


E esses que querem um tempo do 'volta para trás' e no que poderão atrasar o olhar em futuro naquilo que se fez no tempo de um 'volta para trás': a inquisição, o fascismo, o nazismo...


O tempo não volta para trás!


Vamos mas é olhar o tempo de frente!






Cultura de dentro para fora

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Só com Cultura haverá possibilidade de um sentido na vida.

Só com Cultura se fará a mudança para uma sociedade melhor.

Só com Cultura existirá Direitos Humanos.

E os que fazem Cultura  ou os que à Cultura estão associados têm uma responsabilidade acrescida nessa mudança, que por vezes se dá muito lentamente e de uma forma subjectiva e invisível, a ocorrer primeiro na mudança de mentalidades e só depois a efectivar-se na mudança propriamente dita.


E infelizmente sabemos que em todo este processo de crise muito bem institucionalizado a partir do início do Séc. XXI, há os que se refugiaram na Cultura, querendo ser pessoas de Cultura. E embora não o sendo, são esses mesmos que de uma forma leviana e insensível querem a todo o custo a dignidade que a Cultura lhes possa vir a dar e em quais bonitos e chorudos cargos que tentam exercer sem nunca terem contribuído (nem antes nem durante e muito menos depois) para essa mesma Cultura. Essas pessoas não são de Cultura nem da Cultura, são efectivamente os maiores parasitas e carrascos da Cultura. Só que mais tarde ou mais cedo a Cultura ir-lhes-á fazer a devida justiça.






Exercício

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Exercício

Quantos de nós, seres ligeiramente distantes desta realidade da construção que nos asfixia, e que tudo temos feito e alertado para o "assim não, por  favor", ainda conseguem a força devida para chegar a um qualquer bom porto?
É um remar constante, e não um remar contra a maré de antes, mas já e só contra uma outra maré, tornada num avassalador 'tsunami'.
E, levados contra o arrasar de cidades e atirados contra muros, é este o único fim à vista.
E lá longe, fica-nos de quando em quando, essa ideia em lembrança, tida de um libertador sonho em sonos de todos os dias, no que virá depois, ou na tão desejada e esperada tranquilidade - a morte!


E nada fica.

E nada fica das acções construídas sem alma e coração.
E só fica
Ou só poderá ficar, o que às palavras nos têm a dizer 

E que falam, e que dizem o que há para fazer...
E em quais imagens que todos entenderão.
E fica-nos tudo
Sem livros, sem papéis, sem museus e sem casas.

Fica-nos tudo, e ao que é virtual - o novo território.









Autoridade e poder, e a derrocada

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Estamos na era de uma globalização e porque tão ferozmente instalada a nível de um qualquer desígnio e em sua autoridade e poder por colonização, agora segue-se-lhe o já esperado controle e em suas leis assustadoramente absurdas, numa tentativa de querer tornar-se em qual segurança para com todos, que mais não passa mas é, de uma total insegurança e perigo para toda a humanidade.

Ou seja, essa reacção que nos tem revelado a História e a Literatura, de como o poder se assenta em suas leis para tentar impor regras para (com toda a autoridade) gerir esse mesmo território, é naturalmente contra natura, para além de que ao insistir nesse mesmo propósito, está por sua vez e ironicamente, a gerir o seu inverso. Isto é, lado a lado com essa ideia que sempre existiu da parte de quem com toda a autoridade tenta controlar e invadir pessoas, bens e espaços territoriais, por sua vez e longe desses processos progressistas, existe a outra possibilidade de a evolução do ser humano prosseguir com toda a naturalidade, embora é certo de que uma forma muito subjectiva e porque invisível de ser vista e evidentemente, ser posta em prática de imediato.

