FICAR PARA TRÁS

...
Ficar para trás
Ao olhar de quem
Avança destruindo


É mero engano
.


Poesia e Fotografia de Alice Valente Alves

Há um tempo infinito ...

...
Há um tempo infinito
Do nada que se espera.
E há tempo.



EM TERRAS DE NINGUÉM

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Há os que vão e há os que ficam.
A ideia de quem fica é a mesma de quem vai - escolhas ou não.
Os que vão levam o que não pode ficar.
E os que ficam resistem ou não.
Uns e outros estão num único e mesmo território.
De Terra sem dono - em terras de ninguém.



O QUE É ISTO E AQUILO

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Isto é isto, isto é aquilo, e aquilo é aquilo, e tudo está assim tão visivel quanto linearmente bem classificado, para que nos possamos reger pelas mesmas e iguais normas, das coisas às pessoas.

E o que não é isto ou aquilo, ou quem não é isto ou aquilo, ou ainda, quem não tem isto ou aquilo, é invisível, não existe para quem só se vê assim, nesta científica, social e obrigatória regulamentação, do tem de ser, no que é isto e aquilo.



A POESIA

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A POESIA  NÃO SE INVENTA.
CRIA-SE.
*

       O FUTURO


"Oh tempo, volta para trás!"

...
Oh tempo, volta para trás!

         (É só o que eu sinto no que as pessoas revelam e em seus saudosismos)


Oh tempo, volta para trás!


Não, o tempo não volta para trás!


Vamos mas é olhar o tempo de frente!


Mesmo os que insistem que o tempo volta para trás, o tempo não volta!!!


E esses que querem um tempo do 'volta para trás' e no que poderão atrasar o olhar em futuro naquilo que se fez no tempo de um 'volta para trás': a inquisição, o fascismo, o nazismo...


O tempo não volta para trás!


Vamos mas é olhar o tempo de frente!






Cultura de dentro para fora

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Só com Cultura haverá possibilidade de um sentido na vida.

Só com Cultura se fará a mudança para uma sociedade melhor.

Só com Cultura existirá Direitos Humanos.

E os que fazem Cultura  ou os que à Cultura estão associados têm uma responsabilidade acrescida nessa mudança, que por vezes se dá muito lentamente e de uma forma subjectiva e invisível, a ocorrer primeiro na mudança de mentalidades e só depois a efectivar-se na mudança propriamente dita.


E infelizmente sabemos que em todo este processo de crise muito bem institucionalizado a partir do início do Séc. XXI, há os que se refugiaram na Cultura, querendo ser pessoas de Cultura. E embora não o sendo, são esses mesmos que de uma forma leviana e insensível querem a todo o custo a dignidade que a Cultura lhes possa vir a dar e em quais bonitos e chorudos cargos que tentam exercer sem nunca terem contribuído (nem antes nem durante e muito menos depois) para essa mesma Cultura. Essas pessoas não são de Cultura nem da Cultura, são efectivamente os maiores parasitas e carrascos da Cultura. Só que mais tarde ou mais cedo a Cultura ir-lhes-á fazer a devida justiça.






Julgam

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HÁ OS QUE JULGAM QUE JULGAM (A PESCA)
*




Circunstancial

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CADA PESSOA VIVE 

UMA VIDA CIRCUNSTANCIAL
*




Exercício

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Exercício

Quantos de nós, seres ligeiramente distantes desta realidade da construção que nos asfixia, e que tudo temos feito e alertado para o "assim não, por  favor", ainda conseguem a força devida para chegar a um qualquer bom porto?
É um remar constante, e não um remar contra a maré de antes, mas já e só contra uma outra maré, tornada num avassalador 'tsunami'.
E, levados contra o arrasar de cidades e atirados contra muros, é este o único fim à vista.
E lá longe, fica-nos de quando em quando, essa ideia em lembrança, tida de um libertador sonho em sonos de todos os dias, no que virá depois, ou na tão desejada e esperada tranquilidade - a morte!


E nada fica.

E nada fica das acções construídas sem alma e coração.
E só fica
Ou só poderá ficar, o que às palavras nos têm a dizer 

E que falam, e que dizem o que há para fazer...
E em quais imagens que todos entenderão.
E fica-nos tudo
Sem livros, sem papéis, sem museus e sem casas.

Fica-nos tudo, e ao que é virtual - o novo território.









Autoridade e poder e a derrocada

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Estamos na era de uma globalização e porque tão ferozmente instalada a nível de um qualquer desígnio e em sua autoridade e poder por colonização, agora segue-se-lhe o já esperado controle e em suas leis assustadoramente absurdas, numa tentativa de querer tornar-se em qual segurança para com todos, que mais não passa mas é, de uma total insegurança e perigo para toda a humanidade.

Ou seja, essa reacção que nos tem revelado a História e a Literatura, de como o poder se assenta em suas leis para tentar impor regras para (com toda a autoridade) gerir esse mesmo território, é naturalmente contra natura, para além de que ao insistir nesse mesmo propósito, está por sua vez e ironicamente, a gerir o seu inverso. Isto é, lado a lado com essa ideia que sempre existiu da parte de quem com toda a autoridade tenta controlar e invadir pessoas, bens e espaços territoriais, por sua vez e longe desses processos progressistas, existe a outra possibilidade de a evolução do ser humano prosseguir com toda a naturalidade, embora é certo de que uma forma muito subjectiva e porque invisível de ser vista e evidentemente, ser posta em prática de imediato.

Contudo e mesmo que estejamos nesta actualidade de uma tão medonha global colonização, essa via ou possibilidade do ser humano se projectar eticamente e de ver-se em seu futuro está já aí, é claro que não está assim facilmente visível para toda a gente e muito menos para os mais distraídos ou nos que ainda julgam que tudo como está, está muito bem, mas com certeza que já está presente para os mais atentos e especialmente para os que não aceitam ou não se atém a esta forma desumana de viver-se e em suas abusivas leis de invasão em autoridade e poder.

E para que se entenda esta derrocada, e que mais tarde ou mais cedo, irá acontecer inevitavelmente, não é preciso grande esforço, basta sim, pensar um pouco, e continuar a contribuir humana e culturalmente para que no mundo e nas sociedades, a mudança para melhor venha a ocorrer (e o quanto antes).





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