04 Agosto 2007

Competir ou HUMANIZAR

Os processos da criatividade, da criação e de tudo aquilo que é manifestamente artístico são processos edificantes do ser no seu todo, compreendendo na personalidade e carácter do ser em si mesmo, para além do que é aparentemente inteligível, também todas as outras insignificantes formas diferenciadas e tidas como secundárias e até de limitativas, e que equitativa e equilibradamente se regem ou auto-regulam na procura do outro e dos outros sempre numa qualquer prioritária dádiva.

Criar é a mais perfeita das comunicações. Por isso a poesia, se relevar como uma das mais íntegras e ajustadas formas de revelação do que é o sensível no sensível, pelo carisma e vitalidade do que é a oferta em sua plena e primordial beleza, e isto por se ocasionar com toda a espontaneidade em si e por si mesma, sem mais delongas esperas.

Ao criar, cavamos e escavamos a alicerçar o que existe de mais elevado do nosso existir e a termos a certeza que esse confronto será tão fértil quanto proveitoso em todas as suas predefinições.

Daí se tornar tão importante, para o artista ou para qualquer pessoa sensível, saber do trabalho e do fazer dos outros pela criatividade em afectividade, não no sentido de uma hostil e antagónica competitividade, mas no sentido de um crescimento e enriquecimento interior. Porque só nos conseguimos realizar com a realização dos outros, quando todo e qualquer ser se apresentar liberto e desprovido dessas mesmas rivalidades em agressivas e competitivas conflitualidades.

Há que ter em atenção a tomar nota, que preço igual a valor jamais poderá fazer parte dos valores humanos.
Querer substituir os valores humanos no âmbito de preços é a via mais atrozmente descabida do humanizar.
É que o valor da dignidade, do educar, do cuidar e do conhecimento pela maturidade não têm preço.
Esses valores do valor em preços viabilizam-se pela competição na invasão e ocupação do espaço do outro, dos outros através da mentira e do jogo em grandes manhas estratégicas, a copiar, a tirar, a roubar e por final a matar com todas as inerentes e expressas legalidades.

Os VALORES, os verdadeiros valores construídos com toda a consciência são em suma e inegavelmente, os que erigidos pela via do que é sensível e (ou) inerente à criatividade.
Por isso a CULTURA de um indivíduo, de uma família, de um povo, de um país ou do mundo, tornar-se a
exclusiva ou única verdadeira riqueza fundamentada, resultado ou fruto de uma realização em autenticidade por conseguir ser-se humano.


Em continuidade do >>> APREÇAR a vida


7 TRAÇO(S):

Manuelinho disse...

Não podia estar mais de acordo. A verdadeira conta bncária de um ser humano é o conhecimento.

Francisco Fuchs disse...

Que saudades que eu estava a sentir disto aqui...

Um forte abraço, minha querida amiga, e até sempre! =)

Phwo disse...

Como me identifico com o que dizes.
E como é complicado gerir, por aqui, a falta de sensibilidade e disponibilidade para abraçar essa visão.
Gostei do texto.
Bjs.

ali_se disse...

MANUELINHO!
É isso mesmo: A VERDADE da verdadeira vida ou da vida verdadeira é exactamente aquela que se vive não pela via dos conhecimentos, mas sim pelo CONHECIMENTO...
Cumprimentos e muito obrigada

FRANCISCO!
Que surpresa boa apareceres por aqui. Andas ocupado com o teu livro. Continua que todos precisamos mesmo muito muito desse teu Pensar em OBRA!
Um grande abraço e até SEMPRE!

PHWO!
Sim, trata-se de uma visão ou creio que, talvez mais, de uma verdadeiramente questão de ver...
E consciente ou inconscientemente esta visão SEMPRE foi difícil gerir a pôr-se logo logo assim em prática, embora (a longo prazo) seja SEMPRE ela, a verdadeira VERDADE de por cá ainda continuarmos com toda a RAZÃO. Sempre assim foi e porque também o que SEMPRE ficou de inegável e realmente importante foi o que se conseguiu afirmar nesse mesmo visão de se estar a dizer-se «NÃO» ao que mal está!...
Beijinhos e muito obrigada

Mário disse...

Muito boa reflexão cara Alice, infelizmente é muito raro podermos arriscar baixar a guarda em relação ao que fazemos.
Já tinha colocado o seu blogue no leitor de RSS, mas ainda não tinha podido ler com atenção nenhuma entrada. Hoje que o fiz finalmente dou os parabéns pela qualidade.

ali_se disse...

MÁRIO
Muito Obrigada pelas palavras, incentivo e link.
E lá irei fazer uma visita ao seu blogue, blogue que aliás até conhecia pela sua originalidade...
Os meus sinceros cumprimentos

Mário disse...

Obrigado pelas palavras Alice, espero conseguir contribuir com algo de útil nos comentários.