Contudo e mesmo que estejamos nesta actualidade de uma tão medonha global colonização, essa via ou possibilidade do ser humano se projectar eticamente e de ver-se em seu futuro está já aí, é claro que não está assim facilmente visível para toda a gente e muito menos para os mais distraídos ou nos que ainda julgam que tudo como está, está muito bem, mas com certeza que já está presente para os mais atentos e especialmente para os que não aceitam ou não se atém a esta forma desumana de viver-se e em suas abusivas leis de invasão em autoridade e poder.

E para que se entenda esta derrocada, e que mais tarde ou mais cedo, irá acontecer inevitavelmente, não é preciso grande esforço, basta sim, pensar um pouco, e continuar a contribuir humana e culturalmente para que no mundo e nas sociedades, a mudança para melhor venha a ocorrer (e o quanto antes).





Ensino tendencioso

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A Faculdade é que é tendenciosa quando adverte alunos à não crítica em seus trabalhos e apresentações escritas, na repreensão do aluno sempre que este expõe ou manifesta a sua ideia, pensamento ou opinião, dizendo-lhe que assim está a tornar o seu texto ou trabalho, tendencioso. 


Quando professores ensinam este estar, mal estará essa mesma sociedade. 
E neste estar, há muito professores que ensinam e alunos que aprendem, com toda a normalidade. Com este estar tudo está a ser formatado, a tornar-se igual e a banalidade a instalar-se ferozmente. E o desinteresse generaliza-se de tal forma, que muito certamente nem os professores irão ler com o devido cuidado os textos, porque saberão de antemão o que lá estará escrito, só lerão na diagonal, é simples. E nem os alunos se interessarão porque não poderão mostrar e desenvolver as suas ideias. Assim, vai-se para a faculdade por uma aparência que se institucionalizou e a fingir que se vai aprender a ser-se bem-sucedido, e não como seria de esperar e em sua crucial função, no desenvolvimento das capacidades que cada pessoa ou aluno possui, para marcar a diferença ou para que o futuro seja uma realidade por dignidade, descoberta e encanto. 

E os alunos têm vindo a aceitar esta moda ou fingimento, e os pais igualmente têm incentivado esta tendência, é preciso ter boa nota e ser-se bem visto perante o professorado e a sociedade, de modo a ter-se um qualquer futuro e a ser-se o mais inclusivo possível nesta sociedade de cidadãos acríticos e do faz-de-conta, em sociedade esta cada vez mais assente num atroz fascínio e ao acato do que o consumo a possa satisfazer. Pensar cada um por si, não vale de nada, aliás pouco interessa, e esses que o fazem são mais que marginalizados e o pior é, quando se automarginalizam, numa total aceitação e resignação do que está mal. 


Se és irrequieto, desobediente ou introvertido, a escola e o ensino não são para ti. E para que possas continuar nessa mesma escola e em sua sociedade terás de entrar na normalidade vigente e só assim serás mais um entre os muitos que se querem bem-sucedidos. E como tal há que ser vencedor e apoiar os vencedores, e para que assim seja, terás de alterar teus comportamentos, e para isso terás a ajuda de todos os instrumentos que o sistema dispõe e que são mais que muitos, e o remédio é santo, podes crer e nem que te tornes num coitadinho (bem-sucedido). E lá serás então, mais um entre os muito obedientes que para aí pairam nos hábitos de se fazerem à vida pela imitação de um miserável e proveitoso sucesso à vista. 


Só que a vida não só essa coisa de se aprender assim, em aparências e falsidades. A vida e a dignidade de se estar vivo a olhar os outros com respeito, é muito mais do que essa coisa de se ser vencedor custe o que custar em terra que constrói impondo inimigos a si próprio. Oh mas que inteligência essa, tão altamente cordial quanto de tão propositadamente artificial.


E a crise aí está para reinar, pelos muitos que ainda se atém à obediência de um mal que os dita e rege por uma obrigatória disposição ao não-vómito. Mas a qualquer instante, o tal incómodo momento surgirá e de tal forma, a nos termos de aliviar de vez dessa indisposição e em seu derradeiro vómito.



