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a árvore ao jardim
Alice Valente Alves

O artista e a dignidade humana

Estes excertos que se seguem são dirigidos aos que por aí andam cómoda e pateticamente vendados, em tanta cegueira que lhes foi incutida, e coitados até se sentem bem assim, e claro está, que não compreendem, e jamais entenderão, que uma linha de pensamento onde felizmente, muitas pessoas até estão inseridas, é só e unicamente uma questão de lucidez e de dignidade humana, e não terá de passar e neste meu caso não passa mesmo, aos que incomodados assim queiram ou tentem apelidar por que ideologias vigentes.
«(…) deveres obrigados a serem cumpridos a todo o custo geram mitos, entretenimentos, distracções e passatempos e tentam apanhar os desprevenidos e até os prevenidos a confundir tudo e todos com mentiras, falácias e sempre numa omissão para com a verdade. O entretenimento faz esquecer a forma genuína de se pensar direccionada a um bem comum a todos. O entretenimento não provoca prazer, mas sim gozo, é uma forma de fazer esquecer ou diluir o pensamento no menor esforço possível. O entretenimento vem do colectivo para o singular, é uma apreciação em frases feitas do colectivo dirigida ao singular, fazendo por imergir o singular numa moda disponível a ser usada como sugestiva e conveniente pelo poder que comanda o colectivo. E o resultado de um pensamento singular e genuíno dirigido a um bem comum e ou ao colectivo, será efectivamente Cultura. O entretenimento estará inteiramente ligado ao dever, e é o que fica do que não foi possível criar, é a repetição feita para um povo obrigado à igualitária forma de se acomodar como subjugado. Mas é o povo com os seus artistas que fazem Cultura e não o entretenimento dos geradores de poderes e mitos que farão os artistas, a Arte, o Devir! A Cultura é pois o porvir do Devir. O artista existe e jamais desaparecerá enquanto existirem sociedades e sociabilidades. O artista existe porque existe um povo. Um povo que carrega o peso de seus mandatários. E na mesma igualdade, ambos, povo e artista, que advêm desse somatório de resistências ao intolerável, à fome, à miséria, ao sofrimento, à opressão e na condição do Ser em desejos de Ser­-se humano.

E a não ser possível um povo gerir os seus afectos e a sua forma de se manifestar artisticamente é um povo sem futuro, é um povo ou uma sociedade suicida. E o suicídio em suicidas é a morte anunciada e vindoura do colectivo sem singulares. (…) Existe uma realidade para os excluídos da face da Terra pelo Homem que instituiu tão monstruosas regras em crenças e poder do dever em não devir, que o suicídio será em breve a maior prova de coragem do ser, que não se suporta mais nestas condições de escravatura cativa. Essa compreensão para os de ditos fracos e ou excluídos em toda a extensão do humanitário por não aceitarem compactuar com tanto mal, infortúnio e dor, tornar-se-á em nossa contemporaneidade, o ponto mais forte da dita coragem da dignidade humana em não-ser.

(…) Sendo o devir sempre uma obrigação contrária ao dever, não se rege, nem se deixa comandar por leis impostas pelo Homem, o Devir é o catalisador da motivação existencial e é orientado por leis interiores bem definidas corporalmente. Quando digo corporalmente, tal como fez Bento Espinosa, englobo o corpo não o dissociando da alma e do pensamento em sua Natureza de Ser. O devir diz sempre e unicamente respeito à projecção do pensamento numa saudade em futuro, ou seja, o Devir é sempre um devir­ artístico-filosófico. (...)»
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