23 Maio 2013

Ir é resistir

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IR É RESISTIR

Amanhã é o futuro. Contudo ir em futuro não é já no dia seguinte. É talvez amanhã, mas muito depois do que julgas ser, em teu dia seguinte. Futuro é quando for.

Resistir é ir para o futuro, mesmo que seja muitos dias depois do dia de amanhã.

E resistir é ter como certo o dia de amanhã a fazer o que é certo para que o futuro exista.

Ir, a ir de qualquer maneira, para que a vantagem se antecipe para ontem, é não ir para o futuro, é ir para um futuro qualquer sem futuro.

Ir a resistir é ter como certo o futuro certo. Ir a resistir é ir para o futuro.


O futuro é todos os dias quando fizeres o que é certo para o futuro agora.

E olhar o mundo com poesia é resistir.


18 Março 2013

Sem título

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QUE ESTRANHO MUNDO ESTE 
QUE POR LIVRES SOMOS 
SE LIVREMENTE CONSUMIRMOS
O QUE NÃO NOS FAZ SER LIVRES. 
*




11 Março 2013

INAUDITO

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Não interessa escrever o inaudito.

Não interessa seres o registo de um momento que jamais te regista.

Foge ao inaudito.

Foge ao registo.

E sim, resiste.



27 Fevereiro 2013

QUALQUER

...
Um não mérito qualquer
De calar a boca que se abre
Para comer um qualquer alimento
Que fica na mesa dos ancestrais
Fome devoradora
De olhos que desmentem
Pobres desgovernados
Pela sementeira não colhida
Perdem-se quantos desejos 
À flor da pele de campos
Por cultivar
E todos continuam ainda sentados
Ditando as leis
Em mesas dos famintos
Que esperam pelo nada do prato
Que amontoaram
No dia anterior
Àquela ceia sem hora imposta
E os sumos por fazer
De laranjas perdidas
Deixadas cair apodrecidas
Por ditadores
Com o agrado de agradar
As mesas de não pensadores
Igualdade igual
Da lei sobreposta
Em postas cortadas às fatias
Por facas de igual tamanho.
Distribuídas as leis
Cumpram-se
E as outras mesas
Aquelas mesas esquecidas
Perdidas no acaso
De não se poderem ter em conta
Contam-lhes uma qualquer história
Que os calará sempre
E para sempre
Perderam-se as alegrias
De se viajar
Por papel escrito num lugar
De lugares ainda existentes
À espera de quem lhes dê
A continuidade do valor merecido
Tido em suas contas.



18 Janeiro 2013

Chegar

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 NÃO ESPERES QUE TE COMPREENDAM,

LÁ PORQUE ATÉ CHEGAS A COMPREENDER 

O QUE TE PENSA.
*




25 Setembro 2012

LISBOA ...

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[ Fernando Pessoa ] - Álvaro de Campos

LISBON REVISITED


Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo. 
Anseio com uma angústia de fome de carne 
O que não sei que seja - 
Definitivamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar. 


Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias. 
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver na rua. 
Não há na travessa achada número de porta que me deram. 

Acordei para a mesma vida que tinha adormecido. 
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota. 
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados. 
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos; 
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia. 


Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme; 
Não sei que ilhas do Sul impossível aguardam-me náufrago; 
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei, 
Nos campos últimos da alma onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas), 

Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser, 

Fogem desmantelados, últimos restos 
Da ilusão final, 
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido, 
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus. 

Outra vez te revejo, 
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui... 
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei, 
E aqui tornei a voltar, e a voltar. 
E aqui de novo tornei a voltar? 
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram, 
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória, 
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo, 
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim, 
Estrangeiro aqui como em toda a parte, 
Casual na vida como na alma. 
Fantasma a errar em salas de recordações, 
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem 
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo, 
Sombra que passa através de sombras, e brilha 
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida, 
E entra na noite como um rastro de barco se perde 
Na água que deixa de se ouvir... 

Outra vez te revejo, 
Mas, ai, a mim não me revejo! 
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico, 
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim - 
Um bocado de ti e de mim!...


PESSOA, Fernando (1888 - 1935)
. Lisbon revisited (1926), Poemas de Álvaro de Campos
Ed.  de Cleonice Berardinelli, IN/CM, Lisboa, 1990 



22 Setembro 2012

o progresso e a evolução

0 TRAÇO(S) ...
O progresso anda sempre lado a lado com a evolução, embora de quando em quando, haja um avanço ou recuo do progresso em relação à evolução, e vice-versa. E não confundir progresso com evolução. Progresso e evolução não são sinóminos.
O progresso refere-se sempre à objectividade da acção social exteriorizante e a evolução diz respeito à subjectividade da acção cultural interiorizante do indivíduo. Ou seja, no ser, enquanto o progresso se define pelo resultado prático de uma materialidade que é relativa à linearidade lógica e racional das suas necessidades, a evolução age ou dá-se pelos actos éticos e estéticos que se posicionam no outro lado do necessário e que é subjectivo e imaterial.
Assim, o progresso faz sempre com que a vida se torne numa esperança e ambição, mas por medo. E sendo a evolução em si mesmo, um processo natural e inerente ao indivíduo, concede-lhe uma transformação por um futuro, mas sem medo.
E por vezes, quando o progresso com suas leis e tecnicidades avança em demasia relativamente à evolução, acaba por resvalar no horror e desesperança dos indivíduos. E aí as leis da natureza ou da evolução, inevitavelmente irão surgir para que o equilíbrio se dê. 

Evolução diz respeito à ética, à estética, à consciência, ao entendimento, ao devir.

Progresso diz respeito aos conhecimentos, às tecnicidades, às regras e moralidades  obrigatórias, ao dever. 

De notar que, quando aqui me refiro à evolução, não me atenho ao modelo da «Teoria da Evolução» de Charles Darwin, e que apesar de toda a ciência e em seus cientistas serem adeptos com a tal selecção de que os mais fortes poderem abater os mais fracos como uma noção principal do que é a evolução dos seres, é demasiado conservadora, progressista e aniquiladora, para o que é afinal, a verdadeira Evolução do Ser. E por isso, sempre que me refiro à evolução, atenho-me à «Evolução Criadora» de Bergson e que assenta num tempo que é baseado no entendimento da consciência interior, e que acaba por ser a evolução ou transformação que urge tão necessária para que a humanização aconteça e possa ser uma presente e constante na realidade da vida das pessoas. E porque, é sempre com a evolução (e não com o progresso), que se dá a felicidade ou o verdadeiro desejo de viver.







13 Setembro 2012

Estar

0 TRAÇO(S) ...

Ontem as aranhas subiam as escadas de seus andaimes. Às obras eram feitas os ajustes. Bem estavam os que não se olharam nessa construção. 


Montes sentados em pedras descalças. Acertam todos os dias ao tempo que não se desejam. Contudo já tudo está preparadíssimo para a despedida.


Festas e aparatos de bem postas mesas ao regalo de esquecidos os que lá não se sentam. Ondas cansativas repetem-se em tamanha desigualdade. E tudo está!

11 Setembro 2012

ao 11 Setembro de há 11 anos

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NOVA IORQUE - Ilha de Manhattan - Imagem áerea nº 31 - 1993 - Fotografia e Arquivo de ALICE VALENTE ALVES



Clique na imagem (e depois em +) para ampliar


01 Setembro 2012

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