Ir é resistir

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IR É RESISTIR

Amanhã é o futuro. Contudo ir em futuro não é já no dia seguinte. É talvez amanhã, mas muito depois do que julgas ser, em teu dia seguinte. Futuro é quando for.

Resistir é ir para o futuro, mesmo que seja muitos dias depois do dia de amanhã.

E resistir é ter como certo o dia de amanhã a fazer o que é certo para que o futuro exista.

Ir, a ir de qualquer maneira, para que a vantagem se antecipe para ontem, é não ir para o futuro, é ir para um futuro qualquer sem futuro.

Ir a resistir é ter como certo o futuro certo. Ir a resistir é ir para o futuro.



O futuro é todos os dias quando fizeres o que é certo para o futuro agora.

E olhar o mundo com poesia é resistir.


O progresso e a evolução

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O progresso anda sempre lado a lado com a evolução, embora de quando em quando, haja um avanço ou recuo do progresso em relação à evolução, e vice-versa. E não confundir progresso com evolução. Progresso e evolução não são sinóminos.
O progresso refere-se sempre à objectividade da acção social exteriorizante e a evolução diz respeito à subjectividade da acção cultural interiorizante do indivíduo. Ou seja, no ser, enquanto o progresso se define pelo resultado prático de uma materialidade que é relativa à linearidade lógica e racional das suas necessidades, a evolução age ou dá-se pelos actos éticos e estéticos que se posicionam no outro lado do necessário e que é subjectivo e imaterial.
Assim, o progresso faz sempre com que a vida se torne numa esperança e ambição, mas por medo. E sendo a evolução em si mesmo, um processo natural e inerente ao indivíduo, concede-lhe uma transformação por um futuro, mas sem medo.
E por vezes, quando o progresso com suas leis e tecnicidades avança em demasia relativamente à evolução, acaba por resvalar no horror e desesperança dos indivíduos. E aí as leis da natureza ou da evolução, inevitavelmente irão surgir para que o equilíbrio se dê. 

Evolução diz respeito à ética, à estética, à consciência, ao entendimento, ao devir.

Progresso diz respeito aos conhecimentos, às tecnicidades, às regras e moralidades  obrigatórias, ao dever. 

De notar que, quando aqui me refiro à evolução, não me atenho ao modelo da «Teoria da Evolução» de Charles Darwin, e que apesar de toda a ciência e em seus cientistas serem adeptos com a tal selecção de que os mais fortes poderem abater os mais fracos como uma noção principal do que é a evolução dos seres, é demasiado conservadora, progressista e aniquiladora, para o que é afinal, a verdadeira Evolução do Ser. E por isso, sempre que me refiro à evolução, atenho-me à «Evolução Criadora» de Bergson e que assenta num tempo que é baseado no entendimento da consciência interior, e que acaba por ser a evolução ou transformação que urge tão necessária para que a humanização aconteça e possa ser uma presente e constante na realidade da vida das pessoas. E porque, é sempre com a evolução (e não com o progresso), que se dá a felicidade ou o verdadeiro desejo de viver.







O estúpido e a estupidez

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A estupidez deve-se à falta de sensibilidade. 

Os insensíveis dão-se bem com os estúpidos.

E há “inteligentes” que são mesmo estúpidos, e são aqueles que a sua esperteza é proporcional à sua estupidez.

E quando a estupidez impera, vivem-se momentos estúpidos.

O Hitler era estúpido.

A insensibilidade é sinónimo de indiferença, inércia, marasmo, falta de entusiasmo, frieza, crueldade e desumanidade.

E a sensibilidade é sinónimo de senso, sentido, sensatez, exactidão, vivacidade, compreensão, bondade, coerência, entendimento, solidariedade, humanidade.

A razão enquanto mais-valia para o ser humano e para a humanidade deve-se a tudo o que foi feito com sensibilidade.


A razão é sensível.




CORAGEM

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A coragem é uma questão de liberdade.

E a verdadeira liberdade não está no julgar-se que existe uma liberdade absoluta e sem limites, e em liberdade essa que tenha de ser construída em parâmetros assentes por modelos e ideais de práticas teorizáveis e a empurrar fatalmente toda uma sociedade onde apenas se apela ao mercado e ao trabalho - por consumo e por consumidores -, essa é uma ideia sem sentido e que está completamente fora de toda a capacidade do que é ser-se humano a ser-se livre. E liberdade existe, e existe sim, mas sempre adentro do limite ou da delimitação e mesmo que com mais ou menos constrangimentos, é no criar ou na criação, que se dá a transformação ou a alteração e a modificação para melhor do ser humano.

E é nesse hostil território ou limite que nos é imposto, que poderá advir a devida coragem para a transformação, primeiro no singular e depois no colectivo. E por isso, os limites são contributivos para uma liberdade, para ‘a liberdade’ e para uma sociedade mais livre.

E este exemplo de coragem para se seguir em liberdade, sempre esteve presente na criação e nos processos criativos de um artista. Sendo assim que a transformação só existe pelos valores de uma interioridade que estão no ser humano e sempre associados ao limite, e não em seu contrário como nos é dado crer. Assim se conhecermos os nossos limites, a todos os níveis, a qualidade surgirá e poderemos efectivamente fazer com que a coragem e ousadia por dignidade humana surjam para que se efective essa mesma transformação para melhor, numa sociedade, nas vidas das pessoas, no ser humano.

A coragem surge sempre de uma consciência do que é humano e em seu limite. Há que agir mas em conformidade com os valores de uma interioridade, e que estão normalmente em confronto com essa exterioridade por materialidade de materialidades sem limites. E em exterioridade essa que infelizmente nos tem sido imposta primeiro que tudo, e a apontar-se como único objectivo, o aniquilar a dignidade humana e a lançar assim as pessoas e as sociedades para o caos, para a incerteza, para a dúvida, para o temor, para a cobardia, para o desânimo, para a fraqueza, para o pânico, para o horror, para o desumano.

E neste momento estamos já a assistir ao desmoronar desta estrutura social tão marcada por esses valores contrários à criação, e isto por estarem unicamente assentes em valores morais, e por exteriorizantes que são, jamais poderão contribuir para a devida transformação. Uma sociedade só se alterará para melhor se associada a esses mesmos valores da criação e da interioridade humana ou do pensamento enquanto ética e estética.

Aproveito para dizer que criar livremente é uma enorme responsabilidade, é o assumir que a liberdade interior existe e que não estamos aqui para fazer qualquer coisa e de qualquer maneira, é ir mais além a saber que algo de desconhecido que está em nós, terá de se revelar e superar-nos com a devida coragem, e a mostrar que afinal existe uma razão para o ser a ser-se humano.





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A destruição



O HOMEM DESTRUÍDO

PELO HOMEM QUE QUER SER RICO SEM O SER 
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E quem é o homem que quer ser rico sem o ser?

É todo aquele que tudo faz para tudo ter, a nunca ter nada para dar!

É todo aquele que destrói lenta ou rapidamente a natureza e a vida e vidas em prol de uma mentira ou de muitas mentiras tidas de progresso ou razão!


A Europa e todos os países à face da Terra, estão cheios desses destruidores homens, sem alma, sem beleza e sem nada para dar ao Mundo.




O FUTURO

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O futuro não se inventa, cria-se!

E exactamente porque o agora, é resultado de um futuro que foi inventado, que afinal, já não o queremos.

É que o futuro que se precisa é de um futuro criador, ou seja, de um futuro no sentido de uma evolução criadora.

Criar é cuidar de tudo e de todos que nos rodeiam.

E inventar é arranjar soluções que por vezes nos poderão afastar dessa perfeita capacidade do Homem viver humanamente.


 ALICE  VALENTE


Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE


A CONSCIENTE NEGLIGÊNCIA DO CORPO (Ensaio)

(...) E o que ainda nos faz estar aqui, é o cumprimento com o primeiro dos objectivos da vida, o ser a Ser, por seres que somos, de cuidado e de criação, todos aptos, mas mesmo todos aptos e capazes de conseguir, dentro de maiores ou menores limitações, a criar e a cuidar deste nosso planeta, a terra, como se tratasse do nosso próprio  corpo. (...)



Criação Artística e os conceitos usurpados à Arte na Criação



Os apossados da arte a transformá-la em não-arte


Poesia e Fotografia de ALICE VALENTE




O que se nos pensa

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Acerca do que cada pessoa, pensa, diz, escreve e faz, hoje é fácil, comunicarmos a conhecermo-nos um pouco melhor, mas por vezes, há quem esteja tão distante e distraído, que nem se aperceba dessa realidade que se nos afirma!



Às últimas palavras de Fernando Pessoa

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Fernando Pessoa, no dia 29 de Novembro de 1935, um dia antes do seu falecimento no Hospital São Luís (dos Franceses), no Bairro Alto, em Lisboa,  escreveu em inglês, aquelas que seriam as suas últimas palavras, com a seguinte frase:  


"I know not what tomorrow will bring"  

("Não sei o que o amanhã trará")


*

E  sobre Fernando Pessoa que fez ontem 123 anos do seu nascimento, não resisti a transcrever para aqui o excerto que se segue do Livro «Signos em rotação» do grande poeta e escritor mexicano OCTÁVIO PAZ :
O DESCONHECIDO DE SI MESMO - FERNANDO PESSOA

Os poetas não têm biografia. Sua obra é sua biografia. Pessoa que duvidou sempre da realidade deste mundo, aprovaria sem vacilar, que fossemos diretamente a seus poemas, esquecendo os incidentes e os acidentes de sua existência terrestre. Nada em sua vida é surpreendente - nada, exceto seus poemas. Não creio que seu "caso", resignemo-nos a empregar esta antipática palavra, os explique; creio que, à luz de seus poemas, seu "caso" deixa de sê-lo. Seu segredo, ademais, está escrito em seu nome: Pessoa ...
(...)
O mundo de Pessoa não
é nem este mundo nem o outro. A palavra ausência poderia defini-lo, se por ausência se entende um estado fluído, no qual a presença se desvanece e a ausência é anúncio de quê? - momento em que  o presente já não está e apenas desponta aquilo que talvez, será. O deserto urbano cobre-se de signos: as pedras dizem algo, o vento diz, a janela iluminada e a árvore solitária na esquina dizem, tudo está dizendo algo, não é isto que digo e sim outra coisa, sempre outra coisa, a mesma coisa que nunca se diz. A ausência não é só privação e sim pressentimento de uma presença que jamais se mostra inteiramente. Poemas herméticos e canções coincidem: na ausência, na irrealidade que somos, algo está presente. Atónito entre pessoas e coisas, o poeta caminha por uma rua do bairro velho. Entra em um parque e as folhas se movem. Estão a ponto de dizer... Não, não disseram nada. Irrealidade do mundo, na última luz da tarde. Tudo está imóvel, em espera. O poeta já sabe que não tem identidade. Como essas casas, quase douradas, quase reais, como essas árvores suspensas na hora, ele também parte de si mesmo. E não aparece o outro , o duplo, o verdadeiro Pessoa. Nunca aparecerá: Não há outro. Aparece, insinua-se, o outro, o que não tem nome, o que não se diz e que nossas pobres palavras invocam. É a poesia? Não: a poesia é o que fica e nos consola, a consciência da ausência. E de novo, quase imperceptível, um rumor de algo: Pessoa ou a iminência do desconhecido.    (Paris, 1961)



*

Pessoa preocupado com o desenvolvimento do intelecto no Homem, criou os seus próprios amigos ou heterónimos, e é com o heterónimo que mais se assemelha à sua pessoa, o Bernardo Soares, e através do(s) poema(s): 
«a minha pátria é a língua portuguesa»
«Tenho o dever de me fechar em casa no meu espírito
e trabalhar quanto possa e em tudo quanto possa,
para o progresso da civilização
e o alargamento da consciência da humanidade»
 
que nos demonstra que a vida é toda ela reveladora de grandes e bons actos quando afincadamente se trabalha no sentido da valorização e enriquecimento do Ser. E assim foi, com a sua grandiosa e silenciosa obra, ao conseguir dar-nos o Melhor da Língua Portuguesa, simplesmente fazendo, e sabendo que era esse o seu consciente dever, e sem se preocupar com quem o pudesse admirar ou desprezar, e mesmo que tivesse passado mal e até morrido sozinho e sem ter ninguém na sua despedida fúnebre.

E porque sentia tudo, muito, certamente Fernando Pessoa até sabia, de alguma forma, ao que nos traria por Presente, nessa outra Comunicação e Entendimento em sua forte e poderosa beleza de Pensamento - Saber - Poesia.




As joaninhas voam voam

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A joaninha é um dos insectos mais bonitos e surpreendentes, e quando surgem e poisam nos verdes ou nos entram em casa, é bom sinal, é sinal de que chegaram com a Primavera para nos ajudarem a zelar dos jardins, das flores, das plantações. As joaninhas são grandes protectoras da natureza e boas colaboradoras dos agricultores e jardineiros.

Até há quem diga, que trazem sorte, claro, se dão saúde às árvores, flores e vegetação, e acabam com os pulgões que definham roseiras e outras plantas e assim como acabam com a praga de vários insectos que destroem as frutas e plantações, evitando assim o uso daqueles produtos químicos ou os pesticidas que para além de caros, são altamente tóxicos e perigosos para o meio ambiente. E por isso quando vimos por aí, essas graciosas joaninhas, que ao contrário de outros insectos, não nos picam nem nos incomodam, e assim tão pequeninas e harmoniosas, é sempre um motivo de sorriso e enorme contentamento. (*)

Há milhares de espécies de joaninhas. E a joaninha mais comum em Portugal é a que tem o corpo preto, protegido com uma couraça com duas resistentes asas (superiores) de cor vermelha com (normalmente sete) pintas pretas e duas asas (inferiores) que estão ocultas e que só utiliza quando voa. Tem 3 pares de patas. Cada joaninha chega a pôr mais de mil ovos em cada estação. As joaninhas vivem no máximo seis meses.
As joaninhas conseguem viver em sítios inóspitos e ao sentirem-se em perigo, recolhem as patas na couraça e deixam-se cair de folha em folha, e assim que podem, voam, para um local seguro.


(*) Todos os anos poisam joaninhas nas minhas plantas (em pleno centro de Lisboa) e estas três fotografias foram tiradas esta semana. E devido ao carinho que tenho para com estas espantosas criaturas, não resisti em vir aqui partilhar convosco estas imagens!


Poesia: a fala do silêncio

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Na poesia não é o poeta que fala com o silêncio, mas sim o silêncio que fala com o poeta.
Não é o poeta que escolhe ser poeta, mas sim a poesia que escolhe o poeta.

À poesia o que é da poesia

E se falamos
E se comunicamos afectivamente
É porque de poesia se trata
E quando nos deixamos ser natureza
O mundo é todo poesia.

Desconstrução

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Uma «Desconstrução», não como destruição, mas tal como é definida, por Jacques Derrida, e que é a de se sair de uma 'prisão' ou dessa ordenação do mundo que aprova sub-repticiamente certos aspectos da ordem estabelecida enquanto plena autoridade, do Pai, do Estado, do Verdadeiro, do Belo (*)… 
E seria esta, pois, a teoria do filósofo, uma Gramatologia ou Ciência da Escrita, que criasse o fio condutor de uma crítica minuciosa e fundamental para desbloquear essa transcendente e fatídica submissão que tem sido imposta pela tradição ocidental.


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